Quais são os níveis ideais de ômega-3?

Entenda a importância de dosar os níveis desse nutriente em diferentes quadros clínicos.

As doses de ômega-3 que você
utiliza estão sendo suficientes para as suas necessidades?

Os benefícios dos ácidos graxos ômega-3 para o funcionamento do nosso organismo são amplamente conhecidos e comprovados. Porém, devido às particularidades de absorção e biodisponibilidade de cada indivíduo, não é possível garantir os resultados clínicos do ômega-3 apenas padronizando as doses a serem usadas em cada caso.

Pesquisas mais recentes têm sugerido que conhecer os níveis circulantes de ômega-3 e os índices a serem atingidos em cada quadro permite maior personalização dos tratamentos, bem como possibilita identificar fatores de risco para certas patologias.

São mais de 600 estudos publicados nos últimos anos abordando o biomarcador Omega-3 Index (O3I) como ferramenta clínica. Confira a seguir como calcular e garantir os níveis ideais de ômega-3 para diversos casos clínicos, além de outros marcadores importantes para a saúde.

Índice de ômega-3 como ferramenta clínica

O Índice de Ômega-3 (Omega-3 Index) de um indivíduo é definido pela porcentagem de EPA e DHA no conteúdo total dos ácidos graxos presentes na membrana do eritrócito (glóbulo vermelho), mensurada em procedimento analítico padronizado. Essa medida se correlaciona com os teores de EPA + DHA em todas as demais células do organismo, segundo estudos. Em humanos, o Omega-3 Index varia entre 2 e 20%, sendo considerados ótimos os níveis entre 8% e 11%.

De acordo com a comunidade científica, esse índice tem sido um biomarcador de risco para doenças cardiovasculares, declínio cognitivo, distúrbios neuropsiquiátricos, degeneração macular, doenças inflamatórias e outros quadros, incluindo medidas preventivas na gestação.

Pesquisas recentes têm apontado os índices de ômega-3 alvo para casos clínicos específicos, visando maior eficácia na suplementação ou ainda à redução dos riscos para certas patologias. Confira:

  • Doenças cardiovasculares8% ou acima
  • Quadros inflamatórios8% ou acima
  • Diabetes mellitus8% ou acima
  • Cognição e saúde mentalCrianças e Adolescentes: 6% ou acima
    Adultos: 5% ou acima
  • Saúde cerebral5% ou acima (ideal 8% ou superior)
  • Gestação e lactação8 a 11%
  • Saúde ocular4 a 8%
  • Atletas8 a 11%

Como garantir os índices
de ômega-3 ideais

Para atingir os índices ideais de ômega-3, é importante considerar que as quantidades de ácidos graxos ômega-3 disponíveis em nosso organismo estão relacionadas ao que é consumido — seja na dieta ou em suplementos — e a fatores individuais que podem afetar a biodisponibilidade desses nutrientes.

Comparando-se às mesmas doses, o EPA e DHA provenientes de suplementos na forma de triglicerídeos e fosfolipídeos conseguem maiores índices que os suplementos na forma de etil-éster. Pacientes com menor peso corporal e praticantes de atividade física tendem a responder melhor à suplementação de ômega-3; indivíduos com baixos índices de ômega-3 (menores que 4%) e idosos também têm maiores ganhos de O3I que outros grupos.

Um estudo avaliou os impactos da suplementação com diferentes doses de EPA + DHA nos índices de ômega-3 de indivíduos saudáveis, considerando também as variáveis citadas acima. Os pesquisadores concluíram que um adulto saudável com O3I em torno de 4% precisa de, no mínimo, 1g ao dia de EPA + DHA para atingir O3I = 8% em 5 meses, nível considerado ótimo pelas pesquisas.

Qual dose de EPA+DHA é preciso usar para garantir o O3I ideal?

Com base nas pesquisas sobre o Omega-3 Index, foram criados alguns cálculos de dosagem para suplementação de ômega-3. A partir de alguns desses métodos, criamos uma calculadora para facilitar esse processo.

Clique aqui e calcule os requisitos para um ótimo Omega-3 Index.

Outros marcadores importantes

Proporção Ômega-6: Ômega-3

A proporção entre os ômegas-6 e 3 indica o equilíbrio entre esses ácidos graxos. Uma quantidade muito maior está relacionada com doenças cardiovasculares, câncer, doenças inflamatórias e autoimunes. Recomenda-se a proporção de 3 a 5 partes de ômega-6 para 1 de ômega-3.

Proporção EPA:AA

Este marcador indica o equilíbrio entre o nível de ácido araquidônico (AA), um ácido graxo ômega-6, versus o ácido graxo ômega-3 e o ácido eicosapentaenoico (EPA). O EPA inibe competitivamente a ação do AA nas enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase, controlando a formação de substâncias inflamatórias. Assim, quanto maior a razão EPA:AA, menores os níveis de inflamação.

O que dizem os estudos

Os níveis de ômega-3 podem auxiliar no manejo de casos clínicos específicos? Veja o que dizem os estudos.

