L-carnitina (30%) 600mg/2mL

Favorece a produção de energia, melhora a resistência e apoia a função muscular.

L-Carnitina: funções metabólicas e seu papel na saúde celular

A L-carnitina é um antioxidante natural presente em mamíferos e desempenha papel fundamental no transporte de ácidos graxos de cadeia longa para o interior das mitocôndrias, onde serão utilizados na produção de energia. Esse processo é essencial para tecidos altamente dependentes de oxidação lipídica, como o músculo esquelético e o cardíaco.

Além de favorecer a beta-oxidação, a L-carnitina influencia o metabolismo de carboidratos e proteínas. Ao facilitar a entrada dos ácidos graxos no ciclo de Krebs, ela reduz a necessidade de utilização periférica de glicose e melhora a eficiência energética celular. Também contribui para o equilíbrio do perfil lipídico, reduzindo a formação excessiva de triglicerídeos e favorecendo o aumento de HDL e a redução de VLDL.

No organismo, a L-carnitina é sintetizada a partir dos aminoácidos essenciais lisina e metionina, processo que depende de ferro, ácido ascórbico, niacina e vitamina B6. Embora seja produzida naturalmente e bem tolerada, sua suplementação tem sido estudada devido aos seus efeitos metabólicos e antioxidantes, especialmente em indivíduos com necessidades específicas.

Apresentação disponível

L-Carnitina (30%) 600mg/2mL – EV / IM / SC / ID

Indicações terapêuticas

  • Estímulo à beta-oxidação mitocondrial
  • Apoio na redução de fadiga muscular e dores miálgicas
  • Melhora da recuperação energética celular
  • Suplementação em casos de deficiência — como em pacientes em hemodiálise ou com disfunção renal avançada
  • Adjuvante para redução de gordura localizada
  • Auxílio no manejo da neuropatia diabética
  • Apoio em casos de claudicação intermitente
  • Melhora da função muscular e da performance física e suporte na cardiomiopatia dilatada

Ação da L-carnitina em diferentes sistemas

1. Sistema cardiovascular

O coração é um dos órgãos que mais dependem da oxidação de ácidos graxos como fonte de energia. A L-carnitina participa diretamente desse processo ao transportar esses ácidos graxos para as mitocôndrias das células cardíacas.

Durante episódios de isquemia — como angina, infarto agudo do miocárdio (IAM) e insuficiência cardíaca — ocorre rápida depleção de carnitina no tecido cardíaco. Essa queda, associada ao acúmulo de ésteres de acilcarnitina, pode danificar as membranas celulares e prejudicar a atividade elétrica e contrátil do miocárdio.

A suplementação pode:

  • Repor os estoques intracelulares de carnitina
  • Prevenir o acúmulo de metabólitos tóxicos
  • Manter a produção energética durante a isquemia
  • Reduzir o dano estrutural ao miocárdio
  • Melhorar o desempenho físico em pacientes com angina
  • Contribuir para a melhora da função cardíaca em insuficiência e cardiomiopatia

2. Sistema vascular (Doença Arterial Periférica – DAP)

A DAP, que acomete cerca de 12% da população e até 20% dos idosos, caracteriza-se pela redução do fluxo arterial devido à aterosclerose, dificultando o suprimento energético dos músculos durante o esforço.

Nesses pacientes, observam-se:

  • Redução de carnitina livre nos músculos isquêmicos
  • Alterações nos metabólitos oxidativos
  • Dificuldade de manter o desempenho físico devido à claudicação intermitente

A suplementação pode:

  • Aumentar a disponibilidade energética local
  • Melhorar a oxidação de ácidos graxos
  • Reduzir a fadiga muscular
  • Melhorar o desempenho e a tolerância ao exercício

3. Doença renal crônica e hemodiálise

A carnitina é regulada principalmente pelos rins, que reabsorvem quase totalmente sua forma livre. Em pacientes com doença renal avançada, especialmente em hemodiálise, há perdas significativas tanto de carnitina quanto de acilcarnitinas, chegando a reduções plasmáticas próximas a 80%.

