Progesterona base 50mg/1mL

Equilíbrio hormonal e bem-estar feminino.

O papel da progesterona na saúde da mulher

A progesterona é um hormônio da classe dos esteroides, essencial para o ciclo menstrual e a gravidez. Ela atua na preparação do endométrio para uma possível implantação do embrião, além de manter o ambiente uterino adequado ao longo da gestação, regular a resposta imunológica e preservar a densidade óssea. Seus benefícios também são observados na saúde mental, podendo aliviar sintomas de ansiedade e depressão em mulheres.

Apresentação disponível

Progesterona base (5%) 50mg/1mL

Indicações terapêuticas

A progesterona injetável é geralmente indicada para o tratamento de distúrbios menstruais, reposição hormonal e suporte à gestação, especialmente em casos de endometriose ou até mesmo câncer.

Mecanismo de ação

A progesterona exerce diferentes funções essenciais para o corpo. No sistema reprodutor, atua na manutenção do endométrio durante a gravidez e na vascularização do endométrio durante a ovulação, com efeitos positivos na prevenção do câncer e no manejo da endometriose. No sistema nervoso, tem efeito neuroprotetor e participa da proliferação de mielina, além de contribuir para a saúde mental. No sistema musculoesquelético, interage com o estrogênio para manter o equilíbrio necessário ao alcance do pico de densidade mineral óssea. No contexto prostático, existe uma relação entre a progesterona e a hiperplasia benigna da próstata, apoiada na presença de seus receptores no tecido prostático.

Equilíbrio hormonal

A progesterona desempenha um papel crucial no eixo hipotálamo–hipófise–adrenocortical. Durante a fase lútea, o hipotálamo libera o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), que age sobre a glândula pituitária anterior. Em resposta, essa glândula libera FSH e LH, hormônios que, posteriormente, atuarão nas gônadas.

No ovário feminino, a ação de FSH e LH estimula a liberação de progesterona. Níveis excessivos de progesterona causam inibição de feedback negativo em cada órgão anterior, levando à interrupção da liberação de hormônios. Esse processo garante um controle regulado dos níveis hormonais.

Alterações nesse eixo resultam em desregulação hormonal, afetando diversos sistemas do corpo e outros hormônios a jusante.

Prevenção de câncer

Altos níveis de progesterona durante a gravidez estão associados à redução do risco de câncer de ovário e de endométrio, em grande parte por induzir a diferenciação celular e antagonizar os efeitos proliferativos do estrogênio. A gravidez também está relacionada a uma menor probabilidade de câncer de mama, embora esse efeito envolva múltiplos fatores além dos hormonais.

No endométrio, a progesterona exerce um papel antimitogênico, contribuindo para a proteção contra o desenvolvimento de cânceres, enquanto sua deficiência pode aumentar esse risco. Além disso, em câncer de ovário, há evidências de que a progesterona induz a apoptose de células tumorais e está ligada à proteção conferida pela gravidez.

Gestação e endometriose

Mulheres com endometriose frequentemente apresentam resistência à progesterona, caracterizada por uma resposta endometrial reduzida ao hormônio. Essa alteração leva à menor expressão de genes importantes para a implantação e a manutenção da gravidez, além de favorecer um ambiente inflamatório. Estudos indicam que o aumento dos níveis de progesterona na gravidez pode promover a regressão das lesões endometrióticas.

Sistema nervoso

A progesterona também desempenha um papel funcional no eixo neuroendócrino. Ela exerce efeitos neuroprotetores tanto no sistema nervoso central quanto no periférico, influenciando processos de mielinização e a regulação da plasticidade astroglial. Além disso, contribui para a sobrevivência dos neurônios em doenças neurodegenerativas, como a esclerose lateral amiotrófica, efeito relacionado à ampla expressão de seus receptores ao longo do sistema nervoso.

Saúde mental

A progesterona atua no cérebro como um neuroesteroide, influenciando diretamente a regulação do humor, da ansiedade e de sintomas depressivos. Seu principal metabólito, a alopregnanolona, desempenha papel central nesses efeitos, atuando sobretudo no sistema GABAérgico.

Evidências indicam que o papel modulador da alopregnanolona sobre os receptores GABA-A aumenta a inibição neuronal e contribui para efeitos ansiolíticos, sedativos e antidepressivos. Flutuações nos níveis de progesterona e de alopregnanolona, como no ciclo menstrual, no pós-parto ou na menopausa, podem desestabilizar esse sistema e aumentar a vulnerabilidade à depressão em mulheres suscetíveis.

Além disso, a progesterona e seus metabólitos também estimulam a expressão do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) no hipocampo, favorecendo a neuroplasticidade e colaborando para efeitos antidepressivos.

Saúde óssea

A reabsorção e a reconstrução dos ossos dependem dos hormônios estradiol e progesterona, assim como dos osteoblastos (células formadoras de osso). Nesse processo, a progesterona estimula o crescimento osteoblástico por meio do receptor P-4 durante o início da modelagem óssea. Enquanto ela contribui para a formação do osso de maneira mais lenta, o estradiol atua na sua reabsorção de forma mais rápida.

Anormalidades ovulatórias associadas à deficiência de progesterona podem resultar em baixos níveis de P4 e um declínio subsequente na capacidade de atingir o pico de densidade mineral óssea.

