Essentia Atual group

Acervo das edições da Essentia Atual, a newsletter de novidades científicas nas áreas de nutrição e saúde desenvolvida exclusivamente para os prescritores do Essentia Group.

Microbiota no Parkinson: metabolismo da riboflavina e biotina

Para investigar as comunidades microbianas intestinais de pacientes com doença de Parkinson (DP), pesquisadores de Nagoya (Japão) realizaram uma metanálise composta por 6 estudos que avaliaram amostras de fezes de pacientes com DP e sem DP, conduzidos no Japão, Estados Unidos, Alemanha, China (Shanghai e Xiangiang) e Taiwan. Utilizaram o sequenciamento metagenômico Shotgun, uma técnica que permite uma amostragem abrangente de todos os genes em todos os organismos presentes (diversidade e abundância). Anteriormente, a análise metabolômica do seu estudo, realizado no Japão e incluído na metanálise, havia revelado que as poliaminas e os ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) fecais estavam significativamente reduzidos na DP.

Mesmo perante a diferença microbial encontrada (diferentes ambientes geográficos/culturais), Nishiwaki et al. (2024) descobriram que os genes microbianos da biossíntese da riboflavina (B2) e da biotina (B7) estavam acentuadamente reduzidos na DP. Esses mesmos genes foram positivamente correlacionados com as concentrações fecais de poliaminas e AGCCs. Cinco das seis categorias de enzimas ativas de carboidratos (CAZymes) estavam diminuídas na DP.

Nishiwaki et al. postulam que a diminuição de poliaminas e AGCCs reduz a camada de muco intestinal, o que subsequentemente facilita a formação de fibrilas anormais de α-sinucleína no plexo neural intestinal na DP, além de causar neuroinflamação. Uma parcela de pacientes com Parkinson poderia se beneficiar com a suplementação dessas vitaminas.

O estudo foi publicado no NPJ Parkinson’s disease:

Meta-analysis of shotgun sequencing of gut microbiota in Parkinson’s disease

 

MCTs (puros) no controle de peso e parâmetros metabólicos

A distinção entre os triglicerídeos de cadeia curta (MCTs) e os de cadeia média-longa (MLCTs) é pouco abordada pela literatura. Os MCTs, com uma via digestiva mais direta do que os triglicerídeos de cadeia longa (LCTs), são rapidamente hidrolisados e transportados para o fígado, passando mais facilmente pela membrana mitocondrial e acelerando a betaoxidação, bem como a produção de corpos cetônicos. Com isso, é observada uma minimização da deposição de adipócitos e aumento da sensibilidade à insulina com o consumo de MCTs.

Metanálises anteriores encontraram que os MCTs influenciam no balanço energético, destacando a sua utilidade no controle de peso em várias populações. Além desse efeito, a recém-publicada revisão sistemática e metanálise de He et al. (2024) avaliou a ação dos MCTs e dos MLCTs nos parâmetros metabólicos em indivíduos (18-65 anos) com sobrepeso e obesidade.

Com 15 estudos randomizados e controlados incluídos (intervenções >3 semanas) na análise, os investigadores encontraram que o enriquecimento de dietas com MCTs puros são mais efetivos para a redução de peso do que com MLCTs (diferença média ponderada (WMD): 1,62%; 95% IC: 2,78-0,46; p<0,01), e aos LCTs. Adicionalmente, entre os achados, o consumo de MCTs foi associado com reduções significativas sobre os níveis de TG sanguíneos e o HOMA-IR, em comparação com os LCTs. Destacando o grande potencial dos MCTs no controle de peso e na regulação do metabolismo dos glicolipídios, os pesquisadores atestam priorizar a suplementação de 10 a 15g/dia de MCTs puro ao invés de MLCTs, juntamente com uma ingestão equilibrada de macronutrientes.

A revisão sistemática e metanálise foi publicada no Clinical Nutrition:

The impact of medium-chain triglycerides on weight loss and metabolic health in individuals with overweight or obesity: A systematic review and meta-analysis

Magnésio contra riscos vasculares

Postado eletronicamente no Journal of Hypertension, um resumo de estudo duplo-cego, controlado e prospectivo relata que a suplementação com magnésio melhorou significativamente os valores de pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) e os níveis de interleucina-6 (IL-6) em pacientes com síndrome metabólica. Esses resultados confirmam achados anteriores de ações anti-inflamatória e anti-aterosclerótica do mineral, trazendo benefícios, em especial, para aqueles com risco de danos cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral.

No estudo de 12 semanas, 27 pacientes (13 homens e 14 mulheres; 60,2 ± 12,5 anos) com síndrome metabólica e função renal normal foram suplementados com 400mg de citrato de magnésio por via oral diariamente. Como controle, 27 pacientes (10 homens e 17 mulheres, 64,6 ± 13,2 anos) não receberam intervenção.

No grupo magnésio, os níveis de IL-6 reduziram de maneira significativa, de 4,94 ± 3,30 a 4,53 ± 6,89 após 6 semanas e a 3,01 ± 1,32pg/mL após 12 semanas (p<0,01). No grupo controle, a IL-6 passou de 3,73 ± 4,36 a 4,87 ± 4,35 após 6 semanas, e a 4,41 ± 3,15pg/mL após 12 semanas.

Adicionalmente, no grupo magnésio, houve uma redução significativa nos valores de PAS e PAD após 12 semanas (PAS 134,6 ± 6,8 para 126,3 ± 5,6mmHg; PAD: 84,1 ± 3,9 para 79,4 ± 1,6mmHg) (p<0,01). No grupo controle, os valores da pressão arterial não se alteraram.

A dose de 300mg a 500mg de magnésio oral ao dia por um período de 12 semanas foi a definida pelos pesquisadores como a responsável pelos resultados terapêuticos.

Magnesium supplementation reduces interleukin-6 and blood pressure in metabolic syndrome

 

Rhodiola por 7 dias no esporte

Dois estudos sobre a Rhodiola rosea (RR), que pode ser útil estrategicamente para a cognição e a performance de atletas, foram apresentados (via resumos) no American Physiology Summit 2024. Ambos os estudos randomizados, cruzados, duplo-cegos e controlados por placebo foram realizados pelo mesmo time de investigadores, utilizando as doses diárias: 200mg RR (com 1,3g de maltodextrina) versus 1,5g RR versus controle (1,5g de maltodextrina). Os 27 participantes, atletas com treino de resistência (13 homens e 14 mulheres; 22 ± 3 anos; 170,4 ± 10,7cm; 75,4 ± 21,9kg) tomaram os suplementos por sete dias e fizeram um washout de sete dias antes de passar para as doses/grupos subsequentes.

No estudo que investigou a relação dose-resposta da suplementação de RR em curto prazo sobre a capacidade cognitiva, os participantes realizaram um teste de palavras coloridas Stroop e completaram um teste de prontidão para desempenho usando uma escala visual analógica após cada estágio de suplementação. Na seção Palavra-Cor do teste, ambas as doses de RR levaram a melhorias cognitivas significativas, com pontuações médias da linha de base (94,0), controle (104,3), 200mg RR (108,9) e 1,5g RR (113,0; p<0,001). A análise post hoc subsequente indicou que ambas as dosagens de RR não conseguiram influenciar o senso de prontidão dos atletas, mas excederam as pontuações nos outros domínios cognitivos, com as respectivas pontuações: linha de base (281,1); controle (307,9); 200mg RR (318,9); 1,5g RR (329,6; p<0,001).

Dose-Response Effects of Short-Term Rhodiola rosea Supplementation on Cognitive Function and Readiness to Perform in Athletes: A Randomized, Crossover, Double-Blind, and Placebo-Controlled Study

 

Já no estudo que investigou a relação dose-resposta da RR sobre a performance do exercício anaeróbico, a força dos atletas foi avaliada usando o teste de uma repetição máxima (1RM) na linha de base e após cada grupo subsequente. Métricas como potência de pico, velocidade média e os resultados do teste de Wingate permaneceram estatisticamente inalterados (p>0,05). Por outro lado, melhoras significativas ocorreram:

• no supino, onde os pesos alcançados foram: linha de base (69,6kg), controle (69,8kg), 200mg RR (72,2kg); 1,5g RR (73,4kg; p=0,001)

• no leg press: linha de base (314,4kg), controle (326,2 kg), 200mg RR (350,1kg); 1,5g RR (362,1kg; p< 0,001)

Entre outros achados positivos, ao investigar mais a resistência muscular (3 séries a 60% de sua 1RM) para ambos os exercícios, os pesquisadores observaram:

• no supino: linha de base (42,5kg), controle (43,2kg), 200mg RR (43,8 kg); 1,5g RR (44,7kg; p=0,007).

• no leg press: linha de base (188,6kg), controle (195,1kg), 200mg RR (209,1kg), 1,5g RR (218,6kg; p<0,001).

Dose-Response Effects of Short-Term Rhodiola rosea Supplementation on Anaerobic Exercise Performance in Resistance-Trained Athletes: A Randomized, Crossover, Double-Blind, and Placebo-Controlled Study | Physiology

Teanina na cognição

Pesquisadores vêm investigando diferentes possibilidades de uso da teanina em protocolos de saúde que envolvam a necessidade de redução do estresse crônico, o qual afeta a reserva cognitiva. A L-teanina é um animoácido não proteico que proporciona um tipo de “relaxamento consciente” que não leva à sonolência.

Publicado em Food Science & Nutrition, o estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de Li et al. (2024) encontrou que a combinação de teanina + fruto-oligassacarídeos (FOS) pode ajudar na memória. Anteriormente, os investigadores já haviam obtido resultados positivos quanto à segurança desta suplementação em testes in vivo e in vitro. A análise clínica dos 120 participantes (adultos) foi realizada através de 5 testes que incluem a memória direcionada, a memória associativa, o reconhecimento de imagens sem sentido, a memória gráfica e a recuperação de retratos.

Em comparação com o grupo placebo (n=60), os participantes que receberam teanina (n=60; 200mg) + FOS (100mg), duas vezes ao dia, apresentaram um aumento de cerca de 10% (p < 0,01) nas pontuações em todos os testes de memória dentro de 30 dias após o consumo.

Improvement of both human and animal memory by synergy between fructooligosaccharide and L‐theanine function establishing a safe and effective food supplement

 

Omega-3 Index: promissor como marcador esportivo

O Omega-3 Index (O3I) — considerado um biomarcador de risco cardiovascular —, que reflete a proporção de ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA) nas membranas dos glóbulos vermelhos, vem ganhando cada vez mais interesse na medicina esportiva.

Ao revisar o estudos intervencionistas e observacionais nos quais foram avaliados os níveis de O3I em atletas de elite e não elite, Medoro et al. (2024) encontraram promissor o uso do O3I como um biomarcador para avaliar o estado geral de saúde dos atletas, ajudando a reduzir o risco cardiovascular, atenuar lesões cerebrais induzidas pela inflamação e otimizar o desempenho atlético. No seu estudo publicado no Journal of Functional Morphology and Kinesiology, os pesquisadores italianos concluem que com “o impacto negativo da atividade física nos níveis de EPA e DHA, os atletas podem precisar de níveis mais altos de O3I em comparação com a população em geral”.

Omega-3 Index as a Sport Biomarker: Implications for Cardiovascular Health, Injury Prevention, and Athletic Performance

 

Taurina na síndrome metabólica

Uma meta-análise publicada em Nutrition & Diabetes, ao analisar 25 estudos randomizados e controlados (n=1024), encontrou que a suplementação de taurina apresenta efeitos positivos em vários fatores relacionados à síndrome metabólica, o que a torna uma possível adição à dieta para pacientes em risco ou que já apresentam a síndrome. A dose diária de taurina dos estudos variou de 0.5 g a 6 g/dia.

Em comparação com os grupos de controle, a suplementação de taurina demonstrou reduções estatisticamente significativas na PAS (diferença média ponderada [WMD] = -3,999 mmHg, intervalo de confiança de 95% [IC] = -7,293 a -0,706, p = 0,017), PAD (WMD = -1,509 mmHg, IC de 95% = -2. 479 a -0,539, p = 0,002), glicemia em jejum (WMD: -5,882 mg/dL, 95% CI: -10,747 a -1,018, p = 0,018), TG (WMD: -18,315 mg/dL, 95% CI: -25,628 a -11,002, p < 0,001), sem afetar o HDL-C (WMD: 0,644 mg/dl, 95% CI: -0,244 a 1,532, p = 0,155). A análise de meta-regressão revelou uma redução dependente da dose na PAD e na glicemia em jejum. Não foram observados efeitos adversos significativos em comparação com os grupos de controle.

Taurine reduces the risk for metabolic syndrome: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials | Nutrition & Diabetes

Doses: nattokinase + red yeast rice na DAC

Em 2023, a edição 27 da Essentia Atual compartilhou o estudo retrospectivo Effective management of atherosclerosis progress and hyperlipidemia with nattokinase: A clinical study with 1,062 participants, onde Chen et al. investigaram a nattokinase (NK) no tratamento da aterosclerose e hiperlipidemia em 1.062 participantes (65-85 anos) chineses. Entre as doses investigadas de NK administradas por 12 meses, a dose de 10.800 FU mostrou uma redução significativa nos níveis de TG, CT e LDL-C (P <0,01) em relação aos valores antes do tratamento, entre outros benefícios. Também verificou-se que a coadministração de vitamina K2 junto à NK mostrou efeito sinérgico sobre os lipídios sanguíneos em participantes com hiperlipidemia, e a coadministração de aspirina junto à NK suprimiu a progressão da aterosclerose, além de efeito conjunto nos perfis lipídicos.
Agora, um importante estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo investigou a atuação da NK numa dose quase ⅓ menor (3.661,8 FU)* quando administrada com o red yeast rice (RYR) (dose contendo 9mg de monocolinas)** no tratamento lipídico, anti-hipertensivo e antitrombótico durante 3 meses.
Liu et al. (2024) randomizaram 178 pacientes com doença arterial coronária (DAC) em 4 grupos: NK + RYR; NK; RYR; placebo (maltodextrina). Nas comparações entre os grupos, NK + RYR mostrou o efeito máximo na redução de TG (-0,39mmol), CT (-0,66mmol/L), PAD (-7,39mmHg) e aumento do HDL (0,195mmol/L) em comparação aos outros grupos (todos p<0,01). O grupo NK + RYR também apresentou reduções mais potentes no tromboxano B2 e aumentos na antitrombina III em comparação ao placebo (ambos p<0,01), sugerindo uma ação preferencial pelas vias da antitrombina e da COX-1 e potencial redução dos riscos de trombose em pacientes com DAC. Nenhum efeito adverso foi relatado. Na análise de subgrupo, aqueles que usavam estatina (n=108) apresentaram uma magnitude maior de melhorias em todos os lipídios sanguíneos avaliados, PA e marcadores de glicose em comparação aos não usuários (n=70). * No caso de prescritores que utilizam a medida “miligramas” de NK em seus receituários, recomenda-se incluir a especificação da potência desejada, pois ela pode flutuar de maneira significativa, conforme a qualidade ou padronização do ativo. Por exemplo, utilizando o ativo disponível na Essentia Pharma, padronizado em um mínimo de potência (atividade enzimática) de 21.236 FU/grama, a dose da NK testada (junto ao RYR) equivale a 172mg/dia do ativo.
** Segundo o ativo disponível na Essentia Pharma, 300mg de RYR contém 9mg de monocolinas.

Lipid-lowering, antihypertensive, and antithrombotic effects of nattokinase combined with red yeast rice in patients with stable coronary artery disease: a randomized, double-blinded, placebo-controlled trial

Saúde ocular: maior disponibilidade da luteína + zeaxantina na presença de ômega-3

Um pequeno estudo randomizado, não cego e controlado reportou um diferencial quando o ômega-3 é administrado em conjunto com os principais constituintes do pigmento macular – a luteína e a zeaxantina. Estudos anteriores encontraram que concentrações maiores desses nutrientes na retina podem reduzir o risco de degeneração macular relacionada com a idade (DMRI) e melhorar a saúde local.
Kalu et al. (2024) utilizaram suplementos já disponíveis no comércio em 16 mulheres e homens (31,4 ± 1,3 anos). O grupo intervenção (n=7) consumiu luteína + zeaxantina junto com 900mg/d de ômega-3 (EPA 540mg + DHA 360mg), e o grupo controle (n=9) consumiu luteína + zeaxantina (12mg/d). Os participantes aderiram a uma lista abrangente de dieta com baixos teores de carotenoides e ômega-3 durante o período de intervenção de 12 dias e o período de eliminação de 7 dias. Como resultado, os investigadores observaram uma alteração percentual na concentração sérica de luteína + zeaxantina de
(T0-T312h) e (T312h-T456h) de 26% e 34% (grupo controle) e 139% e 175% (grupo intervenção), respectivamente, mostrando que o ômega-3 aumentou a disponibilidade, ou seja, a absorção desses nutrientes.

Relative bioavailability of lutein and zeaxanthin in the presence of Omega-3- supplements and oxidative stress levels in humans

Investigadores poloneses realizaram uma revisão sobre o conhecimento atual da L-teanina (γ-glutamiletilamida) para possíveis aplicações no uso clínico. Esse aminoácido não proteico, naturalmente presente no chá verde e preto, bem como em alguns cogumelos, por exemplo no Xerocomus badius,, vem mostrando trazer benefícios para a saúde somática e neuropsiquiátrica, como a melhora da cognição, concentração, qualidade do sono e alívio da ansiedade. Entretanto, o trabalho dos pesquisadores Womperski et al. (2024) traz resultados pré-clínicos não tão conhecidos que apontam a investigação futura também para a redução da inflamação, como adjuvante no tratamento do câncer e na proteção do sistema nervoso. A segurança de uso foi relatada com base nos estudos incluídos na revisão, que usaram doses entre 100-200 mg/dia, exceto em estudo em pacientes com esquizofrenia, os quais receberam 400 mg/dia.

Benefits of L-theanine supplementation and its possible role in clinical use – review

 

Entre o meio esportivo, é comum a dúvida se o uso combinado da creatina com a cafeína e/ou o bicarbonato de sódio teria um efeito aditivo ou sinérgico. Moesgaard et al. (2024) trazem um estudo pioneiro sobre esse questionamento, onde investigaram essas moléculas no desempenho do sprint e exercícios curtos e intensos em 23 atletas de ambos os sexos (18-45 anos). Em resumo, a creatina melhorou o desempenho no sprint e na contração isométrica voluntária máxima, enquanto a cafeína melhorou o desempenho de provas de contrarrelógio de 6 minutos. O bicarbonato de sódio não afetou as medidas de desempenho, e a ingestão concomitante de creatina e cafeína não teve efeito aditivo nem atenuou o desempenho no exercício em comparação com a ingestão isolada de cafeína ou de creatina.. Entretanto, os autores sinalizam que é possível que atletas de esportes que envolvam sprints e esforços sustentados de alta intensidade possam se beneficiar da suplementação de creatina + cafeína.

No additive effect of creatine, caffeine, and sodium bicarbonate on intense exercise performance in endurance-trained individuals

 

Um ensaio clínico randomizado investigou o impacto da suplementação de magnésio nas medidas clínicas e bioquímicas em 60 pacientes internados com covid-19 com gravidade moderada. A intervenção foi realizada desde a admissão até a alta hospitalar. Em comparação ao placebo, a suplementação de magnésio reduziu significativamente o número de pacientes que necessitaram de oxigenoterapia (9 vs. 14; P<0,001). Além disso, o grupo magnésio demonstrou melhor saturação de oxigênio em comparação ao grupo controle (4,55 ± 2,35 vs. 1,8 ± 1,67; P<0,001). Os investigadores Rostami et al. (2024) não observaram diferenças significativas na frequência respiratória, febre, PCR-us e níveis de TNF-α (P>0,05), no entanto, observaram uma melhoria na qualidade de vida e no escore de depressão no grupo magnésio (P<0,05).

A randomized clinical trial investigating the impact of magnesium supplementation on clinical and biochemical measures in COVID-19 patients

 

Um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e de grupos paralelos investigou a eficácia da goma guar parcialmente hidrolisada na função cognitiva e na eficiência do sono em adultos mais velhos considerados saudáveis (>60 anos). A goma guar é uma fibra alimentar fermentável que vem demonstrando melhorar os movimentos intestinais, aliviar a diarreia e aumentar bactérias, como Bifidobacterium e bactérias produtoras de butirato, que promovem a produção de AGCC. Entre os achados, em 8 semanas, os escores de memória simples e de sonolência ao se levantar no grupo goma guar (5g/dia) foram significativamente superiores aos observados no grupo placebo/maltodextrina (99,7 ± 16,5 vs 14,6 ± 230,2, p = 0,020, e 20,1 ± 4,4 vs 19,6 ± 6,0, p = 0,043, respectivamente). Em 12 semanas, o grupo goma guar exibiu pontuações de memória visual significativamente mais altas em comparação ao grupo placebo (99,6 ± 15,8 vs 90,5 ± 15,4, p = 0,023).

Effectiveness of Partially Hydrolyzed Guar Gum on Cognitive Function and Sleep Efficiency in Healthy Elderly Subjects in a Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled, and Parallel-Group Study

 

O’Keefe et al. (2024), ao analisar dados do UK Biobank e, secundariamente, adicionando na análise dados de uma grande meta-análise recente, realizaram um dos maiores estudos prospectivos de base populacional sobre os ácidos graxos ômega-3 em relação à mortalidade geral, incluindo mortalidades por causas específicas e outras, em longo prazo. Na análise primária, comparando os níveis sanguíneos de DHA do quintil mais alto com o mais baixo, os investigadores encontraram um risco 21% menor de mortalidade por todas as causas (HR: 0,79; IC 95%: 0,74 a 0,85; P<0,0001). Com a adição dos dados da meta-análise, após ajuste multivariável para fatores de risco relevantes, comparando o quintil mais alto com o mais baixo de DHA, encontraram um risco 17% menor de mortalidade por todas as causas (IC 95%: 0,79 a 0,87; P<0,0001), risco 21% menor de mortalidade por DCV (IC 95%: 0,73 a 0,87; P<0,001), risco 17% menor de mortalidade por câncer (IC 95%: 0,77 a 0,89; P<0,0001) e risco 15% menor para todas as outras mortalidades (95% IC: 0,79 a 0,91; P<0,001).

Circulating Docosahexaenoic Acid and Risk of All-Cause and Cause-Specific Mortality

Novas potencialidades clínicas da carnitina

Dois estudos publicados sobre a L-carnitina indicam utilidades além da centrada no seu conhecido e importante papel na função mitocondrial. No estudo de Feky et al. (2024), investigou-se se o aminoácido possui efeitos protetores do miocárdio em cirurgia de coração aberto em crianças, como já previamente relatado em adultos. Sessenta crianças (3,8 ± 1,2 anos) com doença cardíaca congênita foram randomizadas em dois grupos: grupo L-carnitina (50mg/kg uma vez ao dia durante 1 mês antes da cirurgia cardíaca) e grupo controle que recebeu placebo (5% glicose) sob o mesmo protocolo. Como resultado, em comparação ao grupo controle, os que receberam carnitina apresentaram uma redução significativa no nível de marcadores de apoptose pós-operatória (fas e caspase-3) e marcadores de estresse oxidativo pós-operatório (MDA), e um aumento significativo na SOD pós-operatória. Além disso, houve redução significativa das enzimas cardíacas (CK-MB e troponina I), em comparação ao grupo controle. Esses achados indicam que a carnitina pode fornecer proteção miocárdica em cirurgia cardíaca pediátrica.

Já no pequeno estudo de Junyan et al. (2024), a L-carnitina (2g/d) foi administrada a 11 pacientes com esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) durante 10 semanas. Entre os achados, enquanto os níveis de glicemia de jejum e glicohemoglobina não foram significativamente alterados, os níveis séricos de AST, ALT e gama-glutamil transferase foram significativamente melhorados. Os exames histológicos revelaram uma melhora significativa na inflamação do fígado, no escore de atividade da esteatose hepática e no grau de inflamação e balonamento, mas não houve melhora significativa nos estágios de esteatose e fibrose em 10 semanas de suplementação. Paralelamente, ao realizarem um estudo de longo prazo (68 semanas) em camundongos com dieta aterogênica rica em gordura, encontraram que a carnitina melhorou a esteatose, inflamação e fibrose.

Taurina confirmando novos efeitos

Resultados de diversos estudos realizados anteriormente sugerem que a suplementação de taurina pode ter muitos papeis (diretos e indiretos) vantajosos para o desempenho do exercício, incluindo a osmorregulação celular e propriedades vasoativas. Controlando as intensidades de exercício, perfil metabólico e restrições ambientais, Peel et al. (2024) investigaram agora os efeitos da taurina (50mg/kg) vs placebo (30mg/kg de maltodextina) por 8 dias nas respostas de sudorese no calor durante exercício prolongado de baixa intensidade e estímulo em quinze voluntários. As ações da taurina durante o estresse por exercício e calor se mostraram positivas, podendo ser pertinentes para atletas, por exemplo, que realizam exercícios em condições ambientais quentes que permitem transferência de calor latente suficiente.

Sob outro ângulo, o estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de Mallasiy (2024) investigou os efeitos da suplementação de taurina nos parâmetros da saúde cardíaca em 80 adultos (18-65 anos) durante 12 semanas. O grupo taurina (6g/dia), com fração de ejeção basal de 61,3%, apresentou reduções notáveis na PAS (de 136,5mmHg para 126,1mmHg, p<0,001) e na PAD (de 80,4mmHg a 73,3mmHg, p<0,001) pós-intervenção versus o grupo placebo (não especificado). A vasodilatação aumentou de 5,4% para 7,0% (p<0,001), indicando melhora da função vascular, além de ocorrer alterações favoráveis do perfil lipídico, com reduções do LDL e TG, e aumento do colesterol HDL (todos, p<0,001), sugerindo potencial efeito antiaterogênico. Importante citar que o grupo taurina também exibiu melhorias de marcadores anti-inflamatórios, como evidenciado pelas reduções na PCR e IL-6 (ambos, p<0,001).

Fontes:

L-carnitine decreases myocardial injury in children undergoing open-heart surgery: A randomized controlled trial | European Journal of Pediatrics Potential utility of l-carnitine for preventing liver tumors derived from metabolic dysfunction–associated steatohepatitis The effect of 8-day oral taurine supplementation on thermoregulation during low-intensity exercise at fixed heat production in hot conditions of incremental humidity | European Journal of Applied Physiology View of The Beneficial Effects of Short-Term Taurine Supplementation on Cardiovascular Health in Individuals with Borderline Hypertension: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Trial

Suplementação de ferro e composição da microbiota

Segundo grande parte da pesquisa científica, doses altas de ferro podem ser prejudiciais para a homeostase intestinal. No entanto, o impacto da suplementação de ferro nessa microbiota é altamente variável, dependendo do estágio fisiológico do paciente, de sua dieta, sexo ou necessidades individuais. Um estudo em gestantes, por exemplo, mostrou que as bactérias Roseburia e Ruminococcus estavam diminuídas naquelas que suplementavam ferro em doses >60mg/dia, enquanto a suplementação de 160mg/dia em mulheres com deficiência de ferro e em idade fértil restaurou a abundância da Faecalibacterium. Com essa variabilidade na literatura, um estudo retrospectivo recém-publicado no Nutrients fornece uma ideia de dose superior limite para evitar-se a interferência na homeostase intestinal e, consequentemente, a promoção da inflamação gastrointestinal em mulheres saudáveis de meia-idade (45-60 anos).

Vinte e três participantes foram identificadas com suplementação de dose baixa (6 a 10mg; geralmente presente num multivitamínico/mineral) de ferro por dia, e dez outras foram identificadas como dose alta (>100mg/dia). Esses grupos foram pareados por idade e IMC com 23 participantes que não se suplementavam com ferro. No grupo dose alta de ferro ocorreram associações negativas com vários táxons microbianos, incluindo Akkermansia, Butyricicoccus, Ruminococcus e Faecalibacterium, e uma associação positiva com Proteobacteria, em comparação com os grupos baixa dose e controle (Nenhum-Fe versus Baixo-Fe (p = 0,025); Nenhum-Fe versus Alto-Fe (p = 0,032); Baixo Fe versus Alto Fe (p = 0,027)). Estes resultados fornecem evidências de que a ingestão elevada de ferro (>100mg/d) está associada a alterações na composição da microbiota intestinal em mulheres saudáveis de meia-idade.

Vitaminas do complexo B em jovens com glossite

Um grupo de investigadores analisou um surto de glossite que ocorreu em colégios internos, no Nepal, e, entre o desafio diagnóstico, encontrou que o tratamento com o complexo B ajudou 80% dos adolescentes e jovens (n=97) durante os 15 dias de suplementação. A dose utilizada foi de 32,5mg, duas vezes ao dia por via oral.

A análise descritiva retrospectiva publicada em Sage Open Medicine encontrou dificuldades para encontrar a causa do surto ocorrido durante a pandemia da covid-19 devido a falta de dados laboratoriais, e surtos de glossite já haviam ocorrido anteriormente em outros colégios. Ao analisar o arroz fortificado consumido diariamente, verificou-se a ausência da riboflavina (B2) na sua composição. A avaliação do questionário alimentar constatou que, apesar de a maioria comer ovos e carne, os alunos ingeriam apenas 0,2mg de riboflavina por dia, provável motivo para a ação do complexo B sobre a inflamação ou alterações na língua.

Ômega-3 no Parkinson: uma revisão sistemática

A relação entre a doença de Parkinson (DP) e os ácidos graxos ômega-3 tem sido objeto de numerosos estudos, centrando-se nos seus potenciais efeitos neuroprotetores e na sua influência no tratamento adjuvante na gravidade e progressão dos sintomas. Uma revisão sistemática de ensaios clínicos duplo-cegos randomizados, recém-publicada no Clinical Nutrition Open Science, fornece agora um panorama dos resultados de 4 estudos analisados, incluindo um estudo piloto sobre a depressão nesses pacientes, realizado no Brasil. Todas as formulações usadas possuíam a vitamina E, e a maioria dos estudos usou a dose de 1000mg/dia durante 3 meses.

Os estudos demonstraram um efeito benéfico do ômega-3 contra a progressão da DP. O estudo realizado em brasileiros observou reduções nas escalas (de depressão) MADRS e CGI. Entre os estudos que avaliaram os efeitos do ômega-3 em biomarcadores de inflamação, foram observadas reduções nos níveis de PCR (-0,3±0,6mg/mL na intervenção vs. +0,3±0,3mg/mL no controle, p<0,05), nas expressões de TNF-a e do gene LDLR oxidado, além de aumento na expressão de PPARg. No estudo de maior duração (30 meses e dose mais alta de ômega) ocorreu um aumento da prescrição de levodopa no grupo placebo, enquanto nenhuma mudança foi observada no grupo da intervenção.

Fontes:

Iron supplementation has minor effects on gut microbiota composition in overweight and obese women in early pregnancy Outbreak of glossitis in a boarding school, diagnostic challenges and the outcome after treatment with Vitamin B Complex tablets: A retrospective descriptive study Omega-3 fatty acids’ supplementation in Parkinson’s disease: A systematic review of randomized controlled trials

CoQ10 em quadros inflamatórios

A coenzima Q10 (CoQ10) tem sido usada no tratamento adjuvante de doenças que apresentam quadros de excesso de estresse oxidativo e de produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), como as doenças cardiovasculares (DCV), dislipidemia, hipertensão, disfunção endotelial, aterosclerose e diabetes. Adicionalmente, a administração de CoQ10 também tem sido estudada para a doença pulmonar obstrutiva crônica, as doenças neurodegenerativas e, mais recentemente, para a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD).

Publicado no European Journal of Pharmacology, um artigo de revisão, ao rever a função fisiológica da CoQ10 nas células, investigou como a coenzima, também conhecida como ubiquinona, desempenha um papel aliviador na aterosclerose, uma condição comum e (co)causadora das DCV. No artigo, Liao et al. (2024), ao citar os fatores que agravam a aterosclerose, descrevem como a CoQ10 atuaria no retardamento do processo: (A) a CoQ10 pode reduzir os níveis circulantes de LDL e TGs oxidados, e aumentar os níveis de HDL; (B) inibir o estresse oxidativo e as respostas inflamatórias; (C) desacelerar a agregação de monócitos; (D) reduzir a formação de células espumosas e diminuir o tamanho da placa, promovendo o transporte reverso do colesterol; (E) inibir a ativação conformacional dos receptores de integrina αIIbβ3 plaquetários.

Na clínica prática, a CoQ10 mostra desempenhar um papel sinérgico em combinação com medicamentos no tratamento da DCV aterosclerótica, e o seu uso combinado com o selênio (proteção endotelial e redução de dímeros de plasma), fibratos (melhora da função vasodilatadora endotelial e não endotelial do antebraço, bem como a microcirculação), estatinas (redução dos níveis das citocinas pró-inflamatórias e aumento do HDL) e/ou vitamina E (redução dos hidroperóxidos lipídicos teciduais) foram citados pelos pesquisadores. A revisão foi baseada em achados in vitro, in vivo e clínicos, cobrindo um período de 33 anos de pesquisa, a partir de 1990 até 2023.

Liao et al. incluíram vinte e dois estudos clínicos que utilizaram doses variadas (a mais predominante foi 200mg/dia), sendo dois estudos clínicos de segurança de uso com doses propositalmente altas que encontraram boa tolerabilidade (900mg e 1200mg). Entretanto, mesmo na ausência de efeitos adversos, em 2015, um artigo publicado no British Journal of Cardiology destacou que a absorção da CoQ10 não é linear, e doses muito altas resultam em níveis mais baixos de absorção. Portanto, seria melhor fracionar durante o dia as doses diárias elevadas. Já uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados indicou que a suplementação diária de 300-400mg de CoQ10 foram as dosagens mais eficazes e ideais contra biomarcadores relacionados à inflamação (Hou et al., 2023).

Prosseguindo dentro do contexto inflamatório, um outro artigo de revisão, recém-publicado no International Journal of Endocrinology, aponta a CoQ10 como uma intervenção terapêutica natural promissora para o tratamento adjuvante abrangente do diabetes e das complicações cardiovasculares associadas. Samimi et al. (2024) destacam as multifacetas da molécula lipídica na via Nrf2/Keap1/ARE no estresse oxidativo e na regulação metabólica, subsequentemente estimulando a produção de enzimas antioxidantes.

Adicionalmente, um relatório preliminar (preprint) investigou o seu uso em pacientes (± 52 anos) com MASLD em termos de função endotelial, vascular e miocárdica. O estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de Ventzos et al. (2024) utilizou a dose de 240mg/dia, associada a outros nutrientes, como colina, selênio, vitamina C e complexo B, e recomendando mudanças no estilo de vida, durante seis meses.

Após o tratamento, os pacientes que receberam a CoQ10 (n=30) apresentaram região limite perfundida reduzida (2,18±0,23 vs. 2,29±0,18μm), velocidade da onda de pulso (9,5±2 vs. 10,2±2,3m/s), parâmetro de atenuação controlado (280,9±33,4 vs. 304,8±37,4dB/m), e aumento da dilatação mediada por fluxo (6,1±3,8 vs 4,3±2,8%), deformação longitudinal global (-19,6±1,6 vs -18,8±1,9%) e reserva de fluxo coronariano (3,1±0,4 vs 2,8±0,4) em comparação ao valor basal (p<0,05). O grupo placebo (celulose microcristalina; n=30) não apresentou melhora durante o período de acompanhamento de 6 meses (p>0,05). No grupo CoQ10, a redução na pontuação do parâmetro de atenuação controlada foi positivamente relacionada à redução da região limite perfundida e da velocidade da onda de pulso e inversamente relacionada ao aumento da reserva de fluxo coronariano e à dilatação mediada por fluxo (p<0,05 para todas as relações).

Os pesquisadores destacaram alterações significativas na elasticidade arterial, melhora na perfusão microvascular, redução na rigidez arterial e aumento da função endotelial no grupo experimental. Como nota, a CoQ10 levou a uma diminuição da pressão arterial sistólica, registrando uma redução de 7 mmHg, enquanto o seu impacto na PAD foi mínimo. Dessa forma, a suplementação de CoQ10 se mostrou eficiente na melhora de parâmetros cardiovasculares em pacientes com MASLD – condição anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).

Fontes:
The Coenzyme Q10 in atherosclerosis Coenzyme Q10 and cardiovascular disease: an overview Efficacy and Optimal Dose of Coenzyme Q10 Supplementation on Inflammation-Related Biomarkers: A GRADE-Assessed Systematic Review and Updated Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials Coenzyme Q10: A Key Antioxidant in the Management of Diabetes-Induced Cardiovascular Complications – An Overview of Mechanisms and Clinical Evidence Coenzyme Q10: A Key Antioxidant in the Management of Diabetes-Induced Six-month supplementation with high dose coenzyme Q10 improves liver steatosis, endothelial, vascular and myocardial function in patients with metabolic-dysfunction associated steatotic liver disease: A Randomized Double-blind, PlaceboControlled Trial

Fibras e peso corporal na obesidade

As fibras dietéticas como glucomanano, inulina e psyllium, através de mecanismos como o aumento da saciedade, contribuem para o emagrecimento e alterações metabólicas benéficas. Pokushalov et al. (2024) realizaram um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo para testar esses carboidratos não digeríveis no peso e composição corporal de adultos com presença de pelo menos um alelo menor em qualquer um dos seguintes polimorfismos genéticos associados à obesidade: LEP (leptina), LEPR (receptor da leptina), MC4R (receptor de melanocortina 4) e FTO (massa adiposa associada à obesidade).

Numa proporção 2:1, os adultos considerados saudáveis (71,6% mulheres, média 46 anos) foram divididos entre grupo glucomanano + inulina + psyllium (1g + 1g + 3g, respectivamente, com 70% de fibra solúvel; n = 75) ou placebo (maltodextrina + farinha de arroz; n = 37), além de intervenção no estilo de vida (redução calórica e aumento da atividade física). Todos foram orientados a tomar o suplemento 30 minutos antes do café da manhã, almoço e jantar, dissolvido em um copo de água para garantir hidratação adequada. A duração do estudo foi de 180 dias, com checagens semanais.

Na visita do dia 180, os limites de perda de 5% ou mais e 10% ou mais do peso corporal basal foram alcançados por 59,2% (42 participantes) e 21,1% (15 participantes) no grupo experimental, respectivamente, em comparação com 26,5% (9 participantes) e 8,8% (3 participantes) no grupo placebo (p < 0,01 para ambos os limites). A mudança absoluta no peso corporal desde o início até o dia 180 foi de -6,5 kg (IC 95%: -7,2 kg a -5,9 kg) no grupo experimental, em comparação com -2,2 kg (IC 95%: -2,4 kg a -2,0 kg ) no grupo placebo (diferença de tratamento, −4,3 kg; IC 95%: −5,2 kg a −3,5 kg; p < 0,01). Uma resposta mais pronunciada foi alcançada pelos portadores de alelos menores em homozigotos.

Os autores destacaram que o estudo contou com ótima aderência (93,7%). Entretanto, pelo menos 1 efeito secundário gastrointestinal, principalmente ligeiro a moderado, ocorreu em 74,6% dos participantes do grupo ativo, sublinhando a importância de considerar estratégias para a boa tolerabilidade e individualização da suplementação de fibras.

 

Chlorella com ação prebiótica em gestantes

Um pequeno estudo aberto, randomizado e controlado avaliou a eficácia e a segurança da suplementação de Chlorella – um gênero de algas verdes ricas em nutrientes, incluindo aminoácidos, clorofila, ferro, magnésio, B6, folato, B12 e fibra – em gestantes com inflamação de baixo grau e observou a diminuição da constipação e da necessidade de tomar laxantes.

As pacientes japonesas (23-38 anos) do estudo apresentavam níveis de proteína C reativa >0,05 mg/dL (n = 22) e foram alocadas aleatoriamente no grupo 6g Chlorella pyrenoidosa (Sun Chlorella Corp.; n = 10) ou grupo zero Chlorella (n = 12). Não houve limitação ao uso de multivitaminas e minerais durante o estudo, que foi realizado da 12ª a 18ª  semana de gestação até o parto, e os dados foram coletados nas semanas 16, 25, 30 e 35.

Embora o nível de PCR na 16ª semana de gestação tenha sido maior no grupo Chlorella do que no grupo controle, não houve diferenças significativas na 35ª semana de gestação. Nessa mesma semana, as dosagens de ferritina e hemoglobina no grupo Chlorella se mostraram significativamente menores do que no grupo controle.

Adicionalmente, após a intervenção, o grupo Chlorella apresentou uma taxa significativamente menor de constipação do que o grupo controle (p <0,01), ou seja, no grupo Chlorella 0 das 10 pacientes e no grupo controle 8 das 10 pacientes, com 5 necessitando de laxantes. Os investigadores reportaram segurança de uso da suplementação nessa população e a sua intenção de realizar um estudo duplo-cego com um maior número de pacientes.

Fontes:
The Impact of Glucomannan, Inulin, and Psyllium Supplementation (Soloways TM ) on Weight Loss in Adults with FTO, LEP, LEPR, and MC4R Polymorphisms: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Trial The effect of Chlorella supplementation in pregnant women with low‐grade inflammation – Uchiyama‐Tanaka – 2024 – Food Science & Nutrition – Wiley Online Library

Taurina na degeneração macular relacionada à idade

Publicado no Journal of Ophthalmology and Advance Research, um estudo de caso relatou uma estabilização duradoura e subsequente melhora moderada da visão, da espessura macular e da pigmentação da retina com a administração oral de taurina em um paciente de 62 anos diagnosticado com degeneração macular relacionada à idade do tipo seco ou não-neovascular.

Em 2013, o paciente iniciou a suplementação com taurina na dose de 600mg, 3x/dia (1,8g/dia; 27mg/kg/dia), seguido de controle anual. Em dezembro de 2018, a dose foi duplicada para 1800mg 2x/dia (3,6g/dia; 54mg/kg/dia). Em janeiro de 2020, o paciente apresentou melhora objetiva da acuidade visual Snellen, juntamente com aumento da espessura macular em ambos os olhos, que permaneceu estável até o último controle em janeiro de 2023. Da mesma forma, também foi observada uma pigmentação aumentada de toda a retina. Além da facilidade de utilização, o tratamento com o aminoácido taurina – que desempenha um papel importante na função da retina, incluindo a sobrevivência dos fotorreceptores – apresentou excelente tolerabilidade e ausência de efeitos secundários.

