Monolaurina

Ação imunológica, antimicrobiana e moduladora intestinal

O que é monolaurina?

Monolaurina é um monoglicerídeo de origem natural, formado pela ligação entre o ácido láurico, que é um ácido graxo, e o glicerol, amplamente estudado por suas propriedades antimicrobianas e por sua ação moduladora da resposta imune.

Óleo de coco como fonte indireta

O óleo de coco atua como uma fonte indireta desse composto, uma vez que o ácido láurico presente em sua composição pode ser convertido em monolaurina no organismo.

Porém, embora a literatura indique atividades antimicrobiana e anti-inflamatória do ácido láurico, evidências demonstram que são necessárias concentrações aproximadamente 400 vezes maiores para alcançar efeitos semelhantes aos observados com a monolaurina.[1]

Ação poderosa no leite materno

A monolaurina está naturalmente presente no leite materno, em concentrações cerca de 20 vezes superiores às encontradas nos leites de origem animal.[1] Apesar de ainda não existirem estudos em humanos que relacionem os conhecidos benefícios do leite materno com a presença de monolaurina, achados in vitro indicam que esse composto pode ser um dos principais responsáveis pelas propriedades imunomoduladoras e antimicrobianas características do primeiro alimento humano.

Essas atividades indicam ação protetora contra microrganismos como Staphylococcus aureus, Bacillus subtilis, Clostridium perfringens e Escherichia coli [1], ampliando o interesse científico na monolaurina como composto bioativo com potencial de atuação na imunidade, microbiota e proteção contra patógenos.

Principais indicações terapêuticas

  • Ação antimicrobiana natural
  • Preservação da microbiota benéfica
  • Auxiliar em infecções vaginais, especialmente contra Candida albicans
  • Potencial para a melhora da imunidade

Atuação no organismo

Ação antimicrobiana seletiva

Estudos in vitro e in vivo mostraram eficácia contra bactérias gram-positivas, vírus envelopados e fungos (especialmente Candida albicans e Gardnerella vaginalis), com capacidade de romper a membrana plasmática desses organismos.[1,2]

Importante destacar que essa ação é seletiva. A monolaurina não inibe microrganismos benéficos da microbiota, como Lactobacillus, Bifidobacterium e Enterococcus.[1]

Ações imunomoduladora e anti-inflamatória

Modelos in vitro sugerem que a monolaurina pode modular a resposta imune adaptativa por influenciar a atividade de linfócitos B e T. Além disso, demonstrou capacidade de reduzir a expressão de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6, TNF-α, IL-8, e modular vias de sinalização celular.[2,3]

Benefícios apontados em estudos

Ação contra Staphylococcus aureus em dermatite atópica

Pacientes com dermatite atópica frequentemente apresentam infecções cutâneas causadas por S. aureus, contribuindo para a gravidade da doença. Estudos observaram que a monolaurina apresenta atividade inibitória contra Staphylococcus aureus, inclusive em cepas resistentes à mupirocina e ao ácido fusídico, indicando potencial aplicação em infecções cutâneas associadas à dermatite atópica.[4]

Sinergia com antibióticos

A associação da monolaurina com antibióticos beta-lactâmicos (ampicilina, amoxicilina e piperacilina) demonstrou efeito sinérgico contra Staphylococcus aureus, com redução significativa das doses necessárias para a ação antimicrobiana. Em estudo com amoxicilina, a concentração efetiva foi aproximadamente 200 vezes menor quando associada à monolaurina[5], indicando potencial aplicação no manejo da resistência bacteriana.

Achados clínicos em infecções vaginais

Estudos indicam que a monolaurina pode atuar sobre biofilmes de Candida albicans, com redução da carga fúngica e modulação da inflamação local[6]. Com base nisso, foram realizados estudos clínicos com a monolaurina em gel vaginal, usando doses de 25mg e 250mg.[7,8]

Apesar de limitações metodológicas, especialmente relacionadas ao tempo de contato da formulação com a mucosa, foi observada redução na contagem de Candida albicans e boa tolerabilidade. Além disso, houve aumento na contagem de Lactobacillus, sugerindo potencial modulador da microbiota vaginal e um campo promissor para novos ensaios.

Potencial antiviral e imunoprotetor

Estudos observacionais e pesquisas in vitro e in vivo indicam que a monolaurina apresenta atividade contra vírus envelopados, como SARS-CoV-2 e influenza, sendo que níveis mais elevados foram associados a um menor risco de infecção por COVID-19[3,9,10]. Esses achados sugerem potenciais antiviral e imunoprotetor, os quais ainda devem ser confirmados em estudos controlados.

Doses sugeridas

  • Crianças entre 3 e 11 anos: usar 10mg por kg de peso ao dia.
  • A partir de 12 anos: 400mg a 3000mg ao dia.
  • Uso vaginal: 250mg, em óvulos ou creme vaginal.