Pacientes com risco cardiovascular

As primeiras pesquisas que consideraram o Omega-3 Index como biomarcador tiveram foco na saúde cardiovascular. Índices de ômega-3 menores que 4% estão comprovadamente ligados a alto risco de eventos cardiovasculares graves, como acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca ou doença arterial coronariana. Por outro lado, manter o Omega-3 Index entre 8% e 11% mostrou proteger os pacientes contra estes e outros quadros cardiovasculares.

Patologias como o diabetes mellitus — um conhecido fator de risco para doenças cardiovasculares — também podem ser relacionadas ao Omega-3 Index. A sensibilidade à insulina, o perfil metabólico e o metabolismo de glicose são favorecidos quanto maior o Omega-3 Index (8% ou mais), segundo estudos.

Quadros inflamatórios

Com base na amplamente conhecida ação anti-inflamatória dos ácidos graxos ômega-3, foi comprovada a relação entre melhores índices de ômega-3 e a redução de marcadores inflamatórios — principalmente proteína-C reativa e monócitos — em quadros como asma, doenças cardiovasculares, em atletas e em idosos. Os marcadores inflamatórios também estão reduzidos em pacientes com menores razões ômega 6: ômega 3 e maiores razões EPA:AA.

Além disso, entre os pacientes com asma, os indivíduos que apresentaram O3I maior ou igual a 8% conseguiram melhor controle do quadro com menor necessidade de uso de corticoides. Em atletas, índices de ômega-3 entre 8% e 11% foram relacionados com melhora cardiovascular e de performance, além dos parâmetros inflamatórios já citados.

Saúde cerebral

Em pacientes adultos com índices de ômega-3 menores ou iguais a 4%, observou-se maior risco de demência, menor volume cerebral, e menores escores em avaliações de memória, quando comparados com pacientes com índices de 5% ou superiores. Este mesmo índice (abaixo de 5%) foi igualmente relacionado com maiores riscos de declínio cognitivo, de AVCs e de desenvolver Doença de Alzheimer em adultos saudáveis.

Infância e adolescência

O desenvolvimento cerebral e cognitivo de crianças e adolescentes é altamente beneficiado quando as necessidades de ácidos graxos ômega-3 estão supridas. A literatura cita que se deve manter os índices de ômega-3 maiores que 6% nestes grupos, para melhor saúde cognitiva.

Além disso, níveis baixos de AA, EPA e DHA foram encontrados em pacientes autistas, e o aumento nos níveis de EPA + DHA melhorou aspectos como comunicação, interação social e comportamento nesses pacientes. Baixos índices de ômega-3 foram encontrados também em adolescentes com quadros de depressão, e os sintomas melhoraram com a suplementação de EPA + DHA.

Gravidez e lactação

Durante a gravidez, os ácidos graxos ômega-3 são transportados via placenta da mãe para o feto, visando suprir a proporção entre 8 e 9% de DHA dentre os ácidos graxos totais eritrocitários do bebê. Para atender a essa demanda, os níveis de ômega-3 durante a gravidez devem se manter em torno de 10%, segundo artigo de revisão sobre o tema. Mães com maiores índices de ômega-3 também tiveram menores intercorrências na gestação, incluindo partos prematuros.

Após o nascimento, o leite materno é enriquecido pelo EPA e DHA consumidos pela mãe. Mantendo os níveis de ômega-3 em 8% ou acima, a lactante conseguirá produzir leite contendo 1% de EPA e DHA.

Saúde ocular

Os índices de ômega-3 têm sido também estudados como marcadores de saúde ocular. Indivíduos com Omega-3 Index a partir de 6% exibiram melhor anatomia e inervação da córnea quando comparados a pacientes com índices menores; e crianças com predisposição genética para doença macular degenerativa apresentaram menores índices de ômega-3, indicando que este pode ser um marcador de risco para a patologia. Há também relação dos índices de ômega-3 com quadros de secura ocular — em um estudo recente, 81% dos pacientes com esta queixa tinham Omega-3 Index menor que 4%, e relataram melhora nos sintomas com a suplementação de EPA + DHA.

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Omega-3 Index
Plus Test

Saiba como prescrever objetivamente os ácidos graxos essenciais para cada paciente.

O Omega-3 Index Plus é um autoteste que oferece uma análise nutricional dos níveis ômega-3, gordura trans, da proporção de ômega-6 em relação ao ômega-3 e da proporção entre ácido araquidônico (AA) e ácido eicosapentaenoico (EPA). Um exame importante para a avaliação desses biomarcadores inflamatórios, contribuindo, assim, para a saúde preventiva e a longevidade saudável.

Produtos Essential Nutrition

Após trazer inúmeros estudos que comprovam a importância dos níveis ideais de ômega-3 no organismo, selecionamos alguns suplementos da Essential Nutrition que podem contribuir consideravelmente para esses índices.

A linha de ômega-3 apresentada abaixo reúne ácidos graxos com a mais pura e concentrada matéria-prima, garantindo uma maior absorção e eficiência para o organismo. Além disso, algumas fórmulas possuem combinações inteligentes de nutrientes, ampliando, assim, os seus benefícios para a saúde.

Super Omega-3 TG

DHA TG

Liquid Super Omega 3 TG

Liquid DHA TG

Super Omega 3 TG Gastro-resistant

Omega Core

Omega Golden

Omega Joint

Omega Vision

Omega Clarity

Krill Oil

Gamalift

Conteúdos relacionados

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