 

Ômega-3 na esteatose hepática

Publicada no jornal médico revisado por pares EMBO Molecular Medicine, uma análise multiômica (transcriptoma, metaboloma, lipidoma e sequenciamento de RNA de célula única) conduzida por pesquisadores da Oregon State University revelou novos insights sobre como o ômega-3 pode atuar na esteatose hepática. O mecanismo envolve a betacelulina (BTC) como uma reguladora mestre cuja redução pelo DHA potencialmente leva à prevenção/tratamento da fibrose.

De fato, os pesquisadores encontraram que a BTC induz o TGFβ-2, um contribuinte crítico para a fibrose hepática através da produção de colágeno pelas células estreladas hepáticas. Além disso, em combinação com agonistas TLR 2/4 (também reduzidos pelo DHA), a BTC induz a via da integrina nos macrófagos, o tipo de célula do fígado mais afetado pelo tratamento com DHA e bem conhecido por estar envolvido na patogênese da fibrose em diferentes órgãos. Além do seu efeito sobre a fibrose, a redução da BTC parece também mediar outro efeito importante do DHA, que é a melhoria das vias relacionadas com a função mitocondrial.

 

Policosanol nas enzimas hepáticas

Uma revisão sistemática e meta-análise de dose-resposta de estudos randomizados e controlados publicada no Complementary Therapies in Medicine investigou a influência do policosanol sobre as enzimas hepáticas. Foram incluídos 23 ensaios realizados de 1992 a 2023 (n= 2535; 45,7-69,7 anos), e as dosagens oscilaram entre 5 e 20mg/dia, enquanto a duração das intervenções variou de 4 a 144 semanas.

Os resultados mostraram que o policosanol reduziu significativamente a ALT (média ponderada: −1,48 U/L; IC 95%: −2,33 a −0,64; P = 0,001) e a AST (média ponderada: −1,10 U/L; IC 95%: −1,70 a −0,51; P < 0,001) em indivíduos com diferentes doenças metabólicas, especialmente hipercolesterolemia tipo II. A dose de 20mg/dia foi a que mais demonstrou efeito redutor. Quanto à segurança desse composto extraído da cana-de-açúcar, de acordo com ensaios anteriores e os resultados dessa revisão sistemática e metanálise, os autores destacam que o consumo de policosanol mostra-se seguro para reduzir os perfis lipídicos e as enzimas hepáticas, sem eventos adversos e toxicidade hepática.

Lactoferrina na prevenção de infecções respiratórias

Publicado no Children, um jornal revisado por pares e de acesso aberto sobre saúde infantil, um ensaio clínico prospectivo randomizado investigou a lactoferrina na prevenção de infecções respiratórias recorrentes em crianças pré-escolares. Foram incluídas 50 crianças (4,2 ± 0,1 anos) e a dosagem de lactoferrina foi de 400mg/dia, dividida em 2 vezes ao dia (longe das refeições), durante 4 meses.

Os investigadores observaram uma redução clinicamente relevante de 50% nos episódios de infecção respiratória durante a fase de suplementação, com número necessário para tratar (NNT) de 4. Além disso, o grupo lactoferrina exibiu uma redução de 80% nas chances de sofrer episódios múltiplos, juntamente com uma duração mais curta dos sintomas, em comparação com o grupo controle (medianas de 3 vs. 6 dias, respectivamente). Embora não tenha alcançado significância estatística, os dias de ausência da escola foram menores entre as crianças que tomaram lactoferrina (mediana: 3 dias) do que as do grupo controle (mediana: 6 dias, p = 0,15). Ao longo do acompanhamento de 2 meses, não foram observadas diferenças significativas entre os grupos, no entanto, as crianças tratadas com lactoferrina receberam significativamente menos corticosteroides durante todo o período de estudo de 6 meses (32% vs. 60%; p = 0,047).

 

Ômega-3 e marcadores de trombose na fibrilação atrial

Uma grande análise transversal do estudo de coorte “Swiss Atrial Fibrillation” (Swiss-AF), publicada no Nutrients, investigou a relação ômega-3 (n-3), D-dímero e beta-tromboglobulina (BTG) em pacientes com fibrilação atrial (FA). A quantificação dos ômegas foi realizada através do Índice Ômega-3 (EPA, DHA, DPA e ALA), atingindo o índice de 6,0% (desvio padrão (DP) 1,2%). A idade média dos pacientes incluídos na análise para D-dímero e BTG foi de 75 anos e 73 anos, respectivamente, e 27% eram mulheres. A FA paroxística foi o tipo mais comum de FA, e a grande maioria dos pacientes estava sob medicação anticoagulante.

Foi encontrada uma associação inversa de n-3 totais com D-dímero (coeficiente 0,94, IC 95%: 0,90 a 0,98, p = 0,004) e n-3 totais com BTG (coeficiente 0,97, lC 95%: 0,95 a 0,99, p = 0,003) após ajuste para múltiplos fatores de confusão, incluindo PCR de alta sensibilidade. Assim, um aumento de um ponto percentual no total de n-3 foi associado a um valor de BTG 3% menor, e um aumento de um ponto percentual no total de n-3 foi associado a um valor de D-dímero 6% menor. “Essas observações sugerem potenciais propriedades antitrombóticas dos ácidos graxos n-3 em pacientes com FA e podem, em parte, explicar o menor risco de AVC isquêmico observado em indivíduos com FA e níveis elevados de ácidos graxos n-3 no sangue”, escreveram os investigadores.

Fontes:

 

Long-Lasting Stabilization and Improvement of Dry Age-Related Macular Degeneration by a High Oral Taurine Dose Multi‐omic network analysis identified betacellulin as a novel target of omega‐3 fatty acid attenuation of western diet‐induced nonalcoholic steatohepatitis What is the influence of policosanol supplementation on liver enzymes? A systematic review and dose-response meta-analysis of randomized controlled trials Lactoferrin in the Prevention of Recurrent Respiratory Infections in Preschool Children: A Prospective Randomized Study Omega-3 Fatty Acids and Markers of Thrombosis in Patients with Atrial Fibrillation

Efeito da canela no pré-diabetes

Recém-publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, um estudo cruzado, randomizado e controlado investigou o efeito da canela na resposta glicêmica em adultos com pré-diabetes e sobrepeso ou obesidade, utilizando tanto o monitoramento contínuo da glicose (CGM) quanto o teste oral de tolerância à glicose (TOTG).

Os 18 participantes (média 51,1 anos; média de glicemia em jejum 102,9 mg/dL) foram designados aleatoriamente para o grupo canela (4g) ou placebo (250mg de maltodextrina) por um período de 4 semanas, seguido de eliminação de 2 semanas e novamente passaram por outra intervenção de mais 4 semanas. O TOTG foi realizado imediatamente após a ingestão da canela ou placebo em 4 momentos para avaliar seus efeitos agudos tanto no início quanto no final de cada fase de intervenção.

Duas semanas antes de iniciar a intervenção, os participantes foram instruídos a consumir uma “dieta bege” com baixo teor de polifenóis, rica em carboidratos simples e sem consumo de canela, padrão que foi mantido durante todo o experimento. A dose foi fracionada em duas vezes ao dia, no café da manhã e no jantar, e o perfil químico da canela (C. burmannii) continha por volta de 3,64mg/g de cumarina, 1,02mg/g de ácido cinâmico e 29,03mg/g de cinamaldeído. Baseados no peso corporal médio, esses valores equivalem a 0,17mg/kg de cumarina; 0,054mg/kg de ácido cinâmico; e 1,55mg/kg de cinamaldeído.

Quando comparadas com o placebo, as concentrações de glicose em 24 horas foram significativamente mais baixas quando a canela foi administrada (modelos mistos; tamanho do efeito (TE) = 0,96; Intervalo de confiança (IC) de 95%: -2,9 a -1,5; P < 0,001). Da mesma forma, a média da área líquida sob a curva (netAUC) para a glicose foi significativamente menor do que para o placebo quando a canela foi administrada (durante 24 horas; TE= -0,66; IC 95%: 2501,7 a 5412,1, P=0,01). A canela resultou em picos de glicose mais baixos em comparação com o placebo (Δpico 9,56 ± 9,1 mg/dL versus 11,73 ± 8,0 mg/dL, respectivamente; TE= -0,57; IC 95%: 0,8 a 3,7, P=0,027). Adicionalmente, o polipeptídeo inibitório gástrico (GIP) pós-prandial aumentou (P=0,04), e as concentrações de triglicerídeos diminuíram (P=0,02) em resposta a uma carga oral de glicose após 4 semanas de suplementação de canela.

No entanto, quando medida pelo TOTG no final do período de 4 semanas, a canela não mostrou afetar as concentrações pós-prandiais de glicose, trazendo uma importante reflexão sobre esse biomarcador. No estudo atual, Zelicha et al. (2024) sugerem que o CGM de 24 horas pode ser superior ao TOTG na detecção da disglicemia.

Entre outros achados, os investigadores encontraram modificações na microbiota intestinal. No grupo canela, a abundância relativa de Terrisporobacter e Dialister foi reduzida, e a de Methanobrevibacter aumentada. Como observação, conforme estudos anteriores, a restrição energética para redução de peso pode estar associada à redução de Terrisporobacter, e parece existir uma correlação positiva entre a prevalência de Dialister e concentrações elevadas de HbA1c em pacientes com pré-diabetes. Já o microrganismo metanogênico Methanobrevibacter parece representar um fator de risco para obesidade devido à sua influência na extração de calorias dos carboidratos da dieta.

Fonte:

Effect of cinnamon spice on continuously monitored glycemic response in adults with prediabetes: a 4-week randomized controlled crossover trial

PQQ na força muscular e função física

A pirroloquinolina quinona (PQQ) é uma molécula que influencia uma infinidade de processos fisiológicos e bioquímicos, incluindo a função e biogênese mitocondrial. Disponível em pequena quantidade em uma ampla variedade de alimentos, ela é particularmente abundante no leite materno, o que beneficia o crescimento.

Mais conhecida para a neuroproteção, atualmente ela vem sendo pesquisada para a medicina do esporte, e um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, foi recém-publicado no Journal of Functional Foods com esse foco.

No estudo, Shiojima et al. avaliaram a eficácia e a segurança de 21,5mg de PQQ (na forma sal dissódico, fornecida por Ryusendo Co., Japão) sobre a força muscular e a função física em 62 adultos japoneses saudáveis (idades ~ 53-56 anos) durante 12 semanas, versus placebo (celulose). Os participantes tomaram as cápsulas com água (ou água morna) dentro de 30 minutos após o café da manhã.

No grupo PQQ, os resultados indicaram uma melhoria significativa na força muscular em todos os valores medidos na semana 12 de suplementação, em comparação com o valor basal (p<0,001). Paralelamente, ocorreu também uma diferença significativa entre os dois grupos na semana 12, em comparação com o período pré-intervenção (p<0,01). Entre outros achados positivos, o grupo PQQ apresentou melhoria significativa na força de preensão manual, no Incremental Walking Shutter Test (ISWT) e no teste de caminhada de 6′ (TC6) em comparação ao placebo. Não foram observados efeitos adversos graves devido à suplementação de PQQ.

Conforme achados anteriores, quando consumida por via oral, a concentração de PQQ no sangue atinge o pico cerca de duas horas após a ingestão, com a parte absorvida atingindo vários órgãos e tecidos, sendo a maioria metabolizada e excretada aproximadamente 24 horas após a sua ingestão.

Lactoferrina contra a Candida

Recentemente publicada, uma revisão sistemática e meta-análise de sete estudos in vitro investigou a eficácia do efeito sinérgico da lactoferrina (LF) bovina com antifúngicos. Estudos passados mostraram que a combinação de lactoferrina com medicamentos azólicos aumenta sinergicamente a atividade antifúngica do tratamento contra espécies de Candida, inibindo a formação de hifas (forma filamentosa) em cepas de Candida albicans resistentes.

Acredita-se que um dos mecanismos envolvidos está relacionado à atuação da lactoferrina sobre a membrana celular fúngica comprometida, assim, aumentando a permeabilidade e facilitando o movimento do medicamento através da membrana até seus alvos. A lactoferrina via suplemento é uma proteína prebiótica, geralmente derivada do leite de vaca (colostro). Naturalmente, ela é também encontrada no leite materno, na mucosa oral e na vagina.

A maioria dos estudos analisados por Stella et al. mostrou atividade sinérgica entre a LF com anfotericina B, lactoperoxidase, itraconazol e cetoconazol contra C. albicans suscetível a azóis (Correlação combinada = 18,4; IC 95% = 2,48 a 33,59; p<0,05). Enquanto isso, fluconazol e itraconazol apresentaram resultados sinérgicos com LF contra C. albicans resistente a azóis. A lactoferricina também apresentou comportamento sinérgico com C. albicans suscetíveis a azóis (com itraconazol e cetoconazol) e C. albicans resistentes a azóis (com fluconazol e itraconazol).

Dentre esses, a LF apresentou melhor atividade sinérgica com azóis (fluconazol, itraconazol e clotrimazol) e polilinhas (anfotericina B e nistatina) do que outros antifúngicos. Por fim, a melhor atividade antifúngica e sinergismo foram demonstradas pela LF contra a C. albicans suscetível a azóis.

Os pesquisadores destacam que com o acúmulo de evidências in vitro e in vivo que apontam benefícios antifúngicos da lactoferrina, estudos clínicos são necessários para identificar e maximizar os efeitos antifúngicos dos medicamentos disponíveis. Essas terapias combinadas visam diminuir a dosagem do agente antifúngico e diminuir o desenvolvimento de resistência aos medicamentos.

Fontes:

Efficacy and safety of a novel dietary pyrroloquinoline quinone disodium salt on muscle strength and physical function in healthy volunteers: A randomized, double-blind, placebo-controlled study Bovine Lactoferrin and Current Antifungal Therapy Against Candida Albicans: A Systematic Review and Meta-Analysis

Magnésio na depressão

Uma meta-análise, recém-publicada no Frontiers in Psychiatry, resumiu as evidências sobre o impacto da suplementação de magnésio em adultos com transtorno depressivo. Os investigadores, Moabedi et al. (2023), incluíram na análise todos os ensaios clínicos randomizados controlados publicados até julho de 2023 que examinaram o efeito do magnésio, em contraste com o placebo, nos escores de depressão.

Atuando como cofator em mais de 350 enzimas em humanos – a maioria participante na função cerebral –, o magnésio afeta a regulação do humor ao equilibrar compostos químicos no cérebro, como o aumento da expressão do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF).

No total, sete ensaios clínicos randomizados com amostra de 325 adultos foram incluídos na análise. As dosagens de suplementação de magnésio variaram entre 40 e 500mg, com duração de 1 a 8 semanas. Como resultado, a suplementação de magnésio mostrou causar uma queda significativa nos escores de depressão em comparação com o placebo [diferença média padronizada (SMD): −0,919, IC 95%: −1,443 a −0,396, p = 0,001].

Em meio à heterogeneidade entre os estudos, advinda em grande parte segundo o tipo de teste de avaliação da depressão utilizado, todas as análises de subgrupo mostraram efeitos reduzidos do magnésio nos escores de depressão. Na análise de doses, os investigadores encontraram que a suplementação de 250mg/dia ou menos de magnésio pode ter um efeito mais forte do que doses mais altas na redução dos escores de depressão.

Peptídeos de colágeno no sono

A suplementação de peptídeos de colágeno antes de dormir ajuda a reduzir a fragmentação do sono e a melhorar a função cognitiva em homens fisicamente ativos com queixas de sono, concluíram os autores de um estudo publicado no European Journal of Nutrition.

Estudos anteriores em animais mostraram que peptídeos de colágeno (PC) atingem o líquido cefalorraquidiano, aumentando a expressão hipocampal de fatores de crescimento nervoso, incluindo o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), o que pode ajudar o sono do tipo sem movimento rápido ocular (NREM).

A pequena intervenção randomizada contou com 13 atletas do sexo masculino (idade: 24 ± 4 anos; volume de treinamento; 7 ± 3 h·semana) com queixas de sono (Escala de Insônia de Atenas, 9 ± 2). Antes do início do experimento, todos os participantes passaram por um período de familiarização em que tiveram as suas atividades físicas e sono monitorados durante 7 dias e noites nos seus domicílios. Após esse período, eles consumiram uma bebida contendo 15 g de PC (~3,5 g de glicina) ou placebo, longe do jantar, 1 hora antes de dormir por 7 noites.

A polissonografia mostrou menos despertares com PC do que com o agente controle (21,3 ± 9,7 vs. 29,3 ± 13,8 contagens, respectivamente; P = 0,028). A média de 7 dias para despertares subjetivos foi menor com CP vs. controle (1,3 ± 1,5 vs. 1,9 ± 0,6 contagens, respectivamente; P = 0,023). A proporção de respostas corretas no teste cognitivo Stroop foi maior com CP vs. controle (P = 0,009; g = 0,573; IC 95% 0,01 a 0,04) na manhã seguinte do sétimo dia. Não houve diferenças na temperatura central, função endócrina, inflamação, sonolência subjetiva, fadiga e qualidade do sono, ou outras medidas de função cognitiva ou sono (P > 0,05).

Fontes:

Magnesium supplementation beneficially affects depression in adults with depressive disorder: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials Collagen peptide supplementation before bedtime reduces sleep fragmentation and improves cognitive function in physically active males with sleep complaints | European Journal of Nutrition

Ômega-3 na saúde muscular

Ao mesmo tempo que as evidências mostram que a saúde óssea não depende somente da “quantidade” de mineral ósseo (ou seja, DMO), mas também da “qualidade” da arquitetura óssea – que depende de uma multitude de moléculas contribuintes –, compreende-se que a saúde muscular também requer vários nutrientes que atuam direta ou indiretamente no sistema osteomuscular, e sob diferentes ângulos.

Como contribuinte para a força e a massa musculares, uma revisão sistemática de estudos clínicos randomizados traz o ômega-3 (EPA e DHA). Publicada no Clinical Nutrition Research, a revisão de Moon e Bu (2023) analisou 21 estudos que categorizaram as intervenções clínicas em: suplemento oral de ômega-3 por si só (13); formulações orais com adição de proteína, leucina e vitamina D (4); e suplementação de ômega-3 adicionada à nutrição enteral (4). Os pacientes eram na maioria adultos e adultos mais velhos, muitos dos quais sob tratamento oncológico, mas também contou com a presença de jovens. As doses utilizadas foram, em geral, por volta de 2 g ou mais e o tempo de intervenção variou entre 4 dias e 144 semanas.

Com base nos possíveis mecanismos de benefícios à saúde do ômega-3, o seu efeito no tecido muscular parece se dar de maneira indireta. As hipóteses indicam que isso pode ocorrer através da melhora das funções neurológicas e cognitivas, levando ao aprimoramento das interações entre receptores musculares e neurônios, melhora do metabolismo energético muscular, bem como do fluxo sanguíneo, que facilita o fornecimento de nutrientes aos tecidos.

Os autores destacam que, entre os estudos analisados, apenas um não mostrou benefício da suplementação do ômega-3 na saúde muscular, o que poderia sugerir o potencial desse nutriente no tratamento adjuvante para pacientes imobilizados ou acamados, com caquexia e/ou sarcopenia.

MCTs na qualidade de vida de adultos sedentários

A suplementação dietética com triglicerídeos de cadeia média (MCTs) vem mostrando poder ajudar na melhora do metabolismo cerebral. Inicialmente popularizado através do “bulletproof coffee“, os MCTs, entre outros efeitos, formam facilmente corpos cetônicos, uma fonte de energia potencial para aqueles com deficiências cognitivas.

Na progressão da pesquisa nessa área, Ishikawa et al, (2023) publicaram no Frontiers o seu estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo sobre o efeito de diferentes formulações de MCTs com a caminhada na saúde subjetiva e na qualidade de vida em adultos saudáveis. Os 119 participantes (japoneses) tinham entre 60 e 74  anos, não tinham hábitos de exercício e apresentavam IMC médio de 21,5 kg/m².

Junto à caminhada de intensidade moderada, as formulações de MCT testadas foram 6g/dia de ácido octanoico (caprílico) versus 2g/dia de ácido octanoico (caprílico) versus 6g/dia de ácido decanoico (cáprico) versus 6g/dia de suplemento controle (óleo de colza/trigliceríedos de cadeia longa), tomados em duas vezes após refeições, durante 12 semanas. Os resultados mostraram melhorias significativas nas pontuações em diversas subescalas do SF-36 (vitalidade e funções física e mental) nos 3 grupos MCT, em comparação com o grupo de controle.

Esses resultados parecem fazer coro a estudos anteriores que relataram que os MCTs parecem aumentar a biossíntese mitocondrial (mais ATP) e a ativação de enzimas relacionadas ao metabolismo em tecidos como o do sistema nervoso e o do músculo esquelético, e para diminuir o estresse oxidativo – o que pode reduzir a fadiga subjetiva. Além disso, foi relatado que o β-hidroxibutirato, uma cetona derivada do MCT, aumenta a expressão proteica de Mn-SOD (enzima-chave na proteção mitocondrial) e catalase. Um desses estudos anteriores (Kojima et al. 2023), realizado com a mesma população do estudo atual e com a mesma duração, encontrou que a combinação de MCTs + exercício de intensidade moderada aumentou a força de extensão do joelho e a força de preensão manual, em comparação com os triglicerídeos de cadeia longa utilizados como placebo.

Fontes:

Effects of Omega-3 Fatty Acid Supplementation on Skeletal Muscle Mass and Strength in Adults: A Systematic Review Effect of medium-chain triglycerides supplements and walking on health-related quality of life in sedentary, healthy middle-aged, and older adults with low BMIs: a randomized, double-blind, placebo-controlled, parallel-group trial A Randomized, Double-Blind, Controlled Trial Assessing If Medium-Chain Triglycerides in Combination with Moderate-Intensity Exercise Increase Muscle Strength in Healthy Middle-Aged and Older Adults

Curcumina versus IBPs

Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) estão entre os medicamentos mais vendidos no mundo. Inicialmente projetados para a prática da gastroenterologia de maneira pontual, atualmente o uso do fármaco se tornou um pilar terapêutico na prática da medicina geral, muitas vezes de maneira crônica.

Embora os IBPs sejam geralmente considerados seguros para uso em curto prazo (4-8 semanas), grande parte da população usuária vem estendendo o seu uso por meses, senão anos, sobre sintomas gastroenterológicos diversos. Com isso, vem crescendo uma preocupação mundial sobre o seu uso em longo prazo, desde que estudos vêm apontando risco aumentado de infecções, pneumonia, fratura óssea, metabolismo alterado de medicamentos, câncer do trato gastrointestinal, interferência na digestão proteica, absorção reduzida de vitaminas e minerais, como o magnésio e a vitamina B12, e, segundo pesquisa inicial, a possibilidade de afetar a cognição de adultos mais velhos.

Esse assunto, portanto, levanta questões sobre se a terapia contínua com IBPs é realmente necessária em muitos pacientes. Apenas 4–8 semanas de tratamento com o medicamento podem causar hipersecreção ácida de rebote e sintomas relacionados ao ácido em indivíduos previamente assintomáticos, contribuindo potencialmente para o uso continuado do próprio medicamento num ciclo vicioso.

Em paralelo com a necessidade da redução do uso inadequado de IBPs, incluindo se considerarmos a hipocloridria, muito presente em adultos e adultos mais velhos, as terapias adjuvantes de estilo de vida e/ou baseadas em compostos naturalmente mais funcionais se mostram cada vez mais importantes, especialmente para populações maiores de 65 anos já sob o risco da polifarmácia.

Curcumina na dispepsia funcional

Sendo os IBPs fortes inibidores da secreção ácida, a publicação de um estudo randomizado, duplo-cego e controlado que testou a curcumina – um polifenol derivado do bulbo da Curcumina longa L. (popularmente conhecida como açafrão-da-terra) – versus o omeprazol em pacientes com dispepsia funcional chamou a atenção não somente pelos resultados, mas por parecer confirmar a evidência anedótica da prática do uso do ativo.

Publicado no BMJ Evidence-Based Medicine, o estudo de Kongkam et al. (2023) contou com a participação de 151 pacientes (idade, 49.7 ±11.9 anos; mulheres, 73.4%), divididos em três intervenções: curcumina mais omeprazol (C+O), apenas curcumina (C) e apenas omeprazol (O). Os pacientes do grupo combinado receberam duas cápsulas de 250 mg de curcumina, quatro vezes ao dia, e uma cápsula de 20 mg de omeprazol uma vez ao dia, durante 28 dias. Para confirmar o diagnóstico de dispepsia funcional, todos os participantes foram submetidos à gastroscopia.

No início do estudo, os sintomas presentes foram avaliados pelo questionário de dispepsia de Leeds e pelo questionário que classifica a gravidade da indigestão SODA (Severity of Dypepsia Assessment), esse último sendo repetido no dia 28 e no final do período de acompanhamento, dia 56, para uma avaliação em longo prazo.

No dia 28, foi observada uma melhora significativa na intensidade da dor SODA e nos escores de sintomas não dolorosos nos três grupos: a intensidade da dor diminuiu em -4,83 (IC 95% -6,69 a -2,96), -5,46 (-7,33 a -3,06) e -6,22 (-8,10 a -4,34) nos grupos C+O, C e O, respectivamente; os sintomas indolores diminuíram em -2,22 (-3,05 a -1,38), -2,32 (-3,15 a -1,48) e -2,31 (-3,15 a -1,47) nos grupos C+O, C e O, respectivamente.

As intervenções não mostraram diferenças significativas entre os três grupos, entretanto, os escores de satisfação SODA melhoraram significativamente em 0,79 (IC 95% 0,03 a 1,56) apenas no grupo C.

A comparação do dia 0 com o dia 56 mostrou uma melhora significativa em cada categoria dos escores SODA nos grupos C+O, C e O, respectivamente: dor -7,19 (IC 95% -9,06 a -5,32), -8,07 (-9,94 a -6,21) e -8,85 (-10,73 a -6,97); sem dor -4,09 (-4,92 a -3,25), -4,12 (-4,95 a -3,28) e -3,71 (-4,55 a -2,86); satisfação 0,78 (0,02 a 1,55), 1,07 (0,30 a 1,84) e 0,81 (0,04 a 1,58).

Não ocorreram eventos adversos sérios; no entanto, mesmo que as diferenças na deterioração dos testes da função hepática entre os grupos não tenham atingido significância estatística, houve uma tendência para o comprometimento hepático em pacientes com alto IMC nos grupos suplementados com a curcumina, um ponto a ser observado.

Polifenóis contra o H. pylori na dispepsia funcional

A infecção por Helicobacter pylori é uma das principais causas de gastrite e está associada a uma variedade de anormalidades da motilidade, endócrinas e secretoras de ácido que podem desencadear os sintomas de dispepsia funcional. A redução ou erradicação do H. pylori, portanto, melhora os sintomas em pacientes com dispepsia funcional. Contudo, na prática clínica, não é excepcional haver pacientes com mais de duas falhas terapêuticas em virtude de tratamentos empíricos não otimizados (dose de IBPs e duração do tratamento) e fraca aderência dos pacientes às terapias.

Novas abordagens, como o uso de compostos polifenólicos, estão sendo testadas para aumentar as taxas de terapias anti H. pylori. Fornecendo um primeiro panorama da pesquisa inicial, Wang et al. (2023) publicaram no BMJ Open uma revisão sistemática e meta-análise para investigar a eficácia e segurança de cinco polifenóis (curcumina, cranberry, alho, alcaçuz e brócolis) na erradicação do H. pylori.

Entre os doze estudos clínicos randomizados incluídos na análise (n=1251), três compararam os efeitos dos polifenóis versus placebo; seis estudos compararam os efeitos dos polifenóis + terapia tripla versus a terapia tripla; dois estudos compararam os efeitos dos polifenóis + terapia tripla versus a terapia tripla de bismuto; um estudo comparou os efeitos de polifenóis + regime quádruplo versus o regime quádruplo + placebo. Os autores encontraram que a taxa total de erradicação da bactéria no grupo dos tratados com a ajuda de compostos polifenólicos foi significativamente maior (RR = 1,19; IC 95% = 1,03-1,38; p=0,02) do que no grupo tratado sem a presença de polifenóis. Porém, é importante salientar que foi observada uma alta heterogeneidade, causada principalmente por diferenças metodológicas entre os estudos.

Omeprazol: prevalente na polifarmácia

O uso concomitante de mais de cinco medicamentos em longo prazo em adultos mais velhos levanta grande preocupação devido ao risco de possíveis interações medicamentosas e ao impacto na microbiota intestinal, entre outros riscos.

O omeprazol é o IBP mais prescrito no Brasil e geralmente está presente na lista de medicamentos mais encontrados na polifarmácia. Em Curitiba, ao avaliar os prontuários médicos de 386 pacientes (60-100 anos), Sambugaro et al. (2021) encontraram a polifarmácia (> 5 medicamentos) ocorrendo em 61,14% deles, e dos que faziam uso de omeprazol, 49,7% utilizavam-no há 5 anos ou mais.

Quando analisado o uso do medicamento em período maior que 8 semanas, quase todos os prontuários médicos analisados deixavam de estar em conformidade com os Critérios de Beers. Essa realidade juntamente com estudos como o de Kongkam et al. lembram sobre a importância da revisão medicamentosa periódica do paciente.

Fontes:

Proton pump inhibitor use: systematic review of global trends and practices | European Journal of Clinical Pharmacology Original research: Effect of polyphenol compounds on Helicobacter pylori eradication: a systematic review with meta-analysis – PMC Curcumin and proton pump inhibitors for functional dyspepsia: a randomised, double blind controlled trial Omeprazole prescriptions for older adults in health care units in Curitiba, Brazil: an analysis based on Beers Criteria When does proton pump inhibitor treatment become long term? A scoping review | BMJ Open Gastroenterology

Creatina na fadiga pós-covid-19

Como uma molécula central de armazenamento de fosfato de alta energia do tecido muscular e cerebral, novos achados vêm indicando irregularidades no metabolismo da creatina em pacientes com a síndrome da fadiga crônica pós-viral (SFCPV). Considerada uma doença neurológica crônica generalizada, sem fator(es) etiológico(s) definido(s), sem um teste de diagnóstico específico e sem terapia ou tratamento farmacológico reconhecidos oficialmente, a SFCPV pode ser acompanhada por irregularidades no metabolismo da creatina, como perturbações em seus níveis no cérebro, nas taxas de ressíntese de fosfocreatina no músculo esquelético ou nas concentrações sanguíneas da creatina quinase.

Tendo em mente o fato de que a creatina tem sido investigada em distúrbios neurológicos, neuromusculares e imunológicos caracterizados por déficit ou perturbação nos seus níveis, a hipótese de que a sua suplementação possa ajudar na SFCPV, incluindo covid-19 e outras condições caracterizadas pela fadiga crônica, vem sendo investigada.

Em 2013, pesquisadores da Universidade de São Paulo realizaram um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, onde avaliaram os efeitos da suplementação de creatina na fibromialgia, uma condição semelhante (se não equivalente) à síndrome da fadiga crônica – caracterizada por dor musculoesquelética generalizada acompanhada de fadiga, problemas de sono, memória e humor.

No estudo, Alves et al. forneceram creatina (20 g de monohidrato de creatina por cinco dias, seguidos de 5 g/dia até o final do estudo) a 43 pacientes com fibromialgia e monitoraram o desempenho muscular, a função cognitiva, o sono e o metabolismo tecidual no início e após 16 semanas. Em comparação ao grupo placebo, a intervenção com creatina provocou níveis mais elevados de fosforilcreatina muscular, acompanhados de maior força muscular. O domínio da saúde mental (Short-Form Health Survey de 36 itens) também melhorou após a suplementação, juntamente com a memória (Delay Recall Test), enquanto os marcadores de cognição, qualidade de vida ou sono permaneceram inalterados. As doses utilizadas de load e manutenção são comumente utilizadas, principalmente no meio esportivo, e se mostraram seguras também nessa população.

O advento da doença covid-19 expandiu o foco da SFC, uma vez que os coronavírus são reconhecidos pelo seu papel na etiopatogenia da SFCPV. Começou-se então a sugerir que a creatina dietética pudesse atuar como uma agente terapêutica adjuvante na recuperação da covid-19, devido aos efeitos benéficos demonstrados durante a reabilitação em algumas condições pulmonares.

Agora, publicado no Food Science & Nutrition, um pequeno estudo randomizado, duplo-cego e controlado investigou essa suplementação durante seis meses através dos níveis da creatina tecidual, além de relatos de médicos e de pacientes com síndrome de fadiga pós-covid-19.

O estudo atual

Os critérios de elegibilidade que Slankamenac et al. (2023) utilizaram foram: idade entre 18 e 65 anos, teste positivo para covid-19 nos últimos 3 meses, fadiga moderada à grave (Inventário Multidimensional de Fadiga) e pelo menos um dos sintomas adicionais relacionados ao covid, incluindo anosmia, ageusia, dificuldades respiratórias, dor pulmonar, dores no corpo, dores de cabeça e dificuldades de concentração.

Enquanto que o estudo contou com a participação de poucos pacientes, o seu diferencial, além do pioneirismo exploratório, foi a medição dos níveis teciduais de creatina com espectroscopia por ressonância magnética de prótons (1.5T Avanto scanner, Siemens) nas regiões específicas do músculo esquelético e do cérebro (músculo vasto medial, tálamo, substância branca e cinzenta frontal, pré-central, paracentral e parietal).

O grupo experimental (n=6) recebeu 4 g/dia de monohidrato de creatina, enquanto o grupo controle (n=6) recebeu 4 g de inulina. Os suplementos foram ingeridos durante o café da manhã, misturados em 250 mL de água morna. Os participantes foram solicitados a abster-se de usar quaisquer outros suplementos dietéticos e a manter uma dieta regular durante o estudo.

Resultados

Em comparação aos valores basais, a ingestão de creatina induziu um aumento significativo nos níveis de creatina tecidual no músculo vasto medial e nas substâncias brancas frontal esquerda e parietal direita já no mês 3, mantendo a elevação até o fim do experimento, no mês 6 (p<0,05); nenhuma alteração nos valores de creatina tecidual foi encontrada no grupo placebo durante todo o estudo. Nas pontuações gerais, a creatina induziu uma redução significativa na fadiga geral até o terceiro mês em comparação com os valores basais (p = 0,04).

A creatina melhorou significativamente os escores VAS para ageusia, dificuldades respiratórias, dores no corpo, dor de cabeça e dificuldades de concentração em comparação aos valores basais (p<0,05). O grupo controle, suplementado com inulina, uma fibra prebiótica, também se beneficiou em alguns sintomas, como dor de cabeça no mês 6 e dores corporais no mês 3 (p<0,05), o que parece indicar uma necessidade do raciocínio multinutricional na recuperação de um paciente na fase pós-viral.

Outro resultado que chama a atenção foi o tempo necessário para os efeitos da suplementação de creatina nesses pacientes, obtidos no terceiro mês. Algo possivelmente inesperado para os pesquisadores, desde que selecionaram o tempo de duração do experimento de seis meses de acordo com as recomendações para o uso clínico da creatina em distúrbios neuromusculares (p.ex., distrofia muscular) e neurometabólicos (p.ex., citopatias mitocondriais).

Barreira hematoencefálica

O estudo atual traz uma reflexão sobre a pesquisa da creatina cerebral, ou seja, o quanto ou em que condições a creatina consegue atravessar a barreira hematoencefálica. Curiosamente, encontrou-se uma magnitude considerável de captação de creatina cerebral após a intervenção, em comparação com outras condições neurológicas revisadas anteriormente (Forbes et al., 2022). Isso sugere uma maior suscetibilidade da barreira hematoencefálica, causada pelo covid, em absorver mais creatina na SFCPV.

Sob outro ângulo, se a barreira hematoencefálica se desregula durante o covid-19, servindo para o SARS-CoV-2 entrar no sistema nervoso central, indicando uma janela terapêutica para a prescrição não somente de creatina, mas também de outras moléculas de suporte cerebral como as vitaminas B12 e D, minerais, como o magnésio treonato, e outras moléculas de suporte do eixo intestino-cérebro, incluindo a curcumina, o ômega-3, as fibras dietéticas/prebióticas (como observado no estudo os efeitos positivos no grupo inulina), e probióticos via alimentos fermentados ou formulados.

Creatina quinase e fadiga crônica

Na busca por biomarcadores diagnósticos/prognósticos válidos para a síndrome da fadiga crônica (SFC), Nacul et al. (2019) revisaram testes de laboratório de 272 pessoas com SFC e 136 controles saudáveis. Os investigadores relataram que pacientes com a SFC grave apresentam níveis mais baixos de creatina quinase (CK) em comparação com controles e pacientes com SFC não grave, com p<0,05 após ajuste com covariáveis. Essa descoberta foi corroborada no estudo de Almenar-Pérez et al. (2020), onde entre os 30 parâmetros clínicos avaliados, apenas os níveis sanguíneos de CK mostraram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, com níveis mais baixos em pacientes com SFC do que em controles saudáveis (59,93 U/L vs. 88,67 U/L; p = 0,006).

É importante considerar pesquisas que sugerem que a CK possa não ser suficientemente sensível ou confiável como uma biomarcadora para a SFC. Enquanto a pesquisa evolui, além dos achados mencionados, alguns estudos indicam que a baixa atividade da CK na SFC é talvez outro indicador de uma renovação inadequada de uma enzima chave envolvida na utilização da creatina e sinaliza um sintoma da baixa disponibilidade de energia celular que pode envolver as vias mitocondriais e citosólicas.

Fontes:

Effects of six-month creatine supplementation on patient- and clinician-reported outcomes, and tissue creatine levels in patients with post-COVID-19 fatigue syndrome The blood-brain barrier is dysregulated in COVID-19 and serves as a CNS entry route for SARS-CoV-2 Diagnostic and Pharmacological Potency of Creatine in Post-Viral Fatigue Syndrome Creatine supplementation in fibromyalgia: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial Clinical use of creatine in neuromuscular and neurometabolic disorders Assessing diagnostic value of microRNAs from peripheral blood mononuclear cells and extracellular vesicles in Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome Evidence of Clinical Pathology Abnormalities in People with Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome (ME/CFS) from an Analytic Cross-Sectional Study

Vitamina B12 e marcadores inflamatórios

Para investigar uma hipótese do efeito anti-inflamatório da vitamina B12, Domínguez-López et al. (2023) avaliaram a associação entre os níveis séricos da vitamina com a interleucina (IL)-6 e a proteína C reativa (PCR) em uma subanálise transversal de participantes do estudo clínico multicêntrico, randomizado e controlado PREDIMED, realizado na Espanha.

Com os dados de 136 participantes com risco cardiovascular (68,3 ± 6,0 anos), aleatoriamente incluídos na análise, os investigadores encontraram, após ajustes, uma associação inversa significativa entre a IL-6 e a vitamina B12 (β: -0,39 pg mL-1; IC95% = -0,76 a -0,03; P = 0,03). Resultados semelhantes foram obtidos para a PCR (P = 0,02).

Para estender para um sistema experimental os resultados observados em humanos, Domínguez et al. investigaram os níveis séricos da B12 e IL-6 em camundongos envelhecidos naturalmente, encontrando também uma correlação significativamente negativa (R²: 0,32; P = 0,027).

Geralmente, o foco sobre uma possível deficiência (ou insuficiência) de vitamina B12 está entre indivíduos com dietas à base de plantas, adultos mais velhos e/ou com dificuldades gástricas. Porém, ao investigar mulheres jovens (n = 402; 19-22 anos) da Arábia Saudita, Basalamah et al. (2023) encontraram em seu estudo transversal que cerca de 25% apresentavam deficiência de B12, tendo as médias de peso, gordura corporal e abdominal significativamente maiores do que aquelas com valores adequados de B12 (P < 0,05).

Pais respondem: melatonina no sono de seus filhos

Publicado no Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health, um estudo de coorte retrospectivo avaliou a adesão e a efetividade da melatonina sobre o sono de 78 crianças com transtorno do espectro do autismo (TEA) na vida real – ou seja, sob a percepção dos pais.

A maioria dos pais (77%) administrava a melatonina todas as noites, enquanto os demais a utilizavam de maneira pontual, como apenas nos dias letivos ou quando a criança apresentava graves dificuldades para iniciar o sono. A idade de início do tratamento variou entre 1,6 e 9,6 anos, e a dosagem final média foi de 3,9 (±2,7) mg. O tempo médio de adesão das crianças foi superior a 7 anos.

A entrevista telefônica de Sadeh et al. (2023) descobriu que a melatonina melhorou o início do sono na maioria (86%) das crianças, mas os fatores fortemente associados à adesão ao tratamento foram a melhora nos despertares noturnos e na duração do sono. Além disso, os pais de 27 crianças (35%) relataram que a melatonina teve um efeito adicional no comportamento diurno dos seus filhos, com melhor funcionamento educacional, melhoria do humor, redução de acessos de raiva, melhores capacidades de comunicação e melhor regulação sensorial sendo relatados em 28%, 21%, 10%, 9% e 6% das crianças, respectivamente.

Os pesquisadores observaram no estudo que a melatonina utilizada na época era a de efeito de curto prazo e, portanto, possivelmente menos efetiva em comparação, por exemplo, com uma formulação de liberação prolongada.

Fontes:

Higher circulating Vitamin B12 is associated with lower levels of inflammatory markers in individuals at high cardiovascular risk and in individuals at high cardiovascular risk and in naturally aged mice Vitamin B12 status among asymptomatic young adult females and its association with some anthropometric and biochemical parameters: A cross-sectional study from Makkah (cobalamin deficiency in young adult females) Adherence to treatment and parents’ perspective about effectiveness of melatonin in children with autism spectrum disorder and sleep disturbances | Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health

Krill, astaxantina e ácido hialurônico na saúde articular

Um ensaio clínico multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou a eficácia e a segurança de um complexo oral contendo óleo de krill, astaxantina e ácido hialurônico na saúde das articulações em pessoas com osteoartrite leve do joelho ou do quadril.

