Nanomicelas de Nicergolina 1mg/1mL
Ação neuroprotetora e suporte cognitivo com absorção otimizada.
Acesso rápido
Biodisponibilidade
Tecnologia das nanomicelas
Tempo de meia-vida
Mecanismos de ação
Atuação serotoninérgica
Aumento da substância P e reflexos de deglutição
Ação neuroprotetora
Ação vasodilatadora
Modulação catecolaminérgica
Ação colinérgica
Ação antitrombótica e antiagregante plaquetária
Principais indicações terapêuticas
Apresentação disponível
Sugestões de uso
Referências
O que é nicergolina?
A nicergolina é um fármaco semissintético derivado do ergot, utilizado na prática clínica há mais de 30 anos. Apresenta múltiplos mecanismos de ação que sustentam seus efeitos terapêuticos, destacando-se as propriedades vasodilatadoras, o antagonismo dos receptores alfa-1-adrenérgicos, a ação antioxidante e a modulação dos sistemas noradrenérgico, dopaminérgico e colinérgico.
Suas principais indicações clínicas estão relacionadas a distúrbios cognitivos e vasculares cerebrais (tanto agudos quanto crônicos), incluindo arteriosclerose cerebral, trombose e embolia cerebral, isquemia cerebral transitória e demências senis e pré-senis, como Alzheimer e Parkinson.
Pode ser utilizada no declínio cognitivo associado ao envelhecimento, contribuindo para a melhora da memória, da atenção e do raciocínio, além de apresentar aplicações em distúrbios metabólico-vasculares periféricos, como a doença de Raynaud, exercendo ação antiplaquetária e efeito vasodilatador sobre os membros superiores e inferiores.
Como tem sido investigada em diferentes contextos terapêuticos, evidências científicas apontam os potenciais benefícios da nicergolina também em condições como neuropatia óptica e glaucoma, com melhora em parâmetros eletrofisiológicos da retina e do córtex visual. Demonstra ainda efeitos promissores no manejo da ceratopatia neurotrófica, contribuindo para a cicatrização da córnea e para a restauração da sensibilidade ocular, além de atuar como adjuvante na reabilitação de pacientes com sequelas crônicas de AVC isquêmico e em transtornos do equilíbrio.
Biodisponibilidade
A nicergolina apresenta instabilidade em solução e baixa absorção quando administrada por via oral, com menos de 5% do fármaco sendo efetivamente absorvidos. Essas limitações estão relacionadas à sua estrutura química e ao metabolismo de primeira passagem hepática, fatores que comprometem sua biodisponibilidade sistêmica.
É extensamente ligada a proteínas plasmáticas (>90%) e aproximadamente 67% da dose administrada é excretada pela urina na forma de metabólitos livres, enquanto cerca de 10 a 20% é eliminada pelas fezes, em um período de 3 a 4 dias.
A encapsulação em nanomicelas proporciona maior biodisponibilidade da nicergolina, possibilitando a otimização significativa da estabilidade da molécula e potencializando seus efeitos terapêuticos.
Tecnologia das nanomicelas
A incorporação da nicergolina em nanomicelas melhora significativamente sua solubilidade e estabilidade, promovendo uma liberação controlada do ativo.
Estudos demonstram que essa tecnologia pode elevar a biodisponibilidade em até 1,67 vezes no plasma e 4,57 vezes no cérebro. Além disso, a formulação única, pronta para uso, oferece maior flexibilidade e precisão nas estratégias terapêuticas, permitindo a administração pelas vias endovenosa e intramuscular.
Tempo de meia-vida
Após a administração parenteral, a nicergolina é rapidamente absorvida, atingindo sua concentração máxima entre 60 e 90 minutos. No cérebro, sua forma nanoestruturada apresentou um tempo de meia-vida de 2,38 horas, significativamente superior ao da nicergolina em solução, que foi de 1,03 horas.
A incorporação da nicergolina em nanomicelas contribui para o prolongamento de sua permanência no organismo, conferindo maior estabilidade à molécula, reduzindo a necessidade de administrações frequentes e favorecendo a adesão ao tratamento, além de potencialmente minimizar os eventos adversos associados a picos de concentração plasmática.
Mecanismos de ação
Atuação serotoninérgica
A nicergolina atua como antagonista não competitivo dos receptores serotoninérgicos 5-HT3A, ligando-se a locais distintos do sítio da serotonina e bloqueando seletivamente o canal iônico em seu estado aberto. Esse efeito, que é reversível e dependente da concentração, pode contribuir para a estabilização de circuitos neurais envolvidos na cognição, além de modular sintomas associados à ansiedade, a distúrbios gastrointestinais funcionais e a condições neurodegenerativas, sugerindo um potencial efeito ansiolítico e benefícios em quadros de demência.