Via de administração

Intramuscular

A administração intramuscular em veículo oleoso deve ser feita pela via intramuscular profunda, utilizando a técnica em Z. Essa técnica é recomendada para todas as injeções intramusculares, pois ajuda a reduzir a dor e evita o escape da medicação pelo local de inserção da agulha. A aplicação deve ocorrer a uma velocidade de 1mL a cada 10 segundos, permitindo que as fibras musculares se expandam e acomodem a solução oleosa.

A escolha do local de aplicação e do calibre da agulha também é essencial para uma administração adequada. É importante selecionar regiões com massa muscular suficiente para receber o medicamento. Segundo o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (2010), a região ventroglútea é a opção mais segura e de primeira escolha para injeções intramusculares, pois reduz o risco de punções acidentais de vasos sanguíneos e nervos. A região dorsoglútea também é indicada e se apresenta como uma alternativa adequada para aplicações de veículos oleosos.

Tempo de meia-vida

Após a administração intramuscular de progesterona em veículo oleoso, as concentrações plasmáticas máximas são alcançadas cerca de 8 horas após a injeção, permanecendo acima dos níveis basais por aproximadamente 24 horas após a injeção.

IMPORTANTE

Este material é de apoio técnico para prescritores e é proibida a sua divulgação para consumidores, nos termos do item 5.14 da RDC 67/2007.

Itsekson, A. M. et al. Intradermal sex hormone desensitization for relief of premenstrual symptoms may improve the obstetric outcome of women with recurrent pregnancy loss. Gynecological Endocrinology, 2013; 29(2): 169–172. DOI: 10.3109/09513590.2012.730582

Tanguay, M. et al. Comparative Bioavailability of TwoDaily Subcutaneous Doses Versus aSingle Dose of Intramuscular andVaginal Progesterone Formulations inHealthy Postmenopausal Females. Clinical Pharmacologyin Drug Development2023, 12(12) 1221–1228. DOI: 10.1002/cpdd.1300

Schickler, R. et al. The potential for intramuscular depot medroxyprogesterone acetate as a self-bridging emergency contraceptive. Contraception: X 3 (2021) 100050. DOI: https://doi.org/10.1016/j.conx.2020.100050

Scavno, C. et al. Efficacy and Safety Profile of Diclofenac/Cyclodextrin and Progesterone/Cyclodextrin Formulations: A Review of the Literature Data. Drugs R D (2016) 16:129–140. DOI 10.1007/s40268-016-0123-2

Watson Laboratories, Inc. Corona, CA 92880 USA. PROGESTERONE INJECTION USP IN SESAME OIL FOR INTRAMUSCULAR USE ONLY.

Goletiani NV, Keith DR, Gorsky SJ. Progesterone: review of safety for clinical studies. Exp Clin Psychopharmacol. 2007 Oct;15(5):427-44.

Taraborrelli S. Physiology, production and action of progesterone. Acta Obstet Gynecol Scand. 2015 Nov;94 Suppl 161:8-16.

Prior JC. Progesterone for the prevention and treatment of osteoporosis in women. Climacteric. 2018 Aug;21(4):366-374.

Kaore SN, Langade DK, Yadav VK, Sharma P, Thawani VR, Sharma R. Novel actions of progesterone: what we know today and what will be the scenario in the future? J Pharm Pharmacol. 2012 Aug;64(8):1040-62

Mu, E., Chiu, L., & Kulkarni, J. (2025). Using estrogen and progesterone to treat premenstrual dysphoric disorder, postnatal depression and menopausal depression. Frontiers in Pharmacology, 16. https://doi.org/10.3389/fphar.2025.1528544.

Stefaniak, M., Dmoch-Gajzlerska, E., Jankowska, K., Rogowski, A., Kajdy, A., & Maksym, R. (2023). Progesterone and Its Metabolites Play a Beneficial Role in Affect Regulation in the Female Brain. Pharmaceuticals, 16. https://doi.org/10.3390/ph16040520.

Main, C., Chen, X., Zhao, M., Chamley, L., & Chen, Q. (2022). Understanding How Pregnancy Protects Against Ovarian and Endometrial Cancer Development: Fetal Antigens May Be Involved. Endocrinology, 163. https://doi.org/10.1210/endocr/bqac141.

Jordan, S., Na, R., Weiderpass, E., Adami, H., Anderson, K., Van Den Brandt, P., Brinton, L., Chen, C., Cook, L., Doherty, J., Du, M., Friedenreich, C., Gierach, G., Goodman, M., Krogh, V., Levi, F., Lu, L., Miller, A., McCann, S., Moysich, K., Negri, E., Olson, S., Petruzella, S., Palmer, J., Parazzini, F., Pike, M., Prizment, A., Rebbeck, T., Reynolds, P., Ricceri, F., Risch, H., Rohan, T., Sacerdote, C., Schouten, L., Serraino, D., Setiawan, V., Shu, X., Sponholtz, T., Spurdle, A., Stolzenberg-Solomon, R., Trabert, B., Wentzensen, N., Wilkens, L., Wise, L., Yu, H., La Vecchia, C., De Vivo, I., Xu, W., Zeleniuch‐Jacquotte, A., & Webb, P. (2020). Pregnancy outcomes and risk of endometrial cancer: A pooled analysis of individual participant data in the Epidemiology of Endometrial Cancer Consortium. International Journal of Cancer, 148, 2068 - 2078. https://doi.org/10.1002/ijc.33360.

Patel, B., Rudnicki, M., Yu, J., Shu, Y., & Taylor, R. (2017). Progesterone resistance in endometriosis: origins, consequences and interventions. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, 96, 623 - 632. https://doi.org/10.1111/aogs.13156.