O ensaio de Hill et al. (2023), publicado na Nutrients, durou 12 semanas. Os participantes (idade média, 58,0±11,06) receberam diariamente ou o complexo krill (FlexPro MD®; 600mg; n=48) ou o placebo (mix de óleos de palma e de soja, azeite de oliva e cera de abelha; 600mg; n=45).

No score de dor nas articulações, os participantes que receberam o complexo krill tiveram uma redução média estatisticamente maior em relação ao valor basal na Escala Visual Analógica de Dor Coreana (K-VAS) na semana 12 em comparação com os participantes do grupo placebo (20,8 ± 16,16 mm vs. 10,6 ± 17,58; p=0,0105). A pontuação total do Índice Coreano de Osteoartrite de Western Ontario e McMaster (K-WOMAC) também melhorou significativamente no grupo complexo krill na semana 12 em comparação com o placebo (-13,0 ± 13,62 vs. -5,5 ± 18,08; p=0,0489), especialmente no escore de dor (-2,5 ± 2,92 vs. -1,3 ± 3,94; p=0,02635).

Adicionalmente, o grupo intervenção apresentou melhora na pontuação da função articular, através das avaliações realizadas pelo investigador (p=0,0127) e pelos participantes (p=0,0070), incluindo melhor tolerabilidade.

O racional para a união dos nutrientes é que o óleo de krill fornece ácidos graxos ômega-3 ligados a fosfolipídios, facilmente absorvíveis, potencializando os efeitos anti-inflamatórios através da modulação dos eicosanoides pró-inflamatórios e da geração de compostos mediadores lipídicos de pró-resolução, como as resolvinas, protetinas e maresinas. A presença de astaxantina confere o efeito antioxidante e imunomodulador de maneira estável, e o ácido hialurônico de baixo peso molecular atua na melhora da lubrificação das articulações, atuando na redução da dor. É digno de nota que a presença dos fosfolipídios do krill melhora a absorção do ácido hialurônico.

N-acetilcisteína contra complicações da obesidade

Estudos vêm encontrando que a N-acetilcisteína (NAC), um aminoácido sulfurado derivado da cisteína acetilada, provê efeitos antioxidantes, melhora da secreção de insulina após a regulação da sua atividade receptora, na redução do tecido adiposo, na prevenção e melhora do dano endotelial e da isquemia, além da regulação do processo de liberação de citocinas pró-inflamatórias, entre outros efeitos.

Considerando que há muitas evidências sobre o papel da senescência na resistência à insulina e na inflamação como problemas na obesidade e distúrbios relacionados, e até mesmo na resistência à perda de peso, Sohouli et al. (2023) investigaram a suplementação de NAC sobre o envelhecimento celular e nas complicações da obesidade em homens e mulheres (25-50 anos; IMC ≥ 35 kg/m²).

Publicado na Frontiers in Nutrition, o estudo randomizado e duplo-cego foi executado no período anterior à cirurgia bariátrica dos participantes, e, durante a cirurgia, o tecido adiposo visceral foi usado para examinar a expressão gênica e as células senescentes através da β-galactosidase (SA-β-gal), que está associada à senescência.

A suplementação diária de 600 mg de NAC (n = 20) ou placebo (amido em pó; n = 20) foi ministrada durante 4 semanas, junto ao almoço. Ambos os grupos receberam as mesmas recomendações dietéticas, e a distribuição da ingestão calórica foi estimada em 30% de gordura, 50% de carboidratos e 20% de proteína.

Os achados mostraram que a intervenção com NAC reduziu significativamente a atividade da SA-β-gal e a expressão dos genes p16 e interleucina 6 (IL-6) no tecido adiposo visceral em comparação ao placebo. Além disso, outros efeitos foram observados, como a redução dos níveis de fatores inflamatórios, como a proteína C reativa de alta sensibilidade (hs-CRP), a glicemia em jejum, o modelo de avaliação da homeostase da resistência à insulina (HOMA-IR) e a insulina após ajuste em relação aos fatores de confusão. Como provável consequência da recomendação dietética a todos os participantes, em comparação com a linha de base, ambos os grupos apresentaram melhoras significativas nas características antropométricas e marcadores laboratoriais.

Fonte:

A Multicenter, Randomized, Double-Blinded, Placebo-Controlled Clinical Trial to Evaluate the Efficacy and Safety of a Krill Oil, Astaxanthin, and Oral Hyaluronic Acid Complex on Joint Health in People with Mild Osteoarthritis – PMC

Effects of N-acetylcysteine on aging cell and obesity complications in obese adults: a randomized, double-blind clinical trial

Suplementação de complexo B em diferentes contextos

Enxaqueca pediátrica

Dado que a deficiência de vitaminas do complexo B pode levar ao acúmulo de homocisteína, e a hiper-homocisteinemia pode estar associada à enxaqueca, Sadeghvand et al. (2023) avaliaram o efeito da suplementação de vitaminas do complexo B no alívio da enxaqueca em crianças.

O estudo prospectivo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo contou com a participação de noventa crianças (<15 anos) que apresentavam enxaqueca típica, com pelo menos um episódio por semana. As crianças foram divididas em dois grupos, recebendo diariamente ou complexo B ou placebo (não especificado). As cápsulas do complexo B (EuroVital) continham 9,3 mg de vitamina B1; 9,2 mg de vitamina B2; 31 mg de vitamina B3; 9,2 mg de ácido pantotênico (B5); 10 mg de vitamina B6; 411 μg de biotina (B7); 416 μg de ácido fólico (B9) e 9 μg de vitamina B12. A intervenção teve duração de seis meses.

No grupo intervenção, após a administração do complexo B, a frequência mensal da dor de cabeça (12,42 ± 3,67), a gravidade da dor [4 (4-5)] e a incapacidade pela dor (28,31 ± 7,95) diminuíram significativamente (p<0,05) em comparação com a linha de base [14,69 ± 5,06; 5 (5-6); 32,69 ± 9,23, respectivamente].

Além disso, ao comparar os grupos experimental e placebo ao final da intervenção, houve diminuição estatisticamente significativa (p<0,05) na frequência mensal da dor de cabeça, na severidade, duração e incapacidade pela dor [-3 (-4,5-0,5) vs. -1 (-3-2); -1 (-2-0) vs. 0 (-1-1); -4 (-8,5-2) vs. -1 (-2-2), respectivamente]. Por fim, os níveis de homocisteína também diminuíram significativamente (p<0,05) no grupo intervenção em comparação ao placebo [-2,45 (-5,34-1,72) vs 0,1 (-1,86-1), respectivamente].

Fadiga e desempenho físico em adultos

As vitaminas B desempenham um papel crucial na manutenção das funções celulares fundamentais e de várias vias metabólicas essenciais no corpo. Embora não forneçam energia diretamente, cada vitamina B atua como cofator nos processos do metabolismo energético. Assim, um grupo de pesquisadores investigou a hipótese de que a suplementação do complexo B melhoraria o desempenho físico e reduziria a fadiga física em adultos saudáveis.

O estudo randomizado duplo-cego e cruzado contou com a participação de trinta e dois indivíduos, que foram aleatoriamente designados para o grupo “B” (Ex PLUS®: vitamina B1 (33,6 mg), B2 (10 mg), B6 (50 mg), B12 (750 µg), vitamina E (16,8 mg), inositol (20 mg ), cálcio (18,9 mg) e taurina (20 mg), ou grupo placebo (não especificado). Eles ingeriram 1 cápsula ao dia, durante 28 dias consecutivos.

Após esse ciclo, houve um período de 14 dias no qual os indivíduos não receberam suplemento. Isso foi seguido por um segundo ciclo de intervenção de 28 dias, onde aqueles que receberam placebo durante o primeiro ciclo receberam o suplemento e vice-versa. Antes de cada fase experimental foram medidas a composição corporal, parâmetros bioquímicos sanguíneos e a tolerância ao exercício dos voluntários.

O grupo B apresentou uma melhora estatisticamente significativa de 1,26 vezes no tempo até a exaustão em comparação com as medidas iniciais (p<0,0001) e com o grupo placebo (p<0,0001). Não foi observada alteração significativa na composição corporal entre os grupos. Comparado ao placebo, o grupo B apresentou nível significativamente reduzido de produção de lactato do exercício nos 5 minutos até 30 minutos após o exercício, com recuperação acelerada do repouso aos 20 minutos até o término do teste (p<0,05). Os níveis de amônia se apresentaram de maneira semelhante aos do lactato (p<0,05).

Fontes:

The Effects of Vitamin B-Complex Supplementation on Serum Homocysteine Levels and Migraine Severity in Children A Randomized Controlled Trial.

A functional evaluation of anti-fatigue and exercise performance improvement following vitamin B complex supplementation in healthy humans, a randomized double-blind trial

Magnésio e a resistência à insulina na SOP

O estudo randomizado, simples-cego e controlado por placebo de Satu et al. foi conduzido no Departamento de Endocrinologia Reprodutiva e Infertilidade da Bangabandhu Sheikh Mujib Medical University, em Bangladesh, com o objetivo de avaliar o efeito da suplementação de magnésio sobre a resistência à insulina na SOP. Todas as pacientes incluídas apresentavam níveis séricos de magnésio considerados normais.

Setenta e quatro mulheres (18-40 anos) diagnosticadas com SOP, resistência à insulina e infertilidade foram divididas em grupo intervenção (n=37) e placebo (n=37). Durante doze semanas, o grupo intervenção recebeu 365 mg/dia de óxido de magnésio, e o grupo placebo (não especificado) recebeu cápsula idêntica. Foi solicitado a todas as pacientes a seguir uma rotina diária de déficit calórico de 500-1000 calorias e a realizar 150 minutos de exercícios por semana. Exames bioquímicos foram realizados antes e após o tratamento.

Indicadores no grupo magnésio versus placebo após 12 semanas, com valor de p<0,05:

• Glicemia de jejum: -0,4 ±0,49 vs. 0,01 ±0,21

• Insulina em jejum: -5,62 ±3,82 vs. -0,34 ±0,95

• Circunferência da cintura: -0,76 ±3,1 vs. -1,7 ±1,8 cm

• IMC: -2,13 ±0,98 vs. -0,32 ±0,52 kg/m²

• Resistência à insulina (HOMA-IR): -1,49 ±0,95 vs. 0,09 ±0,29

• Triglicerídeos séricos: -36,7 ±53,5 vs. 0,1 ±17,9 mg/d

• Testosterona total: -0,43 ±0,35 ng/dL vs. -0,01 ±0,05 ng/dL

• HDL: +2,3 ±5,9 mg/dl vs. -1,7 ±2,7 mg/dl

• Taxa de gestação: aumento significativo no grupo magnésio (p=0,030)

Os valores de colesterol total e LDL mostraram redução no grupo intervenção, mas sem significância estatística (p>0,05). Os efeitos adversos observados (náusea, diarreia e fraqueza) não alcançaram diferença estatística significativa entre os grupos (p>0,05).

Outro estudo clínico randomizado triplo-cego conduzido no Irã avaliou os efeitos da suplementação de magnésio nos parâmetros clínicos, metabólicos e antropométricos em mulheres (15 a 35 anos) com SOP.

Sharmoradi et al. randomizaram 40 pacientes para receber óxido de magnésio (250 mg/dia) ou um placebo (não especificado), durante 2 meses. Os parâmetros do estudo foram avaliados e comparados antes, 2 meses e 5 meses após a avaliação inicial.

Diminuição estatisticamente significativa (p<0,05) no grupo intervenção versus placebo após 2 meses foram observadas em:

• Insulina sérica;

• Índice HOMA-IR;

• Colesterol total sérico;

• Colesterol LDL;

• Colesterol HDL;

• Glicemia em jejum.

Parâmetros antropométricos e valores de pressão arterial não mostraram diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Não foi observado efeito no ciclo menstrual e oligomenorreia com a dosagem de magnésio utilizada na pesquisa.

Desafios da pesquisa e da prática clínica

O magnésio é um mineral crítico no corpo humano e está envolvido em aproximadamente 80% das funções metabólicas conhecidas. Apesar da sua importância, 60% das pessoas não alcançam a ingestão diária recomendada de 320 mg/dia para mulheres e 420 mg/dia para homens. A falta de um teste laboratorial padronizado que descreva com precisão o status do magnésio é um dos desafios mais incômodos associados à pesquisa desse mineral, tornando o diagnóstico individual extremamente desafiador.

As suas fontes dietéticas mais ricas incluem os vegetais de folhas verdes, os grãos integrais e as oleaginosas. Uma vez absorvido, apenas 0,8% do magnésio é encontrado no sangue (0,3% no soro e 0,5% nos eritrócitos), com uma concentração sérica total de magnésio considerada “normal” entre 0,7–1,0 mmol/L. Entretanto, a maior parte do mineral está distribuída em tecidos moles (19%), músculos (27%) e ossos (53%).

O exame dos níveis sanguíneos de magnésio, que representa apenas 0,8% das reservas corporais totais, serve, portanto, como um substituto fraco para os 99,2% de magnésio noutros tecidos. Além disso, a estreita faixa sérica estabelecida como normal alimenta a percepção comum de que os níveis do mineral raramente flutuam e, portanto, não são indicativos da condição para a qual os exames de sangue são solicitados. Assim, os exames de sangue para determinar o status de magnésio são pouco utilizados, contribuindo para que sua deficiência não seja reconhecida como uma intervenção nutricional modificável.

Diante desse desafio, é importante estar consciente sobre os múltiplos fatores que afetam os níveis de magnésio no organismo:

• baixa ingesta de folhas verdes, grãos integrais e oleaginosas;

• técnicas agrícolas, juntamente com estimativas de que o conteúdo mineral dos solos e dos vegetais diminuiu significativamente no último século;

• adição de flúor na água potável dificulta a absorção do magnésio;

• a ingestão de cafeína, álcool e/ou diuréticos aumenta a sua excreção renal;

• antibióticos, como o ciprofloxacino, e contraceptivos orais, devido à complexação;

• O uso de metformina em longo prazo, devido à regulação negativa da expressão do gene TRPM6, que é responsável pelo ajuste fino da (re)absorção de Mg2+ no intestino e nos rins;

• pH do trato gastrointestinal;

• peso (IMC);

• sexo, uma vez que o estrogênio aumenta a utilização do magnésio, favorecendo a sua absorção pelos tecidos. Mulheres em fase reprodutiva apresentam níveis circulantes de magnésio mais baixos, particularmente no momento da ovulação ou durante o uso de contraceptivos orais, quando os níveis de estrogênio estão mais elevados;

• alto grau de inter e intravariabilidade do manejo intestinal, renal e tecidual;

• influência de uma variedade de hormônios.

Enfim, os sintomas clínicos de cãibras nas pernas, distúrbios do sono, tremores e/ou fadiga crônica também podem ajudar na identificação da falta de magnésio. E, se uma das causas ou consequência, agora a SOP começa a entrar na lista de doenças que podem se beneficiar com a suplementação de magnésio, assim como a síndrome metabólica, a doença cardíaca isquêmica, o diabetes e a osteoporose.

Fontes

Effect of Magnesium Supplementation on Insulin Resistance in Polycystic Ovary Syndrome: A Randomized, Single-blind, PlaceboControlled Trial Study The Effect of Magnesium Supplementation on Insulin Resistance and Metabolic Profiles in Women with Polycystic Ovary Syndrome: a Randomized Clinical Trial Metformin regulates TRPM6, a potential explanation for magnesium imbalance in type 2 diabetes patients Challenges in the Diagnosis of Magnesium Status

Colágeno UC-II: redução da dor na osteoartrite

Um grupo de investigadores envolvidos com a pesquisa médica esportiva na Espanha e Inglaterra publicaram o resultado de seu estudo longitudinal e retrospectivo, no qual testaram a suplementação diária de 40 mg de colágeno tipo II (CondroArtil®) não desnaturado para a redução da dor na osteoartrite (OA). O estudo contou com a participação de 100 pacientes (62 homens, 38 mulheres) com idade média de 46,3 ± 13,8 com OA no joelho, e o tempo de intervenção foi de seis meses.

O colágeno tipo II não desnaturado (UC-II®) é uma forma de colágeno que retém sua estrutura de hélice tripla nativa. Ele modula a resposta imune, induzindo a restauração das células e das articulações.

Fernández-Jaén et al. (2023) utilizaram a escala visual analógica (VAS) para medir os níveis de dor antes de iniciar a suplementação com UC-II e 6 meses depois. A maioria dos pacientes (60%) apresentava OA de leve à moderada (grau I ou II).

Os investigadores descobriram que a suplementação com UC-II® demonstrou reduzir significativamente os níveis de dor (p <0,001), estando em linha com o achado de Sadigursky et al. (2022), que também investigaram a mesma dose (40 mg) para a mesma condição (OA) e local afetado (joelho), em brasileiros de 60 a 80 anos durante 3 meses, juntamente com exercícios de cadeia cinética fechada, duas vezes por semana.

O estudo atual que aguarda a revisão por pares (preprint) sugere que o UC-II® é um tratamento eficaz para reduzir a dor em pacientes com OA de joelho. Adicionalmente, a fisioterapia e a suplementação de outros nutrientes, previamente, em parte dos participantes também mostrou um impacto significativo na redução da dor (p=0,017 e p=0,012, respectivamente), aumentando o leque de terapêuticas não farmacológicas potencialmente complementares, conforme as necessidades dos pacientes.

Vitamina C na prevenção do diabetes gestacional

O diabetes mellitus gestacional (DMG) tradicionalmente se refere à intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. A prevenção é fundamental, desde que o DMG está associado a complicações obstétricas e neonatais e ao risco de futuras doenças cardiometabólicas maternas e infantis.

Como a suplementação de vitamina C já mostrou poder influenciar na redução dos níveis séricos de glicemia e de insulina em jejum e HbA1c em pacientes com diabetes tipo 2, investiga-se se o aumento dos níveis de vitamina C poderia também beneficiar as mulheres em período gestacional, ajudando a prevenir o DMG.

Agora, recém-publicada em Medicine (Baltimore), uma meta-análise nos auxilia nesse aprendizado ao encontrar que as mulheres com níveis baixos de vitamina C apresentaram maiores chances de desenvolver o DMG (OR: 2,72, IC 95%: 1,24–4,19). Para a análise, Zhou et al. (2023) contaram com dados de 10.131 pacientes, com 1.304 casos diagnosticados de DMG. Como as exposições à vitamina C ocorrem via dieta e/ou suplementação, eles consideraram somente os níveis séricos da vitamina, minimizando potenciais confundidores, como a absorção e o metabolismo pessoais.

Na discussão, os autores relatam resultados de estudos que poderiam elucidar como a baixa exposição à vitamina C aumentaria o risco de DMG. Primeiro, estudos em animais indicam que a sua ingestão pode reduzir os níveis de glicose, insulina e triglicerídeos plasmáticos. Em segundo lugar, a vitamina C pode melhorar a resistência à insulina induzida pelo fator de necrose tumoral-α em células HepG2, regulando a via de sinalização do substrato do receptor de insulina/proteína-quinase B/glicogênio sintase quinase 3β, aumentando assim a expressão da proteína transportadora de glicose 2 (GLUT2). Em terceiro, uma baixa concentração de vitamina C pode interferir no transporte de glicose pelos eritrócitos, levando à hiperglicemia. Por fim, a vitamina C pode aumentar a sensibilidade à insulina e reduzir os níveis de moléculas de adesão endotelial ao atenuar o estresse oxidativo.

Embora as evidências sustentem que o aumento dos níveis de vitamina C pode ajudar a reduzir o risco de DMG, é importante observar que ela por si só não substitui um plano de saúde pré-natal abrangente.

Fonte:

Pain Reduction and Tolerance of Type Ii Undenatured Collagen (Uc-Ii) in Patients With Knee Osteoarthritis[v1] | Preprints.org

UNDENATURED COLLAGEN TYPE II FOR THE TREATMENT OF OSTEOARTHRITIS OF THE KNEE – PMC

A comprehensive meta-analysis on the association between vitamin C intake and gestational diabetes mellitus: Insights and novel perspectives – PMC

Espermidina na demência

“Será que a suplementação da poliamina espermidina por 12 meses pode impactar beneficamente o desempenho da memória, bem como outros parâmetros neuropsicológicos, comportamentais e fisiológicos em adultos mais velhos que apresentam declínio cognitivo?”

Essa é uma pergunta que vem fazendo parte de consideráveis estudos pré-clínicos e clínicos. Com a publicação de um novo estudo clínico reportando benefícios significativos com a sua suplementação e a boa margem de segurança de uso, o atual conjunto de achados começa a solidificar a evidência para o uso da espermidina em adultos mais velhos, incluindo uma dose estimada.

Encontrada em alimentos como gérmen de trigo, cogumelos shitake, amaranto, avelãs, queijo maturado, couve-flor e brócolis, a ingestão da espermidina está sujeita a grandes variações, sendo estimada em 5 a 15mg por dia. Da mesma forma que outras moléculas importantes para a saúde humana, os níveis de espermidina decrescem com o avançar da idade. O declínio da espermidina induzido pela idade deve envolver a alteração de um ou vários dos distintos fatores que determinam a sua disponibilidade sistêmica, como a biossíntese celular, a produção por microrganismos intestinais, o fornecimento nutricional, secreções pancreáticas-biliares, catabolismo e excreção urinária.

Mais do que apenas uma consequência, o metabolismo das poliaminas (espermidina, espermina, putrescina) parece estar conectado ao envelhecimento, e um estudo prospectivo mostrou que a sua maior ingestão pode estar associada a um menor risco de mortalidade. Adicionalmente, após estudos pré-clínicos demonstrarem que a espermidina administrada exogenamente promoveu a longevidade em leveduras, moscas, vermes e células imunes humanas cultivadas, Pucciarelli et al. (2013) encontraram níveis séricos de espermidina e espermina em nonagenários e centenários saudáveis (90-106 anos) comparáveis a adultos de 31 a 56 anos, enquanto o grupo de adultos com idades de 60 a 80 anos apresentou níveis significativamente reduzidos.

A conjectura de que o envelhecimento qualitativo pode estar associado à conservação de altos níveis de poliaminas é suportada por correlações positivas entre a ingestão dietética de espermidina e o volume hipocampal e a espessura cortical, que diminuem com o avanço da idade. Além do cérebro, desequilíbrios nos níveis de poliaminas podem estar envolvidos em uma série de desequilíbrios biológicos e têm sido sugeridos como potenciais biomarcadores.

Autofagia: um possível mecanismo central

Muitos efeitos celulares causados pela espermidina têm sido mecanicamente ligados à autofagia, um mecanismo homeostático de degradação intracelular e de reciclagem. O aprimoramento da autofagia abriga amplo potencial de promoção à saúde e constitui a base molecular para várias estratégias geroprotetoras. A autofagia disfuncional está ligada a várias doenças relacionadas à idade, e a sua ativação por meios farmacológicos vem sendo pesquisada para uma longevidade qualitativa.

As poliaminas são cruciais para o desenvolvimento celular, proliferação e regeneração tecidual. Elas regulam a atividade enzimática e a expressão das proteínas, ligam-se e estabilizam o DNA e o RNA, possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, são necessárias para o controle da tradução e melhoram a atividade metabólica mitocondrial (energia). Muitas dessas propriedades foram causalmente ligadas à capacidade da espermidina de garantir a proteostase por meio da estimulação da macroautofagia citoprotetora. A espermidina induz a autofagia através da inibição de várias acetiltransferases, incluindo EP300, um dos principais reguladores negativos da autofagia. Sua potência foi recentemente quantificada para ser equivalente à da rapamicina, amplamente pesquisada por suas propriedades protetoras e estimuladoras da autofagia.

Progressão de estudos clínicos randomizados: cognição

A expansão da literatura pré-clínica sobre a espermidina estimulou os projetos de ensaios clínicos. Em um teste piloto de 3 meses, adultos de 60 a 80 anos saudáveis, mas com percepção de declínio cognitivo subjetivo, foram suplementados com um extrato de gérmen de trigo contendo 750 mg de extrato vegetal rico em poliaminas (concentração de espermidina de 0.9 mg) por dia, levando a uma melhora sutil do desempenho da memória. O mesmo extrato foi testado em animais e humanos quanto à segurança e nenhum efeito adverso foi detectado.

Com base nesses resultados, um estudo maior de 12 meses foi realizado em 100 participantes (60 e 90 anos) com declínio cognitivo subjetivo, suplementados diariamente com o extrato de gérmen de trigo rico em poliaminas. Nesse estudo, o extrato falhou em produzir efeitos na função de memória ou outros resultados secundários, enquanto não houve declínio cognitivo detectável no grupo placebo durante o estudo. No entanto, as análises de subgrupo com foco em participantes com alta adesão sugeriram efeitos benéficos em parâmetros de memória selecionados e nos níveis da molécula 1 de adesão intercelular solúvel, um marcador para inflamação e lesão vascular que está elevado também no envelhecimento e na demência.

Sem um controle da dieta e frente à grande variação exógena e endógena da molécula, possivelmente, esses resultados chamaram a atenção sobre a necessidade de pesquisar doses mais elevadas para a população em foco.

Um outro estudo preliminar duplo-cego multicêntrico focou no efeito da suplementação oral de espermidina, através de pãezinhos de cereais contendo nos grupos A e B – 3,3 mg e 1,9 mg de espermidina, respectivamente –, sobre o desempenho cognitivo de 85 adultos com demência (60-96 anos) em 6 casas de repouso na Estíria (Áustria). Em média, os participantes comeram 68 pãezinhos durante os 3 meses de estudo. Através da análise das amostras de sangue e do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), Pekar et al. (2021) reportaram uma clara correlação entre a ingestão de espermidina e a melhora no desempenho cognitivo em indivíduos com demência leve e moderada no grupo tratado com a dosagem mais alta de espermidina.

Estudo atual em adultos mais velhos com deficiência neurocognitiva

Após encontrarem um efeito positivo da ingestão de espermidina por 3 meses no desempenho da memória em adultos com demência, Pekar et al. (2023) agora nos trazem o resultado da continuação da sua investigação que teve como objetivo verificar se a melhora nessa população poderia continuar ocorrendo após um ano de suplementação sob a dose média de 3,3 mg de espermidina por dia, consumida a partir da alimentação.

Publicado no The Central European Journal of Medicine, o estudo contou com a participação de quarenta e cinco residentes de uma casa de repouso (média 83 anos, +- 9,5 anos). A comparação dos resultados do teste MEEM no início do estudo e após um ano demonstrou diferença estatisticamente significativa (p<0,001). A melhoria média foi de 5 pontos. “Observando os detalhes, após 1 ano foi possível observar uma melhora no desempenho cognitivo em 42% dos participantes, uma deterioração em 28%, e 30% dos participantes não apresentaram alteração no MEEM”, relatam os pesquisadores.

Em conformidade com pesquisa anterior, Pekar et al. acreditam que o monitoramento futuro dos níveis de espermidina poderia ser útil para reduzir a incidência de deficiências cognitivas e o risco de demência.

Spermidine: a physiological autophagy inducer acting as an anti-aging vitamin in humans? – PMC The positive effect of spermidine in older adults suffering from dementia after 1 year | SpringerLink Higher spermidine intake is linked to lower mortality: a prospective population-based study Spermidine and Spermine Are Enriched in Whole Blood of Nona/Centenarians | Rejuvenation Research The effect of spermidine on memory performance in older adults at risk for dementia: A randomized controlled trial Safety and tolerability of spermidine supplementation in mice and older adults with subjective cognitive decline – PMC Effects of spermidine supplementation on cognition and biomarkers in older adults with subjective cognitive decline (SmartAge)—study protocol for a randomized controlled trial | Alzheimer’s Research & Therapy The positive effect of spermidine in older adults suffering from dementia : First results of a 3-month trial Polyamines in Food Mechanisms of spermidine-induced autophagy and geroprotection

Resultados de três meta-análises de estudos clínicos sobre o ômega-3

Continua crescente o número de publicações científicas sobre as ações do ácido graxo poli-insaturado ômega-3 em diversos sistemas biológicos. Com isso, o acúmulo de evidências clínicas vai dando suporte ao aumento da realização de meta-análises, uma metodologia da pesquisa que, quando bem executada, ajuda a fornecer um panorama geral dos achados. Aqui, resumimos duas recém-publicadas:

1- A suplementação de ômega-3 melhora a síndrome metabólica e as doenças cardiovasculares relacionadas?

Publicada no Critical Reviews in Food Science and Nutrition, a revisão sistemática e meta-análise de 48 ensaios clínicos randomizados (n=8.489) demonstrou que a suplementação com ômega-3:

  • reduziu significativamente os triglicerídeos (WMD: −18,18 mg/dl; 95% CI: −25,41, −10,95; p < 0,001), colesterol total (WMD: − 3,38 mg/dl; 95% CI: −5,97, −0,79; p = 0,01), pressão arterial sistólica (WMD: −3,52 mmHg; 95% CI: −5,69, −1,35; p = 0,001), pressão arterial diastólica (WMD: −1,70 mmHg; 95% CI: −2,88, −0,51; p = 0,005), interleucina-6 (WMD: −0,64 pg/ml; 95% CI: −1,04, −0,25; p = 0,001), fator de necrose tumoral-α (WMD: −0,58 pg/ml; 95% CI: −0,96, −0,19; p = 0,004), proteína C reativa ( WMD: −0,32 mg/l; 95% CI: −0,50, −0,14; p < 0,001) e interleucina-1 (WMD: −242,95 pg/ml; 95% CI: −299,40, −186,50 ; p < 0,001);
  • aumentou significativamente a lipoproteína de alta densidade (HDL) (WMD: 0,99 mg/dl; IC 95%: 0,18, 1,80; p = 0,02);
  • não afetou a lipoproteína de baixa densidade (LDL), a proteína quimioatraente de monócitos-1, a molécula de adesão intracelular-1 e a selectina endotelial solúvel.

2- A suplementação de ômega-3 melhora os sintomas e a função articular de pacientes com osteoartrite?

Publicada no Journal of Orthopaedic Surgery and Research, a revisão sistemática e meta-análise de 9 ensaios clínicos randomizados (n=2.070), todos duplo-cegos, demonstrou que a suplementação com ômega-3:

  • pode aliviar significativamente a dor da artrite em comparação com o placebo (SMD: − 0,29, 95% CI − 0,47 a − 0,11, p = 0,002);
  • uma melhora mais notável na dor da artrite foi observada em pacientes < 65 anos do que em pacientes mais velhos;
  • melhorou a função articular de maneira significativa (SMD: − 0,21, IC 95%: − 0,34 a − 0,07, p = 0,002);
  • nenhuma reação grave relacionada ao tratamento com ômega-3 foi relatada nos estudos incluídos.

3- A suplementação de ômega-3 pode ajudar o metabolismo lipídico de mulheres com diabetes mellitus gestacional?

Publicada no Journal of Diabetes and its Complications, uma meta-análise de seis ensaios clínicos randomizados (331 gestantes com diabetes gestacional; duração da intervenção: 6 semanas; doses de 1.000 mg a 2.000 mg/dia) encontrou que, em comparação com os grupos placebos, a suplementação de ômega-3:

  • reduziu os níveis de triglicerídeos (WMD = −0,18 mmol/L; 95% CI: −0,29, −0,08) e colesterol de lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) (WMD = −0,1 mmol/L; 95% CI: −0,16, −0,03), enquanto as lipoproteínas de alta densidade (HDL) (WMD = 0,06 mmol/L; IC 95%: 0,02, 0,10) aumentaram;
  • reduziu o fator inflamatório proteína C reativa (SMD = −0,68mmol/L; IC 95%: −0,96, −0,39).
  • Em conclusão, os achados sugerem que o ômega-3 pode reduzir a glicose plasmática em jejum enquanto melhora a resistência à insulina, o metabolismo lipídico (níveis mais baixos de TG e VLDL) e a resposta inflamatória (PCR) em mulheres com diabetes gestacional.

Fonte:

Wang, Yongjin; et al. Does omega-3 PUFAs supplementation improve metabolic syndrome and related cardiovascular diseases? A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials

Deng, Wen; et al. Effect of omega-3 polyunsaturated fatty acids supplementation for patients with osteoarthritis: a meta-analysis | Journal of Orthopaedic Surgery and Research

Liu, Weixia; et al. Effects of omega-3 supplementation on glucose and lipid metabolism in patients with gestational diabetes: A meta-analysis of randomized controlled trials – ScienceDirect

Abrindo a meta-análise encomendada pela OMS sobre “adoçantes sem açúcar”

Os adoçantes dietéticos, substitutos do açúcar, podem ser chamados por diferentes nomes e maneiras, incluindo “adoçantes sem açúcar”, como foi denominado na revisão sistemática e meta-análise de Rios-Leyvraz e Montez (2022), encomendada pela OMS para a sua atualização. No entanto, mesmo que todos os adoçantes ativem os receptores de sabor doce em concentrações baixas, cada adoçante sem açúcar possui uma estrutura química única e, portanto, são extremamente importantes a especificação e os cuidados comparativos em uma investigação científica. Com esse cuidado, evita-se uma confusão interpretativa gerada a partir do compartilhamento dos resultados pela mídia e pelas redes sociais, especialmente ao considerarmos as necessidades dos pacientes com diabetes, pré-diabetes e condições associadas à resistência insulínica ou com protocolos que buscam evitar picos glicêmicos.

Os resultados do relatório de Rios-Leyvraz e Montez sugerem que, em estudos controlados randomizados de curto prazo, aqueles que consumiram adoçantes sem açúcar apresentaram menor peso corporal, menor IMC e menor ingestão de energia no final dos ensaios do que aqueles que não os consumiram, principalmente quando comparados com os que consumiram açúcar ou água. Isso mostrou que o uso de adoçantes sem açúcar pode ser uma ferramenta eficaz na perda de peso em curto prazo, quando seu uso acompanha uma redução na ingestão total de energia.

Já entre os resultados de estudos de coorte prospectivos, foram observados danos em longo prazo na forma de aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade e, em gestantes, um risco aumentado de parto prematuro.

Especificando os “adoçantes sem açúcar” analisados

Na análise de 50 estudos clínicos randomizados, lê-se que os compostos sintéticos investigados foram a sucralose, o acessulfame de potássio, o aspartame, o Advantame (adoçante artificial não calórico e análogo ao aspartame da Ajinomoto), o ciclamato, o neotame (derivado do aspartame) e a sacarina. Entre os adoçantes derivados de plantas ou bactérias (fermentação), os investigadores só incluíram na análise o adoçante derivado da planta Stevia rebaudiana. Nenhum açúcar de álcool (poliol) foi mencionado.

Como são moléculas diferentes, ao equiparar a estévia – um adoçante (de fonte natural) sem açúcar – com um adoçante (sintético) sem açúcar, os pesquisadores podem ter gerado um elemento confundidor extra dentre os vários resultados obtidos. Isso porque a grande maioria dos estudos clínicos randomizados publicados e usados nesta meta-análise até esta data sobre a estévia mostraram resultados favoráveis ao seu consumo humano. Assim, com o objetivo de esclarecimento, separamos os estudos que os investigadores incluíram na sua meta-análise sobre a estévia, fazendo um resumo de seus resultados:

  • Stamataki et al. (2020): o consumo de bebida adoçada com estévia antes do almoço reduziu o apetite e a ingestão total de energia sem afetar a glicemia ou o viés de atenção aos estímulos alimentares.
  • Stamataki et al. (2020): o consumo diário de estévia em doses reais não afeta a glicemia em indivíduos saudáveis ​​com peso normal e pode ajudar na manutenção do peso e na moderação da ingestão de energia.
  • Stamataki et al. (2020): este terceiro estudo não encontrou diferença significativa nas respostas de glicose ou insulina em indivíduos saudáveis e percebeu ajuda da estévia na manutenção de peso e na moderação da ingestão de energia.
  • Mayasari et al. (2018): o consumo de um chá adoçado com estévia reduziu significativamente o nível de glicemia de jejum (de 111,25 ± 7,20 mg/dL para 88,58 ± 13,19 mg/dL; p < 0,01), mas não o nível de glicemia pós-prandial de 2 horas (de 123,25 ± 37,61 mg/dL para 106,92 ± 18,82 mg/dL) em mulheres com pré-diabetes.
  • Maki et al. (2008): 1.000 mg/dia de estévia por 4 semanas não produziu alterações clinicamente importantes na pressão arterial em adultos saudáveis.
  • Barriocanal et al. (2008): 250 mg (3x/dia), tomado durante 3 meses, não provocou mudanças na HbA1c, na glicose ou nas pressões arteriais (PAS E PAD) de indivíduos com diabetes, e o adoçante foi bem tolerado.
  • Barraj et al. (2021): encontraram o consumo brasileiro de estévia abaixo da ADI.
  • Durán et al. (2015): em estudantes universitários chilenos, foi encontrada associação positiva entre menor peso e consumo de estévia.
  • Kassi et al. (2016): “Conclusão: A introdução de lanches de baixa carga glicêmica à base de estévia em uma dieta de baixa caloria em pacientes com síndrome metabólica é segura e pode levar a uma redução adicional na PA, glicemia de jejum, LDL-ox e leptina em comparação com uma dieta hipocalórica sozinha”.
  • Al-Dujaili et al. (2017): mostraram que a ingestão de estévia em curto prazo produziu um aumento pequeno, mas significativo, na PA, e o efeito no peso corporal e no IMC não foi significativo.
  • Sanchez-Delgado et al. (2019): estudo piloto, sucralose versus estévia: “Nossos resultados mostraram que, em comparação com a linha de base, houve um aumento modesto, mas significativo, de peso (p = 0,0293) no grupo da sucralose, enquanto o grupo dos glicosídeos de esteviol reduziu sua massa gorda (p = 0,0390). Não foram observadas diferenças na glicemia; no entanto, houve um aumento significativo nos triglicerídeos séricos (77,8-110,8 mg/dL) e colesterol (162,0-172,3 mg/dL) no grupo sucralose, enquanto o grupo esteviol apresentou triglicerídeos (104,7-92,8 mg/dL) e concentrações de TNF-α (51,1-47,5 pg/mL) mais baixos. (…) Nossos resultados sugerem que, mesmo em um curto espaço de tempo, a ingestão frequente de esteviol pode ter efeitos positivos em parâmetros metabólicos que podem ser relevantes para a saúde humana”.
  • Dois estudos sobre a estévia estavam focados na saúde bucal e ambos concluíram favoravelmente ao seu uso (Vandana et al. 2017; Cocco et al. 2019). (Na seção “saúde oral”, observa-se uma necessidade de revisão por pares para a devida correção do relatório.)
  • Alguns estudos citados na análise encomendada pela OMS não foram localizados, ou seja, os estudos aparentemente foram realizados, mas os resultados não foram postados abertamente ao público ou não foram postados até esta data.

É importante pontuar que:

  • Nenhum estudo sobre a estévia foi incluído na análise da mortalidade por todas as causas, mortalidade cardiovascular, eventos cardiovasculares, doença coronária, AVC isquêmico, AVC hemorrágico e hipertensão. Assim, os resultados desfavoráveis (p< 0,01; p< 0,01; p< 0,01; p = 0,09, p=0,02, p=0,03, p<0,01) são exclusivos dos adoçantes (sintéticos) sem açúcar.
  • Da mesma forma, nenhum estudo sobre a estévia encontrou resultado associado à obesidade; nenhum estudo sobre a estévia foi incluído na análise que encontrou associação com o diabetes; e, entre outros achados, estudos sobre os cânceres foram majoritariamente baseados nos adoçantes (sintéticos) sem açúcar.

Fechando o estudo

Esta breve leitura da revisão sistemática e meta-análise encomendada pela OMS serve para nos lembrar que a leitura na íntegra de um estudo científico é importante, pois, mesmo estudos de autores ou instituições de renome, revisados por pares, podem apresentar lapsos confundidores, falhas e/ou viés interpretativo.

O uso de adoçantes sem açúcar deve ser considerado no contexto da saúde integral do paciente. De maneira geral, recomenda-se o uso em moderação de qualquer adoçante, incluindo até mesmo a estévia. Sobre os adoçantes sintéticos sem açúcar, mais conhecidos como adoçantes artificiais, há anos que os resultados de estudos alertam para a sua toxidade e possíveis malefícios à saúde humana no longo prazo.

Fonte:

Lacombe, Julie; et al. Rios-Leyvraz, Magali; et al. Health effects of the use of non-sugar sweeteners: a systematic review and meta-analysis

Meta-análise: ômega-3 na diabetes

Uma meta-análise de estudos randomizados investigou o efeito dos ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 nos resultados cardiovasculares em pacientes com diabetes. Esses lipídios mostram ter efeitos protetores nos processos fisiopatológicos de várias doenças e síndromes, como inflamação e disfunção endotelial. Recentemente (2022), uma revisão sistemática de ensaios clínicos mostrou que a suplementação com ômega-3 pode reduzir os produtos finais de glicação avançada, que estão associados ao aumento de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2.

Na meta-análise atual de Huang et al. (2023), todos os estudos (n=57.754) foram duplo-cegos, controlados por placebo, exceto o JELIS, que foi um estudo aberto. Deles, seis estudos testaram formulações de EPA + DHA em doses, variando de 850 a 4000 mg/dia, enquanto o “Japan EPA Lipid Intervention Study” (JELIS) e o REDUCE-IT testaram EPA sozinho em doses, variando de 1800 a 4000 mg/dia. Apenas o estudo VITAL-HF incluiu explicitamente pacientes com diabetes tipo 2, e os demais estudos não especificaram o tipo de diabetes.