Aumento da substância P e reflexos de deglutição
A nicergolina estimula o aumento da substância P, um neuropeptídeo envolvido na modulação da dor, do reflexo do vômito e dos mecanismos de deglutição. Estudos demonstram o aumento dos níveis séricos dessa substância em pacientes idosos com disfagia e pós-AVC, sugerindo possível aplicação no suporte à deglutição. A relação funcional entre a substância P e os receptores 5-HT3A também pode contribuir para seu efeito terapêutico.
Ação neuroprotetora
A nicergolina apresenta uma ação neuroprotetora multifatorial, atuando em diversos processos celulares e moleculares envolvidos na degeneração neuronal. Entre seus principais mecanismos, destaca-se a redução do estresse oxidativo por meio do aumento da atividade de enzimas antioxidantes, como a catalase, e da inibição da peroxidação lipídica, protegendo os neurônios de danos induzidos por espécies reativas de oxigênio.
Além disso, modula a inflamação glial ao inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-1β, IL-6 e TNF-α, e aumentar a liberação de fatores neurotróficos, criando um ambiente mais favorável à sobrevivência dos neurônios. A nicergolina também favorece a recaptação do glutamato após eventos isquêmicos, reduzindo a excitotoxicidade e a morte celular.
Outro mecanismo relevante envolve sua ação sobre a via de sinalização PI3K/AKT, que estimula a neurogênese, promove a sobrevivência neuronal e reduz processos inflamatórios e apoptóticos. Esses efeitos têm sido associados à redução de marcadores patológicos da doença de Alzheimer (como Aβ-42, Aβ-40 e APP), à regulação positiva de proteínas neuroprotetoras e à inibição de genes pró-apoptóticos (como caspase-3, caspase-9, Bax e Bid).
Ação vasodilatadora
A nicergolina promove uma ação vasodilatadora ao antagonizar seletivamente os receptores alfa-1A-adrenérgicos, inibindo os efeitos vasoconstritores mediados por catecolaminas. Esse mecanismo melhora o fluxo sanguíneo cerebral, favorece o metabolismo energético e estimula a atividade neuronal, contribuindo para benefícios terapêuticos em distúrbios cognitivos e vasculares cerebrais.
Modulação catecolaminérgica
A atividade catecolaminérgica é modulada por meio do aumento do turnover de catecolaminas, evidenciado pela elevação dos metabólitos, como o ácido homovanílico para dopamina e o 3-metoxi-4-hidroxifenilglicol para noradrenalina. Isso ocorre, em parte, pela inibição de autorreceptores pré-sinápticos, que normalmente reduzem a liberação desses neurotransmissores. Há também evidências de que ela interfere na recaptação sináptica, prolongando a ação das catecolaminas.
Ação colinérgica
A nicergolina estimula a neurotransmissão colinérgica, aumentando a liberação de acetilcolina e restaurando a função de enzimas e receptores colinérgicos em cérebros envelhecidos. Além disso, exerce efeitos neuroprotetores ao prevenir a degeneração neuronal e elevar os níveis de fatores neurotróficos como NGF e BDNF, promovendo a sobrevivência e funcionalidade dos neurônios.
Ação antitrombótica e antiagregante plaquetária
Sua ação antiplaquetária e antitrombótica é exercida por meio de dois mecanismos complementares. Metabolicamente, inibe a fosfolipase A2, reduzindo a liberação de ácido araquidônico e, consequentemente, a síntese de prostaglandinas e tromboxano A₂, importantes mediadores da agregação plaquetária.
Estruturalmente, interfere na organização dos microtúbulos e desestabiliza o complexo de membranas das plaquetas, comprometendo a sinalização intracelular de cálcio e a secreção de grânulos densos, etapas cruciais no processo de agregação. Esses efeitos combinados contribuem para o potencial antitrombótico da nicergolina.
Principais indicações terapêuticas
Propriedades antioxidante, anti-inflamatória e neuroprotetora: contribui para a saúde neurológica e vascular, protege os tecidos contra o estresse oxidativo, modula a inflamação glial, promove a liberação de fatores neurotróficos e melhora a função cognitiva.
Nootrópico em distúrbios cognitivos e demências: auxilia no manejo do comprometimento cognitivo leve e das demências senis e pré-senis, incluindo Alzheimer e demência vascular, auxiliando na redução de sintomas como déficit de memória, atenção, linguagem e orientação. Também potencializa a função colinérgica e catecolaminérgica, o que contribui para a melhora da transmissão sináptica envolvida em processos de memória e aprendizagem.