A deficiência pode causar:

  • Redução da oxidação de ácidos graxos e da produção energética
  • Alterações importantes no metabolismo lipídico
  • Acúmulo de metabólitos tóxicos
  • Fraqueza muscular, perda proteica e caquexia
  • Resistência insulínica e intolerância à glicose
  • Anemia refratária à eritropoetina
  • Cardiomiopatia
  • Sintomas intradialíticos

Mesmo pacientes com função cardíaca e pulmonar preservadas tendem a apresentar queda da capacidade funcional, possivelmente associada ao déficit de carnitina. A suplementação pode corrigir ou amenizar essas alterações metabólicas.

4. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)

Pacientes em terapia antirretroviral, especialmente com inibidores de protease, frequentemente desenvolvem:

  • Dislipidemias
  • Lipodistrofia
  • Resistência insulínica
  • Adiposidade central
  • Risco cardiovascular precoce

Nesses indivíduos, as concentrações de carnitina podem estar reduzidas devido a:

  • Maior excreção renal
  • Hipermetabolismo
  • Má absorção
  • Enteropatias
  • Dietas insuficientes
  • Efeitos de antivirais e antibióticos

Como há maior liberação de ácidos graxos pela perda de tecido adiposo, a demanda por carnitina aumenta. A suplementação pode:

  • Reduzir triglicerídeos plasmáticos
  • Melhorar o metabolismo lipídico
  • Modular citocinas inflamatórias, especialmente TNF-α, frequentemente elevado nesses pacientes

5. Neuropatia diabética

A neuropatia periférica no diabetes resulta de mecanismos como:

  • Aumento da atividade da aldose redutase (com acúmulo de sorbitol e frutose)
  • Redução do fluxo sanguíneo neural e hipóxia
  • Estresse oxidativo
  • Alterações metabólicas de ácidos graxos
  • Deficiência de grupos acetil necessários à formação da mielina

A deficiência de acetil-L-carnitina contribui para danos na bainha de mielina. Estudos demonstram que o uso de acetil-L-carnitina (2g/dia por 1 ano) pode:

  • Melhorar a velocidade de condução neural
  • Reduzir a dor neuropática
  • Aumentar a perfusão endoneural
  • Proteger estruturas neuronais e células de Schwann

Efeitos adversos

Podem incluir desconfortos gastrointestinais (dor abdominal, náuseas, diarreia, dispepsia, gastrite e vômitos), dor de cabeça, parestesia, fraqueza e, mais raramente, erupções cutâneas, prurido, dor nas costas e distúrbios oculares.

Contraindicações

Contraindicada para pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula. Pacientes diabéticos em uso de insulina ou hipoglicemiantes devem monitorar a glicemia durante o uso.

Armazenamento

Conservar em temperatura ambiente (15–30ºC), protegido da luz e calor. Após diluição, não armazenar.

Vias de administração

  • Endovenosa (EV): diluir 1 ampola em 250mL de soro 0,9% e infundir lentamente (45–60 min).
  • Intramuscular (IM): o conteúdo de cada ampola deve ser aspirado em conjunto em uma seringa. Aplicar profundamente no músculo ventroglúteo.
  • Intradérmica (ID): em alopecia, aplicar 1mL 1 vez por semana ou a cada 15 dias, distribuído em quadrantes, evitando administrar todo o conteúdo em um só local.
  • Subcutânea (SC): para gordura localizada, 1mL 1 vez por semana ou a cada 15 dias, distribuído em quadrantes.

Meia-vida: até 15 horas.

IMPORTANTE

Este material é de apoio técnico para prescritores e é proibida a sua divulgação para consumidores, nos termos do item 5.14 da RDC 67/2007.

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