Como resultado, os investigadores encontraram que a suplementação com ômega-3 reduziu o risco de doença cardiovascular (DCV) em pacientes com diabetes (RR=0,93, 95% CI=0,90-0,97, P=0,0009). Mesmo nos estudos cujos resultados não alcançaram significância estatística, foi encontrada uma tendência favorável aos grupos suplementados com ômega-3, sendo que o ácido eicosapentaenoico (EPA) por si só (sem o ácido docosahexaenoico, DHA) atingiu redução estatisticamente significativa para o risco de DCV em pacientes com diabetes [EPA (RR=0,81, 95% CI=0,73-0,90, P=0,0001)]. No entanto, devido à ocorrência de variáveis entre os estudos e entre os participantes, como a dose utilizada, diferenças nos fatores dietéticos, clínicos e ambientais, além da variação dos genes dessaturase de ácido graxo 1 (FADS1 e FADS2), os investigadores declaram que ainda é prematuro afirmar que o uso isolado de EPA seja mais vantajoso do que o uso de EPA + DHA para a prevenção de DCV em pacientes com diabetes.

Fonte:

Huang, Linlin; et al. Effect of Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids on Cardiovascular Outcomes in Patients with Diabetes: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials – ScienceDirect

Mendes, Nélia P; et al. Does dietary fat affect advanced glycation end products and their receptors? A systematic review of clinical trials

 

Vit K na proteção contra a diabetes 2

Ao tentar responder se a vitamina K afeta diretamente a função das células β e sob quais mecanismos, estudo publicado no Cell Reports identificou a proteína gama-carboxilada ERGP (proteína gla do retículo endoplasmático) com um papel importante na manutenção dos níveis fisiológicos de cálcio nas células β. A vitamina K (VK) é conhecida por seu papel na coagulação do sangue, em particular na gama-carboxilação, uma reação enzimática essencial para o processo.

Usando uma combinação de ferramentas genéticas, celulares e bioquímicas desenvolvidas para estudar a γ-carboxilação, Lacombe et al. (2023) descobriram que a VK (através da γ-carboxilação) é essencial para a ERGP desempenhar seu papel, evitando um distúrbio na secreção de insulina.

Anteriormente, a carboxilação dependente de VK demonstrou desempenhar um papel crítico no fígado, onde é essencial para a ativação de uma série de fatores de coagulação, e nas artérias, cartilagens e ossos, onde controla a atividade de duas pequenas proteínas Gla: proteína gla matrix (MGP) e osteocalcina. Mas vários estudos sugeriam uma ligação entre uma ingestão reduzida de vitamina K e um risco aumentado de diabetes tipo 2. Os achados atuais, portanto, estabelecem pela primeira vez um papel crítico da VK no pâncreas, onde ela se mostra ativa nas ilhotas pancreáticas, e, mais especificamente, sobre as células β.

Essa descoberta significa um avanço bem-vindo na compreensão dos mecanismos subjacentes à diabetes, uma doença que vem afetando uma em cada 11 pessoas no mundo.

Fonte:

Lacombe, Julie; et al. Vitamin K-dependent carboxylation regulates Ca2+ flux and adaptation to metabolic stress in β cells

Meta-análise: ômega-3 na diabetes

Uma meta-análise de estudos randomizados investigou o efeito dos ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 nos resultados cardiovasculares em pacientes com diabetes. Esses lipídios mostram ter efeitos protetores nos processos fisiopatológicos de várias doenças e síndromes, como inflamação e disfunção endotelial. Recentemente (2022), uma revisão sistemática de ensaios clínicos mostrou que a suplementação com ômega-3 pode reduzir os produtos finais de glicação avançada, que estão associados ao aumento de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2.

Na meta-análise atual de Huang et al. (2023), todos os estudos (n=57.754) foram duplo-cegos, controlados por placebo, exceto o JELIS, que foi um estudo aberto. Deles, seis estudos testaram formulações de EPA + DHA em doses, variando de 850 a 4000 mg/dia, enquanto o “Japan EPA Lipid Intervention Study” (JELIS) e o REDUCE-IT testaram EPA sozinho em doses, variando de 1800 a 4000 mg/dia. Apenas o estudo VITAL-HF incluiu explicitamente pacientes com diabetes tipo 2, e os demais estudos não especificaram o tipo de diabetes.

Como resultado, os investigadores encontraram que a suplementação com ômega-3 reduziu o risco de doença cardiovascular (DCV) em pacientes com diabetes (RR=0,93, 95% CI=0,90-0,97, P=0,0009). Mesmo nos estudos cujos resultados não alcançaram significância estatística, foi encontrada uma tendência favorável aos grupos suplementados com ômega-3, sendo que o ácido eicosapentaenoico (EPA) por si só (sem o ácido docosahexaenoico, DHA) atingiu redução estatisticamente significativa para o risco de DCV em pacientes com diabetes [EPA (RR=0,81, 95% CI=0,73-0,90, P=0,0001)]. No entanto, devido à ocorrência de variáveis entre os estudos e entre os participantes, como a dose utilizada, diferenças nos fatores dietéticos, clínicos e ambientais, além da variação dos genes dessaturase de ácido graxo 1 (FADS1 e FADS2), os investigadores declaram que ainda é prematuro afirmar que o uso isolado de EPA seja mais vantajoso do que o uso de EPA + DHA para a prevenção de DCV em pacientes com diabetes.

Fonte:

Huang, Linlin; et al. Effect of Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids on Cardiovascular Outcomes in Patients with Diabetes: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials – ScienceDirect

Mendes, Nélia P; et al. Does dietary fat affect advanced glycation end products and their receptors? A systematic review of clinical trials

 

Vit K na proteção contra a diabetes 2

Ao tentar responder se a vitamina K afeta diretamente a função das células β e sob quais mecanismos, estudo publicado no Cell Reports identificou a proteína gama-carboxilada ERGP (proteína gla do retículo endoplasmático) com um papel importante na manutenção dos níveis fisiológicos de cálcio nas células β. A vitamina K (VK) é conhecida por seu papel na coagulação do sangue, em particular na gama-carboxilação, uma reação enzimática essencial para o processo.

Usando uma combinação de ferramentas genéticas, celulares e bioquímicas desenvolvidas para estudar a γ-carboxilação, Lacombe et al. (2023) descobriram que a VK (através da γ-carboxilação) é essencial para a ERGP desempenhar seu papel, evitando um distúrbio na secreção de insulina.

Anteriormente, a carboxilação dependente de VK demonstrou desempenhar um papel crítico no fígado, onde é essencial para a ativação de uma série de fatores de coagulação, e nas artérias, cartilagens e ossos, onde controla a atividade de duas pequenas proteínas Gla: proteína gla matrix (MGP) e osteocalcina. Mas vários estudos sugeriam uma ligação entre uma ingestão reduzida de vitamina K e um risco aumentado de diabetes tipo 2. Os achados atuais, portanto, estabelecem pela primeira vez um papel crítico da VK no pâncreas, onde ela se mostra ativa nas ilhotas pancreáticas, e, mais especificamente, sobre as células β.

Essa descoberta significa um avanço bem-vindo na compreensão dos mecanismos subjacentes à diabetes, uma doença que vem afetando uma em cada 11 pessoas no mundo.

Fonte:

Lacombe, Julie; et al. Vitamin K-dependent carboxylation regulates Ca2+ flux and adaptation to metabolic stress in β cells

Efeitos da curcumina biodisponível no resfriado

Há muito que se pensa que a curcumina poderia atuar contra o resfriado comum, de acordo com achados in vitro e in vivo. Agora, publicado no Journal of Dietary Supplements, um primeiro estudo controlado e randomizado demonstrou a eficácia da curcumina com biodisponibilidade aprimorada (“enhanced”), o que a torna mais absorvível, no tratamento dos sintomas do resfriado comum em japoneses saudáveis.

A curcumina, um tipo de polifenol que apresenta forte característica anti-inflamatória, já mostrou poder inibir a produção de bradicinina e prostaglandinas, suprimir a liberação de citocinas inflamatórias, como o fator de necrose tumoral (TNF)-α e as interleucinas IL-1β, IL-6 e IL-8, e possuir propriedades antivirais.

Kuwabara et al. (2023) testaram duas formas de curcumina biodisponível contra um placebo em 90 adultos (> 20 anos). Durante doze semanas, um total de 150mg de curcumina foi ministrado em duas tomadas, diariamente: 10-15 minutos antes do café da manhã e antes do jantar.

Entre os achados positivos, a média ± DP do número cumulativo de dias para os quais os sintomas do resfriado comum persistiram e a frequência entre os afetados foi de 38,6 ± 33,8 dias e 45,7 ± 40,1% nos grupos suplementados com curcumina versus 56,8 ± 32,0 dias e 67,0 ± 37,7% no grupo placebo, respectivamente.

Paralelamente, uma revisão e meta-análise de 50 estudos randomizados e controlados, publicada no The American Journal of Clinical Nutrition, também encontrou superioridade da curcumina biodisponível para a perda de peso e redução de índices antropométricos. Nela, Unhapipatpong et al. (2023) reportam que os efeitos se mantiveram significativos mesmo em adultos com obesidade e diabetes.

Fonte:

Kuwabara Y, et al. Effects of Highly Bioavailable Curcumin Supplementation on Common Cold Symptoms and Immune and Inflammatory Functions in Healthy Japanese Subjects: A Randomized Controlled Study.

Unhapipatpong C, et al. The effect of curcumin supplementation on weight loss and anthropometric indices: an umbrella review and updated meta-analyses of randomized controlled trials.

Dose da CoQ10 na inflamação: meta-análise de RCTs

A coenzima Q10 (CoQ10) vem se popularizando devido à sua ampla gama de efeitos biológicos benéficos e à sua segurança de uso, demonstrada há décadas. Agora, uma revisão sistemática e meta-análise de estudos controlados e randomizados publicada no Molecular Nutrition & Food Research traz uma avaliação sob o sistema GRADE sobre a eficácia e a dose ideal da suplementação de CoQ10 sobre indicadores inflamatórios na população em geral.

Hu et al. (2023) incluíram na análise 30 estudos (n=1506). A dose diária de CoQ10 variou de 30mg a 500mg e a duração do tratamento variou de 2 a 48 semanas. Os investigadores encontraram que a suplementação oral de CoQ10 foi significativamente eficaz na diminuição da circulação da proteína C reativa (CRP), da interleucina-6 (IL-6) e do fator de necrose tumoral-α (TNF-α):

 PCR circulante (SMD: -0,40, 95% CI: [-0,67 a -0,13], p = 0,003). A suplementação com CoQ10 reduziu significativamente as concentrações de PCR em pessoas saudáveis (p < 0,001) e também mostrou uma tendência decrescente em pacientes com DCV;
• IL-6 (SMD: -0,67, 95% CI: [-1,01 a -0,33], p < 0,001). A redução significativa ocorreu em pacientes com DCV e outras doenças, bem como pessoas saudáveis;
• TNF-α (SMD: -1,06, IC 95%: [-1,59 a -0,52], p < 0,001). Entre todos os participantes com diferentes estados de saúde, a diminuição significativa nos níveis de TNF-α existiu nos subconjuntos de pacientes com dislipidemia, DHGNA e outras doenças, mas não nos indivíduos saudáveis.

A dose encontrada para a sua superior eficácia de inibição de fatores inflamatórios foi de 300-400mg/dia, concluíram os investigadores

Fonte:

Hou S, et al. Efficacy and Optimal Dose of Coenzyme Q10 Supplementation on Inflammation-Related Biomarkers: A GRADE-Assessed Systematic Review and Updated Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials

Berberina ajudando pacientes com esquizofrenia

Nas últimas décadas da pesquisa clínica, ocorreu um progresso significativo no fornecimento de um maior espectro de medicamentos para pacientes com esquizofrenia. No entanto, uma meta-análise recente (Haddad e Correll; 2018) indicou que a eficácia aguda dos antipsicóticos é modesta, especialmente nas tentativas de tratar deficiências cognitivas e sintomas negativos.

Paralelamente a esses importantes objetivos clínicos, a fisiopatologia da esquizofrenia se mostra fortemente associada à neuroinflamação. É relatado que os marcadores inflamatórios mudam na esquizofrenia crônica, se manifestando através do aumento da micróglia ativa, astrócitos prejudicados e expressão exagerada de diferentes citocinas, incluindo IL-1β, IL-6, proteína C-reativa, TNF-α e interferon na neuroimunologia, neuroplasticidade, neuroendócrina e transdução de sinal.

De acordo com a hipótese da neuroinflamação, estudos anteriores sugeriram que alguns antibióticos e anti-inflamatórios não esteroides, incluindo minociclina, aspirina e celecoxibe, podem melhorar os sintomas negativos e os prejuízos cognitivos da esquizofrenia. No entanto, a utilidade clínica desses medicamentos é limitada devido às reações adversas conhecidas. No caso de antipsicóticos atípicos, observam-se efeitos adversos de síndrome metabólica, sedação excessiva, hipotensão postural, arritmia, boca seca, constipação, etc. Já no uso de antibióticos e anti-inflamatórios não esteroides, existe o risco de disbiose intestinal, lesão da mucosa gástrica e sangramento estomacal.

Berberina na melhora de danos

A berberina vem sendo testada em modelos animais e pacientes com esquizofrenia há algum tempo. Inicialmente, ensaios clínicos relevantes usaram a berberina em pacientes com esquizofrenia para a prevenção de distúrbios metabólicos resultantes do tratamento antipsicótico. Em experimentos animais, foi relatado que a berberina melhorou as deficiências cognitivas resultantes do diabetes por seus efeitos neuroprotetores, bem como melhora no comportamento do tipo depressivo.

Berberina no tratamento da esquizofrenia

Um passo adiante, Pu et al. (2023) realizaram um estudo clínico randomizado, aberto e conduzido em três hospitais na China, durante doze semanas, para:
• determinar a eficácia de 300 mg de berberina (três vezes ao dia) sobre os sintomas negativos e danos cognitivos em pacientes com esquizofrenia crônica;
• e medir os efeitos anti-inflamatórios da berberina via marcadores IL-1β, IL-6 e TNF-α.

Como critério de inclusão, os 106 pacientes do estudo (56 no grupo berberina, 50 no grupo placebo) tinham diagnóstico de esquizofrenia por pelo menos dez anos e apresentavam sintomas negativos como característica clínica dominante. Os sintomas negativos – manifestados como avolição, anedonia, embotamento afetivo, alogia e retraimento social – e os danos cognitivos estão fortemente correlacionados.

A Escala para Avaliação de Sintomas Negativos (SANS), teste de trilhas parte A (TMT-A), teste de trilhas parte B (TMT-B) e teste de aprendizagem verbal de Hopkins (HVLT) foram usados para avaliar os sintomas negativos e a função cognitiva em quatro momentos (linha de base, 1º, 2º e 3º mês).

Os resultados foram animadores: do início ao mês 3, os pacientes que receberam berberina demonstraram uma diminuição nos escores totais nas escalas clínicas SANS, TMT-A e TMT-B e mostraram uma redução no nível sérico de IL-1β, IL-6 e TNF-α, em comparação com os pacientes do grupo controle (P < 0,05). 

Após o tratamento com a berberina, houve correlações:
• entre a alteração do nível sérico de IL-1β e a alteração de SANS (P = 0,039), TMT-A (P < 0,001) e TMT-B (P < 0,001);
• entre a alteração do nível sérico de IL-6 e a alteração de TMT-A (P < 0,001) e TMT-B (P < 0,001);
• entre a alteração do nível sérico de TNF-α e a alteração de TMT-B (P < 0,001).

Dosagem já testada em estudo anterior

A dosagem da berberina que Pu et al. utilizaram em seu estudo – 300 mg, três vezes ao dia – teve como base um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, conduzido anteriormente por Li et al. (2022). Realizado durante oito semanas em 59 pacientes (32 no grupo berberina e 27 no grupo placebo), o estudo já havia constatado que a berberina pode melhorar os sintomas negativos através do efeito anti-inflamatório.

Desde a linha de base até a 8ª semana, o tratamento com a berberina melhorou significativamente a subescala de sintomas negativos (medidos pela escala de sintomas negativos e positivos PANSS) (P < 0,001) e reduziu a concentração plasmática de PCR, enquanto observou-se um aumento no grupo placebo (P = 0,024).

Além disso, no grupo da berberina, a alteração da concentração de PCR foi significativamente correlacionada positivamente com a alteração da subescala de sintomas negativos da PANSS em 8 semanas (P = 0,002).

Li et al. não encontraram diferença significativa nos eventos adversos entre os grupos berberina e placebo (P > 0,05). Confirmando os achados de segurança da dose testada, Pu et al. também encontraram boa tolerabilidade, relatando que as reações adversas mais frequentes foram náuseas (5 casos), leve dor estomacal (7 casos) e constipação (2 casos), que foram resolvidas com o tempo e bem aceitas pelos pacientes, sendo que cinco deles descontinuaram o protocolo.

Atividades farmacológicas em diferentes condições

Em 2022, Yarmohammadi et al. revisaram o potencial protetor da berberina contra diversas doenças, encontrando importantes efeitos para distúrbios metabólicos, câncer, doenças intestinais, doenças cardiovasculares, hepáticas, renais e do sistema nervoso central, tanto em estudos in vivo quanto in vitro

A berberina é um alcaloide extraído da família Berberidacea que vem demonstrando múltiplas atividades farmacológicas além da anti-inflamatória, incluindo as atividades antioxidante, anti-apoptótica, antiproliferativa e anti-hipertensiva.

Como uma inibidora da pró-proteína convertase subtilisina kexina tipo 9 (PCSK9) através de anticorpos monoclonais naturais, uma revisão sistemática e meta-análise realizada por farmacêuticos americanos, que avaliou 41 RCTs (n = 4.838 pacientes) que usaram a berberina por si só ou combinada com outros nutracêuticos (8-18 semanas) versus controle, encontrou um impacto positivo em pacientes com hiperlipidemia.

Na meta-análise, Hernandez et al. (2023) reportaram que a berberina por si:
• reduziu significativamente o colesterol total (MD −17,42 mg/dL [IC 95%: −22,91 a −11,93]), LDL (MD −14,98 mg/dL [IC 95%: −20,67 a −9,28]) e TG (MD −18,67 mg/dL [IC 95%: −25,82 a −11,51]); 
• enquanto aumentou o HDL (MD 1,97 mg/dL [IC 95%: 1,16 a 2,78]) (I2 > 72% para todas as análises).  

A berberina combinada provocou efeitos maiores:
• combinada com o arroz vermelho fermentado (red yeast rice) reduziu o colesterol total (MD −19,62 mg/dL [95% CI: −28,56 a −10,68]) e LDL (MD −18,79 mg/dL [95% CI: −28,03 a −9,54]);
• combinada com a silibina (Silybum marianum) reduziu o colesterol total (MD −31,81 mg/dL [95% CI: −59,88 a −3,73]) e LDL (MD −30,82 mg/dL [95% CI: −56,48 a −5,16]).

Entretanto, a atualização sobre a sua possível utilidade clínica para o tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas foi identificada apenas recentemente, e por isso o seu destaque.

Fontes:

Haddad P, et al. The acute efficacy of antipsychotics in schizophrenia: a review of recent meta-analyses

Pu Z, et al. Berberine improves negative symptoms and cognitive function in patients with chronic schizophrenia via anti-inflammatory effect: a randomized clinical trial

Li M, et al. Improvement of adjunctive berberine treatment on negative symptoms in patients with schizophrenia

Yarmohammadi F, et al. The therapeutic effects of berberine against different diseases: A review on the involvement of the endoplasmic reticulum stress

Hernandez A, et al. Impact of Berberine or Berberine Combination Products on Lipoprotein, Triglyceride and Biological Safety Marker Concentrations in Patients with Hyperlipidemia: A Systematic Review and Meta-Analysis

Taurina: novos achados ampliam aplicações

Com um aprofundamento da pesquisa em torno da taurina, por vezes, tem-se a sensação que ela espelha os efeitos da creatina e, portanto, vem entrando mais e mais nos protocolos esportivos e de saúde.

No campo esportivo, prevê-se que a taurina possa aumentar a força e a resistência muscular e causar uma diminuição nos tempos de recuperação após o exercício, bem como apoiar a hipertrofia muscular ao absorver água na célula muscular.

Na construção desse conhecimento, um estudo recém-publicado no Biomedical Human Kinetics encontrou que o consumo de 0,1 g/kg de taurina (versus 18 mg de aspartame como placebo) antes do exercício de resistência pode afetar positivamente o desempenho do exercício, aumentando o volume do exercício e reduzindo os níveis de lactato.

O estudo de Akalp et al. (2023) contou com a participação de somente dez adultos do sexo masculino treinados em resistência (idade 21,4 ± 2,01 anos; IMC: 23,6 ± 2,5 kg/m2), no entanto, chamou a atenção pela redução significativa de lactato (p < 0.05), um feito não comumente encontrado com outras moléculas.

Na saúde, uma nova potencial funcionalidade do aminoácido foi demonstrada por pesquisadores chineses através do seu estudo de revisão publicado em Nutrients. Nele, Duan et al. (2023) demonstram o progresso na pesquisa sobre o mecanismo de ação da taurina no alívio da fadiga visual – através de seus efeitos antioxidantes e neuroprotetores, favorecendo uma melhor sobrevivência dos fotorreceptores retinianos.

Fonte:

Akalp K, et al. Effects of acute taurine consumption on single bout of muscular endurance resistance exercise performance and recovery in resistance trained young male adults.

Duan H, et al. Taurine: A Source and Application for the Relief of Visual Fatigue.

Antioxidantes na fertilidade masculina

Uma crescente coleção de pesquisas confirma que a saúde da fertilidade dos homens é tão importante quanto a das mulheres quando os casais estão tentando engravidar. O estresse oxidativo pode desempenhar um papel cada vez mais importante dentre os fatores ambientais quando a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) excede a capacidade de neutralização antioxidante natural do corpo e, portanto, o suporte nutricional é essencial no período periconcepcional.

Publicada em Antioxidants, uma revisão sistemática de cinquenta estudos identificou os nutrientes mais testados para ajudar na infertilidade masculina. Dimitriadis et al. (2023) investigaram o benefício da suplementação de antioxidantes sobre os parâmetros do sêmen, como concentração de esperma, morfologia, dano ao DNA, motilidade e taxa de fertilidade.

Em alguns estudos, os pesquisadores descobriram que a suplementação de antioxidantes pode ser benéfica na reversão da disfunção espermática relacionada ao excesso de estresse oxidativo e na melhora das taxas de gestação. As preparações mais comumente utilizadas, seja em monoterapia ou em combinação (múltiplos antioxidantes), foram: vitamina E (400 mg), carnitina (500–1000 mg), vitamina C (500–1000 mg), CoQ10 (100–300 mg), NAC (600 mg), zinco (25–400 mg), ácido fólico (0,5 mg), selênio (200 mg) e licopeno (6–8 mg).

Fonte:

Dimitriadis F, et al. Antioxidant Supplementation on Male Fertility—A Systematic Review

Alimentação desordenada, transtorno alimentar e o ácido úrico

Alguns transtornos alimentares, que compartilham características com a alimentação desordenada, podem ter o ácido úrico como um biomarcador de orientação da gravidade. Como os termos são parecidos, é importante distinguir que o transtorno alimentar é um diagnóstico clínico (como anorexia, bulimia, compulsão alimentar, transtorno alimentar restritivo evitativo, ruminação, síndrome do comer noturno, etc.), enquanto que a alimentação desordenada refere-se a padrões alimentares “anormais” que não chegam a atender aos critérios para um diagnóstico de transtorno alimentar.

Alguém com um transtorno alimentar pode apresentar comportamentos alimentares desordenados, mas nem todas as pessoas com comportamentos alimentares desordenados apresentam distúrbio alimentar.

No entanto, no médio e longo prazos, uma alimentação desordenada atua como um fator de risco do transtorno alimentar – uma condição grave, geralmente secretiva, que pode durar décadas para a sua modulação; consequentemente, afetando profundamente a saúde social-física-mental.

Entre as características que são similares às duas condições, as pessoas afetadas pensam que o problema não é suficientemente sério para pedir ajuda, sentem dificuldade em lidar com os seus sentimentos quando perdem o controle sobre o alimento (um misto de impotência, vergonha e culpa), apresentam uma relação suspeita com as refeições ou grupos de alimentos e/ou apresentam conceitos negativos sobre sua imagem corporal.

Além da alimentação desordenada, um dos fatores ambientais, o transtorno alimentar pode ser também impulsionado pela genética, neurobiologia e/ou situação hormonal. Adicionando complexidade a algo já complexo, o transtorno obsessivo-compulsivo e alguns transtornos de humor, como a bipolaridade e a depressão, muitas vezes estão presentes no distúrbio alimentar, e Tagay et al. (2014) encontraram que aproximadamente uma em cada quatro pessoas com transtorno alimentar apresenta sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Assim, o eixo intestino-cérebro vem também sendo investigado, apontando para a microbiota e a presença de disbiose intestinal, como observado por Fan et al. (2023) em humanos e animais com anorexia nervosa. E o ácido úrico também vem sendo analisado em alguns transtornos mentais, com achados preliminares de níveis mais altos, p.ex., no TEPT, no transtorno de ansiedade e nos transtornos alimentares que envolvem a compulsão alimentar.

Alimentação desordenada

Dietas e tendências alimentares restritivas – geralmente, de difícil manutenção, gerando o “efeito ioiô” – são um tema quente, que induz a muitos cliques nas redes sociais. Neste momento, entre os cliques de emagrecimento, as redes sociais vêm alimentando o entusiasmo por um tipo relativamente novo de medicamento, os agonistas do receptor de GLP-1, que originalmente foi projetado para pacientes com diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, já existem pela internet declarações de pessoas que, ao parar de tomar o medicamento, o peso voltou (e por vezes, mais do que o “perdido”).

Uma suspeita sobre as tendências restritivas ao redor do alimento é que o aparecimento das dietas parece ter impulsionado o crescimento de transtornos alimentares. A privação alimentar pode ser danosa para o cérebro de algumas pessoas e até o jejum intermitente pode não ser aconselhável para as que apresentam fatores de risco ou histórico de alimentação desordenada ou transtorno alimentar.

Sob esse contexto, recentemente publicada no JAMA Pediatrics, uma revisão sistemática e meta-análise lançou uma luz da situação global, mostrando como a alimentação desordenada anda se tornando prevalente entre os adolescentes.

López-Gil et al. (2023) incluíram na sua análise somente estudos que utilizaram o questionário “Sick, Control, One, Fat, Food” (SCOFF) de 5 itens, uma medida de triagem utilizada para transtornos alimentares, mesmo que relativamente limitada para a detecção de diferentes manifestações. Para evitar viés de seleção, os investigadores também tiveram o cuidado de não incluir os estudos que coletaram dados durante a pandemia da covid-19.

O processo seletivo encontrou trinta e dois estudos, com um total de 63.181 participantes, de 16 países. A proporção geral de crianças e adolescentes com alimentação desordenada foi de 22,36% (95% CI, 18,84%-26,09%; P < 0,001). As meninas foram significativamente mais propensas a relatar alimentação desordenada do que os meninos (P < 0,001). A alimentação desordenada tornou-se mais elevada com o aumento da idade e aumento do índice de massa corporal.

Os números encontrados são realmente perturbadores. Mundialmente, eles indicam que cerca de um em cada cinco meninos e uma em cada três meninas sofrem de alimentação desordenada.

Transtorno alimentar e o ácido úrico

Como grande parte dos pacientes com transtorno alimentar sentem vergonha, não acham que têm um problema sério ou não querem interferência, eles relatam outros problemas durante a anamnese, possivelmente desejando que o médico identifique o problema real.

Historicamente, o ácido úrico (frutose-purina) servia para emitir sinal de armazenamento nutricional durante o período de escassez de alimento. Entre as hipóteses, tem-se que nos pacientes com distúrbio alimentar, uma sinalização exacerbada ou alterada pode estar influenciando o comportamento alimentar. Se direta ou indiretamente, co-causa ou efeito, estudos recentes vêm encontrando níveis de ácido úrico mais elevados em pacientes que apresentam certos distúrbios alimentares.

Em um novo trabalho editado por Patel e Preedy (2023), no capítulo sobre o ácido úrico, Dubner et al. pontuaram que a modulação dos níveis de ácido úrico para alguns pacientes poderia ajudar a melhorar o estado. Se solidamente evidenciado, esse racional poderia ser expandido para a desordem bipolar, associada por alguns estudos a níveis mais altos de ácido úrico.

Em 2015, Lu et al. descobriram que o ácido úrico periférico aumenta a expressão de citocinas pró-inflamatórias, ativa a via NF-kB e aumenta a gliose no hipotálamo, produzindo mais resposta inflamatória e alterando a resposta da leptina, um hormônio peptídico que participa de vários processos fisiológicos, incluindo a regulação do apetite.

Uma das limitações atuais para interpretar o conjunto crescente dos achados é que muitas vezes os projetos de execução dos estudos não especificam ou não diferenciam os tipos de transtorno da população estudada, generalizando todos sob o termo “transtorno alimentar” ou intercambiando termos como se representassem uma mesma coisa.

No entanto, entre outros, observa-se uma constante associação entre o ácido úrico elevado e a compulsão alimentar (binge eating), com ou sem obesidade, como também no caso da anorexia nervosa através do excesso de exercícios em conjunto com a privação-compulsão-purgação alimentares.

Em pacientes com obesidade, Sucurro et al. (2015) avaliaram o perfil metabólico e inflamatório na presença ou não da compulsão alimentar. Entre os achados, a presença da compulsão alimentar nos pacientes com obesidade foi indicada por um pior perfil metabólico e inflamatório, apresentando níveis significativamente mais baixos de HDL (P < 0,05) e níveis mais elevados de HbA1c (P < 0,01), ácido úrico (P < 0,05), taxa de hemossedimentação (P < 0,001), PCR (P < 0,01), contagem de leucócitos (P < 0,01) e maior resistência à insulina (P < 0,01).

Tecnicamente, a obesidade não é considerada um transtorno alimentar, pois não está na seção de Transtornos Alimentares do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Entretanto, empiricamente, pode-se pensar que, entre os pacientes com obesidade, muitos deles podem estar lutando contra um distúrbio alimentar, bem como tratamentos clínicos de obesidade podem estar sendo boicotados por um transtorno alimentar não diagnosticado.

Lembrando que, atualmente, o ácido úrico está no foco de discussões médicas internacionais de variadas áreas, como a síndrome metabólica, a hipertensão e a obesidade, com a observação de que os níveis séricos laboratoriais tradicionalmente considerados como “normais” (na época, para a gota e cálculo renal) podem estar desatualizados, afetando algumas áreas da prática clínica e a saúde geral dos pacientes de maneira subclínica .

Fontes:

Butler M, et al. The Role of the Gut Microbiome, Immunity, and Neuroinflammation in the Pathophysiology of Eating Disorders

Kleiman S, et al. The Intestinal Microbiota in Acute Anorexia Nervosa and During Renourishment: Relationship to Depression, Anxiety, and Eating Disorder Psychopathology

Fan Y, et al. The gut microbiota contributes to the pathogenesis of anorexia nervosa in humans and mice

Tagay S, et al. Eating Disorders, Trauma, PTSD and Psychosocial Resources

McElroy S, et al. Comorbidity of eating disorders with bipolar disorder and treatment implications

Mangweth B, et al. Family study of the aggregation of eating disorders and mood disorders

Altman S, et al. What is the association between obsessive-compulsive disorder and eating disorders?

KFF Health News – Tahir D and Norman H. Social Media Is Fueling Enthusiasm for New Weight Loss Drugs. Are Regulators Watching?

Sheridan M, et al. Early deprivation alters structural brain development from middle childhood to adolescence

Ganson K, et al. Intermittent fasting: Describing engagement and associations with eating disorder behaviors and psychopathology among Canadian adolescents and young adults

Ma W, et al. Global Proportion of Disordered Eating in Children and Adolescents: A Systematic Review and Meta-analysis

Goltser T, et al. Uric Acid Levels and Eating Disorders

Lu W, et al. Uric Acid Produces an Inflammatory Response through Activation of NF-κB in the Hypothalamus: Implications for the Pathogenesis of Metabolic Disorders

Watters A, et al. Uric acid levels in adult patients with severe eating disorders

Giesser R, et al. Elevated salivary uric acid levels among adolescents with eating disorders

Simeunovic M, et al. Anorexia nervosa and uric acid beyond gout: An idea worth researching

Gupta M, et al. Elevated serum uric acid in eating disorders: A possible index of strenuous physical activity and starvation

Succurro E, et al. Obese Patients With a Binge Eating Disorder Have an Unfavorable Metabolic and Inflammatory Profile

Magnésio na prevenção da saúde óssea

Uma grande parte dos déficits leves a moderados de magnésio é subestimada e não reconhecida. Muitas vezes, isso ocorre porque, como um íon principalmente intracelular, o magnésio se encontra fundamentalmente presente em cerca de 67% no tecido ósseo. Em contraste, apenas 1% dele está presente no sangue. Assim, o exame de magnésio sérico pode não refletir o seu estado global no corpo, desde que sua redução no sangue ocorre somente quando os depósitos teciduais se esgotam.

Com o objetivo de examinar o impacto do magnésio sérico no risco de fratura incidente, Dominguez et al. (2023) realizaram uma revisão sitemática e meta-análise (n=119.755; idade média, 62 anos; 33% mulheres) de estudos observacionais com análises ajustadas para uma média de 15 possíveis fatores de confusão.

Publicada em Nutrients, a análise encontrou que concentrações séricas mais baixas de magnésio foram associadas a um risco significativamente maior de fraturas incidentes (RR = 1,579; IC 95%: 1,216–2,051; p = 0,001; I2 = 46,9%), adicionando à já conhecida evidência clínica de sua associação com a densidade óssea.

Considerando que dois dos estudos incluídos na análise foram realizados em pacientes em diálise, vale ressaltar que ultimamente mais atenção tem sido dada ao importante papel desempenhado pelo rim na homeostase do magnésio, bem como do magnésio nas comorbidades associadas à doença renal crônica.

Fonte:

Dominguez L, et al. Association between Serum Magnesium and Fractures: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies.

 

Magnésio e vitamina B6 nos sintomas da síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas (SPI) é um dos distúrbios do sono mais prevalentes, girando em torno de 7 a 10% entre a população em geral e de 20 a 30% entre pessoas com diabetes. Como implicações da síndrome, observa-se sonolência ou cansaço diurnos, declínio na qualidade de vida, tristeza e transtornos de ansiedade, além de ser um fator de risco para doenças cardiovasculares.

Dentre os nutrientes associados a melhorias dos sintomas, o ferro é o mais conhecido. Não tão conhecido é o fato de que pacientes com a SPI muitas vezes podem estar com baixos níveis de magnésio e algumas vitaminas do complexo B, como a B12, folato e a B6, e cujas suplementações já mostraram reduzir os sintomas.

Publicado no BMC Complementary Medicine and Therapies, um estudo randomizado e controlado dividiu 75 pacientes (idade média, 40,06 ± 8,6 anos) em três grupos que receberam diariamente ou vitamina B6 (40mg) ou óxido de magnésio (250 mg) ou placebo, juntamente com o medicamento pramipexol.

Um mês depois, a gravidade da doença e a qualidade do sono melhoraram nos três grupos, no entanto, no segundo mês, os grupos B6 e magnésio superaram o grupo de controle (P 0,05). Ao comparar ambos nutrientes em separado, a qualidade média do índice do sono de Pittsburgh e os escores do questionário da SPI no grupo de intervenção com óxido de magnésio foram significativamente mais baixos (P 0,05), o que mostrou uma certa superioridade do magnésio.  Se a integração de magnésio + B6 junto ao medicamento padrão poderia ajudar de maneira aditiva, isso ainda não foi investigado.

Fonte:

Jadidi A, et al. Therapeutic effects of magnesium and vitamin B6 in alleviating the symptoms of restless legs syndrome: a randomized controlled clinical trial

Astaxantina e exercício para a flexibilidade metabólica

A inflexibilidade metabólica é comumente observada em indivíduos que sofrem de disfunção cardiometabólica, como resistência à insulina ou diabetes mellitus tipo 2. Neles, geralmente ocorre uma dependência predominante da oxidação de carboidratos e uma capacidade diminuída de oxidar gorduras para a obtenção de energia.

Uma vez que a oxidação de nutrientes depende em grande parte da saúde e função mitocondrial, a flexibilização para a oxidação de gorduras e uma redução subsequente do lactato pode demonstrar, de maneira indireta, mitocôndrias mais robustas e mais saúde geral.

Investigando achados positivos anteriores obtidos via animais, Wika et al. (2023) suplementaram dezenove indivíduos, que completaram testes de exercício, com 12 mg de astaxantina ou placebo por 4 semanas, para examinar as mudanças nos níveis de glicose e lactato, taxas de oxidação de gordura e carboidrato (CHO), frequência cardíaca e avaliação do esforço percebido (RPE).

Publicado no International Journal of Exercise Science, o estudo não encontrou alterações nas taxas de oxidação de gordura, lactato e glicose sanguíneos, ou RPE (todos p > 0,05). No entanto, foi encontrada uma diminuição significativa na oxidação de CHO apenas no grupo astaxantina. Além disso, o grupo astaxantina demonstrou uma diminuição de 7% na frequência cardíaca durante o teste de exercício graduado.

Esses achados sugerem que 4 semanas de suplementação de astaxantina podem oferecer alguns benefícios cardiometabólicos para indivíduos com sobrepeso, em especial, favorecendo aqueles iniciantes de um programa de exercícios.

Fonte:

Wika A, et al. Astaxanthin Reduces Heart Rate and Carbohydrate Oxidation Rates During Exercise in Overweight Individuals.

 

Vitamina E na insônia crônica pós-menopáusica

Os principais resultados de um estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado e controlado, publicado em Nutrients, indicam que a suplementação de vitamina E por um mês pode melhorar a qualidade do sono e reduzir o uso de drogas sedativas em mulheres na pós-menopausa com transtorno de insônia crônica.

O estudo recrutou 160 mulheres na pós-menopausa com transtorno de insônia crônica, divididas aleatoriamente em dois grupos. O grupo vitamina E recebeu 400 UI de um mix de tocoferóis (20% delta-tocoferol, 1% beta-tocoferol, 62% gama-tocoferol e 10% alfa-tocoferol) uma vez ao dia. Em contraste, aquelas no grupo placebo receberam cápsulas idênticas de placebo uma vez ao dia.

Ambos os grupos apresentavam características basais semelhantes, com exceção da pontuação mediana do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), que se apresentou ligeiramente maior (indicando qualidade de sono inferior) no grupo estabelecido para receber a vitamina E em comparação com o placebo (p=0,019).

Após um mês de suplementação, a pontuação do PSQI se tornou significativamente menor (indicando melhor qualidade do sono) no grupo da vitamina E em comparação com o placebo (p=0,012). O escore de melhora também foi significativamente maior no grupo da vitamina E em comparação com o placebo (p < 0,001). Além disso, houve redução significativa no percentual de pacientes em uso de sedativos no grupo vitamina E (15%; p=0,009), enquanto essa redução não foi estatisticamente significativa no grupo placebo (7,5%; p=0,077).

Fonte:

Thongchumnum W, et al. Effect of Vitamin E Supplementation on Chronic Insomnia Disorder in Postmenopausal Women: A Prospective, Double-Blinded Randomized Controlled Trial

Eritritol em foco

Neste texto, pontuamos possíveis correções e agregarmos achados anteriores e atuais pertinentes, que não foram discutidos pela equipe da Clínica de Cleveland, EUA, com o objetivo de contribuir para sua contextualização.

Pontuações sobre o novo estudo

A – Witkowski et al. correlacionaram o nível elevado de eritritol plasmático com o risco de eventos cardiovasculares adversos importantes (MACE) ao conduzir análises metabolômicas em amostras de plasma em jejum de 1.157 participantes ao longo do período máximo de seguimento de 3 anos. Nesta “coorte de descoberta”, a taxa de risco (HR) foi de 3,22 (95% CI: 1,91–5,41, P<0,0001).1. Vale ressaltar que os autores incluíram apenas indivíduos com risco de MACE e não obtiveram dados sobre a dieta, atividade física e outros fatores relacionados.

B – Os pesquisadores então validaram esse resultado em duas outras coortes independentes dos Estados Unidos (n=2.149) e da Europa (n=833), conduzindo ensaios metabolômicos específicos de eritritol em amostras de plasma em jejum e analisando associações com MACE em 3 anos de acompanhamento. Mais uma vez, os resultados mostraram uma correlação entre os níveis de eritritol circulante mais elevados e a incidência de MACE.

Os participantes já eram portadores ou tinham histórico de DAC, e os autores não controlaram a dieta. Durante os anos da coleta sanguínea da coorte americana, 2001 a 2007, o eritritol não estava disponível de maneira significante comercialmente. A Food and Drug Administration  (FDA) reconheceu o eritritol como geralmente seguro (GRAS), liberando-o para ser usado em alimentos em setembro de 2001.

Comercialmente, sabe-se que depois da permissão oficial de uso de um ingrediente, levam-se anos para que ele realmente atinja popularidade. Portanto, o resultado deste estudo indica que os níveis plasmáticos de eritritol estavam associados à produção endógena.

C – Para avaliar a possibilidade de que o eritritol pudesse contribuir para o risco de MACE ao aumentar a coagulação sanguínea, Witkowski et al. então aplicaram várias concentrações de eritritol ou solução de controle ao plasma rico em plaquetas (PRP) de adultos saudáveis (n=55) e observaram uma relação dose-dependente entre a intervenção com eritritol e a agregação plaquetária. Além disso, ao injetar camundongos com eritritol (25 mg/kg), ocorreu uma aceleração na taxa de formação de coágulos em relação ao controle.

As concentrações séricas de eritritol nesse experimento animal foram mais do que o dobro das concentrações mais altas observadas nas coortes de descoberta (EUA e Europa). Da mesma forma, os efeitos na agregação plaquetária no PRP foram significativos apenas em níveis de eritritol próximos e acima do limite superior das concentrações observadas nas coortes humanas.

Portanto, esses resultados justificam uma correlação entre o nível de eritritol circulante e o risco de MACE, embora apenas em níveis fisiológicos de eritritol especialmente altos, já que tanto as coortes humanas quanto os experimentos mecanísticos falharam em mostrar um efeito na maioria das faixas fisiológicas.

D – No experimento seguinte (COSETTE), oito participantes tomaram uma bebida adoçada com 30 g de eritritol. Como resultado, os níveis circulantes aumentaram em até 1.000 vezes os valores basais em 30 minutos – bem acima dos intervalos em que os efeitos de coagulação estavam presentes – e não retornaram a níveis mais normais em até quase dois dias.