Distúrbios vasculares cerebrais: auxilia no manejo de sequelas de acidente vascular cerebral isquêmico crônico e no comprometimento cognitivo leve associado à insuficiência vascular cerebral, arteriosclerose cerebral, trombose, embolia, isquemia cerebral transitória e enxaqueca.
Doenças vasculares periféricas: atua como vasodilatador, auxiliando nas desordens vasculares como claudicação intermitente, doença de Raynaud e arteriopatias periféricas associadas ao envelhecimento.
Alterações visuais: promove a cicatrização epitelial e regeneração nervosa da córnea, a proteção retiniana em condições isquêmicas, por induzir a vasodilatação ocular, e auxilia no tratamento do glaucoma.
Apresentação disponível
Nanomicelas de Nicergolina 1mg/1mL

Sugestões de uso
Endovenosa (EV): recomenda-se a administração endovenosa diluindo a ampola do produto em 250mL de soro fisiológico 0,9% e aplicando com gotejamento inicial lento (45-60min/bolsa), 1 vez por semana, de 8 a 10 sessões, avaliando individualmente cada paciente.
Intramuscular (IM): recomenda-se a administração intramuscular aspirando o conteúdo da ampola em uma seringa e aplicando lentamente no músculo ventroglúteo e dorso glúteo de forma profunda, 1 vez por semana, de 8 a 10 sessões, avaliando individualmente cada paciente.
Contraindicamos a aplicação intramuscular no músculo vastolateral e deltoide.
IMPORTANTE
Este material é de apoio técnico para prescritores e é proibida a sua divulgação para consumidores, nos termos do item 5.14 da RDC 67/2007.
ABOUREHAB, M. A. S.; KHAMES, A.; GENEDY, S.; MOSTAFA, S.; KHALEEL, M. A.; OMAR, M. M.; EL SISI, A. M. Sesame oil-based nanostructured lipid carriers of nicergoline, intranasal delivery system for brain targeting of synergistic cerebrovascular protection. Pharmaceutics, v. 13, p. 581, 2021.
KIM, S. Y.; YANG, J.; LEE, Y. C. The effects of nicergoline on corneal nerve regeneration in rat corneas after photorefractive keratectomy. Curr Eye Res., v. 36, n. 1, p. 29-33, 2011.
LEE, Y. C.; KIM, S. Y. Treatment of neurotrophic keratopathy with nicergoline. Cornea, v. 34, n. 3, p. 303-7, mar. 2015.
MOROZOV, P. V. Clinical application of Sermion (nicergoline). Meditsinskiy Sovet, n. 2 (66), 2015.
PAN, Xidong et al. Blocking α1 Adrenergic Receptor as a Novel Target for Treating Alzheimer’s Disease. ACS Chemical Neuroscience, v. 15, n. 20, p. 3724-3734, 2024.
PYEON, M.; MOON, M.; YUN, J.; YANG, J.; YEOM, H. D.; LEE, G.; LEE, J. H. Molecular mechanisms of nicergoline from ergot fungus in blocking human 5-HT3A receptor. Journal of Microbiology and Biotechnology, 2024.
POLANIA-BARON, E. J.; GRAUE-HERNANDEZ, E. O.; RAMIREZ-MIRANDA, A.; NAVAS, A. Concomitant bandage contact lens, oral nicergoline, and topical autologous serum for severe neurotrophic keratitis. Eye & Contact Lens, v. 49, n. 3, p. 116-119, 2023.
SERMION. In: RÚSSIA. Ministério da Saúde. Instruções de Uso Médico do Medicamento Sermion. Número de Registro N011253/02.
WALFORD, T.; MUSA, F. I.; HARPER, A. G. Nicergoline inhibits human platelet Ca(2+) signalling through triggering a microtubule-dependent reorganization of the platelet ultrastructure. British Journal of Pharmacology, v. 173, n. 1, p. 234-247, 2016.
WINBLAD, B.; FIORAVANTI, M.; DOLEZAL, T.; LOGINA, I.; MILANOV, I. G.; POPESCU, D. C.; SOLOMON, A. Therapeutic use of nicergoline. Clinical Drug Investigation, v. 28, n. 9, p. 533-552, 2008.
XING, H. et al. Recent Advances in Drug Development for Alzheimer’s Disease: A Comprehensive Review. International Journal of Molecular Sciences, v. 26, n. 3, p. 3905, 2025.
Comentários