Monolaurina em sachês

Ativo indicado para o manejo da imunidade, com ação antimicrobiana, o controle de infecções por Candida albicans e o suporte à saúde intestinal geral.

  • Ativos Dose
  • Monolaurina 400mg
  • Base shake qsp 1 sachê

Sugestão posológica: tomar 1 sachê, de 1 a 2 vezes ao dia.

Saúde da microbiota e remoção do biofilme intestinal

Fórmula com ação antimicrobiana para manejo da microbiota e remoção do biofilme intestinal.

  • Ativos Dose
  • Berberina HCL 200mg
  • NAC 300mg
  • Monolaurina 400mg

Sugestão posológica: tomar 1 dose, de 1 a 2 vezes ao dia.

Suporte à microbiota vaginal com Monolaurina

  • Ativos Dose
  • Monolaurina 250mg
  • Óleo de coco 250mg
  • Óleo de melaleuca 250mg
  • Óvulo vaginal qsp 1 dose

Sugestão posológica: aplicar 1 óvulo à noite, ao deitar.

Prevenção e tratamento de candidíases de repetição

Composto de fitoterápicos e Saccharomyces boulardii que age no aumento da imunidade e prevenção de candidíases de repetição.

  • Ativos Dose
  • Monolaurina 400mg
  • Oliva (10% hidroxitirosol) 150mg
  • Echinacea (4% compostos fenólicos) 250mg
  • Biotina 5mg
  • Beta-Glucan Plus 50mg
  • Saccharomyces boulardii 100mg

Sugestão posológica: tomar 1 dose, 1 vez ao dia (como prevenção) ou 1 dose, de 2 a 3 vezes ao dia (como tratamento).

IMPORTANTE

Este material é de apoio técnico para prescritores e é proibida a sua divulgação para consumidores, nos termos do item 5.14 da RDC 67/2007.

1. Schlievert PM, Kilgore SH, Seo KS, Leung DYM. Glycerol Monolaurate Contributes to the Antimicrobial and Anti-inflammatory Activity of Human Milk. Sci Rep. 2019 Oct 10;9(1):14550.

2. Silva V de O, Pereira LJ, Pasetto S, da Silva MP, Meyers JC, Murata RM. Effects of Monolaurin on Oral Microbe-Host Transcriptome and Metabolome. Front Microbiol. 2018 Nov 6;9:2638.

3. Fosdick MG, Loftus S, Phillips I, Zacharias ZR, Houtman JCD. Glycerol monolaurate inhibition of human B cell activation. Sci Rep. 2022 Aug 5;12(1):13506.

4. Laowansiri M, Suwanchote S, Wannigama DL, Badavath VN, Hongsing P, Edwards SW, et al. Monolaurin inhibits antibiotic-resistant Staphylococcus aureus in patients with atopic dermatitis. Sci Rep. 2025 Jul 2;15(1):23180.

5. Ghany SSHAE, Ibrahem RA, El-Gendy AO, El-Baky RMA, Mustafa A, Azmy AF. Novel synergistic interactions between monolaurin, a mono-acyl glycerol and β lactam antibiotics against Staphylococcus aureus: an in vitro study. BMC Infect Dis. 2024 Apr 8;24(1):379.

6. Seleem D, Chen E, Benso B, Pardi V, Murata RM. In vitro evaluation of antifungal activity of monolaurin against Candida albicans biofilms. PeerJ. 2016 Jun 22;4:e2148.

7. Strandberg KL, Peterson ML, Lin Y-C, Pack MC, Chase DJ, Schlievert PM. Glycerol monolaurate inhibits Candida and Gardnerella vaginalis in vitro and in vivo but not Lactobacillus. Antimicrob Agents Chemother. 2010 Feb;54(2):597–601.

8. Mancuso AC, Widdice LE, Hughes BL, Schlievert P, Swamy GK, Stockdale CK, et al. Five Percent Monolaurin Vaginal Gel for the Treatment of Bacterial Vaginosis: A Randomized Placebo-Controlled Trial. J Low Genit Tract Dis. 2020 Jul;24(3):277–83.

9. Welch JL, Xiang J, Okeoma CM, Schlievert PM, Stapleton JT. Glycerol Monolaurate, an Analogue to a Factor Secreted by Lactobacillus, Is Virucidal against Enveloped Viruses, Including HIV-1. MBio. 2020 May 5;11(3).

10. Sola D, Tonello S, Casciaro GF, Rizzi E, D’Onghia D, Pirisi M, et al. Higher Serum Monolaurin Is Associated with a Lower Risk of COVID-19: Results from a Prospective Observational Cohort Study. Int J Mol Sci. 2025 Mar 10;26(6).