Revendo as informações sobre o eritrol

O eritritol é um poliol

Os polióis (ou álcoois de açúcar) são um grupo de carboidratos de baixa digestão, derivados da hidrogenação de sua fonte de açúcar através do processo de fermentação. Naturalmente presente em pequenas quantidades nos alimentos (vegetais e frutas), e utilizado no Japão desde 1999, o eritritol (zero caloria) ajuda a minimizar o uso de adoçantes artificiais, de açúcares e de frutose, especialmente para pacientes com diabetes ou pré-diabetes. Vale ressaltar que Witkowski et al. referem-se incorretamente ao eritritol como um adoçante artificial, citando estudos sobre, por exemplo, o acessulfame e a sucralose.

As análises de segurança do eritritol foram conduzidas por várias entidades reguladoras baseadas em múltiplos estudos animais e humanos. Em geral, a ingestão excessiva de polióis está associada a efeitos gastrointestinais indesejáveis, incluindo náuseas, distensão abdominal e diarreia. Esses efeitos adversos são atribuídos ao fato de os polióis serem pouco absorvidos, induzindo assim um efeito osmótico e retenção de água no intestino. Além disso, os polióis não absorvidos podem sofrer fermentação pela microbiota intestinal, resultando na formação de gases.

No entanto, a maior parte de uma carga de eritritol é absorvida com uma quantidade relativamente mínima atingindo o cólon, sendo assim um poliol com baixo índice de efeitos colaterais intestinais. Os limites superiores de tolerância para o eritritol podem ser maiores do que para outros polióis (0,66 gm/kg/dia em homens e 0,80 gm/kg/dia em mulheres). Como qualquer ingrediente alimentar, recomenda-se consumir com moderação.

Voltando ao estudo de Witkowski et al. Eles escreveram que “a ingestão diária de eritritol na população total dos EUA foi estimada em até 30 g por dia em alguns participantes com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de 2013–2014 e nos registros do FDA”. A fonte de sua citação diz que a média estimada por usuário de todos os usos pretendidos de eritritol (portanto, incluindo medicamentos, alimentos e saúde bucal) foi calculada em 13 g/dia.

Em 2017, Hootman et al. demonstraram que o eritritol é sintetizado endogenamente a partir da glicose através da via das pentoses-fosfato (PPP) em experimentos de incubação de sangue ex vivo assistidos por isótopos estáveis e através da conversão in vivo de eritritol em eritronato em experimentos de sangue seco assistidos por isótopos estáveis. Esse metabolismo de glicose para eritritol anteriormente não reconhecido foi publicado no PNAS, trazendo a PPP como contribuinte para o risco de ganho de peso.

Em 2022, Ortiz et al. publicaram em Frontiers in Nutrition que o eritritol intracelular foi diretamente associado à concentração de glicose no meio. Tanto o estresse oxidativo induzido quimicamente quanto a ativação constitutiva do fator de transcrição da resposta antioxidante NRF2 elevaram o eritritol intracelular através da PPP e suas enzimas não oxidativas.10 O fluxo através da PPP – um ramo do metabolismo da glicose – é um mecanismo de defesa-chave para combater o excesso de estresse oxidativo.

O grupo que recebeu um multivitamínico, contendo as vitaminas B1, B3, B6, B9 e B12 em doses baixas, mas não betaína, obteve redução média de 15,5% (-21,2 a -9,4); desse modo, um resultado inferior, mas também significativo (p < 0,001), em comparação com o controle. Portanto, o estudo de Lu et al. (2023) parece mostrar que a betaína, quando usada junto a vitaminas do complexo B, recebe influência aditiva ou agregadora, possivelmente, obtendo resultados positivos sobre os níveis de Hcy em dose (mais) baixa.

Portanto, uma fragilidade para uma correlação entre o eritritol dietético e MACE é a falta de dados sobre a dieta dos participantes: se rica em carboidratos, quantos participantes consumiam eritritol na época, e a frequência/quantidade do seu consumo antes da análise sanguínea. 

O eritritol sérico pode ser um marcador precoce cardiometabólico

O conjunto da pesquisa recente vem assinalando que o eritritol sérico é um potencial biomarcador preditivo do início de doenças crônicas e complicações associadas. Em uma grande coorte prospectiva, o eritritol sérico basal se mostrou elevado em indivíduos que desenvolveram doença cardiovascular ou diabetes tipo 2 até 20 anos depois.

Outro estudo recente comparou pacientes com fatores de risco cardiovascular que desenvolveram e não desenvolveram DAC. O eritritol sérico se apresentou significativamente elevado naqueles que desenvolveram a DAC. Além disso, o eritritol também demonstrou prever o risco de complicações diabéticas, incluindo retinopatia, nefropatia e rigidez arterial.

Estudos recentes sobre a segurança de uso

Teysseire et al. (2023) investigaram os efeitos metabólicos da administração intragástrica aguda de 25g de D-alulose e 50g de eritritol nas concentrações de glicose, insulina, grelina, bem como os aspectos de segurança de ambos os adoçantes. O estudo usou um design cruzado, duplo-cego, controlado por placebo (n=18; 19-35 anos). Em comparação com o controle (água), os resultados mostram que: (i) as concentrações de glicose e insulina não aumentaram em resposta aos adoçantes; (ii) as concentrações de grelina diminuíram em resposta ao eritritol, mas não à D-alulose; (iii) ambos não afetaram os lipídios sanguíneos, ácido úrico e hsCRP.

Wölnerhanssen et al (2021) avaliaram o efeito dose-dependente na estimulação da liberação de hormônios intestinais, além da velocidade de esvaziamento gástrico, secreção de glucagon, motilina e polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP), e possíveis efeitos colaterais. Foi um estudo randomizado, duplo-cego, cruzado e controlado por placebo (n=12). Os participantes receberam uma das seguintes soluções de teste diretamente no estômago durante 2 min: 10, 25 ou 50 g de eritritol + 50 mg de acetato de sódio dissolvido em 300 mL de água ou placebo.

Todas as doses de eritritol estimularam a liberação de hormônios gastrointestinais (CCK, aGLP-1 e PYY) e retardaram o esvaziamento gástrico, de maneira dose-dependente. Não houveram efeitos na liberação de glicose no sangue, insulina, glucagon, motilina ou GIP, lipídios ou ácido úrico, nem efeitos adversos intestinais.

Concluindo

Fatores confundidores são normais em estudos nutricionais e, portanto, requerem métodos de controle para diminuir o impacto das “variáveis de confusão”. Sem controle ou ao menos o uso de questionário dietético, o time da Clínica de Cleveland encontrou o que estudos anteriores já vinham sugerindo: níveis séricos de eritritol possuem o potencial de se tornarem um marcador de saúde ou doença precoce.

Por que esse resultado gerou tanto alarde, chegando a catapultar o eritritol exógeno como um vilão? A resposta começa pela escolha enviesada do título do estudo. Depois, o manuscrito apresenta viés confundidor para leitores não versados na área da pesquisa científica.

Na conclusão do seu estudo, por exemplo, Witkowski et al. citam o artigo de pesquisa metabolômica de Wang et al. (2019), onde encontraram 19 analitos diferentes – um dos quais, o eritritol – que ajudaram coletivamente a previsão de risco de DAC. No entanto, a amostragem dos participantes do estudo de coorte prospectivo (ARIC; n=15.792; 45-64 anos), que Wang et al. se basearam, foi originalmente obtida entre 1987 e 1989 – mais de uma década antes da liberação comercial do ingrediente eritritol pela FDA.

Por fim, é clara a necessidade de uma revisão do estudo por pares qualificados. O estudo de Witkowski et al. não apresenta evidência que justifique um paciente parar de usar o eritritol de maneira moderada. Possíveis dúvidas surgidas precisam de novos estudos clínicos controlados para o contínuo aprendizado sobre o tema.

Fontes:

Witkowski M, et al. The artificial sweetener erythritol and cardiovascular event risk

USDA: Sugar and Sweeteners Yearbook Tables

Munro I, et al. Erythritol: an interpretive summary of biochemical, metabolic, toxicological and clinical data

Bordier V, et al. Absorption and Metabolism of the Natural Sweeteners Erythritol and Xylitol in Humans: A Dose-Ranging Study

Fint N, et al. Effects of erythritol on endothelial function in patients with type 2 diabetes mellitus: a pilot study

Ishikawa M, et al. Effects of Oral Administration of Erythritol on Patients with Diabetes

Mela D, et al. Erythritol: An In-Depth Discussion of Its Potential to Be a Beneficial Dietary Component

GAS: Notice 789 for Erythritol

Hootman K, et al. Erythritol is a pentose-phosphate pathway metabolite and associated with adiposity gain in young adults

Ortiz S, et al. Erythritol synthesis is elevated in response to oxidative stress and regulated by the non-oxidative pentose phosphate pathway in A549 cells

Stincone A, et al. The return of metabolism: biochemistry and physiology of the pentose phosphate pathway

Wang Z, et al. Metabolomic Pattern Predicts Incident Coronary Heart Disease

Rebholz C, et al. Serum metabolomic profile of incident diabetes

Shao M, et al. Serum and urine metabolomics reveal potential biomarkers of T2DM patients with nephropathy

Zhou L, et al. Plasma Metabonomic Profiling of Diabetic Retinopathy

Katakami N, et al. Plasma metabolites associated with arterial stiffness in patients with type 2 diabetes

Teysseire F, et al. Metabolic Effects and Safety Aspects of Acute D-allulose and Erythritol Administration in Healthy Subjects

Wölnerhanssen B, et al. Gastric emptying of solutions containing the natural sweetener erythritol and effects on gut hormone secretion in humans: A pilot dose-ranging study

Whey protein antes das refeições

Mitigar as excursões hiperglicêmicas pós-prandiais pode ser eficaz não apenas para melhorar o controle glicêmico de pessoas com diabetes tipo 2, mas também para reduzir o aparecimento de complicações relacionadas ao próprio diabetes. No longo prazo, essa mitigação também tem sido considerada por indivíduos saudáveis, adeptos de ações para uma longevidade qualitativa, desde que os níveis glicêmicos podem servir como um biomarcador de saúde.

Um pequeno estudo cruzado simples-cego, randomizado e controlado por placebo, publicado no The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, confirma achados anteriores importantes nesta área: o consumo de whey protein (WP) pré-refeição reduz a glicemia pós-prandial (GPP), retardando o esvaziamento gástrico e aumentando as concentrações plasmáticas de insulina.

No entanto, Smith et al. adicionaram o conhecimento que o WP reduz a GPP ao coordenar um aumento na função das células β com uma redução na depuração da insulina. Isso significa que um perfil insulinêmico pós-prandial eficiente foi alcançado sem a necessidade de estimulação adicional das células β.

Dezoito adultos com diabetes tipo 2 (HbA1c, 56,7 ± 8,8 mmol/mol) consumiram WP (15g de proteína) ou placebo (0g de proteína) 10 minutos antes do café da manhã com macronutrientes mistos. Dentre os achados positivos, a função das células β resultou 40% maior após o WP (p=0,001) e foi acompanhada por uma redução de -22% na depuração da insulina pós-prandial, em comparação com o placebo (p<0,0001).

Fonte:

Smith K, et al. Pre-Meal Whey Protein Alters Postprandial Insulinemia by Enhancing β-Cell Function and Reducing Insulin Clearance in T2D | The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism | Oxford Academic.

 

Canela e cognição: revisão da literatura

Uma revisão sistemática de quarenta estudos pré-clínicos e clínicos, publicada no Nutritional Neuroscience, reporta que o uso da canela ou de seus componentes – eugenol, ácido cinâmico e cinamaldeído – podem melhorar a memória e o aprendizado, diminuindo a placa amiloide no hipocampo e a fosforilação da proteína tau.

Nakhaee et al. (2023) relatam que esse efeito é realizado por diferentes mecanismos e vias, incluindo as atividades antioxidante, anti-inflamatória e anticolinesterásica, bem como através do efeito neurotrófico, da manutenção neural e da melhora da sinalização da insulina – características presentes em tratamentos de doenças relacionadas com a idade.

Os pesquisadores fazem a hipótese de que a ineficácia encontrada por alguns estudos pode ser devida à curta duração de seu experimento, à via administrada, à menor dosagem ou subcategoria da canela/suas substâncias utilizadas. Uma canela em pó ou extrato proveniente do Cinnamon cassia (canela chinesa / Cinnamomum aromaticum) não é equiparável à superioridade antioxidante e de compostos bioativos encontrados no extrato padronizado da canela “verdadeira” (Cinnamomum verum / Cinnamomum zeylanicum), por exemplo. Adicionalmente, entre os ativos contendo o composto eugenol, a maioria dos resultados foi relatada como positiva.

Curiosamente, Yan et al. (2022) reportaram no Molecules que, dentre 5.022 extratos de plantas pesquisados, o Cinnamomum verum se mostrou como um dos mais ricos em mononucleotídeo de nicotinamida (NMN), um importante intermediário e precursor do NAD+, que participa do processo metabólico, mas cujo conteúdo nos tecidos e células diminui com o avanço da idade.

Fonte:

Nakhaee S, et al. Cinnamon and cognitive function: a systematic review of preclinical and clinical studies

Yan J, et al. Cinnamomum verum J. Presl Bark Contains High Contents of Nicotinamide Mononucleotide – PMC

Complexo B na regulação da homocisteína

Dois estudos recém-publicados lembram a importância do complexo B na redução de níveis elevados de homocisteína, associados a muitas condições, como aterosclerose, doenças cardiovasculares, eventos cerebrais adversos, câncer, vitiligo e diabetes, além do aumento do risco de mortalidade por todas as causas. Muitos fatores, como deficiência enzimática congênita, avanço da idade, sexo e dieta com níveis inadequados do complexo B, aumentam o nível de homocisteína no sangue.

O estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado, publicado por Lu et al. (2023) no European Journal of Nutrition, investigou se a suplementação com baixas doses das vitaminas B6, B9 e B12 + betaína conseguiria reduzir as concentrações de homocisteína entre adultos chineses (18-65 anos) com hiper-homocisteinemia.

Após 12 semanas, o grupo suplementado apresentou uma redução significativa nas concentrações plasmáticas de homocisteína (P < 0,001 ajustado por covariável), em comparação com o grupo placebo.

Já o estudo prospectivo de Zhu et al. (2023), publicado no JAMA, se baseou em evidências emergentes que sugerem que o baixo status dessas vitaminas B pode levar à adiposidade, dislipidemia, disfunção endotelial vascular, intolerância à glicose e resistência à insulina – condições essas implicadas na síndrome metabólica.

A análise que acessou os níveis de homocisteína dos participantes (n=4.414) descobriu que a ingestão e as concentrações séricas das vitaminas B6, B9 (folato) e B12 se mostraram inversamente associadas à incidência da síndrome metabólica entre adultos jovens nos EUA.

Importante observarmos que mesmo que as investigações epidemiológicas e de ensaios controlados em humanos e os comentários científicos resultantes geralmente concentraram-se no subconjunto B6/B9/B12, esses membros do complexo B não são exclusivos no metabolismo da homocisteína.

As oito vitaminas do complexo B possuem funções estreitamente inter-relacionadas, e as evidências sugerem que níveis adequados de todos os membros são essenciais para o funcionamento fisiológico ideal.

Fontes:

Lu X, et al. Effects of low-dose B vitamins plus betaine supplementation on lowering homocysteine concentrations among Chinese adults with hyperhomocysteinemia: a randomized, double-blind, controlled preliminary clinical trial.

Zhu J, et al. Folate, Vitamin B6, and Vitamin B12 Status in Association With Metabolic Syndrome Incidence

 

Investigando a creatina para a saúde vascular

A partir de um estudo piloto de 2020, onde Clarcke et al. encontraram potencialidade fisiológica da creatina monohidratada (CM) para a saúde vascular, agora temos um estudo follow up sobre esse racional, realizado pelo mesmo time de pesquisadores e publicado no International Journal of Exercise Science.

Embora as propriedades metabólicas da creatina sejam bem conhecidas, pesquisas recentes expuseram uma aplicação muito mais ampla desse aminoácido – que também pode atuar de maneira antioxidante e anti-inflamatória. Assim, o conjunto de aplicações cada vez mais sinaliza a creatina no alívio ou na desaceleração das deteriorações da saúde relacionadas com o avanço da idade, como a perda de energia, do tamanho muscular, da força e consequente performance das atividades diárias.

No estudo atual, com foco vascular, doze adultos mais velhos (média: 58 ± 3 anos) consumiram CM ou um placebo por 4 semanas em um projeto randomizado, duplo-cego e cruzado. Tanto pré quanto pós-suplementação, os participantes foram submetidos a medições de ultrassom Doppler de dilatação fluxo-mediada (FMD) para determinar a significância do nutracêutico sobre a função endotelial macrovascular.

Após a suplementação com CM houve melhorias significativas na FMD% (p < 0,005), mudança absoluta no diâmetro (p < 0,05) e FMD% normalizada (p < 0,05), em comparação com suplementação de placebo.

Fonte:

Clarke H, et al. Impact of creatine monohydrate supplementation on macrovascular endothelial function in older adults

Cafeína de liberação lenta versus rápida

Um pequeno estudo cross-over aberto, randomizado e controlado, avaliou a biodisponibilidade relativa de cápsulas de cafeína slow release (liberação lenta) contra a cafeína de liberação rápida, comumente encontrada, em adultos saudáveis em condições de jejum. Nele, os pesquisadores Thanawala et al. (2023) avaliaram os efeitos da cafeína slow release sobre as funções mentais, incluindo memória, motivação, concentração e atenção, usando o questionário Caff-VAS.

Em contraste com a cafeína de liberação rápida, o consumo da forma slow release resultou em pontuações significativamente aumentadas para estado de alerta e humor geral, e pontuações significativamente mais baixas para parâmetros de sensação de cansaço, nervosismo e tensão.

Como a cafeína é o estimulante cerebral mais amplamente consumido, presente em cafés, bebidas carbonatadas e suplementos, fazendo parte do suprimento de alimentos e dos sistemas de medicina por gerações, estudos como esse ajudam a solidificar resultados de estudos publicados anteriormente que mostraram desempenhos cognitivos, vigilância e humor aprimorados, incluindo indivíduos privados de sono com concentração plasmática de cafeína de apenas 12,50 mg/L.

Uma cafeína slow release, portanto, amplia a possibilidade de usos e estende o seu potencial aos pacientes que não se adaptam bem à cafeína comum, cuja liberação rápida pode provocar o fenômeno conhecido como “crash da cafeína”.

Fonte:

Thanawala S, et al. Comparative Bioavailability and Benefits on Mental Functions of Novel Extended-Release Caffeine Capsules against Immediate-Release Caffeine Capsules: An Open-Label, Randomized, Cross-over, Single-Dose Two-Way Crossover Study.

 

Pycnogenol®, microcirculação e melhora capilar

O tipo mais comum de queda de cabelo em mulheres é a calvície de padrão feminino, também conhecida como alopecia androgenética – uma queda e afinamento generalizado e difuso do cabelo no couro cabeludo central, que geralmente aumenta com a idade. Para muitos profissionais da área da saúde, incluindo nutricionistas, a queixa sobre essa fragilidade capilar pode ser frequente entre pacientes a partir dos 40 anos de idade.

Com evidências de que o extrato da casca do pinheiro marítimo Pinus pinaster (Pycnogenol®) tem a capacidade de ajudar a saúde endotelial e circulatória geral, incluindo a capilar, investigadores da Suíça, China e Alemanha realizaram um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, perguntando se a administração oral do extrato afetaria: (i) a densidade total do cabelo e (ii) a microcirculação do couro cabeludo. As 63 mulheres (chinesas, média 54 anos) que completaram o estudo de seis meses estavam na menopausa.

O grupo que recebeu a dose de 50mg do extrato de P. pinaster (3 x dia) apresentou um aumento significativo da densidade do cabelo em 30% e 23% após 2 e 6 meses de tratamento, respectivamente, conforme detectado pela avaliação Trichoscan® de fotografias digitais.

Curiosamente, a fotopletismografia revelou que esse efeito benéfico estava associado a uma diminuição do fluxo de repouso da pele do couro cabeludo, o que pode indicar uma melhora da microcirculação. Nenhum desses efeitos foi observado no grupo que tomou placebo. Além disso, uma diminuição transitória significativa da perda transepidérmica de água foi observada na pele do couro cabeludo sob tratamento com Pycnogenol®, mas não com placebo.

Fonte:

Cai C, et al. An oral French maritime pine bark extract improves hair density in menopausal women: A randomized, placebo‐ controlled, double blind intervention study

Nattokinase na doença cardiovascular: investigando a dose

A nattokinase (NK) é uma das muitas enzimas derivadas do produto alimentar nattō (soja cozida e fermentada pela bactéria Bacillus subtilis). Pesquisas recentes demonstraram que essa enzima sistêmica pode exercer atividade fibrinolítica potente, efeitos anti-hipertensivos, antiateroscleróticos e hipolipemiantes, antiplaquetários e neuroprotetores, entre outros.

De fato, já utilizada como um agente fibrinolítico com propriedades multifarmacológicas, a NK tem recebido muita atenção da comunidade científica e das indústrias farmacêuticas nos últimos anos. Além das suas ações biológicas, especialmente importantes para as doenças cardiovasculares, em comparação com substâncias comerciais, a NK não desencadeia aberração cromossômica e mutação genética. Além disso, possui uma ação de longo prazo, maior dose tolerável e estabilidade.

Vantagens à parte, historicamente, as informações sobre a dose ideal proposta de NK causam confusão e, assim, um limitado uso do seu potencial. Embora usada em todo o mundo, as doses variam muito entre os estudos clínicos, podendo variar até 10 vezes. Ou seja, entre os estudos, encontramos doses diárias desde tão baixas quanto 1.200 FU; 2.000 FU; 3.000 FU; 4.000 FU a doses maiores, 6.000 FU; 7.000 FU e 13.000 FU. [A medida FU (unidade fibrinolítica) indica a potência (ação) do ativo. Atualmente, o padrão para a produção de NK está na potência de 2.000 FU (em 100mg) por cápsula.]

Com isso, um importante estudo, publicado na revista Frontiers, foi realizado com o objetivo de estabelecer uma dose efetiva aproximada, ou seja, a potência necessária de NK como tratamento confiável na progressão da aterosclerose e hiperlipidemia.

Chen et al. (2022) analisaram retrospectivamente os dados de 1.062 participantes (65-85 anos) chineses que receberam NK para o tratamento de aterosclerose e hiperlipidemia, por via oral durante 12 meses, para examinar a segurança e eficácia, explorando múltiplos fatores que podem influenciar o efeito da enzima. A adesão foi monitorada semanalmente. Em um pequeno número de participantes, a vitamina K2 foi coadministrada na dose de 180 μg, e alguns participantes foram coadministrados com aspirina na dose de 100 mg/dia.

Os achados foram surpreendentes, mas sob uma potência diferenciada da nattokinase.

Após 12 meses de consumo diário de NK, a dose de 10.800 FU provocou uma redução significativa de TG, CT e LDL-C (P < 0,01) em relação aos valores antes do tratamento. Além disso, também aumentou o HDL-C (aumento de 15,8%, P < 0,01). Os níveis de CT, TG, LDL-C e HDL-C melhoraram em 95,4, 85,2, 84,3 e 89,1% dos participantes, respectivamente, após 12 meses de uso de NK.

Em conjunto com o estilo de vida, a NK mostrou atuar de maneira mais proeminentemente em pessoas com obesidade, pessoas que consumiam mais bebidas alcólicas, que fumavam e/ou que se movimentavam mais.

A dose de 10.800 FU/dia foi bem tolerada, e nenhum efeito adverso perceptível associado ao seu uso foi registrado, confirmando achados anteriores de segurança de uso.

Em conclusão, os pesquisadores demonstraram com seus achados que a progressão da aterosclerose e a hiperlipidemia podem ser efetivamente manejadas com nattokinase na dose de 10.800 FU/dia. No caso de um ativo padronizado em um mínimo de (potência) 20.000 FU por grama, isso equivale a cerca de 540 mg/dia. Já a potência de 3.600 FU/dia – ou seja, dose de 360 mg/dia sob a mesma especificação de padronização de 20.000 FU/g – se mostrou ineficaz.

Com isso, no manejo da doença cardiovascular, a potência geralmente recomendada de 4.000 FU/dia de nattokinase pode não estar atendendo as necessidades de grande parte dos pacientes sob risco. Adicionalmente, no caso de prescritores que utilizam a medida “miligramas” desse ativo em seus receituários, recomenda-se incluir a especificação da potência desejada, desde que ela pode flutuar de maneira significativa, conforme a qualidade ou padronização do ativo.

Fontes:

Chen H, et al. Effective management of atherosclerosis progress and hyperlipidemia with nattokinase: A clinical study with 1,062 participants

Maior consumo de ômega-3, menos mortalidade prematura

Iniciada há mais de 5 décadas, a pesquisa sobre os componentes do ômega-3 (especialmente, EPA e DHA) não para de crescer. Iniciamos o ano de 2023 com dois estudos recém-publicados que confirmam achados humanos anteriores: a suplementação de ômega-3 reduz o risco de mortalidade por todas as causas, incluindo a doença cardiovascular (DCV).

O estudo de An et al., publicado no Journal of the American College of Cardiology, teve como objetivo pesquisar as suplementações de micronutrientes que mais reduzem o risco cardiovascular. Vários micronutrientes mostraram evidência de moderada à alta qualidade. Especificamente, a suplementação com ômega-3 reduziu a mortalidade por DCV (risco relativo [RR]: 0,93; 95% CI: 0,88-0,97), infarto do miocárdio (RR: 0,85; 95% CI: 0,78-0,92) e eventos de doença cardíaca coronária (RR: 0,86; IC 95%: 0,80-0,93). Dentre outros, a suplementação com ácido fólico também mostrou diminuir o risco de AVC (RR: 0,84; IC 95%: 0,72-0,97), e a suplementação com CoQ10 diminuiu os eventos de mortalidade por todas as causas (RR: 0,68; IC 95%: 0,49-0,94).

Já o estudo prospectivo de Xie et al., publicado no Acta Diabetologica, teve foco específico sobre o ômega-3 na redução dos riscos de mortalidade por todas as causas e mortalidade por causa específica em pessoas com diabetes (n=4.854; idade média, 57,92 anos).

Em análises de regressão multivariada com ajuste de fatores de confusão, a conclusão foi que uma maior ingestão de ômega-3 foi significativa e linearmente relacionada à menor mortalidade por todas as causas – mais precisamente, 25% de redução.

Fonte:

An P, et al. Micronutrient Supplementation to Reduce Cardiovascular Risk.

Xie J, et al. Intakes of omega-3 fatty acids and risks of all-cause and cause-specific mortality in people with diabetes: a cohort study based on NHANES 1999–2014.

 

Pesquisa em andamento sobre alérgenos: a cessão de sintomas pode não significar sinal verde para todos

Raramente trazemos estudo realizado em camundongos ou estágio pré-clínico. Mas, considerando a mente investigativa do profissional de saúde, o achado do estudo de Brishti et al. levantou uma possível questão sobre o racional da dessensibilização alimentar (imunoterapia oral) e, de modo geral, uma certa reflexão sobre o termo “assintomático”.

A dessensibilização a alimentos é praticada para a indução da tolerância oral. Espera-se que a oferta de doses ínfimas e crescentes dos alimentos alérgenos – especialmente leite e ovo – em intervalos regulares ajude a condicionar o organismo a não reagir a determinadas porções dos alimentos que causam alergias.

No entanto, o estudo publicado no Frontiers observou que os camundongos, que já não apresentavam mais sintomas frente ao consumo de pequenas quantidades do alérgeno lactoblobulina (IgE reduzidos), continuavam a apresentar neuroinflamação e dificuldades associadas. Esse achado sugere que o efeito nocivo dos alérgenos pode persistir no cérebro de maneira silenciosa, o que poderia ser importante, e em especial para pacientes com fragilidades inflamatórias mentais.

Considerando que o estudo foi realizado em animais, investigações adicionais aprofundadas para diferentes tipos de pacientes alérgicos são necessárias antes que qualquer recomendação clínica possa ser proposta. Seguimos acompanhando o desenvolvimento desta área da pesquisa, assim, mantendo o leitor atualizado.

Fonte:

Brishti A, et al. Asymptomatic sensitization to a cow’s milk protein induces sustained neuroinflammation and behavioral changes with chronic allergen exposure.

Ubiquinol ou d-ribose nas terapias farmacológicas da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada

Contando com o manejo de sintomas, comorbidades e fatores de risco (com mudança de estilo de vida), pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) têm poucas terapias farmacológicas à sua disposição.

Obviamente, a ICFEP não é meramente causada por um fator fisiopatológico, mas sim uma perda multissistêmica complexa e altamente integrada da capacidade de reserva cardíaca e vascular afetando os ventrículos esquerdo e direito, função diastólica/sistólica, reserva atrial, frequência e ritmo cardíacos, controle autonômico, a vasculatura e a microcirculação. Portanto, os pacientes geralmente exibem um conglomerado de várias deficiências de reserva que se combinam para causar IC sintomática, e os contribuintes podem diferir de paciente para paciente.

Um contribuinte aparentemente central nos processos fisiopatológicos desta síndrome clínica, no entanto, é a disfunção mitocondrial. Existe um corpo crescente de literatura que sugere anormalidades estruturais e funcionais significativas da mitocôndria no músculo esquelético bem como um comprometimento energético significativo durante o esforço na ICFEP. Sem um suprimento adequado de trifosfato de adenosina (ATP), os cardiomiócitos podem não ser capazes de funcionar normalmente, iniciando ou contribuindo para os sintomas de IC.

Dois agentes bem conhecidos da área da saúde do coração servem de substrato produtor da molécula ATP: D-ribose e CoQ10 (sob a forma ativa ubiquinol).

A D-ribose é um monossacarídeo gerado natural e endogenamente, essencial para a produção de energia celular. Já a deficiência da coenzima Q10 afeta a fosforilação oxidativa e a produção mitocondrial de ATP e, consequentemente, prejudica o metabolismo energético muscular.

Recém-publicado no The American Journal of Cardiology, um importante estudo colocou em teste ambos os agentes, em separado ou combinados, sob 6 hipóteses, específicas a pacientes com ICFEP:

Hipótese 1: Ubiquinol (600 mg/dia), D-ribose (15 g/dia) ou sua combinação melhora o estado de saúde, medido pelo Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire (KCCQ).

Hipótese 2: Ubiquinol (600 mg/dia), D-ribose (15 g/dia) ou sua combinação aumenta o nível de vigor, medido pela subescala Vigor do Perfil dos Estados de Humor.

Hipótese 3: Ubiquinol (600 mg/dia), D-ribose (15 g/dia) ou sua combinação melhora a fração de ejeção e a relação E/e’ septal medida por imagem ecocardiográfica.

Hipótese 4: Ubiquinol (600 mg/dia), D-ribose (15 g/dia) ou sua combinação aumenta a distância que os pacientes podem caminhar em 6 minutos (T6CM).

Hipótese 5: Ubiquinol (600 mg/dia), D-ribose (15 g/dia) ou sua combinação reduz os níveis de peptídeo natriurético tipo B (BNP) no sangue venoso.

Hipótese 6: Ubiquinol (600 mg/dia), D-ribose (15 g/dia) ou sua combinação diminui a relação lactato/ATP nos pacientes.

Todos os 153 pacientes incluídos na investigação tinham 50 anos ou mais, com FE ventricular esquerda ≥ 50%. Durante 12 semanas, os pacientes foram randomizados para 1 dos 4 grupos: placebo; grupo ubiquinol; grupo D-ribose; grupo ubiquinol + D-ribose.

Comparados com o grupo placebo, tanto no grupo ubiquinol quanto no grupo D-ribose houve melhorias significativas na percepção dos pacientes sobre seu estado de saúde e nível de energia (vigor). Já a combinação D-ribose + ubiquinol não contribuiu significativamente para aumentos adicionais nos escores de vigor.

Fisiologicamente, tanto no grupo ubiquinol quanto no grupo D-ribose, houve aumentos significativos da FE desde o início até 12 semanas em 7,08% e 8,03%, respectivamente. O grupo combinado ubiquinol + D-ribose não ofereceu aumentos adicionais.

Ubiquinol, D-ribose e a combinação dos dois ativos diminuíram significativamente os níveis do peptídeo natriurético tipo B (BNP) no sangue (p = 0.0002, p = 0.0024, p = 0.0415, respectivamente).

Ubiquinol, D-ribose e a combinação aumentaram significativamente a produção de ATP. Além disso, em comparação com o placebo, as reduções da linha de base nos níveis de lactato foram significativas no grupo ubiquinol e no grupo ubiquinol + D-ribose. Os 3 grupos experimentais exibiram reduções significativamente maiores na relação lactato/ATP em comparação com o placebo.

Com variáveis de confusão, como problemas ortopédicos, deficiência de ferro, obesidade mórbida e medo de cair, os pesquisadores não encontraram mudanças significativas na relação E/e’ septal ou no TC6M com nenhum dos suplementos ou sua combinação.

Em conclusão, os pesquisadores encontraram que um tratamento de 12 semanas com ubiquinol (600 mg/dia) ou D-ribose (15 g/dia) reduziu os sintomas de IC, os níveis de BNP e lactato e aumentou a EF e a produção de ATP – uma adição em potencial aos tratamentos terapêuticos padrão de pacientes com ICFEP.

Fontes:

Kumar A, et al. Mitochondrial Dysfunction in Heart Failure With Preserved Ejection Fraction.

Pierce J, et al. Effects of Ubiquinol and/or D-ribose in Patients With Heart Failure With Preserved Ejection Fraction.

Segurança da creatina na saúde do fígado

A creatina é um composto nutricional que desempenha um papel significativo em várias vias do corpo humano, atuando como uma facilitadora intracelular do metabolismo de fosfato de alta energia, como agente neuroprotetora e como imunomoduladora. A creatina monohidratada é a que possui evidências substanciais de biodisponibilidade, eficácia e segurança, e a sua suplementação tem servido de base para estabelecer diretrizes profissionais e recomendações gerais.

Recém-publicado em Food Science & Nutrition, um estudo transversal de base populacional avaliou a associação entre a ingestão dietética de creatina e manifestações de doenças hepáticas, incluindo fibrose hepática e esteatose hepática, entre indivíduos com 12 anos ou mais, usando dados de código aberto da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES 2017–2018). Um estudo importante, desde que o fígado é considerado o órgão central no metabolismo da creatina, além de trazer uma ideia do consumo médio de creatina na dieta.

Os participantes (n = 5.957; idade, 44,7 ± 21,0 anos; 50,1% feminino) forneceram dados por meio de entrevistas dietéticas, dados de exame de elastografia transiente de ultrassom hepático e dados laboratoriais. Como o consumo de creatina através dos alimentos é pensado ser 1-2 gramas/dia, a análise foi feita sobre a baixa ingestão (<1,00 g/dia) versus a ingestão mais alta (≥2,00 g/dia).

A ingestão dietética média de creatina na população do estudo ficou em 0,88 ± 0,71 g/dia. Geralmente, quem ingeria ≥ 2 g por dia de creatina eram os homens, com maior teor calórico.

Não foram encontradas diferenças entre a ocorrência de fibrose hepática, cirrose e esteatose hepática entre os participantes que consumiam baixa ou alta creatina via dieta regular (p > 0,05). Além disso, os pesquisadores observaram que a ingestão mais alta de creatina (média, 2,68 g/dia) pode estar relacionada a níveis mais baixos de ALP e relação AST-ALT, talvez sugerindo efeitos hepatoprotetores.

Fonte:

Todorovic N, et al. Creatine consumption and liver disease manifestations in individuals aged 12 years and over.

 

Nutrientes no risco de fratura de quadril

Pesquisadores da Universidade de Leeds, Inglaterra, descobriram que aumentar a ingestão de proteínas ajuda as mulheres a reduzir o risco de fratura de quadril. Muitos alimentos e nutrientes estão associados ao IMC, que está positivamente associado ao risco de fraturas; entre eles, cálcio, vitaminas A, Bs, D e K. Menos conhecido é o papel da proteína na saúde óssea.

O “UK Women’s Cohort Study” é um estudo de coorte prospectivo que incluiu 26.318 mulheres de meia-idade (idades 35 a 69 anos na inscrição), recrutadas em todo o Reino Unido entre 1995 e 1998. Como análise de sensibilidade, foi aplicado modelo com e sem ajuste para peso corporal para determinar possíveis associações.

Após ajustes, os pesquisadores encontraram que um aumento de 25 gramas/dia em proteína foi associado, em média, a uma redução de 14% no risco de fratura de quadril. Essa redução foi mais pronunciada nas mulheres com baixo peso. Descobriram também que cada xícara adicional de chá ou café que as participantes tomavam estava associada a uma redução de 4% no risco.

A proteína tem sido positivamente associada diretamente à DMO ao estimular a produção do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1), que aumenta a formação de osteoblastos. Chá e café contêm polifenóis e fitoestrogênios, que podem aumentar a atividade osteoblástica e suprimir a atividade osteoclástica reduzindo o estresse oxidativo.

Fonte:

Webster J, et al. Foods, nutrients and hip fracture risk: A prospective study of middle-aged women.

Ampliação no potencial de uso da melatonina

Uma meta-análise recente, publicada em outubro de 2022, indicou eficácia do suplemento de melatonina na melhora da gravidade da síndrome do intestino irritável (SII). Esta é mais uma descoberta que reforça uma crescente revisão de conceito sobre esta molécula multifuncional.

A meta-análise de 4 ensaios clínicos randomizados (n=115; média, 39 anos) revelou que a melatonina exógena foi associada a uma melhora significativamente melhor na gravidade geral da SII do que o placebo (p < 0,001 ). Chen et al. (2022) também encontraram uma associação da melatonina com uma melhora significativamente melhor na gravidade da dor da SII (p < 0,001) e na qualidade de vida (p=0,007) do que o placebo, mas não na distensão abdominal (p=0,111) ou na qualidade do sono (p=0,142). A média de tempo do tratamento foi de 11.5 semanas, e a melatonina foi associada a perfis de segurança semelhantes ao placebo.

Compreendida anteriormente como um “hormônio” pineal noturno associado ao controle do ciclo sono-vigília, a pesquisa emergente sobre a melatonina continua a surpreender com a abrangência de funções exercidas por ela no organismo. Por exemplo, dando voz ao emergente conceito de protetora mitoncondrial, uma recém-publicada revisão literária, após análise comparativa das propriedades antioxidantes das vitaminas C, E, carotenoides e D versus melatonina, concluiu que a melatonina oferece um maior espectro sequestrante de ROS tóxico.

Mukhopadhyay et al. (2022) apontam a melatonina como uma opção aliada às vitaminas e que essa combinação pode trazer resultados mais assertivos no sentido de oferecer proteção contra o excesso de estresse oxidativo encontrado em várias condições, incluindo doenças degenerativas e covid-19.

Sobre esta última, foi publicada mais uma revisão sistemática e meta-análise sobre o uso da melatonina adicionada ao tratamento básico da Covid-19. Seis estudos foram incluídos (n=338) para as análises comparativas. Xin-Chen et al. (2022) encontraram uma taxa de melhora do grupo de intervenção com melatonina significativamente maior que a do grupo controle.

Fontes:

Chen K, et al. The efficacy of exogenous melatonin supplement in ameliorating irritable bowel syndrome severity: A meta-analysis of randomized controlled trials.

Mukhopadhyay M, et al. A comparative overviewon the role of melatonin and vitaminsas potential antioxidants against oxidative stressinduceddegenerative infirmities:An emerging concept.

Xin-Chen W, et al. The safety and efficacy of melatonin in the treatment of COVID-19: A systematic review and meta-analysis.

 

Ácido úrico: necessidade de monitoramento

Entramos em um novo período na história científica do ácido úrico. Anteriormente considerado um marcador para o diagnóstico de gota e cálculo renal, o ácido úrico vem despontando na pesquisa em várias áreas da saúde. Dentre os muitos estudos publicados semanalmente, trazemos um mini resumo de repetidos achados que trazem uma atualização da prática clínica, aqui, exemplificado mais diretamete para pacientes com sobrepeso, resistência à insulina e/ou hipertensão, questões essas que abrigam a disfunção mitocondrial.

Confirmando achados anteriores, Wang et al. (2022) acabam de publicar um estudo transversal com 18.473 participantes dos EUA que descobriu que níveis elevados de ácido úrico sérico se correlacionaram positivamente com um IMC mais alto em homens e mulheres de variadas raças (todos, P <.0001).

Contextualizando esta evidência, a pesquisa vem indicando que a gordura corporal extra pode estar associada tanto à produção elevada de ácido úrico quanto sua excreção insuficiente devido à resistência à insulina, resultando em metabolismo prejudicado do ácido úrico e até hiperuricemia.

Enquanto isso, o ácido úrico tem o potencial de causar o acúmulo de gordura ao aumentar a sua produção periférica e no fígado, formando assim um ciclo vicioso de hiperuricemia-obesidade e outras condições associadas como a hipertensão. Halengbiekea et al. (2022), ao analisar os dados de 5.276 indivíduos, encontraram uma relação causal entre o ácido úrico sérico e a pressão arterial anormal.

Nos protocolos de gota, um racional comum é a retirada da proteína da dieta para a redução do ácido úrico (catabolismo das purinas). No entanto, pesquisadores vêm mostrando que entre os elementos da dieta com real poder de elevar esse nível estão a frutose, a glicose (que contém frutose) e o excesso de sal. Quanto mais frutose e sódio, menos utilização de energia (menos biogênese e função mitocôndrial). O sódio induz a glicose em frutose (através da via poliol). É como se o organismo entrasse no modo de sobrevivência, como em épocas antigas de escassez intermitente de alimentos.

Curiosamente, a gota pode ser também considerada uma doença fúngica. Fungos prosperam em ambientes ricos em carboidratos/açúcares, bem como produzem ácido úrico. Antifúngicos reduzem o ácido úrico.

De acordo com dezenas de estudos recém-publicados, uma discussão pertinente atual é sobre a urgente necessidade de atualização dos valores laboratoriais de referência para o ácido úrico. Os valores laboratoriais lidos como “normais” foram estipulados com o racional de evitar o depósito de cristais de ácido úrico, observados na gota.

No entanto, efeitos adversos já podem estar ocorrendo bem antes desse acúmulo se manifestar. O monitoramento dos níveis de ácido úrico pode ajudar o profissional não somente como um marcador, mas também como um importante preditor da saúde.

Fontes:

Huashuai W, et al. Correlation of uric acid with body mass index based on NHANES 2013–2018 data: A cross-sectional study.

Halengbieke A, et al. Causal relationship between serum uric acid and abnormal blood pressure based on the panel model study A 5-year Cohort Study

Hernández-Ríos R, et al. Low fructose and low salt diets increase mitochondrial DNA in white blood cells of overweight subjects.

Consumo de proteína e densidade mineral óssea

Semelhante à sarcopenia, a osteoporose é considerada uma doença sistêmica e progressiva “silenciosa”, desde que a perda óssea, por si só, não causa sintomas de alerta. Os pacientes podem ser assintomáticos por anos, até começarem a apresentar dor nas costas, causada por uma vértebra fraturada ou colapsada, perda de altura ao longo do tempo, uma postura curvada e uma maior facilidade de quebrar um osso.

Adicionalmente, a pesquisa vem agora apontando que a perda da densidade mineral óssea (DMO) e a muscular podem estar associadas ao risco vascular.  Prevalente em populações mais velhas, a doença cardiovascular (incluindo calcificação e rigidez arterial) parece progredir de maneira mais acelerada em pacientes com osteoporose, fratura, sarcopenia e naqueles com comprometimento funcional.

Resumidamente, as células ósseas e musculares secretam vários fatores, como citocinas, miocinas e osteocinas, na circulação para influenciar as atividades biológicas e patológicas em órgãos e células locais e distantes.

Com a pesquisa atual indicando que a baixa DMO está associada com atrofia e hipofunção muscular, o aumento do consumo proteico está sendo pesquisado como mais um importante fator a ser considerado no protocolo preventivo, que geralmente é expresso através da suplementação de cálcio, vitaminas D e K e exercícios.

Publicado no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle em novembro de 2022, o estudo de Groenendijk et al. analisou os dados de 1.570 participantes de 4 ensaios publicados anteriormente sob as siglas NU-AGE, Pro-MO, ProMuscle e Pip. Os participantes,  (pré-)frágeis, desnutridos ou saudáveis, tinham idade média de 71 (IQR 68–75) anos, e 56% eram do sexo feminino.

Como resultado da análise dos dados temos:

  • a ingestão mediana de proteína foi de 1,03 g/kg/d (IQR 0,88–1,22);
  • a porcentagem de participantes com ingestão de proteína abaixo da dose diária recomendada (RDA) de 0,8 e abaixo da recomendação do ESPEN Expert Group para adultos mais velhos saudáveis de 1,0 e 1,2 g/kg/dia totalizaram 17, 45 e 73%, respectivamente;
  • a mediana da DMO corporal total foi de 1,10 g/cm2 (IQR 1,01–1,20), e 12% dos participantes foram diagnosticados com osteoporose;
  • observou-se ingestão de cálcio abaixo do PRI em 56% dos participantes;
  • 98% não atingiram a necessidade média estimada (EAR) de 10 μg de vitamina D25, sendo que 31% tinham concentrações séricas de 25(OH)D abaixo do recomendado para a prevenção da osteoporose na pós-menopausa (>50 nmol/L) e 64% abaixo do ideal sugerido para um menor risco de fratura e para sustentar o esqueleto (70–80 nmol/L).

Tanto a ingestão de proteína total quanto a ingestão de proteína animal foram associadas a maior DMO total do corpo e da coluna, enquanto a ingestão de proteína vegetal apresentou correlação negativa.

Em uma análise de subgrupo de participantes com ingestão adequada de cálcio e níveis séricos de vitamina D, a associação entre ingestão total de proteínas e DMO tornou-se mais forte. Segundo os pesquisadores, isso pode significar que a proteína animal melhora a densidade óssea independentemente do cálcio e da vitamina D, pois pode ser mais digerível e ter um perfil de aminoácidos mais completo.

No entanto, a associação negativa entre a DMO e a ingestão de proteína vegetal tornou-se insignificante após o ajuste para cálcio e vitamina D. Isso, por sua vez, pode significar que a proteína vegetal não é inerentemente prejudicial para a saúde óssea, mas seu consumo precisaria ser considerado juntamente com cálcio + D.

Embora o desenho deste estudo possa ter muitas limitações, ele expande nosso conhecimento da relação entre a ingestão de proteínas e a densidade óssea em adutos mais velhos. A noção atual de que essa população deve aumentar sua ingestão de proteínas (+ atividade física) se mantém, e essa noção sai do racional isolado da manutenção da saúde muscular para abranger o racional do crosstalking ósseo e muscular durante o avanço dos anos.

Fontes:

Hu X, et al. Relationship between senile osteoporosis and cardiovascular and cerebrovascular diseases.

Groenendijk I, et al. Protein intake and bone mineral density: Cross-sectional relationship and longitudinal effects in older adults

He C, et al. Bone and Muscle Crosstalk in Aging

Rodriguez A, et al. Exploring the Links Between Common Diseases of Ageing—Osteoporosis, Sarcopenia and Vascular Calcification

Multivitamínico na cognição de adultos

Embora não haja uma única terapêutica comprovada e/ou que sirva a todos para a prevenção do declínio cognitivo, a ciência vai se formando através de incrementos. Nesse sentido, estudo recém-publicado no jornal Alzheimers & Dementia funciona como um passo para reforçar como as otimizações dietéticas diárias podem ajudar no longo prazo. Nele, Baker et al. (2022) descobriram que a suplementação diária de um multivitamínico-mineral por 3 anos melhorou a cognição global, a memória episódica e a função executiva de adultos mais velhos.

Um total de 2.262 participantes foram inscritos (média = 73 anos; 60% mulheres) e 92% completaram a linha de base e pelo menos uma avaliação anual. O multivitamínico, em relação ao placebo, resultou em um benefício estatisticamente significativo, p.ex., na cognição global (média z = 0,07, IC 95% 0,02 a 0,12; P = 0,007), e esse efeito foi mais pronunciado em participantes com histórico de doença cardiovascular.

O estudo nomeado “COSMOS-Mind” (The COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study) também testou a administração diária de extrato de cacau (500 mg/dia), mas desta vez o resultado foi nulo (P = 0,28). Anteriormente, um outro grupo de pesquisadores, juntamente com o time de pesquisa COSMOS (Sesso et al. 2022), encontraram que tanto o multivitamínico quanto o extrato de cacau mostraram poder melhorar vários biomarcadores. Nele, a suplementação de 500 mg de extrato de cacau (incluindo 80 mg de epicatequina) durante 3,6 anos chegou a reduzir as mortes por doença cardiovascular, um desfecho secundário pré-especificado, em 27%.

Fontes:

Baker L, et al. Effects of cocoa extract and a multivitamin on cognitive function: A randomized clinical trial.

Sesso H, et al. Effect of cocoa flavanol supplementation for the prevention of cardiovascular disease events: the COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study (COSMOS) randomized clinical trial.

 

O efeito do resveratrol no perfil lipídico sanguíneo: meta-análise de dose-resposta

O resveratrol (3,5,4′-trihidroxiestilbeno), um polifenol não flavonoide, é uma antitoxina produzida por várias plantas e encontrado, por exemplo, em uvas, mirtilos, framboesas, amoras e amendoins. Entre seus vários benefícios reportados, como atividades anti-inflamatórias, anticancerígenas, antiapoptóticas, antiosteoporose e antioxidantes, consta a modulação lipídica sanguínea, já investigada em vários estudos controlados randomizados.

Com o acúmulo de resultados, portanto, Cao et al. (2022) realizaram uma meta-análise de 17 estudos (n = 968) sobre a suplementação de resveratrol no perfil lipídico com foco na dose-resposta. A faixa etária foi de 18 a 85 anos, a duração da ingestão de resveratrol variou de 4 a 48 semanas, e a dose variou de 10 a 3.000 mg/dia.

Na análise, encontraram que o resveratrol afetou significativamente os níveis de colesterol total (p < 0.001), LDL (p < 0.038) e triglicerídeos (p < 0.001), sem afetar o nível de HDL (p < 0.061). Ao investigar a relação não linear dose-resposta, o LDL foi o que mostrou um efeito significante (p não linear=0.002), sem mostrar a mesma significância no quesito tempo de intervenção (p não linear=0.415).

Como os resultados do LDL apresentaram maior heterogeneidade (> 50%), a análise de subgrupo indicou que sua alteração significativa ocorreu em ensaios que usaram doses ≥ 500 mg/d de resveratrol (diferença média = 2,44; IC 95%: -8,21,13,08, p = 0,004), nos estudos com duração ≥ 12 semanas (diferença média = -6,01; IC 95%: -13,26,1,25, p < 0,001), em indivíduos com diabetes tipo 2 (diferença média=-4,21; IC 95%: -18,78,10,36, p < 0,001).

Esse achado fortalece os relatos anteriores sobre o benefício do resveratrol em pacientes com DM2, ao ajudar a reduzir o nível de TG, bem como mitigar a resistência à insulina, diminuir a glicemia de jejum e melhorar o estresse oxidativo. Ademais, é importante notar que os resultados resumidos não mostraram incidência significativa de efeitos adversos da suplementação nesses pacientes.

Fontes:

Cao X, et al. The Effect of Resveratrol on Blood Lipid Profile: A Dose-Response Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials.

Suplementação de glutamina em pacientes queimados

Geralmente, os residentes cirúrgicos têm a glutamina como um combustível intestinal. Desde que as cirurgias podem estimular mudanças abruptas na pele e no microbioma intestinal, o que em alguns pacientes pode aumentar o risco de infecções no local cirúrgico e vazamentos anastomóticos, a glutamina é considerada como uma possível ferramenta de otimização do microbioma no período pré-cirurgia.

Este é somente um exemplo que explica o grande interesse ao longo dos anos dos pesquisadores sobre a possível versatilidade do uso pontual ou hospitalar deste aminoácido “condicionalmente” essencial para várias situações de saúde. Através de uma meta-análise recém-publicada no JPRAS Open – uma revista internacional de acesso aberto, dedicada a cirurgias de reconstrução, plástica e estética – temos agora mais uma atualização clínica, não limitante, mas mais especificamente para pacientes em estado grave devido a queimaduras.

Ao contribuir como substrato para a produção e síntese de glutationa e amônia – que são essenciais para toda a replicação celular, incluindo linfócitos, macrófagos, fibroblastos e células epiteliais –, a glutamina geralmente se apresenta dramaticamente deficiente em pacientes pós cirurgias e em pacientes sob estado grave, incluindo vítimas de queimaduras.

Nos últimos anos, novos ensaios clínicos multicêntricos continuam revelando que a suplementação de glutamina, seja parenteral, enteral ou em combinação, se mostra essencial no manejo pós-queimadura precoce, pois, entre outros, protege órgãos vitais como o coração, preserva a espessura da mucosa intestinal e alivia o estado hipermetabólico, o que evita uma maior perda de massa muscular.

A atual revisão sistemática e consequente meta-análise teve como objetivo estudar o papel da suplementação precoce de glutamina nos sistemas, nutrição e metabolismo do corpo na prevenção de infecções em pacientes gravemente queimados. Além disso, os pesquisadores Mortada et al. (2022) investigaram o papel da glutamina na diminuição da mortalidade, morbidade e tempo de hospitalização.

Através do critério implantado, foram incluídos 7 estudos controlados e randomizados (ECRs), totalizando 328 pacientes, dos quais 166 pacientes (50,61%)foram alocados para suplementação de glutamina e 162 pacientes como controles (49,39%).

Os pesquisadores encontraram que:

  • o risco de infecção se mostrou significativamente menor entre os pacientes que receberam suplementação de glutamina do que aqueles nos grupos de controle (RR = 0,41, IC 95%, 0,18 a 0,92, p = 0,030)
  • o risco de morte foi significativamente menor entre os pacientes que receberam glutamina em comparação com os controles (RR = 0,09, IC 95%, 0,01 a 0,63, p = 0,016)
  • a suplementação foi associada a menor mortalidade hospitalar e morbidade relacionada à infecção em pacientes queimados

Diferentemente do encontrado anteriormente em outras meta-análises, Mortada e al. não encontraram que a glutamina reduziu de maneira significativa o número médio de dias que os pacientes passaram no hospital. Uma delas, realizada por Dewi et al. e publicada no início de 2022, encontrou que em pacientes queimados a suplementação de glutamina enteral está associada à redução não só da morbidade da infecção tecidual (p=0.0003), mas também do tempo de internação hospitalar (p=0.0100).

Um possível diferencial explicativo é que, em comparação com Mortada et al., Dewi et al. incluíram quase que o dobro de estudos em sua meta-análise, ou seja, 12 estudos registrando 344 pacientes recebendo glutamina e 335 controles.

Com boa segurança de uso, estudos futuros são necessários para investigar como exatamente o nutriente atua. Se devido ao seu papel no suporte da síntese proteica, no suporte do microbioma intestinal e das respostas inflamatórias e/ou na melhora geral do estado de saúde. De qualquer forma, todas essas possibilidades são fundamentais em pacientes hospitalizados ou em estado frágil.

Sabe-se que sob condições de estresse, p. ex., em traumas, queimaduras ou após cirurgias, a demanda nutricional é aumentada em parte devido à proliferação celular e síntese proteica. O processo de reparo tecidual consiste em uma série de fases ou estágios fisiológicos sequenciais e sobrepostos (não lineares) que depende muito da oferta de diversos fatores extrínsecos e intrínsecos, como fatores de crescimento, citocinas e aminoácidos.

Na cicatrização de feridas, por exemplo, em 2021, a meta-análise de Arribas-López et al. encontrou que a glutamina exógena reduziu a proteína C reativa (PCR; MD: −1,10, IC 95%: −1,26, − 0,93, p < 0,00001), indicando redução do excesso inflamatório. Além da PCR, a suplementação de glutamina gerou efeito significativo nos níveis de equilíbrio de nitrogênio (MD: 0,39, IC 95%: 0,21, 0,58, p < 0,0001), níveis de IL-6 (MD: -5,78, IC 95%: -8,71, -2,86, p=0,0001), níveis de TNFα (MD: -8,15, IC 95%: -9,34, -6,96, p < 0,00001), razão lactulose/manitol (MD: -0,01, IC 95%: -0,02, −0,01, p < 0,00001), mortalidade do paciente (OR: 0,48, IC 95%: 0,32, 0,72, p=0,0004) e tempo de internação hospitalar (MD: -2,65, IC 95%: -3,10, -2,21, p < 0,00001).

Confirmando o achado sobre a PCR, a meta-análise de Hasani et al. (2021), que compreendeu 12 estudos que acessaram o efeito da suplementação de glutamina sobre fatores de risco cardiometabólicos, também encontrou redução significativa deste marcador. E uma meta-análise realizada por Yang et al. (2021), que investigou a glutamina na função imune e complicações pós-operatórias de pacientes com câncer colorretal, apontou, entre outros, redução significativa do vazamento anastomótico (RR = 0,23, IC 95%: 0,09-0,61).

Ou seja, independentemente do foco exato do design das várias meta-análises realizadas recentemente sobre a glutamina em pacientes hospitalizados, vários marcadores se repetem positivamente e de maneira significante. Isso parece confirmar um grande potencial do uso da suplementação para a saúde tecidual de pacientes em estado crítico, como a meta-análise mais recente, de Mortada et al. encontrou em pacientes queimados.

Fontes:

Mortada H, et al. The Effects of Glutamine Supplementation on Reducing Mortality and Morbidity among Burn Patients: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials.

Dewi N, et al. Enteral Glutamine Supplementation is Associated with Lowering Wound Infection Morbidity and Length of Hospital Stay among Burn Patients: A Meta-analysis and Systematic Review

Arribas-López E, et al. The Effect of Amino Acids on Wound Healing: A Systematic Review and Meta-Analysis on Arginine and Glutamine.

Hasani N, et al. Effect of glutamine supplementation on cardiometabolic risk factors and inflammatory markers: a systematic review and meta-analysis

Yang T, et al. Meta-analysis of Glutamine on Immune Function and Post-Operative Complications of Patients With Colorectal Cancer.

Meta-análise: creatina para a memória de adultos mais velhos

Com o acúmulo de estudos clínicos realizados, Prokopidis et al. (2022) realizaram a 1a revisão sistemática e meta-análise de estudos controlados e randomizados sobre o potencial da creatina para a memória. Oito ensaios clínicos que compararam os efeitos da suplementação de creatina monohidratada versus placebo entre indivíduos aparentemente saudáveis preencheram os critérios do projeto.

Como reguladora-chave do estado energético, a suplementação de creatina demonstra elevar o conteúdo de creatina cerebral e a proporção de fosfocreatina para ATP. Dado que a memória (capacidade de processar e reter informações) exige energia e depende de uma boa função respiratória mitocondrial, compreende-se que a elevação dos níveis de creatina no cérebro pode melhorar a memória por influenciar a bioenergética cerebral.

A importância desta revisão e meta-análise é que nem todos os estudos realizados anteriormente encontraram resultados significantes. Hipoteticamente, isso ocorre devido ao limite de transportadores de creatina na barreira hematoencefálica ou à capacidade de o cérebro sintetizar creatina. Ademais, diferentes níveis de base do nutriente gera conflitos. O conteúdo de creatina cerebral pode diminuir durante o envelhecimento bem como no caso de dietas veganas.

No geral, Prokopidis et al. encotraram que a suplementação de creatina melhorou as medidas de memória em comparação com placebo (diferença média padrão [SMD] = 0,29, IC 95%, 0,04–0,53; I2 = 66%; P = 0,02). As análises de subgrupo confirmaram a teoria de que aqueles que têm níveis mais baixos de creatina podem ser mais responsivos à sua suplementação: a melhora significativa na memória ocorreu nos adultos mais velhos (66–76 anos) (SMD = 0,88; IC 95%, 0,22–1,55; I2 = 83%; P = 0,009) em comparação com adolescentes e adultos mais jovens (11–31 anos)(P = 0,72).

Um outro interessante achado foi que os benefícios ocorreram independentemente da dose (≈ 2,2 a 20 g/d) e duração da intervenção (5 dias a 24 semanas).

Fontes:

Prokopidis K, et al. Effects of creatine supplementation on memory in healthy individuals: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials.

 

Efeitos da melatonina em atletas

Cada vez mais a melatonina vem nos ensinando na prática o significado de “efeitos pleiotrópicos”. Quem imaginaria anos atrás que essa molécula antes dedicada especificamente ao sono pudesse mostrar, entre tantos efeitos, sua funcionalidade sobre o desempenho físico de atletas profissionais?

Farjalah et al. (2022), ao publicar em PLOS ONE o estudo randomizado e duplo-cego realizado em vinte jogadores de futebol mostraram, que a ingestão de melatonina durante um período de treinamento intensivo de cinco dias exerceu efeitos benéficos sobre vários marcadores, incluindo sobre a função renal e hepática.

Os jogadores (idade: 18,8 ± 1,3 anos, massa corporal: 70,0 ± 10,6 kg, IMC: 21,27 ± 1,87 kg/m2) de um time da primeira liga estavam concentrados em um ambiente de treinamento (controlado) e foram divididos em grupos melatonina (5g) e placebo. Os suplementos foram tomados diariamente às 19h.

O teste post hoc mostrou que a melatonina preveniu um aumento nos níveis de produtos proteicos de oxidação avançada (AOPP) (p<0,05) e aumentou significativamente a atividade da superóxido dismutase (SOD; p<0,001), mostrando sua ação antioxidante. Adicionalmente, a melatonina preveniu um aumento de biomarcadores de função renal (p. ex., creatinina; p>0,05) e biomarcadores de dano muscular (p. ex., creatina quinase; p>0,05).

Pela primeira vez foi mostrado que a ingestão de melatonina reduziu a atividade da gama-glutamiltransferase (GGT) após o treino (p>0,05), indicando menor dano hepático. No exercício, a GGT neutraliza as EROs, quebrando a glutationa extracelular e disponibilizando seus aminoácidos (cisteína, ácido glutâmico e glicina) para o reparo das células. Assim, após a ingestão de melatonina, haveria uma menor necessidade de GGT devido aos seus efeitos antioxidantes e sequestrantes de radicais.

Fontes:

Farjallah M, et al. Melatonin supplementation alleviates cellular damage and physical performance decline induced by an intensive training period in professional soccer players.

D-dímero: ampliação de suas aplicações

As ciências da saúde vêm ensaiando uma mudança de abordagens populacionais para uma prática mais individualizada. Muitos clínicos, mais atualizados, já vêm praticando há algum tempo essa abordagem, obtendo resultados mais satisfatórios para seus pacientes. No entanto, o sucesso desses esforços depende em grande parte da identificação contínua de biomarcadores que reflitam o estado de saúde e o risco do paciente em momentos-chave, e da integração bem-sucedida desses biomarcadores na prática médica.

Entre os vários biomarcadores, o D-dímero (ou dímero-D) vem tendo o seu uso expandido para várias áreas. Produzido a partir da degradação de trombos intravasculares, ele constitui um produto final da degradação da fibrina (FDPs) e, portanto, é um exame de sangue que pode detectar proteínas presentes após a formação e quebra de um coágulo sanguíneo (constituído principalmente de fibrinas, plaquetas ativadas e hemácias), indicando assim anormalidades hemostáticas e trombose intravascular.

Seu papel estabelecido está no diagnóstico de tromboembolismo venoso (TEV), pois reduz a necessidade de exames de imagem na maioria (risco baixo/moderado) dos pacientes com suspeita de trombose venosa profunda (TVP), tromboembolia pulmonar (TEP) ou coagulação intravascular disseminada (CIVD), podendo assim ajudar a identificar pacientes com alto risco de TEV que se beneficiariam de tromboprofilaxia estendida. Lembrando que a TEP é a 3ª causa de morte cardiovascular do mundo, ficando atrás somente do AVC e infarto do miocárdio.

Um pouco distante de décadas atrás, quando o exame gerava uma certa insegurança quanto ao seu real valor clínico e sua capacidade de descartar quadros de TVP ou TEP, atualmente o seu uso vem sendo estudado e ampliado na prática clínica para ajudar na avaliação de risco em pacientes sob várias outras situações ou condições. Pacientes com obesidade, sob gestação, em momento de imobilidade, fumantes, em uso de contraceptivos orais, com certos cânceres e cirurgias, com trauma, idosos, com histórico familiar de coágulos sanguíneos, com fibrilação atrial, colesterol alto, diabetes, doença hepática, hipertensão, sepse e infecções, incluindo outras doenças inflamatórias crônicas, são alguns exemplos.

Essa lista continua crescendo como visto nesses últimos dois anos no monitoramento e tratamento de certos pacientes com covid-19, incluindo o monitoramento do D-dímero após a vacinação. A CIVD, aumento da hipercoagulabilidade do processo infeccioso, o TEP e a tempestade de citocinas lesionam o endotélio, aumentando a coagulação. A cascata da coagulação é complexa, a produção de plaquetas, por exemplo, é independente da produção de fibrinas, onde o D-dímero se localiza, portanto, vários marcadores são utilizados; mas, no geral, quanto maiores os níveis (> 500 ng/ml) de D-dímero, pior o prognóstico da doença.

O teste é rápido, não invasivo e sensível, mas não é específico. Essa não especificidade chama a atenção na área da covid-19 principalmente porque desconhece-se o motivo desse marcador permanecer alto em pacientes convalescentes apesar da normalização dos marcadores inflamatórios e de outros parâmetros de coagulação como fibrinogênio, plaquetas ou PCR.

Confira aplicações do biomarcador em estudos recém-publicados.

Inflamação sistêmica

A inflamação sistêmica parece ser a temática clínica e subclínica central na presença de níveis altos de D-dímero e FDP, o que poderia explicar achados de pesquisadores que os associam à aterosclerose.

Como uma doença inflamatória sistêmica crônica, FuYong et al. (2022) investigaram as diferenças nos níveis de FDP e D-dímero entre pacientes com artrite reumatoide e remissão clínica, segundo o índice DAS28 de atividade da doença, e incluindo correlações com a velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR) e plaquetas (PLT).

Os níveis de FDP e D-dímero foram significativamente maiores entre os pacientes sob alta atividade da doença em comparação com os sob baixa atividade e remissão (P < 0,001) e o controle (P < 0,001). Não foram observadas diferenças significativas no FDP e D-dímero entre a baixa atividade, remissão e o controle (P> 0,05). Os níveis de FDP e D-dímero foram positivamente correlacionados com VHS, PCR, PLT e DAS28 (todos P < 0,001), e a conclusão dos investigadores foi que ambos os marcadores poderiam ser incluídos como indicadores sorológicos complementares para avaliar a atividade da artrite reumatoide.

Gestação

Recentemente o nível de D-dímero plasmático foi indicado como um biomarcador para alterações fibrinolíticas e hematológicas na pré-eclâmpsia. Naturalmente, um aumento adequado na coagulação do sangue é importante para reduzir o risco de hemorragia pós-parto, mas valores de referência laboratoriais são escassos para essa população.

Com o objetivo de determinar os níveis médios de D-dímero plasmático entre gestantes e diferenciá-los entre gestantes com e sem pré-eclâmpsia, Shams et al. (2022) realizaram um estudo transversal com 154 gestantes (27,73 ± 2,68 anos; variação: 18–34 anos) cuja idade gestacional média era de 37,43 ±1,15 semanas (variação: 35–40 semanas). O grupo pré-eclâmpsia continha 58 (37,7%) mulheres.

A média dos níveis plasmáticos de D-dímero no total de casos foi de 500 ng/ml. Já os níveis plasmáticos médios em casos de pré-eclâmpsia e normotensão foram de 1.020 e 180 (ng/ml), respectivamente. A conclusão desse estudo confirma achados de estudos anteriores que recomendam o monitoramento do nível de D-dímero junto a outros marcadores como mais uma ferramenta para diagnóstico precoce e decisão sobre o manejo de complicações da hipertensão gestacional.

Ademais, na sepse neonatal, Al-Biltagi et al. (2022) estudaram prospectivamente os níveis de PCR e D-dímero em 90 neonatos divididos em controle, sepse precoce e sepse tardia. O D-dímero se mostrou significativamente maior nos grupos sépticos, mais na sepse de início tardio do que na de início precoce, e com sepse gram-negativa do que sepse gram-positiva. O ponto de corte melhor sugerido para o D-dímero na sepse neonatal foi de 0,75 mg/L (FEU), com sensibilidade de 72,7% e especificidade de 86,7%.

AVC hemorrágico

Na área da neurociência, Jordan et al. (2022) confirmaram com seu estudo prospectivo os resultados de uma meta-análise anterior (Zhou et al.; 2018) ao encontrar que níveis elevados de D-dímero perioperatório podem ser considerados um marcador de risco de hemorragia intracerebral após cirurgia de tumor cerebral. Estudos são necessários para a compreensão sobre o mecanismo e para confirmar essa associação, mas na prática clínica atual a medição do D-dímero seria mais uma estratégia de prevenção primária para o AVC.

Severidade na hipertensão

Compreende-se que a formação inapropriada de trombos agudos é o substrato fisiopatológico subjacente ao aumento do risco e gravidade de lesão de órgãos-alvo na hipertensão. Com isso em mente, Long et al. (2022) realizaram um estudo para avaliar o nível de D-dímero e sua correlação com a gravidade da doença de 60 pacientes, comparando com 40 indivíduos aparentemente saudáveis. Os dados demonstraram que cerca de 63,3% dos pacientes com hipertensão apresentavam concentrações excessivas de nível plasmático de D-dímero. O valor de corte se mostrou 0,83 mg/L (FEU) com uma taxa de precisão de 80,0% entre os casos mais complicados e os não complicados.

Gastroenterologia

Como a pancreatite induz trombose venosa, o D-dímero também pode ser usado como um preditor precoce da gravidade da pancreatite aguda (PA). Em um estudo retrospectivo unicêntrico, Jia et al. (2022) analisaram 1.013 pacientes hospitalizados com PA, pancreatite aguda recorrente (PAR) ou pancreatite crônica (PC), contando com 68 pessoas aparentemente saudáveis no grupo controle. Além do D-dímero, analisaram os níveis de triglicerídeos (TG) e colesterol HDL. Os investigadores descobriram que o D-dímero e a relação TG/HDL distinguiram uma PA leve de uma não leve em pacientes com PA e PAR, cujo coeficiente de correlação foi de 0,379 e 0,427(p < 0,05), respectivamente. Não houve diferença significativa entre o grupo PC e o grupo controle. O nível do D-dímero foi relacionado à dislipidemia e à relação TG/HDL.

Outras aplicações

Concluindo esta atualização, os vários recentes achados proporcionam benefícios para um melhor manejo de pacientes sob diversas condições ou doenças. Como último exemplo, a utilização do D-dímero também vem crescendo na oncologia de diferentes maneiras. Junto ao FDP, o marcador foi visto como eficaz para o manejo de suspeita de metástase em pacientes com câncer gástrico por Zhang et al. (2022).

Como o D-dímero é uma avaliação da coagulação, paralelamente ao protocolo farmacológico de tratamento adotado, existem maneiras naturais de ajudar a manter mais estáveis os níveis de fibrina. Um ótimo fluxo sanguíneo significa mais oxigênio e nutrientes para todos os tecidos e órgãos, lembrando que um estilo de vida saudável e um diagnóstico precoce formam a base da prevenção.

Inicialmente, é preciso lembrar a necessidade de uma ótima hidratação diária do paciente para ajudar a melhorar a viscosidade sanguínea. Para pacientes não imobilizados, a atividade física, como a caminhada, ajuda muito. Dietas ricas em polifenóis e alimentos ricos em nutrientes com ações antioxidantes e anti-inflamatórias, como a DASH e as conhecidas como “mediterrâneas”, vêm continuamente mostrando benefícios vasculares, incluindo níveis mais baixos de D-dímeros.

Fortalecendo o poder dessas dietas está o potencial da suplementação de nutracêuticos como as vitaminas E e D. Pesquisas demonstram que fitoquímicos específicos e extratos derivados de plantas apresentam atividades antitrombóticas, antiplaquetárias e fibrinolíticas significativas. Esses incluem flavonoides (como a quercetina, a hesperidina, EGCG e a naringina), ácido cafeico encontrado no café, curcumina (Curcuma Longa), ácido ferúlico, derivados de furanos, estilbenos como o resveratrol, alcaloides, saponinas, cumarinas (fonte do medicamento varfarina), polifenóis, Gingko biloba, etc

Fontes:

Townsend L, et al. Prolonged elevation of D-dimer levels in convalescent COVID-19 patients is independent of the acute phase response.

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Kubatka P, et al. Antithrombotic and antiplatelet effects of plant-derived compounds: a great utility potential for primary, secondary, and tertiary care in the framework of 3P medicine.

Prebióticos na absorção de ferro

A deficiência de ferro em pacientes com doenças inflamatórias crônicas é frequente e muitas vezes subdiagnosticada. Sem computar o grande número de pessoas com anemia ferropriva, pacientes com doenças inflamatórias crônicas, como câncer, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e doença inflamatória intestinal estão entre as populações com forte possibilidade de apresentarem níveis laboratoriais abaixo do recomendado. Nesses pacientes, a prevalência de deficiência de ferro foi relatada em até 60-90%.

Entretanto, a ferritina e a saturação da transferrina, entre outros marcadores mais sensíveis para avaliar o ferro (Fe), precisam de atenção também em populações consideradas “saudáveis”. Níveis abaixo do ideal de Fe já reduzem a produção de energia físico-mental e os processos metabólicos, sobrecarregando sistematicamente o organismo, incluindo a função tireoidiana, a autoimunidade e até mesmo o metabolismo ósseo. Sob este ângulo, praticantes de esportes e atletas podem apresentar considerável perda férrica através da inflamação, suor, urina e possível hemólise. Baixos níveis de ferro podem ser comuns em pacientes com dieta vegetariana ou vegana, particularmente em mulheres.

Perante a persistente situação mundial de níveis baixos de ferro (versus o excesso) em diversas populações, uma das questões atualmente discutidas é sobre as estratégias para sua melhor absorção.

O conhecimento sobre a absorção de Fe da dieta e sobre os fatores (dietéticos, ambientais, estilo de vida, genéticos) que influenciam essa absorção vem crescendo. Pelo ângulo dietético, sua absorção é determinada pelo estado e conteúdo de Fe heme e não-heme, e a biodisponibilidade de ambos os tipos, que por sua vez é determinada pelo equilíbrio entre os fatores dietéticos que aumentam ou inibem a absorção do mineral.

Entre os diversos compostos dietéticos que apresentam capacidade de inibir a absorção de Fe, temos os fitatos, encontrados em muitos grãos e vegetais, o cálcio, presente nos alimentos lácteos, ovos, e certos polifenóis, como os taninos, encontrados no chá verde, vinhos, frutas e chocolates. Além de conter taninos, certos vegetais como o café e o blueberry possuem ácido clorogênico, outro inibidor do mineral. Semelhante ao cálcio, o zinco, o manganês e o cobalto também podem competir com o ferro pelo organismo.

Em contrapartida, a vitamina C (ácido ascórbico), ácidos cítricos e moléculas provenientes de tecidos animais são conhecidos por ajudar na absorção de Fe, que ocorre predominantemente no intestino delgado.

Mais recentemente, vimos observando o aumento de estudos mostrando a importância da microbiota intestinal para o ferro, especialmente através do aumento do consumo de prebióticos.

Prebióticos, microbiota intestinal, absorção

A microbiota intestinal desempenha um papel importante para funções nutricionais, fisiológicas e imunológicas do hospedeiro, como digestão de alimentos, absorção de nutrientes, produção de vitaminas, proteção da integridade intestinal, regulação da imunidade e patogênese da doença.

Parte dessa valorosa contribuição vem a partir da metabolização de substâncias prebióticas pelas bactérias residentes, originando a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), dentre outros metabólitos conhecidos como posbióticos, como butirato e propionato, que facilitam a absorção de Fe2+ no intestino.

Os prebióticos mais conhecidos são a inulina, os fruto-oligossacarídeos (FOS), os galacto-oligossacarídeos (GOS) e, mais recentemente, os oligossacarídeos do leite humano (HMO).

Os prebióticos mais conhecidos são a inulina, os fruto-oligossacarídeos (FOS), os galacto-oligossacarídeos (GOS) e, mais recentemente, os oligossacarídeos do leite humano (HMO).

Ahmad et al. (2021) concluíram que a inulina e os GOS aumentam a produção de AGCC, aumentando assim a absorção de Fe no duodeno e cólon proximal.

A revisão de Husmann et al. (2022) encontrou resultados consistentes para os prebióticos FOS e GOS combinados com o composto de ferro fumarato ferroso, a partir de estudos em mulheres adultas com baixos estoques de Fe e bebês anêmicos.

Agregando valor à estratégia do consumo de prebióticos junto às refeições ou à suplementação com ferro, Gosh et al. (2022) observam no jornal Alternatives to Antibiotics que os prebióticos e seus subprodutos, ao melhorar o microbioma, atuam como bons imunomoduladores através de suas ações nas mucosas. Isso se traduz em uma abordagem benéfica tanto para o fortalecimento da saúde quanto o manejo de doenças infecciosas ou não.

Algo ainda carente de estudos é quanto à eficácia do uso de prebióticos para a absorção do ferro não-heme. Em 2017, Weinborn et al. dividiram 24 mulheres saudáveis em dois grupos. O grupo de tratamento foi alimentado com iogurte misturado com prebiótico por 12 dias, enquanto o grupo controle recebeu iogurte sem a mistura prebiótica. Os resultados indicaram que a absorção de Fe heme no grupo de tratamento aumentou significativamente em 56%, em comparação com o grupo controle. Por outro lado, nenhuma diferença significativa na absorção de Fe não-heme foi observada pelos pesquisadores.

Enquanto a pesquisa avança, para as populações com dietas veganas, portanto, uma possível estratégia integrativa seria a utilização de probióticos.

Os probióticos, definidos como “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro”, também vêm se mostrando eficazes em relação à absorção de Fe em humanos, conforme relatado na revisão sistemática e metanálise de Vonderheid et al.(2019). Analisando oito estudos cruzados, os pesquisadores descobriram que o probiótico Lactobacillus plantarum 299v aumentou significativamente (p = 0,001) a absorção dietética de ferro não-heme em europeus saudáveis (principalmente mulheres), em comparação com grupos controles.

Muito importante para os pacientes sob suplementação de ferro seria considerar que o uso concomitante de prebióticos e probióticos mitiga possíveis efeitos colaterais da suplementação no intestino.

Ademais, frente aos diversos achados positivos sobre os benefícios dos prebióticos para a saúde, um fato contrastante continua sendo a sua pequena presença nas dietas diárias de grande parte da população. Quando consumidos em pouca quantidade, seus níveis se tornam insuficientes para produzir uma quantidade biologicamente significativa de produtos finais benéficos por meio do metabolismo bacteriano.

Fontes:

Shatilo V, et al. Quercetin effect on endogenous factors of cardiovascular risk and ageing biomarkers in elderly people.

Salehi B, et al.Quercetin Therapeutic Potential of Quercetin: New Insights and Perspectives for Human Health | ACS Omega

Taurina: efeitos antioxidantes diretos e indiretos

A minimização do dano oxidativo nas estruturas celulares causado pelo excesso de ROS pode prevenir doenças associadas ao envelhecimento, como diabetes, hipertensão, distúrbios cardiovasculares, aterosclerose e doenças neurodegenerativas. Entre as estratégias que podem melhorar a capacidade de o organismo combater o excesso oxidativo, a suplementação de taurina vem surpreendendo sob diversos ângulos, incluindo melhora de marcadores endoteliais e função mitocondrial.

Publicado em Nutrition and Metabolism, um estudo randomizado e duplo-cego investigou se a suplementação de 1g de taurina, 3 x dia, poderia atenuar as complicações induzidas pelo diabetes e a disfunção endotelial por meio de suas atividades anti-inflamatórias e antioxidantes.

Durante as 8 semanas do experimento, todos os 120 participantes de ambos os sexos (média, 52,55 anos; IMC de 25–35 kg/m2) estavam em dieta com déficit de 500 kcal/dia em relação ao gasto energético total. Um total de 65% deles apresentava hipertensão e 30% hipercolesterolemia.

Os resultados do estudo de Moludi et al. mostraram que a taurina melhorou os indicadores da função endotelial, incluindo redução nos níveis de ICAM (molécula de adesão intercelular 1), VCAM (molécula de adesão celular vascular) e MMP-9 (metalopeptidase de matriz 9). Além disso, a taurina teve efeitos notáveis em alguns fatores de risco CV, incluindo PA, controle glicêmico, inflamação e marcadores de estresse oxidativo. Independente se grupo taurina ou placebo, os participantes que perderam pelo menos 2,5 kg tiveram uma avaliação de risco cardiometabólico consideravelmente melhor em comparação com aqueles com menor perda de peso.

Já no pequeno estudo clínico publicado em Nutrition, Abud et al. investigaram se a suplementação de taurina poderia minimizar o estresse oxidativo no processo de envelhecimento em 24 mulheres (média, 61,4 anos; pós menopausa; sedentarismo). A dose administrada foi de 1,5 g/d de taurina versus placebo (amido) durante 16 semanas, resultando um aumento considerável da concentração plasmática do marcador antioxidante SOD no grupo taurina. No grupo placebo, o malondialdeído (produto da oxidação lipídica que contribui para a reação inflamatória) aumentou.

Uma importante observação é que os níveis plasmáticos de zinco se apresentaram reduzidos em ambos os grupos experimentais pós-intervenção. Este mineral é um cofator essencial para a atividade da enzima SOD (superóxido dismutase), juntamente com o cobre, que participa de reações para prevenir danos oxidativos. Isso concorda com o senso que, por mais segura que uma intervenção possa ser, ela pode afetar a homeostase de oligoelementos no corpo, demandando assim ajustes necessários.

Fontes:

Moludi J, et al. Quercetin Protective and therapeutic effectiveness of taurine supplementation plus low calorie diet on metabolic parameters and endothelial markers in patients with diabetes mellitus: a randomized, clinical trial.

Abud G, et al Quercetin TTaurine as a possible antiaging therapy: A controlled clinical trial on taurine antioxidant activity in women ages 55 to 70

 

Novo estudo: selênio + CoQ10 na preservação de telômeros de adultos mais velhos

Um estudo de longo prazo trouxe um resultado significante para adultos mais velhos ou idosos, cujo envelhecimento biológico, além de acarretar maior estresse oxidativo, traz o custo cumulativo da redução do comprimento dos telômeros – acelerando ainda mais o próprio envelhecimento. Para amenizar este conhecido “loop” ou ciclo de fragilidades, Opstad et al. focaram no comprimento dos telômeros dos leucócitos (CTL), os quais parecem refletir o dos telômeros em outras células e tecidos, incluindo as células vasculares.

Os telômeros cobrem as extremidades dos cromossomos e protegem o DNA e os genes internos, preservando a estabilidade cromossômica. Com o avanço da idade, a instabilidade genômica ocorre em parte devido ao acúmulo da atrição e erosão dos telômeros, que foi comprovadamente associado à doença arterial coronariana.

A intervenção foi simples: 118 cidadãos suecos (média, 77 anos; com baixo teor de selênio) se suplementaram ou com 100 µg de selênio (Se) + 100mg de coenzima Q10 (CoQ10) ou com placebos equivalentes, duas vezes ao dia. O desafio (e ponto forte) do projeto foi o tempo de duração: coleta de sangue após 42 meses de suplementação, e 10 anos de acompanhamento.

Na linha de base, CTL (SD) foi de 0,954 (0,260) no grupo Se+CoQ10 e 1,018 (0,317) no grupo placebo (p = 0,23). Aos 42 meses, um menor encurtamento do CTL foi observado após o tratamento ativo em comparação com placebo (+0,019 vs. -0,129, respectivamente, p = 0,02), com uma diferença significativa na mudança com base na análise de alterações individuais no CTL (p < 0,001) .

Os indivíduos que morreram durante o período de acompanhamento estavam entre os que possuíam um CTL significativamente menor na segunda análise do DNA, aos 42 meses, em comparação com os sobreviventes [0,791 (0,190) vs. 0,941 (0,279), p = 0,01]. Para concluir, o estudo recém-publicado em Nutrients mostrou de maneira inédita que a preservação do comprimento dos telômeros após a suplementação de selênio e CoQ10 foi associada à redução da mortalidade cardiovascular. Este resultado corrobora com estudo anterior que, sem analisar os telômeros, também encontrou redução de morte cardiovascular com o uso dos mesmos nutrientes.

Fontes:

Rajagopalan et al. Quercetin Personal-Level Protective Actions Against Particulate Matter Air Pollution Exposure: A Scientific Statement From the American Heart Association

Ren J, et al. Quercetin Vascular benefits of vitamin C supplementation against fine particulate air pollution in healthy adults: A double-blind randomised crossover trial – ScienceDirect

Coenzima Q10 como adjuvante no tratamento da psoríase

Em condições consideradas não curáveis pela ciência, o objetivo principal dos profissionais de saúde é melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, um desafio que muitas vezes enfrentam é uma certa frustração por parte dos pacientes devido a resposta do tratamento à medicação. Um exemplo disso é visto naqueles com psoríase severa.

Sob esse contexto, um pequeno ensaio clínico prospectivo duplo-cego, recém-publicado no Journal of Population Therapeutics & Clinical Pharmacology, investigou o efeito da administração de CoQ10 a pacientes iraquianos com psoríase vulgaris, tratados com adalimumabe – medicamento também usado para a artrite reumatoide, dentre outras doenças inflamatórias.

Os pesquisadores usaram o índice de gravidade PASI e o índice de qualidade de vida DLQI, antes e depois do experimento, que durou 3 meses.

Os 24 participantes (17 a 72 anos) com pontuação PASI > 10 (moderada à grave) foram divididos em dois grupos: medicamento adalimumabe + um placebo (amido de milho) foram administrados ao grupo A (n = 11); enquanto o grupo B (n = 13) recebeu o adalimumabe + 100mg de CoQ10.

Após 12 semanas de tratamento, as mudanças percentuais de melhora PASI e DLQI no grupo A (adalimumabe + placebo) foram 45,71 ± 12,13 e 36,67 ± 8,13, respectivamente. As porcentagens de melhora PASI e DLQI no grupo B (adalimumabe + CoQ10) foram 85,91 ± 4,89 e 72,60 ± 9,07, respectivamente.

Os resultados positivos mostrados pelo estudo atual ajudam a lembrar da possível otimização dos tratamentos medicamentosos quando certos nutrientes são adicionados a eles. Em 2008, um estudo randomizado e controlado com 58 pacientes com psoríase grave, publicado em Nutrition, já havia encontrado que o fornecimento de CoQ10 + vitamina E + selênio resultou em melhora significativa das condições clínicas, as quais corresponderam com uma normalização dos marcadores de estresse oxidativo.

Fontes:

Ghadah A, et al. Quercetin Effect of CoQ10 Administration to Psoriatic Iraqi Patients on Biological Therapy Upon Severity Index (PASI) and Quality of Life Index (DLQI) Before and After Therapy

Kharaeva Z, et al.Quercetin Clinical and biochemical effects of coenzyme Q(10), vitamin E, and selenium supplementation to psoriasis patients

 

Novo banco de dados direcionado à pesquisa sobre o ômega-3

A cada mês, 200 a 250 novos artigos científicos sobre EPA e DHA são publicados e indexados pelo PubMed. Segundo artigo publicado em PLEFA, a organização global para os ômegas-3 EPA e DHA (GOED, na sigla em inglês) construiu um banco de dados abrangente e pesquisável dos estudos com essas moléculas.

Até maio último, o GOED Clinical Study Database (CSD) já continha informações sobre mais de 46.000 artigos, dos quais 414 são meta-análises, 1.116 revisões sistemáticas, 5.326 estudos epidemiológicos, 3.513 estudos de intervenção em humanos e 15.963 estudos em modelos animais.

O banco de dados disponível a membros inclui duas seções diferentes:

Na pesquisa de resumos (abstracts), o leitor encontra detalhes sobre se os estudos geraram resultados positivos, negativos ou neutros, além de palavras-chave associadas, autores de estudos influentes e periódicos relevantes.

A pesquisa avançada oferece dados sobre os resultados de um determinado estudo, é totalmente pesquisável e pode ser filtrada através de variáveis, como a dose, duração do estudo, número de participantes, idades e doenças. Ou seja, a interface permite uma rápida verificação dos efeitos dos ômega-3 em um biomarcador desejado, em pessoas com certas condições ou fatores de risco.

Fontes:

Bernasconi A, et al. Quercetin Development of a novel database to review and assess the clinical effects of EPA and DHA omega-3 fatty acids

Quercetin The GOED Clinical Study Database

Quercetina: crescente evidência de ação geroprotetora

Há uma atenção extraordinária na pesquisa de moléculas bioativas que ocorrem em plantas, e a quercetina vem se mostrando um ótimo exemplo para possíveis aplicações terapêuticas e preventivas na população adulta. Os efeitos antidiabéticos, anti-inflamatórios, antioxidantes, antimicrobianos, anti-Alzheimer, antiartríticos, cardiovasculares e cicatrizantes da quercetina têm sido amplamente investigados, assim como sua atividade anticancerígena contra diferentes linhagens de células cancerígenas foi recentemente relatada.

A pesquisa desse flavonoide, encontrado em frutas, legumes e oleaginosas sob diferentes formas glicosídicas, vem encontrando também que a sua combinação com múltiplos fármacos determina suas habilidades de potencializar ou interagir sinergicamente. Consequentemente, oferece potencial de reduzir efeitos colaterais e toxidade de fármacos, ao mesmo tempo que aumenta sua eficácia e segurança geral (como é o caso dos medicamentos antitumorais).

Para a especialidade geriátrica, um recém-publicado estudo em Ageing & Longevity realizado por pesquisadores ucranianos (Shatilo et al. 2022) não somente confirma alguns achados anteriores como traz algo inédito: a administração de quercetina por três meses em adultos mais velhos levou ao alongamento dos telômeros e à diminuição da idade metabólica.

Esta descoberta indica a presença de um efeito geroprotetor sobre um reconhecido importante marcador, ou seja, a região de sequências de DNA repetitivas no final de um cromossomo. Os telômeros protegem as extremidades dos cromossomos de ficarem desgastadas ou emaranhadas. Cada vez que uma célula se divide, os telômeros ficam ligeiramente mais curtos, indicando o envelhecimento celular. Eventualmente, eles se tornam tão curtos que a célula não pode mais se dividir com sucesso, se tornam senescentes, disfuncionais ou morrem.

Senolíticos

Nos últimos anos, a quercetina tem sido considerada uma agente “senolítica” que mostra poder eliminar um certo excesso de células senescentes.

As células senescentes produzem uma série de moléculas sinalizadoras, como interleucina-6 e interleucina-8, cujo excesso leva à inflamação crônica. Como essas mesmas células também desempenham papéis importantes ao longo da vida, inclusive no desenvolvimento embrionário, parto e cicatrização de feridas, o foco terapêutico está na retirada do seu excesso, consequentemente levando a uma redução na inflamação e estresse oxidativo, que por sua vez pode levar ao alongamento dos telômeros.

Todos os senolíticos agem da mesma forma? Não. Estudos mostram que algumas abordagens podem ser melhores ou complementares, desde que diferentes agentes senolíticos atingem diferentes tipos de células e origens da senescência celular.

O estudo

O estudo de Shatilo et al. teve como meta descobrir o efeito da quercetina sobre fatores endógenos de risco cardiovascular e biomarcadores de envelhecimento em adultos mais velhos (60-74 anos) com síndrome metabólica (SM).

Os investigadores escolheram a SM, primeiro, devido à sua atual prevalência, definindo-se como uma combinação de fatores de risco cardiovascular endógenos, diabetes mellitus tipo 2, neoplasias malignas e comprometimento cognitivo. O desenvolvimento da SM é baseado na resistência à insulina, que também é um dos principais fatores endógenos do envelhecimento humano acelerado.

O número de achados anteriores apontando o efeito favorável da quercetina no estado do metabolismo de carboidratos foi outra importante influência para a sua escolha do status de saúde dos participantes do estudo.

Esse efeito pode ser explicado por sua ação protetora nas células β das ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langherans) e um aumento na secreção de insulina, bem como uma melhora na sensibilidade à insulina. Os efeitos vasoprotetores da quercetina são realizados pela redução da atividade do processo inflamatório no endotélio vascular, aumentando a atividade da NO-sintase endotelial (eNOS), o que leva a um aumento do nível de óxido nítrico nas células endoteliais e a uma consequente melhora da função das mesmas.

Sabe-se também que com o envelhecimento, a sensibilidade do corpo à hipóxia aumenta e a resistência à hipóxia diminui, o nível de oxigênio livre nos tecidos diminui, o conteúdo de produtos suboxidados aumenta e as reações de glicólise são ativadas.

O protocolo

Foram formados dois grupos de pacientes. Os pacientes do grupo principal (n=55) tomaram quercetina na dose diária de 240 mg por três meses. Os pacientes do grupo controle (n=55) tomaram placebo (não especificado).

Ambos os grupos tomavam inibidores da ECA, estatinas e ácido acetilsalicílico (75-100 mg/dia) em dose constante por pelo menos um mês antes da inclusão no estudo e durante a participação no estudo como terapia básica.

Os achados

Em três meses, a quercetina teve um efeito corretivo favorável nos fatores de risco cardiovascular endógenos da maioria dos pacientes:

  • Melhor metabolismo de carboidratos e lipídios. Após o uso de quercetina, a frequência de detecção de distúrbios pré-diabéticos do metabolismo de carboidratos diminuiu: a glicemia de jejum reduziu de 51 para 33%, e a tolerância à glicose prejudicada caiu de 44 para 13%. A diminuição dos níveis de glicose no plasma foi acompanhada por uma tendência à diminuição do índice de resistência à insulina НОМА-IR.
  • Melhor função vasomotora do endotélio dos microvasos. O uso de quercetina levou a um aumento estatisticamente significativo da velocidade volumétrica máxima do fluxo sanguíneo cutâneo (SBFv) no teste com hiperemia reativa pós-oclusiva.
  • A melhora endotelial também foi influenciada pela redução estatisticamente significativa da pressão arterial sistólica de 7,2 ± 1,2 mm Hg (p< 0,05) e tendência à diminuição da pressão arterial diastólica em 3,24 ± 1,8 mmHg (p> 0,05).
  • A quercetina aumentou a resistência dos pacientes aos efeitos da hipóxia. Dentre outros, verificou-se que o seu uso levou a uma diminuição menos significativa no índice de saturação sanguínea sob condições hipóxicas.
  • Os pacientes que receberam o flavonoide apresentaram aumento estatisticamente significativo (teste de Wilcoxon) no comprimento dos telômeros leucocitários de 0,71 (0,63 – 0,82) para 0,78 (0,68 – 0,85) (p = 0,02). No grupo controle, o comprimento dos telômeros não mudou durante o período de observação de 3 meses (p = 0,35)

Fontes:

Shatilo V, et al. Quercetin effect on endogenous factors of cardiovascular risk and ageing biomarkers in elderly people.

Salehi B, et al.Quercetin Therapeutic Potential of Quercetin: New Insights and Perspectives for Human Health | ACS Omega

Vitamina C como abordagem prática na proteção à poluição do ar

Desde a publicação científica da American Heart Association sobre poluição do ar e doenças cardiovasculares, em 2010, evidências inequívocas do papel danoso – causal – das partículas poluentes finas ≤ 2,5 μm de diâmetro (PM2,5) se solidificaram além das questões respiratórias. 

Dado o papel central do estresse oxidativo e, dentre outros mecanismos, a disfunção endotelial, como vias de iniciação do risco cardiovascular mediado por PM2,5, um estudo recém-publicado no Ecotoxicology and Environmental Safety aumentou a evidência de que uma estratégia nutricional preventiva pode ser por meio da suplementação de vitamina C. 

Realizado num campo universitário, em Shijiazhuang (China), o estudo cruzado, randomizado e duplo-cego contou com a participação de 58 adultos jovens saudáveis, os quais foram aleatoriamente designados para o grupo vitamina C (2000 mg/d) ou grupo placebo por uma semana, alternando com um período de washout de 2 semanas. Na ocasião, quinze biomarcadores circulantes foram medidos. 

A suplementação de vitamina C foi significativamente associada às diminuições de:

•   19,47% na interleucina-6 (IL-6);

•   17,30% no fator de necrose tumoral-a (TNF-α);

•   34,01% na proteína C reativa (PCR);

•   37% da pressão arterial sistólica (PAS); 

•   6,03% da pressão de pulso (PP). 

Além das diminuições identificadas, a glutationa peroxidase (GSH-Px) aumentou significativamente em 7,15%.

Pelos resultados benéficos obtidos em tão curto período, o estudo traz um possível racional estratégico tanto para indivíduos suscetíveis que vivem em ambientes com maior exposição à poluição do ar quanto para aqueles expostos de maneira mais pontual, como durante viagens para tais locais

Fontes:

Rajagopalan et al. Quercetin Personal-Level Protective Actions Against Particulate Matter Air Pollution Exposure: A Scientific Statement From the American Heart Association

Ren J, et al. Quercetin Vascular benefits of vitamin C supplementation against fine particulate air pollution in healthy adults: A double-blind randomised crossover trial – ScienceDirect

 

Meta-análises: vitamina K2 na prevenção da osteoporose

Entre o aspecto nutricional preventivo na perda óssea, vários estudos vêm revelando a importância do aporte da vitamina K2 (VK) – especialmente nos adultos e idosos. Com a crescente publicação de estudos randomizados e controlados, duas revisões sistemáticas e meta-análises foram recém-publicadas, fornecendo assim um panorama quantitativo atual sobre esse importante tema. 

A investigação de Salma et al., publicada recentemente em Biomedicines, teve como objetivo analisar o papel da VK, administrada durante mais de seis meses, sobre a densidade mineral óssea (DMO) e risco de fraturas em adultos. A análise destaca que a VK diminuiu o risco geral de fratura, no entanto, os investigadores não encontraram evidências suficientes sobre a significância da VK na DMO do colo do fêmur.

Já a revisão sistemática e meta-análise de Zhou et al., publicada no Journal of Bone and Mineral Metabolism teve como objetivo confirmar se a suplementação da VK – a qual vem sendo usada na prevenção e tratamento da osteoporose no Japão –, é, de fato, eficaz em mulheres na                    pós-menopausa com osteoporose. 

Os investigadores encontraram que a VK desempenha um papel importante na manutenção e melhora da DMO nessas mulheres. Entre outros, a sua suplementação foi associada a uma alteração percentual significativamente maior da DMO lombar e DMO do antebraço (WMD 2,17, 95% CI [1,59–2,76] e WMD 1,57, 95% CI [1,15–1,99]), respectivamente. 

Fontes:

Salma et al.Quercetin Effect of Vitamin K on Bone Mineral Density and Fracture Risk in Adults: Systematic Review and Meta-Analysis

Zhou et al. Quercetin Efficacy and safety of vitamin K2 for postmenopausal women with osteoporosis at a long-term follow-up: meta-analysis and systematic review | SpringerLink

Saúde da pele: estudo da estratégia “in&out”

Desde o ano 2000, a administração oral de moléculas nutricionais tem sido relatada para melhorar a saúde da pele – “nutricosmética” – desde a camada interna até a dérmica, assim como nas camadas estruturais e funcionais externas. Dentre os relatos científicos, um  exemplo bem conhecido de nutricosmético é a suplementação de colágeno e/ou seus precursores.

Um estudo clínico recém-publicado em Cosmetics deu um passo a mais. Carlomagno et al. (2022) avaliaram a eficácia da estratégia “In&Out” para a saúde da pele, ou seja, o uso concomitante de um mesmo princípio ativo por duas vias diferentes: oral e tópica. 

No estudo, o ácido hialurônico de espectro amplo (sob diferentes pesos moleculares – baixo, médio e alto) foi administrado como ingrediente ativo de um produto cosmético e como principal constituinte de um nutricosmético para avaliar sua eficácia na amenização dos sinais de envelhecimento da pele. 

O ácido hialurônico sob diferentes pesos moleculares permite uma melhor biodisponibilidade, entrando diretamente na circulação e interagindo com o receptor celular, principalmente o CD44, podendo promover fortemente a própria síntese endógena de ácido hialurônico na pele.

Setenta e cinco mulheres (idade média 55,8 ± 7,3) foram aleatoriamente designadas para os seguintes grupos por 4 semanas: um nutricosmético (oral) ativo + um cosmético (tópico) placebo; um cosmético ativo + um nutricosmético placebo; e uma combinação dos dois produtos contendo o ingrediente ativo ácido hialurônico. 

A melhora de todas as medidas de resultado (hidratação da pele, elasticidade, firmeza e perfilometria) foi alcançada por todos os tratamentos (p < 0,05); no entanto, o tratamento combinado resultou em uma melhora adicional da pele em relação aos dois tratamentos ativos em separado (p < 0,001). A administração concomitante de ácido hialurônico pela via oral e tópica também resultou num prolongamento dos efeitos – “lasting effects” –,  observado durante o período de acompanhamento de 2 semanas.

Fonte:
Carlomagno et al. Anti-Skin-Aging Effect of a Treatment with a Cosmetic Product and a Food Supplement Based on a New Hyaluronan: A Randomized Clinical Study in Healthy Women

 

Meta-análise: dose-resposta de ômega-3 para a pressão arterial

Em meta-análises passadas, foi examinada a associação entre a ingestão de ácidos graxos poli-insaturados ω3 (ômega-3  EPA, DHA ou ambos) e a pressão arterial (PA), as quais não conseguiram revelar uma relação dose-resposta significativa ou mostraram tendências conflitantes. Essas meta-análises anteriores examinaram a relação dose-resposta usando abordagens de agrupamentos que não levam em consideração as correlações entre os efeitos em diferentes níveis de dose.

Após uma revisão abrangente da literatura, uma meta-análise recém-publicada no Journal of the American Heart Association (JAHA) teve como objetivo caracterizar com mais precisão o efeito dose-resposta do ômega-3 na PA na população geral e subgrupos relevantes.

Dos 3.066 estudos controlados randomizados, Zhang et al. (2022) encontraram 71 elegíveis (publicados entre 1987 e 2020), gerando uma amostra de 4.973 participantes (22-86 anos). As doses testadas variaram de 1g a 5g/dia, duração média de dez semanas.

Dentre seus achados, destacam-se:

– maior redução da PA em grupos de maior risco cardiovascular, como aqueles com hipertensão não tratada (≥140/90 mm Hg) ou hiperlipidemia;

– uma relação dose-resposta não linear significativa para a PA sistólica (P = 0,0001) e diastólica (P = 0,0073);

– PA sistólica, resultado clinicamente significante, −2,61 mm Hg (IC 95%, −3,52 a −1,69), com 3 g/d de DHA+EPA, em comparação com 0 g/d;

– identificada a dose-resposta para a PA de 2 a 3 g/dia.

Vale a pena notar que as intervenções de EPA/DHA na maioria dos estudos incluídos foram via suplementação (óleos de peixe ou algas). Sem contestar os benefícios da ingestão de animais marinhos e algas, a realidade é que o conjunto de estudos e o laboratório independente OmegaQuant, que mede a quantidade de EPA e DHA nas membranas dos eritrócitos (Omega-3 Index), vêm mostrando que a maioria das pessoas não consegue atingir uma ingestão suficientemente alta de ômega-3 apenas com alimentos.

Fonte:
Zhang et al. Omega‐3 Polyunsaturated Fatty Acids Intake and Blood Pressure: A Dose‐Response Meta‐Analysis of Randomized Controlled Trials | Journal of the American Heart Association

Interação entre colina e DHA durante a gestação

Um estudo recém-publicado no The American Journal of Clinical Nutrition encontrou que, no período pré-natal, suplementar colina – um nutriente pró-cognição – em conjunto com o ácido graxo ômega-3 DHA ajuda o corpo a usar de forma mais eficiente o próprio DHA, o qual é essencial para o desenvolvimento do cérebro, da visão e cognição do feto.

A intervenção de 550 mg/dia de colina suplementar (n = 17) ou o controle de 25 mg/dia de colina (n = 16) foram iniciados na idade gestacional de 12 a 16 semanas e continuaram até o parto. Ao longo desse período, todas as gestantes que participaram da pesquisa receberam 200 mg/dia de DHA suplementar e um multivitamínico/mineral.

Elas visitaram o centro de pesquisa em três ocasiões distintas, nas quais forneceram amostra de sangue em jejum de 8-10 horas. Na mesma ocasião, medidas de altura, peso, mudanças no estado de saúde, dieta e uso de medicamentos/suplementos foram registrados. Amostras de sangue materno, assim como de cordão umbilical, foram também coletadas no momento do parto.

O estudo, classificado como controlado e randomizado, revelou que o grupo de intervenção mostrou melhoras significativas nos biomarcadores do status materno de DHA. Possivelmente, segundo os pesquisadores, ocorreu uma maior eficiência do manejo hepático, bem como uma mobilização e utilização extra-hepática do DHA, o que gera uma importante reflexão para os protocolos nutricionais gestacionais que indicam a suplementação de DHA somente.

De fato, apesar da ingestão semelhante de DHA entre os diferentes grupos participantes, Klatt et al. (2022) observaram um aumento relativo de quase 75% no status materno de DHA no grupo de intervenção em comparação com o de controle.

Sua descoberta amplia a compreensão sobre o momento inicial da suplementação de colina na gestação e indica que, possivelmente, para uma melhor janela de atuação, o ideal é não retardar para o terceiro trimestre.

Fonte:

Klatt K. et al. Prenatal choline supplementation improves biomarkers of maternal docosahexaenoic acid status among pregnant participants consuming supplemental DHA: a randomized controlled trial

 

Associação entre a vitamina D, a melatonina e o sono

Entre tantas ações biológicas no organismo, a pesquisa sobre a vitamina D vem revelando seu papel direto e indireto na regulação do sono. Crescentemente, as evidências sustentam o valor da sua suplementação na prevenção ou no tratamento de distúrbios do sono relacionados a esse período de repouso.

Entre elas, os receptores da vitamina D e as enzimas que controlam sua ativação e degradação são expressos em diversas áreas do cérebro envolvidas na regulação do sono, e a vitamina D possui função-chave na regulação da via serotoninérgica e na produção da melatonina.

Além disso, tanto a vitamina D quanto a melatonina participam da imunomodulação, melhoram a defesa imunológica e exibem outras atividades fisiológicas em comum, como regular os ritmos circadianos e a temperatura corporal, aumentar o desempenho físico e a captação de glicose nos músculos, além de prevenir o acúmulo de lipídios.

Um pequeno estudo intervencional em jovens adultas parece acrescentar evidência à ciência clínica sobre este curioso tema ao nos trazer o resultado de sua investigação da ingestão noturna de melatonina sobre os níveis de vitamina D, de acordo com os ciclos menstruais de jovens (média, 21,63 ± 0,94 anos) sem obesidade.

Durante a fase folicular, os níveis de vitamina D das participantes do estudo apresentaram aumentos significativos após a suplementação de melatonina, em comparação com o grupo placebo (P=0,001). Por sua vez, na fase lútea, o aumento dos níveis da vitamina não se mostraram significativos (P=0,7).

Fonte:

Fendri S. et al. Effect of nighttime melatonin intake on vitamin D levels

Efeitos da vitamina E, silimarina e carnitina nas anormalidades metabólicas associadas à doença hepática não alcoólica

O acúmulo de gordura excessiva no fígado é o denominador comum subjacente à causa mais comum e emergente da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Com o aumento da ocorrência do sobrepeso/obesidade, resistência insulínica e síndrome metabólica, é suposto que a prevalência de DHGNA seja de 24-25% na população geral.

Devido à dificuldade na precisão do diagnóstico, esses números podem não refletir a realidade. Os testes baseados em ultrassom, por exemplo, apresentam dificuldade para diagnosticar doenças hepáticas mais avançadas, como a esteatose hepática e a fibrose hepática.

Possibilidades de tratamento

Na ausência de medicamentos específicos disponíveis para tratar a DHGNA e doenças hepáticas mais avançadas, em geral, são prescritos a melhora da qualidade da dieta; o aumento da atividade física; medicamentos para controlar a glicemia, pressão arterial e lipídios sanguíneos; e/ou, em casos selecionados, a cirurgia bariátrica ou gastroplastia.

Em associação com essas prescrições, a utilização de antioxidantes, especialmente a vitamina E, já apresentou evidência considerável em estudos randomizados, duplo-cegos, ao reduzir a atividade inflamatória e até mesmo ajudar na regressão da esteatose hepática de pacientes.

Entre eles, um estudo publicado no New England Journal of Medicine comparou os efeitos terapêuticos da vitamina E (800UI/dia) e pioglitazona (30mg/dia) versus placebo em indivíduos sem diabetes tipo 2. A intervenção durou 96 semanas, quando uma biópsia hepática foi realizada, e os indivíduos foram então acompanhados por mais 24 semanas.

A terapia com vitamina E, em comparação com placebo, foi associada a uma taxa significativamente maior de melhora ou resolução na esteatose hepática (43% vs. 19%, P = 0,001; número necessário para tratar, 4,2). A terapia com pioglitazona, em comparação com placebo, não atingiu o nível de significância pré-especificado de 0,025 (34% vs. 19%, P = 0,04; número necessário para tratar, 6,9).

Embora a pioglitazona não tenha atingido o nível de significância nas características histológicas da esteatose hepática, e os pacientes que a receberam ganharam mais peso, ela foi associada a reduções significativas em outros marcadores, como a inflamação lobular.

Essa observação é importante, especialmente no caso de processos complexos como os encontrados na DHGNA, os quais exigem múltiplas abordagens terapêuticas.

Seguindo os subsequentes achados sobre o uso da vitamina E para a saúde hepática, bem como doença cardiovascular e diabetes tipo 2, mais recentemente, um estudo publicado em Journal of Dietary Supplements reportou seu experimento que usou uma menor dose de vitamina E (200UI) em conjunto com a silimarina (750mg) e L-carnitina (1g), versus placebo (farinha de arroz), em pacientes com DHGNA diagnosticados com biópsia hepática ou estudos radiográficos mais transaminases.

Resumidamente, dentre os achados de diversos estudos anteriores que influenciaram no racional da formulação do experimento, Poulos et al. referenciam:

Vitamina E: um importante antioxidante lipossolúvel para a saúde hepática, que mostrou reduzir as respostas inflamatórias no fígado, evitando a localização nuclear de NF-kB, diminuindo a expressão de COX-2 e sobrecarregando a expressão de citocinas TNF-alfa, IL-1, IL-2, IL-4, IL-6 e IL-8.

Silimarina: os efeitos anti-inflamatórios e antifibrogênicos da silimarina (Sylibum marianum) se mostraram devidos à inibição da 5-lipoxigenase, NFKB e JNK, redução nas concentrações de leucotrieno B4, aumento da expressão de SOD em linfócitos e eliminação de radicais hidroxila. Na DHGNA, reduziu as alterações bioquímicas e ultrassonográficas induzidas pela doença.

O composto antioxidante da planta também demonstrou melhorar a infiltração gordurosa do fígado e da função hepática em crianças e adolescentes, e as revisões mostraram que é eficaz na prevenção ou alívio de muitos dos componentes da síndrome metabólica, incluindo DCV e diabetes 2. Em pacientes com diabetes, o tratamento com silimarina (200mg/dia) por 4 meses resultou em uma diminuição significativa nos níveis de HbA1c, glicemia de jejum, colesterol total, LDL, triglicerídeos, ALT e AST, em comparação com placebo.

L-carnitina: a sua demanda pode superar a capacidade de um indivíduo de sintetizá-la, tornando esse aminoácido um micronutriente temporariamente essencial, como encontrado em pacientes com DHGNA e doença renal. Vários estudos relataram a atividade da carnitina na interrupção do aumento de ROS relacionado à idade, peroxidação lipídica, hiperlipidemia, na melhora da resistência à insulina, perda de peso, doença arterial periférica, angina pectoris, infertilidade masculina, função imune, níveis glicêmicos, dor neuropática e regeneração do nervo.

Específico à DHGNA, a carnitina pode ter um efeito protetor, não apenas reduzindo o estresse oxidativo hepático, mas também a expressão proteica de TNF-a e TGF-b1 e suprimir a perda de massa muscular esquelética entre aqueles com cirrose. Em pacientes com hepatite C e esteatose tratados com ribavirina e interferon, a coadministração com carnitina (2g/dia) resultou em melhorias nas anormalidades das enzimas hepáticas, hiperlipidemia, esteatose hepática, inflamação e fibrose.

Resultados da atuação conjunta

Os resultados desse recente estudo, mesmo que preliminares (n = 25; idade média, 56; duração, 18 semanas), parecem indicar uma possível ajuda clínica dos efeitos da vitamina E, silimarina e carnitina nas anormalidades metabólicas associadas à DHGNA.

Os pacientes tratados com o composto tiveram uma redução de 6,4% nos níveis séricos de glicose, enquanto os pacientes que receberam placebo sofreram um aumento de 18% (p < 0,05). Um aumento de 71% nos níveis séricos de insulina foi observado no grupo placebo, enquanto uma redução de 36% na insulina foi observada no grupo que recebeu o composto (p=0,02). Os níveis de HOMA foram reduzidos em 37% no grupo que recebeu o composto, enquanto os pacientes tratados com placebo tiveram um aumento de 5 vezes (p = 0,02).

Na semana 18, outros marcadores, como HBA1C, colesterol, PCR, AST e ALT mostraram tendências positivas no grupo que recebeu a vitamina  E + silimarina + L-carnitina –  possivelmente clínicas–, mas não estatisticamente significativas.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Hepatologia. Revista Monotemático. Doença hepática
gordurosa não Alcoólica.

Sanyal A , et al. Pioglitazone, Vitamin E, or Placebo for Nonalcoholic Steatohepatitis .

Associação entre a vitamina K e a saúde cognitiva

Os aspectos funcionais das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) vêm sendo melhor elucidados perante seus efeitos multidimensionais. No âmbito da resposta imune sistêmica, por exemplo, essas vitaminas exibem efeitos moduladores por meio da regulação das funções dos linfócitos, secreção de anticorpos e expressão de citocinas. O efeito anti-inflamatório é precisamente regulado por essas vitaminas, um importante aspecto a ser considerado para pacientes mais velhos, pacientes com dificuldades de absorção gástrica e/ou condições intestinais.  

Dentre essas vitaminas, o conjunto da pesquisa recente vem desvendando as reais participações da vitamina K em múltiplos fatores para a saúde cardiovascular e o metabolismo ósseo. No entanto, será que os níveis dessa vitamina poderiam estar associados com a função cognitiva?  

Um estudo recém-publicado através do Frontiers in Nutrition procurou responder essa hipótese, anteriormente indicada por estudos epidemiológicos, através da medição da osteocalcina descarboxilada (ucOC) de 800 adultos mais velhos (idade média = 75,9), no Japão. Eles foram convidados para um exame abrangente de saúde geriátrica, incluindo um Mini Exame do Estado Mental (MMSE) e um exame de sangue.

Os pesquisadores encontraram uma associação significativa de função cognitiva prejudicada e concentração de ucOC no tercil mais alto de ucOC, com a razão de chances de 1,65 (IC 95%, 1,06 a 2,59, P = 0,028). Quando a análise foi repetida com cada domínio do MMSE, o maior tercil de ucOC foi associado ao comprometimento de orientação, cálculo e linguagem.

Esse atual achado, além de mostrar que a baixa ingestão ou insuficiência de vitamina K está associada ao comprometimento cognitivo, nos traz à lembrança que, segundo estudos, antagonistas da vitamina K, usados mundialmente como anticoagulantes orais, mostraram poder influenciar negativamente domínios cognitivos, como memória visual, fluência verbal e volume cerebral.

Fonte:

Bischoff-Ferrari et al. Association of Vitamin K Insufficiency With Cognitive Dysfunction in Community-Dwelling Older Adults.

 

Combinação de ômega-3, vit. D e exercício na prevenção do câncer

Um estudo de acesso aberto, recém-publicado em Frontiers in Aging, mostra o poder preventivo de uma combinação de três tratamentos simples para reduzir o risco cumulativo de câncer invasivo em adultos com mais de 70 anos. 

O estudo DO-HEALTH foi projetado como multicêntrico (Suíça, França, Alemanha, Áustria e Portugal), duplo-cego, randomizado e controlado para testar o benefício individual e combinado da suplementação de 2.000 UI/dia de vitamina D3 e/ou 1g/dia de ômega-3 marinho e/ou um programa simples de exercícios de força em casa (SHEP), em comparação com placebo e exercícios de controle.

No total, 2.157 participantes (idade média de 74,9 anos; 61,7% mulheres; 40,7% com 25-OH vitamina D abaixo de 20/ml, 83% pelo menos moderadamente ativos fisicamente) foram randomizados. Ao longo de um seguimento médio de 2,99 anos, 81 casos de câncer invasivo foram diagnosticados e verificados. Para os três tratamentos individuais, as razões de risco ajustadas (HRs, 95% CI, casos de intervenção versus controle) foram 0,76 (0,49-1,18; 36 vs. 45) para vitamina D3; 0,70 (0,44-1,09, 32 vs. 49) para ômega-3; e 0,74 (0,48–1,15, 35 vs. 46) para SHEP. 

No caso de dois tratamentos combinados, as HRs ajustadas foram de 0,53 (0,28–1,00; 15 vs. 28 casos) para ômega-3 + vitamina D3; 0,56 (0,30–1,04; 11 vs. 21) para vitamina D3 + SHEP; e 0,52 (0,28–0,97; 12 vs. 26 casos) para ômega-3 + SHEP. 

Quando os três tratamentos foram combinados, a HR ajustada foi de 0,39 (0,18–0,85; 4 vs. 12 casos).

Portanto, cada um dos tratamentos proporcionou um pequeno benefício individual, mas quando todos os três tratamentos foram combinados, os benefícios se tornaram estatisticamente significativos, e os pesquisadores observaram uma redução geral no risco de câncer em 61%. O NNT para prevenir um caso incidente de câncer no acompanhamento de 3 anos com os três tratamentos combinados foi de 35 (IC 95%, 26–137).


Fonte:

Bischoff-Ferrari et al. Combined Vitamin D, Omega-3 Fatty Acids, and a Simple Home Exercise Program May Reduce Cancer Risk Among Active Adults Aged 70 and Older: A Randomized Clinical Trial

Whey protein + exercício em adultos com sobrepeso

O efeito da atividade física é bem conhecido por melhorar a composição corporal e promover um balanço energético negativo. Para otimizar esse efeito, muitos estudos mostraram melhores resultados ou tendências quando se adiciona a suplementação de whey protein ao plano de exercício.

No estudo recém-publicado no Thai Journal of Public Health, oitenta indivíduos foram pareados e designados aleatoriamente para 1 dos 4 grupos: controle; exercício; whey; ou whey + exercício. 

Todos os participantes apresentavam sobrepeso ou obesidade (IMC ≥23 kg/m2), e os grupos suplementados com whey protein (isolado e concentrado) consumiram a dose de 29 g diluída em água, 30 minutos antes do café da manhã e jantar, totalizando 58 g/dia. Composição corporal, lipídios, glicose e função renal foram avaliados nas semanas 0, 6 e 12. 

Sessenta e dois indivíduos completaram o estudo. Os autores Wongraweekul et al. (2022) encontraram que, após 12 semanas, o grupo whey + exercício apresentou gordura corporal, glicemia e colesterol total significativamente diminuídos, enquanto o grupo controle aumentou significativamente o peso corporal, IMC e percentual de gordura corporal em comparação com o valor basal (p < 0,05). As mudanças médias no peso corporal, IMC e percentual de gordura no grupo controle diferiram significativamente de todos os grupos de intervenção (p<0,05), ou seja, incluindo o grupo whey que não se exercitou. 

Todos os três grupos de intervenção apresentaram melhoras parelhas, mas, em comparação com o grupo somente exercício, os grupos somente whey e whey + exercício mostraram uma leve tendência positiva superior nos parâmetros bioquímicos: glicose, TG, LDL e HDL. 

Possivelmente, o significado dessa leve tendência positiva nos grupos whey poderia ser melhor investigada se a duração do estudo fosse mais longa. Aparentemente, os autores do estudo não observaram essa tendência, mas, de qualquer forma, observaram a necessidade de um estudo de maior duração devido a uma natural diminuição na ingestão alimentar nos três grupos de intervenção. 

No quesito função renal, a alteração média de ureia nitrogenada no sangue (BUN), creatinina e ácido úrico não diferiu significativamente entre todos os grupos nas 12 semanas (p > 0,05).

Fonte:

Wongraweekul et al. Effect of whey protein supplementation and exercise on body composition and biochemical indices among overweight and obese adults

 

Níveis de vitamina C em pacientes pré bariátrica

Entre o tradicional monitoramento da ingestão de água e macronutrientes na preparação de um paciente para sua cirurgia bariátrica, incluir o monitoramento para a elevação dos níveis de certos micronutrientes pode otimizar os resultados metabólicos da intervenção. Um estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition exemplifica essa importante ajuda através da vitamina C. 

Um total de 253 pacientes com sobrepeso ou obesidade foram recrutados para a realização do estudo. Eles foram divididos em dois grupos: A (vitamina C < 34 ug/ml) e grupo B (vitamina C ≥ 34 ug/ml). Os parâmetros metabólicos de glicose e lipídios foram comparados e foi medido o status da vitamina antes da gastrectomia vertical (sleeve gástrico) e 6 e 12 meses após a cirurgia.

Yin et al. (2022) encontraram no grupo A níveis mais elevados de peso corporal, IMC, circunferência do pescoço, circunferência da cintura, circunferência do quadril, relação cintura-quadril, frequência cardíaca, pressão sistólica diastólica, glicemia pós-prandial de 2 horas, insulina de jejum, insulina pós-prandial de 2 horas, hemoglobina glicosilada, HOMA-IR, colesterol total, TG e ácidos graxos livres, e níveis menos elevados do colesterol HDL, em comparação com o grupo B – que apresentava melhores níveis de vitamina C antes do sleeve gástrico (p < 0,05).

A análise de regressão logística mostrou que níveis de vitamina mais baixos representaram um fator de risco independente de hipertrigliceridemia, obesidade e baixo HDL-C.


Fonte:

Yin, J. et al. Vitamin C status and its change in relation to glucose-lipid metabolism in overweight and obesity patients following laparoscopic sleeve gastrectomy

Melatonina e saúde bucal

A doença periodontal (periodontite) tem sido associada a várias condições sistêmicas, incluindo resultados adversos na gravidez, doenças cardiovasculares, endocardite, diabetes tipo 2, distúrbios respiratórios, pneumonia, osteoporose, Alzheimer, doença renal crônica, síndrome metabólica e, possivelmente, relaciona-se até mesmo com a disfunção erétil (em conjunto com eventos cardiovasculares).

De fato, a periodontite é a infecção oral mais comum que, geralmente, se mostra presente na maioria das doenças que afetam profundamente a longevidade saudável, estando associada ao aumento do risco de mortalidade por todas as causas. Sua característica inflamação crônica lembra a importância vital da conexão sistêmica bucal.

Crescentemente utilizada de maneira suplementar na prática clínica para ajudar no tratamento de várias condições ou doenças, nos últimos anos, estudos vêm reportando níveis séricos de melatonina mais baixos em pacientes com periodontite, em comparação com indivíduos saudáveis. Outros vêm reportando resultados positivos da suplementação de melatonina como tratamento adjuvante em procedimentos odontológicos.

Isso pode surpreender muitos. No entanto, lembramos que a melatonina, primeiramente mais pensada como envolvida no ritmo circadiano / sono, demonstrou exercer seus efeitos terapêuticos em várias áreas da saúde através de múltiplas ações com seu potencial anti-inflamatório, antioxidante, antimicrobiano, osteogênico, biomarcador e, essencialmente, como agente imunomodulador.

Na realidade, o surpreendente é que mesmo a sua função mais conhecida – de indutora ao sono – está associada à saúde bucal. A disrupção do ritmo circadiano pode prejudicar o primeiro mecanismo de defesa na frente periodontal. Sabe-se que o grau do estágio da periodontite está associado à curta duração do sono, baixa qualidade do sono e baixa qualidade de vida relacionada à saúde bucal. Juntamente com esses e outros aspectos, a melatonina está ligada à integridade estrutural do periodonto.

Tratamento adjuvante

No ano passado, pesquisadores brasileiros (de Oliveira et al., 2021) publicaram em Oral Diseases uma revisão sistemática da literatura sobre a melatonina como tratamento adjuvante em procedimentos odontológicos. Foram incluídos 25 artigos (n = 1417) entre os quais o objeto de pesquisa abrangia diferentes situações, como carcinoma, implante, periodontite, extração dentária, ansiedade, mucosite oral e cirurgias.

Ao focar somente nos resultados encontrados na doença periodontal, doze deles mostraram que quando a melatonina foi administrada, ocorreram melhoras do índice gengival, profundidade da bolsa, índice periodontal e sangramento à sondagem (BOP). Alguns indicaram a redução de mediadores inflamatórios, como fosfatase alcalina, osteocalcina (OCN), osteopontina (OPN), RANK, RANKL,TNF-a, IL-6 e prostaglandina 2 (PGE2).

O tratamento da doença periodontal associado ao uso de melatonina tópica (concentração a 1%, durante 20 dias antes) ou sistêmica (1-6 mg/dia, 30-60 dias antes) apresentou resultados satisfatórios, revelando que independente da via de administração, a melatonina pode atuar como terapia adjuvante no tratamento dessa doença.

Quando usada topicamente, sua dosagem não precisa ser alta para alcançar sua eficiência, provavelmente, devido seu contato direto com os tecidos. Para a administração oral, dependendo de qual condição e tecido, a dosagem de 2 mg/dia mostrou-se suficiente. No entanto, são necessárias doses mais altas para condições emocionais, como ansiedade pré-operatória.

Papel biomarcador

Recém-publicada no Asian Journal of Dental Sciences, uma revisão sistemática e meta-análise foi realizada com intenção comparativa sobre o nível de melatonina salivar entre indivíduos com periodontite ou não. Nela, Baskaran et al. (2022) encontraram de maneira significativa (P < 0.001) que níveis variados de melatonina na saliva, quando detectados, podem abrir caminho para o diagnóstico, comprovando seu papel como biomarcador.

Os níveis de melatonina salivar são aproximadamente de um quarto a um terço daqueles na circulação geral (variando de 1 a 5 pg/mL durante o dia e até 50 pg/mL à noite). Acredita-se que a melatonina salivar entra passivamente nas células mucosas/serosas das glândulas salivares maiores (glândulas parótidas, submaxilares e sublinguais).

No estudo, a formulação tópica de melatonina demonstrou causar uma redução nos níveis de GCF (fluido crevicular gengival), IL-1 beta, IL-6 e PGE2, juntamente com uma redução nos níveis salivares de TNF alfa e uma melhora geral na insônia. Tanto a via oral quanto a tópica causaram uma redução nos níveis salivares séricos de PCR (proteína C reativa) e TNF-alfa, concluindo-se que a suplementação melhora a condição periodontal.

Melatonina na periodontite e obesidade

Ainda mais recente, um estudo (Ismail et Mahmood; 2022) investigou os efeitos da ingestão sistêmica de melatonina nos perfis lipídicos em 60 pacientes com obesidade que apresentavam periodontite, em comparação com 20 indivíduos com peso normal e periodonto saudável (controles) não suplementados.

Para melhor efeito comparativo, os pacientes com obesidade foram divididos em dois grupos: 30 foram submetidos apenas à raspagem e alisamento radicular (SRP); e 30 submetidos à SRP e suplementados com 5mg de melatonina por 1 mês.

Os pesquisadores concluíram que a suplementação oral diária melhorou significativamente a saúde periodontal (índice de placa), mas não o BOP. Quanto aos perfis lipídicos, ocorreram reduções do colesterol total, TG e LDL, e aumento do HDL.

População pediátrica

Na área pediátrica, observa-se que a prevalência de gengivite em crianças pode ser semelhante ou maior do que a cárie dentária. No entanto, a apresentação clínica da progressão/gravidade da gengivite na dentição decídua só é evidente quando a magnitude do infiltrado de células inflamatórias se aproxima da superfície gengival refletida pelos tecidos inflamados.

Apesar de sua aparência clínica relativamente “benigna”, o estabelecimento de inflamação crônica dos tecidos periodontais na infância pode ter o potencial de destruição tecidual local levando à periodontite e/ou criar um ambiente de risco, podendo afetar os tecidos ao longo da vida.

Enquanto aguardam-se mais estudos sobre a melatonina na saúde bucal dessa população, já temos evidências pediátricas indicando que as propriedades ansiolíticas e analgésicas da melatonina podem ajudar a amenizar o medo e a ansiedade odontológica – fundamental para tratamentos de prevenção e adesão a tratamentos invasivos.



Fontes:

Baskaran , et al.   Melatonin and Periodontitis – A Systematic Review and Meta Analysis

Ismail HS , et al.  Effect of melatonin supplementation on the gingival health and lipid profiles in obese periodontitis patients

Mesa F, et al. Patients with periodontitis and erectile dysfunction suffer a greater incidence of major adverse cardiovascular events: A prospective study in a Spanish population

Fischer R, et al. Periodontal disease and its impact on general health in Latin America. Section V: Treatment of periodontitis

Carmo A, et al. Association Between Erectile Dysfunction And Periodontal Disease

Arif S, et al. Moving with your biological rhythm: A review on Melatonin and Periodontitis

Poggi E, et al.  Anxiolytic and Analgesic Effects of Melatonin in Paediatric Dentistry

Isomaltulose vs sacarose na hidratação

Em janeiro passado, reportamos um estudo clínico sobre o efeito da isomaltulose – também conhecida como Palatinose – sobre a saúde arterial. Em comparação com a sacarose e a glicose, o consumo da isomaltulose mostrou inibir o aumento da rigidez arterial em adultos saudáveis, o que geralmente ocorre com o avanço da idade e/ou em estados hiperglicêmicos.

No conjunto, partindo de hipóteses distintas, diversos estudos sobre o uso da isomaltulose como adoçante vêm chegando a achados associados positivos.

Anteriormente, em adultos jovens no estado desidratado, Amano et al. (2021) relataram no European Journal of Nutrition que a ingestão de uma bebida adoçada com isomaltulose foi associada a uma melhor retenção líquida (e equilíbrio hídrico), em comparação com a sacarose.

Esse potencial se mostra importante inclusive para a saúde do coração, como acaba de reportar Dmitrieva et al. (2022) em seu estudo publicado no European Heart Journal. Os pesquisadores descobriram que manter uma boa hidratação ao longo da vida pode retardar o declínio da função cardíaca e diminuir a prevalência de insuficiência cardíaca.

Agora, recém-publicado em Physiology & Behavior, Amano et al. 2022 relataram um pequeno estudo randomizado e cruzado, onde testaram o consumo de bebidas com eletrólitos adoçadas com isomaltulose ou sacarose por adultos jovens. Sendo a isomaltulose um carboidrato de baixo índice glicêmico e insulinêmico (IG 32), desta vez eles investigaram se o estado de hidratação pode ser impactado de forma diferente, em comparação com a sacarose (IG 103) e a água (IG 0, controle), avaliando o índice de hidratação das bebidas (BHI).

Descobriram que a ingestão de isomaltulose atenuou a produção de urina em comparação com água e sacarose (P ≤ 0,005) no período de 3 h pós-ingestão. O BHI maior (2,02 e 1,53 avaliado em 2 e 3 h após a ingestão) ocorreu com a ingestão da bebida isomaltulose em comparação com a bebida sacarose (1,37 e 1,20, respectivamente) ou água (1,00).

Aumentos na glicose e lactato no sangue, índices de absorção e utilidade da glicose foram retardados no grupo isomaltulose, em comparação com o grupo sacarose, o que se mostra positivo na hidratação do dia a dia. Importante distinguir aqui, portanto, que, no caso de uma emergência, p.ex., um atleta com sinais de desidratação durante uma competição, a utilização da sacarose pode ser mais eficaz para facilitar uma reidratação (aguda) mais rápida.

Já a isomaltulose vem cada vez mais se mostrando uma boa alternativa de adoçante para bebidas tanto no estado euhidratado quanto desidratado não emergencial.

Fontes:

Kobayashi R., et al.  Effects of Different Types of Carbohydrates on Arterial Stiffness: A Comparison of Isomaltulose and Sucrose.

Amano T., et al.  Comparisons of isomaltulose, sucrose, and mixture of glucose and fructose ingestions on postexercise hydration state in young men.

Amano T., et al.  Comparison of hydration efficacy of carbohydrate-electrolytes beverages consisting of isomaltulose and sucrose in healthy young adults: A randomized crossover trial.

Dmitrieva N., et al. Middle age serum sodium levels in the upper part of normal range and risk of heart failure.

 

Folato na prevenção de demências

Cresce evidência sobre a importância de níveis ótimos de vitamina B9 (folato) para a saúde cerebral no longo prazo. Demais membros do complexo B participam da proteção.

Uma nova revisão sistemática publicada (Martinez et al. 2022) em Nutrients solidifica o encontrado pela revisão sistemática e meta-análise publicada no ano passado (Wang et al. 2021) em Nutrition Reviews: uma maior ingestão do complexo B, em especial do folato, está associada ao atraso ou risco reduzido de demência na população de adultos mais velhos sem demência.

Se causa reversa ou não, o fato é que, entre outros, níveis do complexo B – como B1, B9 e B12 –, tendem a reduzir com o avanço dos anos. Mecanismos hipotéticos que explicam essa associação são, p.ex., que a deficiência de folato afeta o nível de homocisteína e, portanto, o risco vascular de demência e/ou que a deficiência de folato afeta o reparo prejudicado do DNA neuronial, sensibilizando-o ao dano oxidativo – acelerando assim o dano celular.

Ademais, achados anteriores associaram a depressão a maiores chances de demência – mesmo mais de 20 anos após o diagnóstico. Considerando essa associação, é importante computarmos um estudo baseado na população de adultos mais velhos e idosos (≥ 60 anos) de Florianópolis, publicado em Research, Society and Development. Nele, Benfica et al. (2022) encontraram que a menor média de folato sérico, acima do nível considerado “deficiente”, associou-se à presença de sintomas de depressão após ajustes de controle.

Fonte:

Wang, Z., et al.  B vitamins and prevention of cognitive decline and incident dementia: a systematic review and meta-analysis.

Martínez, V., et al.  Vitamin Supplementation and Dementia: A Systematic Review.

Benfica, M., et al.  Depressive symptoms and serum levels of vitamins B12 and folate in elderly from Florianópolis/SC: Epifloripa Elderly Study.

Melatonina na potencialização da melhora da doença hepática gordurosa não alcoólica

Geralmente, em doenças associadas com a síndrome metabólica ocorre um aumento nas enzimas hepáticas transferases, especificamente, a alanina aminotransferase (ALT) e o aspartato aminotransferase (AST). Nos últimos anos, para a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), resultados de estudos realizados em animais e em humanos vêm mostrando que a melatonina possui um efeito positivo significativo nessas enzimas, bem como sobre outros marcadores pertinentes à presença de lesão hepática, assim, tornando-a uma potencial coadjuvante terapêutica.

Ilustrando o potencial da melatonina como uma coadjuvante terapêutica, Hajiaghamohammadi et al. (2022) investigaram seus efeitos em comparação com a metformina e a vitamina E sobre marcadores hepáticos, e publicaram seus resultados no Journal of Advances in Medical and Biomedical Research, um jornal médico revisado por pares com publicação bimestral.

Cento e quarenta pacientes com DHGNA foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: metformina, melatonina, vitamina E e placebo. Todos os grupos foram colocados no mesmo regime de dieta e tiveram as mesmas mudanças de estilo de vida para aumentar seu tempo de atividade diária.

A ultrassonografia foi utilizada para a avaliação da aparência do fígado. Peso, IMC, AST, ALT, perfil lipídico e glicemia em jejum foram medidos na linha de base, 3 meses e 6 meses depois. Todos os agentes terapêuticos causaram diminuição das aminotransferases. A metformina foi a mais potente na melhora do perfil lipídico e da aparência do fígado. Por outro lado, a melatonina conseguiu apresentar uma diferença significativa no LDL (P = 0,032) e AST (P <0,001).

Entre outros estudos que a testaram por si só, em 2020, Bahrami et al. realizaram um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, testando a melatonina vs placebo em pacientes com DHGNA.

No estudo, publicado em Complementary Therapies in Medicine, 45 pacientes receberam 6 mg/dia de melatonina ou placebo, 1h antes de dormir, durante 12 semanas.

Uma melhora significativa foi observada no peso (P = 0,043), circunferência da cintura (P = 0,027), circunferência abdominal (P = 0,043), pressão arterial sistólica (P = 0,039) e diastólica (P = 0,015), níveis séricos de leptina ( P = 0,032), hs-CRP (P = 0,024), ALT (P = 0,011), AST (P = 0,034), bem como o grau da esteatose (P = 0,020) no grupo tratado com melatonina em comparação com o placebo. A gama-glutamil transferase (GGT) não melhorou de maneira significativa, mas mostrou tendência de melhora. Os pacientes que receberam a melatonina não apresentaram eventos adversos.

Esses achados confirmam resultados anteriores; no entanto, quanto às trasnferases, alguns estudos anteriores indicaram efeitos positivos da melatonina sobre a GGT, mas não sobre a ALT e/ou a AST. Essa inconsistência de achados pode ser devida à duração do tratamento, dosagem/forma da melatonina e/ou tamanho da amostra. No entanto, um efeito positivo em comum entre a maioria dos estudos parece ser sua ação sobre o metabolismo lipídico no nível intracelular, como frequentemente observado através da via dependente de SIRT1.

Resumidamente, por exemplo, pelo contexto anti-inflamatório exercido pela melatonina, a ativação da SIRT1 modula a expressão de NLRP3. Evidências acumuladas sugerem que a ativação do inflamassoma NLRP3 aumenta o desenvolvimento de DHGNA em direção à fibrose. Após a ativação, o NLRP3 governa a secreção celular de IL-1β e IL-18, que posteriormente promove o desenvolvimento de resistência à insulina, dislipidemia e deposição de lipídios. Em vários animais modelos, a melatonina inibiu a ativação do inflamassoma NLRP3 (e de NF-κB), sugerindo que sua suplementação pode ser uma estratégia apropriada para prevenir a doença da DHGNA.

Adicionalmente, a ação anti-inflamatória da melatonina também está relacionada à sua atividade como otimizadora da função mitocondrial. E, recentemente, Pivonello et al. (2022) destacaram o seu papel fundamental como melhoradora de metainflamação e infecções na obesidade, abordando que a melatonina poderia regular o sistema imune atuando diretamente na morfologia e atividade do timo, além de regular o estresse oxidativo e a inflamação.

Chama a atenção da pesquisa que os muitos mecanismos que a melatonina participa são geralmente interativos e não completamente independentes, mostrando um grande potencial de ajuda em várias condições ou desequilíbrios metabólicos de saúde.

Portanto, é necessária a realização de estudos randomizados e controlados por períodos mais longos e em maior número de pacientes com DHGNA, testando a replicação dos achados anteriores, diferentes doses e horários de administração. Existe a hipótese, por exemplo, que para a homeostase da glicose, dependendo da genética do paciente com diabetes tipo 2, seria recomendado suplementar a melatonina longe das refeições – lembrando a sua característica modulação do ritmo circadiano.

Muito importante, a prevalência de DHGNA aumenta com a idade, mas ela vem mostrando uma crescente tendência na pediatria, aumentando juntamente com a epidemia mundial de excesso de peso. É urgente a necessidade de tratamentos eficazes para o excesso de gordura no fígado. Pelo seu nível de segurança de uso já evidenciado por múltiplos estudos em variadas áreas da medicina, esses recentes resultados vêm sinalizando a melatonina como uma potencializadora terapêutica para pacientes com DHGNA, em conjunto com mudanças de estilo de vida/dieta e/ou certos fármacos.

Fontes:

Hajiaghamohammadi A, et al.   Comparison of the therapeutic effect of Melatonin, Metformin and Vitamin E in treatment of Non-alcoholic Fatty Liver Disease: A randomized clinical trial .

Banerjee A, et al.  Potentially synergistic effects of melatonin and metformin in alleviating hyperglycaemia: a comprehensive review .

Pakravan H, et al. The Effects of Melatonin in Patients with Nonalcoholic Fatty Liver Disease: A Randomized Controlled Trial.

Mansoori A, et al. The effect of melatonin supplementation on liver indices in patients with non-alcoholic fatty liver disease: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials.

Pivonello C, et al. The role of melatonin in the molecular mechanisms underlying metaflammation and infections in obesity: A narrative review.

Garaulet M, et al. Interplay of Dinner Timing and MTNR1B Type 2 Diabetes Risk Variant on Glucose Tolerance and Insulin Secretion: A Randomized Crossover Trial

Quercetina na proteção contra o estresse

A quercetina, um importante flavonoide natural, está amplamente presente em frutas, vegetais e plantas medicinais. Devido aos seus efeitos potencialmente benéficos para a saúde humana, a quercetina tornou-se o foco da atenção medicinal. Entre os efeitos da quercetina bem estudados estão a melhora da resistência à insulina, regulação da homeostase da glicose e do ácido úrico, e inibição da inflamação, estresse oxidativo e apoptose.

Publicado no International Journal of Life Science and Pharma Research, um novo estudo de desenho paralelo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com a participação de 100 estudantes universitárias saudáveis, mas estressadas, nos traz um efeito não demonstrado anteriormente: a quercetina pode proteger contra o estresse.

O efeito da quercetina no estresse revelou melhora das alterações degenerativas do estresse psicológico, no fator de risco cardiometabólico e mecanismo de defesa oxidante-antioxidante.

Este feito foi alcançado em 30 dias com a dose de 200 mg/dia contida em barras dietéticas.

Fonte:

Mitra S., et al.  Supplementation of Quercetin Nutraceutical Ameliorates Stress among Female College Students.

 

Selênio na neurogênese hipocampal adulta

Como o exercício aumenta a neurogênese no hipocampo adulto? A resposta pode, em parte, estar no efeito do exercício de aumentar quantidades da proteína de transporte de selênio, a selenoproteína P (SEPP1). Este foi o achado do estudo em animais de Leiter et al. (2022), publicado em Cell Metabolism.

Os pesquisadores observaram que o selênio faz a mediação do aumento induzido pelo exercício na neurogênese no hipocampo adulto, aumenta a proliferação de precursores hipocampais e a neurogênese adulta, e foi capaz de reverter o declínio cognitivo no envelhecimento e na lesão hipocampal.

Descobriram isso ao rastrear proteínas que aumentam em abundância, em camundongos que se exercitavam em uma roda. Uma delas foi a proteína SEPP1, que ajuda a fornecer selênio ao cérebro. A depleção genética de SEPP1 ou seu receptor reduziu o efeito do exercício na proliferação de células precursoras neurais.

A suplementação dietética de selênio imitou o efeito do exercício e reduziu alguns dos defeitos cognitivos causados pelo envelhecimento.

Paralelamente, como um lembrete, um estudo transversal com estudantes universitárias, também recém-publicado, observou que evitar carnes e aves pode reduzir a ingestão de selênio, além de ácidos graxos ômega-3, vitamina B12, e zinco.

Fonte:

Leiter, O., et al.  Selenium mediates exercise-induced adult neurogenesis and reverses learning deficits induced by hippocampal injury and aging.

Complexo B, betaína, homocisteína e interações

Com o aumento da idade, observa-se uma relação inversa entre os níveis de homocisteína e vitaminas do complexo B. No entanto, essa relação também pode ser observada na população pediátrica. Grande parte da prevalência de níveis séricos elevados de homocisteína (Hcy) nessas populações é atribuída a uma baixa ingestão de vitaminas, como as do complexo B, além de outros fatores ambientais e genéticos.

O folato e as vitaminas B2, B6 e B12 são nutrientes essenciais para o metabolismo da Hcy, como a síntese de ácidos nucleicos e a geração do grupo metil. Evidências emergentes sugerem que o baixo status dessas vitaminas, em longo prazo, pode levar a uma série de condições de saúde, como a adiposidade, dislipidemia, disfunção endotelial vascular, intolerância à glicose e resistência à insulina. Consequentemente, a hiper-homocisteinemia pode atuar como um fator de risco às principais causas de mortalidade e morbidade em todo o mundo, além do risco de várias doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, cânceres e, possivelmente, síndrome metabólica.

A investigação sobre a síndrome metabólica (MetS) e os níveis baixos de vitaminas do complexo B é um pouco mais recente, mas os resultados consecutivos vêm mostrando a associação sob diferentes vias. De maneira panorâmica, Zhu et al. (2023) relatam através do seu estudo de coorte de 4.414 adultos americanos – acompanhados desde a idade média de 24,9 anos, por um período de trinta anos – que a ingestão e as concentrações séricas de folato e vitaminas B6 e B12 se mostraram inversamente associadas à incidência de MetS.

Além da avaliação dietética (incluindo suplementos) e questionários, o design do estudo publicado no JAMA contou com a coleta de amostras séricas em jejum de uma subcoorte de 1.430 participantes nos anos de exame 0, 7 e 15 para avaliar os níveis das vitaminas B e as concentrações de Hcy. Tanto níveis mais baixos das vitaminas B se correlacionaram com níveis mais elevados de Hcy quanto níveis mais altos de Hcy se correlacionaram com a MetS.

De maneira preventiva ou corretiva, um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado, publicado no European Journal of Nutrition, investigou os efeitos da suplementação de baixas doses de vitaminas do complexo B e betaína para a redução das concentrações de Hcy entre adultos chineses (18-65 anos) com hiper-homocisteinemia (>15 μmol/L), mas ainda considerados saudáveis.

Semelhante ao folato, a betaína, cujo precursor é a colina, também age como doadora importante de metil para a Hcy, reduzindo assim o excesso da sua concentração circulante por meio de vias metabólicas de um carbono. A estratégia de adicionar betaína à suplementação de B serve para a otimização das vias de metilação e aborda certas possíveis limitações individuais, como aqueles com homocistinúria resistente à piridoxina e hiper-homocisteinemia devido à atividade deficiente da cistationina β-sintase, ou após um aumento da carga pós-metionina na homocisteína.

No estudo, Lu et al. (2023) forneceram 400mcg de ácido fólico; 8mg de vitamina B6; 6,4mcg de vitamina B12, e 1g de betaína, diariamente. Após 12 semanas, em comparação com o grupo placebo, o grupo suplementado apresentou uma redução significativa nas concentrações plasmáticas de Hcy (diferença média do grupo − 3,87; P = 0,012; taxa de redução de 10,1%; P < 0,001, ambos ajustados por covariável).

Em comparação com os estudos realizados anteriormente com design semelhante, os resultados obtidos por Lu et al. se mostram relevantes tendo em vista a baixa dose de betaína utilizada, o que sugere um efeito aditivo.

Anteriormente, uma meta-análise de 2013, por exemplo, observou redução da concentração de Hcy sérica em μmol/L (P=0.01) ao analisar cinco ensaios que utilizaram betaína por si só, mas na dose de 4g, entre 6 e 24 semanas.

Um outro exemplo do uso da betaína na dose de 4g, vem através do estudo de James et al. (2019), publicado no PLOS Medicine, com resultados positivos do uso combinado de vitaminas B + betaína, ou não, na forma de bebida entre mulheres saudáveis e relativamente jovens (18-45 anos). Após doze semanas, o grupo B + betaína apresentou redução da Hcy plasmática média de 23,6% (-29,5 a -17,1) (p < 0,001), em comparação com o grupo controle.

O grupo que recebeu um multivitamínico, contendo as vitaminas B1, B3, B6, B9 e B12 em doses baixas, mas não betaína, obteve redução média de 15,5% (-21,2 a -9,4); desse modo, um resultado inferior, mas também significativo (p < 0,001), em comparação com o controle. Portanto, o estudo de Lu et al. (2023) parece mostrar que a betaína, quando usada junto a vitaminas do complexo B, recebe influência aditiva ou agregadora, possivelmente, obtendo resultados positivos sobre os níveis de Hcy em dose (mais) baixa.

Por uma perspectiva mais holística da “vitamina B”

Historicamente, percebe-se que as investigações epidemiológicas e de ensaios controlados em humanos – e os comentários científicos resultantes – focaram quase exclusivamente no pequeno subconjunto de vitaminas (B9/B12/B6) que são as vitaminas B mais proeminentes (mas não exclusivas) envolvidas no metabolismo da homocisteína.

No entanto, o grupo de oito vitaminas hidrossolúveis do complexo B desempenha funções essenciais e estreitamente inter-relacionadas no funcionamento celular, atuando como coenzimas em uma vasta gama de reações enzimáticas catabólicas e anabólicas. Citando somente alguns dos seus efeitos coletivos prevalentes sobre o cérebro, tem-se a produção de energia, síntese/reparo de DNA/RNA, metilação genômica e não genômica e a síntese de numerosos neuroquímicos e moléculas de sinalização. Notavelmente, a associação entre a hiper-homocisteinemia, o declínio cognitivo e a demência já foi relatada em vários estudos, incluindo possíveis papéis da B1 e B2 na patogênese do declínio cognitivo.

Já um artigo de revisão (Bekdash; 2023), publicado como parte da edição especial do Molecular and Cellular Biology, sobre a conexão de moléculas doadoras de metila, como a colina, betaína, metionina, vitaminas B6, B9 e B12, a alterações epigenéticas, distúrbios relacionados ao estresse e saúde cerebral, recomenda um monitoramento contínuo desses nutrientes em todos os estágios de desenvolvimento para um cérebro mais saudável.

Evidências de pesquisas em humanos mostram claramente que uma proporção significativa das populações de países desenvolvidos sofre de deficiências ou insuficiências em um ou mais desse grupo de nutrientes, incluindo outras vitaminas do complexo B. Na ausência de uma dieta ideal e/ou presença de condições limitantes de sua ótima absorção, a administração de todo o complexo B, em vez de um pequeno subconjunto, funciona, além do aspecto da homocisteína, para preservar a saúde no longo prazo como um todo.

Enquanto acompanhamos o desenvolvimento da pesquisa de maneira integrativa, aos poucos, instituições de saúde estão renovando suas diretrizes e recomendando o monitoramento isolado dos níveis de vitamina B12 em pacientes sob o uso da metformina, uma interação que também associa a níveis mais altos de homocisteína.

Interação drogas e estilo de vida

O aumento da concentração sérica de Hcy nos pacientes tratados com metformina vem sendo confirmado por uma série de estudos observacionais desde a década de 90. Em 2016, na análise de subgrupo de uma meta-análise de estudos randomizados e controlados, publicada em Nutrients, Zhang et al. encontraram que a metformina foi significativamente associada a um aumento da concentração de Hcy na ausência de suplementação exógena de ácido fólico ou vitaminas do grupo B (MD, 2,02 μmol/L; 95% CI, 1,37~2,67 μmol/L, p < 0,00001), mas com uma concentração diminuída de Hcy sérica na presença dessas suplementações exógenas (MD, −0,74 μmol/L; 95% CI, −1,19~−0,30 μmol/L, p=0,001).

Recém-publicado no Journal of Academic Medicine and Pharmacy, o estudo de Sharan et al. (2023) confirmou mais uma vez a interação droga-nutriente em pacientes com diabetes e uso de metformina (> 6 meses) versus controles (média de idade dos grupos, 64 anos). Quarenta e dois por cento do grupo metformina apresentou nível de vitamina B12 considerado deficiente (≤150) versus dezesseis por cento no grupo controle.

Além dessa depleção causada pelo uso crônico da metformina, atualmente, são vários os cofatores de risco que podem limitar a obtenção e absorção de vitaminas B. Pessoas com distúrbios gastrointestinais, distúrbios inflamatórios intestinais ou condições autoimunes, a cirurgia bariátrica, o uso crônico de bomba de próton, antibióticos e a adoção de dietas com eliminação ou redução de fontes animais, como veganas e vegetarianas, respectivamente, são alguns exemplos.

Fontes:

Leal A, et al. Homocysteine: cardiovascular risk factor in children and adolescents? – ScienceDirect

Zhu J, et al. Folate, Vitamin B6, and Vitamin B12 Status in Association With Metabolic Syndrome Incidence | Adolescent Medicine | JAMA Network Open

McRae, Marc P. Betaine supplementation decreases plasma homocysteine in healthy adult participants: a meta-analysis – PMC

Lu X, et al. Effects of low-dose B vitamins plus betaine supplementation on lowering homocysteine concentrations among Chinese adults with hyperhomocysteinemia: a randomized, double-blind, controlled preliminary clinical trial | SpringerLink

Smith A, et al. The worldwide challenge of the dementias: A role for B vitamins and homocysteine?

Mikkelsen K, et al. Cognitive decline: A vitamin B perspective

Kennedy D, et al. B Vitamins and the Brain: Mechanisms, Dose and Efficacy—A Review – PMC

Cassiano L, et al. Neuroinflammation regulates the balance between hippocampal neuron death and neurogenesis in an ex vivo model of thiamine deficiency

Zhang Q, et al. Metformin Treatment and Homocysteine: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials – PMC

Medicines & Healthcare products Regulatory Agency, Metformin and reduced vitamin B12 levels: new advice for monitoring patients at risk

Bekdash, Rola A. Methyl Donors, Epigenetic Alterations, and Brain Health: Understanding the Connection

Yago M, et al. The Use of Betaine HCl to Enhance Dasatinib Absorption in Healthy Volunteers with Rabeprazole-Induced Hypochlorhydria | SpringerLink

Vitamina D e ômega-3: resultados de 5 anos de acompanhamento sobre doenças autoimunes

As doenças autoimunes são uma família de 80 ou mais doenças relacionadas que compartilham a patogênese, uma violação da tolerância imune e um ataque imunomediado aos próprios tecidos do corpo. Embora haja marcada heterogeneidade entre essas doenças, todas elas se desenvolvem insidiosamente ao longo do tempo, com a quebra da tolerância e da regulação das vias inflamatórias geralmente levando meses a anos. Juntas, atualmente, elas se tornaram comuns, e a prevalência aumenta com o avanço da idade.

Com foco na prevenção primária, foi realizado um importante acompanhamento do estudo em larga escala sobre a vitamina D e/ou o ômega-3 (VITAL; 25.871 participantes), e seus achados foram agora publicados no BMJ. Os pesquisadores relataram os efeitos da suplementação na incidência de doenças autoimunes (incluindo artrite reumatoide, polimialgia reumática, tireoidite de Hashimoto e psoríase) ao longo de aproximadamente 5,3 anos de acompanhamento randomizado.

Os resultados sugerem que, para mulheres com 55 anos ou mais e homens com 50 anos ou mais, ácidos graxos ômega-3 marinhos (1.000 mg por dia: 460 mg de EPA e 380 mg de DHA) e vitamina D (2.000 UI por dia) – as doses usadas no estudo VITAL – podem levar a:

• redução de 22% em todas as doenças autoimunes com vitamina D, e uma redução de 15% nas mesmas com suplementação de óleo de peixe;

• redução de 18% em todas as doenças autoimunes com suplementação de óleo de peixe, ao incluir na análise os participantes que tinham “provável” doença autoimune, ou seja, não documentada.

O estudo de doenças autoimunes VITAL é único, não apenas pelos resultados positivos, mas também porque foi direcionado ao público em geral, não a um grupo especificamente de alto risco, e não testou esses dois suplementos para prevenção de apenas uma doença.

No médio prazo, a suplementação em conjunto ou em separado mostrou-se segura, bem tolerada e com resultados clinicamente importantíssimos.

Fonte:

Hahn J., et al.   Vitamin D and marine omega 3 fatty acid supplementation and incident autoimmune disease: VITAL randomized controlled trial.

Prebiótico GOS e a via  intestino-cérebro

A escolha alimentar é um fator crítico na prevenção de doenças ou condições não transmissíveis e, como tal, já é bem sabido que um foco da prevenção primária seria reduzir o excesso de ingestão de alimentos não saudáveis. Um grande porém é a questão do estresse e da ansiedade que, quando não bem administrados, levam muitos a frequentemente escolher alimentos ultrarrefinados, ricos em carboidratos simples, como uma busca de “conforto psicológico” imediato.

Se o “conforto” sentido através do consumo de uma caixa de bombons se resumisse ali, naquele momento pontual, não teria grandes problemas. É vida que segue. A questão é que muitos pacientes sentem dificuldade de, após romper um padrão de dieta saudável, voltar ao ritmo das suas rotinas saudáveis. Assim, permanecem um tempo considerável não somente ingerindo um excesso de alimentos ultrarrefinados como também sentindo um certo “fracasso interno”.

A repetição desse comportamento em loop – dieta salubre…momento de descontrole emocional…dieta insalubre (até o momento que o paciente consegue voltar ao equilíbrio)…dieta salubre (até a próxima crise de ansiedade), e assim por diante – vai criando um padrão de desequilíbrio fisiológico-mental-emocional. Esse padrão pode gerar uma insegurança interna, e até mesmo um sentimento de impotência em relação aos alimentos, como observado mais claramente nos casos de distúrbios alimentares.

Interrompendo o ciclo

Nesse complexo contexto, elementos que ajudem a quebrar o loop negativo, cimentando uma via mais positiva ao regular negativamente a ansiedade e sua relação com alimentos ultrarrefinados, são todos muito bem-vindos. Especialmente se esses elementos são nutrientes, como os prebióticos.

Sendo substâncias não digeríveis, como os frutanos e os oligossacarídeos encontrados em grãos integrais, frutas e vegetais, os prebióticos possuem a capacidade de influenciar o eixo intestino-cérebro, ao passo que apoiam o crescimento de bactérias comensais intrínsecas, alterando positivamente o crescimento ou o equilíbrio da ação de certos gêneros desses microrganismos no intestino.

Em estudos de intervenção em humanos e animais, os prebióticos têm conferido amplos benefícios aos processos neurobiológicos, imunológicos, metabólicos e comportamentais. Atualmente, tanto os probióticos (microrganismos vivos) quanto os prebióticos (impulsionadores de microrganismos) são considerados “psicobióticos”.

A atribuição causal para esse novo termo na ciência médica é complexa desde que, se o microbioma intestinal pode influenciar a escolha alimentar, a escolha alimentar também pode influenciar o microbioma intestinal.

Publicado em Nutrients, o estudo controlado por placebo de Johnstone et al. (2021) procurou investigar o efeito prebiótico de galacto-oligossacarídeos (GOS) na via intestino-cérebro, levando em consideração o comportamento alimentar, o humor e a composição microbiana intestinal. Escolheram especificamente o GOS porque já em estudo anterior os mesmos pesquisadores descobriram que a sua suplementação ao longo de quatro semanas reduziu a ansiedade e indicadores de comportamento ansioso em uma tarefa cognitiva para participantes do sexo feminino com altos níveis de ansiedade.

As mudanças no nível comportamental foram refletidas por mudanças significativas na composição do microbioma intestinal – na maioria, um aumento na abundância de Bifidobacterium, cuja ação benéfica à saúde já está bem estabelecida.

Há um crescente corpo de evidências sobre os efeitos na saúde do GOS associados ao conforto digestivo. Esse prebiótico atinge o intestino grosso praticamente intacto para o “deleite” das bactérias para a sua necessária fermentação e consequente benéfica produção de ácidos graxos de cadeia curta.

O estudo

Como no estudo passado, neste atual, Johnstone et al. recrutaram somente mulheres saudáveis (n = 64, idades 18-25) para manter a homogeneidade da população no resultado primário. Sob dieta ad libitum, mas sem alterar sua dieta habitual, as participantes fizeram uso de um diário alimentar (fotografando suas refeições), e a coleta de amostras de fezes ocorreu na linha de base e no 28º dia.

Divididas às cegas em dois grupos, as participantes receberam: ou um suplemento contendo 5,5g de GOS, ou placebo (maltodextrina, xarope de glicose seco), durante quatro semanas.

O principal achado desse estudo foi que a suplementação com GOS influenciou a escolha da ingestão de macronutrientes, como evidenciado pela redução de carboidratos e açúcares e aumento da ingestão de gorduras. Paralelamente, análises posteriores mostraram o aumento da abundância de Bifidobacterium no grupo GOS, em comparação com o grupo placebo.

Isso sugere que o aumento de Bifidobacterium via suplementação de GOS pode ajudar a melhorar a composição do microbioma intestinal, alterando o desejo por tipos específicos de carboidratos.

Outra abordagem

Seguindo no contexto intestino-cérebro, a ciência já mostrou que as pessoas com constipação são mais propensas a serem diagnosticadas com problemas de humor e ansiedade.

Sem abordar a questão “cérebro”, Shoemaker et al. (2022) investigaram o efeito de GOS (Biotis™) nas características das fezes e microbioma fecal em adultos com constipação.

No estudo, também publicado em Nutrients, 132 adultos (94% mulheres, idade: 18-59 anos) com constipação auto-relatada de acordo com os critérios de Roma IV (incluindo menos de três evacuações por semana) receberam: ou um pó contendo 11g de GOS; ou placebo (maltodextrina) para ser dissolvido em líquido e tomado pela manhã, durante três semanas. Com o objetivo de também investigar o efeito dose-resposta, um terceiro grupo recebeu um pó com 5,5 g de GOS.

Entre outras exigências, foi solicitado aos participantes a interrupção do uso de medicamentos para constipação bem como outros, e a não alteração de suas atividades físicas e dietas habituais já 14 dias antes do início da intervenção.

Esse estudo randomizado controlado por placebo documentou um efeito clinicamente relevante de 11g de GOS diários naqueles com baixa frequência de evacuações. Uma clara resposta à dose de GOS foi observada sobre a Bifidobacterium fecal, e a dose 11g aumentou significativamente a espécie Anaerostipes hadrus, que pode desempenhar um papel importante na saúde intestinal por produzir ácido butírico.

Na análise de subgrupo, em que os indivíduos foram divididos com base nas idades (mais jovens vs mais velhos), encontraram um melhor efeito de GOS principalmente nos adultos com 35 anos ou mais.

Como observação, a variável “idade” pode ser uma grande confundidora por si só, desde que a idade biológica pode ser diferente da cronológica, dependendo de diversos outros fatores de saúde e estilo de vida do paciente.

Ademais, mesmo que Shoemaker et al. não tenham incluído no design do seu estudo randomizado uma métrica para ansiedade e escolhas alimentares, curiosamente, a evacuação parte de um movimento do intestino que estimula o nervo vago – um modulador da via intestino-cérebro –, podendo diminuir a frequência cardíaca e a pressão arterial o suficiente para fazer com que uma pessoa se sinta mais relaxada.

Quem sabe, essa curiosidade ilustrativa da via intestino-cérebro pode ajudar o seu paciente a compreender a importância do uso de prebióticos, como o GOS (com uma boa ingesta de água) – se no caso de constipação, dificuldade de manter uma certa constância na escolha alimentar saudável, distúrbio alimentar/comportamental, neurobiológico, imunológico e/ou metabólico.  


Fontes:

Johnstone N, et al.  Nutrient Intake and Gut Microbial Genera Changes after a 4-Week Placebo Controlled Galacto-Oligosaccharides Intervention in Young Females.

Schoemaker M, et al.  Prebiotic Galacto-Oligosaccharides Impact Stool Frequency and Fecal Microbiota in Self-Reported Constipated Adults: A Randomized Clinical Trial.

Óleo de krill na hipertrigliceridemia severa

Um benefício muito conhecido e testado dos ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa ômega-3 é para a saúde do sistema cardíaco. Uma das fontes desses ômegas é o óleo do pequeno crustáceo krill. Diferente da forma encontrada nos peixes, os ômegas do krill vêm sob a forma de ácidos graxos livres ligados a fosfolipídeos, além de o óleo conter astaxantina, cuja característica antioxidante ajuda a conservar a integridade do óleo naturalmente.

Recém-publicado no Jama Network Open, um estudo investigou se o óleo de krill poderia ser considerado um tratamento eficaz e seguro para a hipertrigliceridemia grave.

Os dados de quinhentos e vinte pacientes com níveis de triglicerídeos (TG) em jejum de 500 a 1500 mg/dL, com ou sem tratamento estável com estatinas, fibratos ou outros agentes para baixar os níveis de colesterol, foram agrupados em 2 ensaios clínicos randomizados para a análise (TRILOGY 1 e TRILOGY 2 de fase 3). A dose investigada foi 4g (contendo 1,24 g de EPA e DHA) ao dia.

Os investigadores descobriram que os níveis de TG no sangue foram reduzidos em 26,0% no grupo krill, e 15,1% no grupo placebo em 12 semanas (P = 0,02). A diferença média significativa de tratamento persistiu por 26 semanas entre os respectivos grupos, 33,5% versus 20,8% (P = 0,02). A intervenção mostrou boa tolerabilidade e segurança de uso.

Um outro achado importante foi o número necessário para tratar (NNT).

Na análise, em ambas as 12 e 26 semanas, o NNT com óleo de krill foi de 11 pacientes tratados para 1 paciente com hipertrigliceridemia grave alcançar um TG inferior a 500 mg/dL.

Como um comparativo ilustrativo, as estatinas, que se tornaram sinônimo de “prevenção de infartos e AVC”, têm um NNT de 60 para infartos (e 268 para AVC), isto é, se os pacientes saudáveis tomarem estatina durante um período de 5 anos. Caso os pacientes já apresentam doença do coração, o NNT é de 39 para infartos.

Fonte:

Mozaffarian D., et al.   Effectiveness of a Novel ω-3 Krill Oil Agent in Patients With Severe Hypertriglyceridemia.  

Sharon Begley.   What are the odds that your medication will help you get better?

 

Possíveis interações que moldam a atual epidemia de miopia

Não é novidade que nas últimas décadas muitos componentes do estilo da vida moderna sofreram mudanças impactantes. Diferente das mudanças diárias, por mais adaptativo que o organismo mostra poder ser, sua biologia requer tempo evolutivo e adaptativo.

Uma dessas mudanças modernas veio na forma de uma certa prevalência do uso de telas eletrônicas e um menor tempo passado em ambientes externos. Isso pode se traduzir, por exemplo, em menos atividade ocular entre o perto e o longe, como quando alguém olha uma nuvem ou um pássaro à distância, e depois olha para algo mais perto de si.

Publicado em Plos One, um estudo que usou dados do “UK Biobank Study” mostra que a miopia está se tornando um problema para mais pessoas no início da vida, enquanto – ao mesmo tempo – uma proporção maior de pessoas que desenvolvem miopia está relatando casos mais graves do distúrbio ocular.

O UK Biobank é um banco de dados biomédico de grande escala e recurso de pesquisa, que é regularmente aumentado com dados adicionais, contendo informações genéticas e de saúde detalhadas de meio milhão de participantes do Reino Unido.

Os pesquisadores estabeleceram um aumento da prevalência de miopia ao longo do tempo, de 20% de prevalência na coorte mais velha (nascida em 1939-1944) para 29,2% na coorte mais jovem (nascida em 1965-1970). Para esse salto, os pesquisadores sugerem que mudanças na nutrição na infância acompanharam o aumento do uso de telas digitais e mudanças nos métodos de ensino (mais lição de casa e menos tempo ao ar livre).

Importante observar que essas descobertas podem fornecer evidências indiretas da interação gene-ambiente que molda o risco de miopia.

Em paralelo com a pesquisa, parte das estratégias de saúde pública para crianças no Reino Unido está na forma de iniciativas de atividade física que, como subproduto do equilíbrio entre a atividade interna (que exige mais a  visão de perto) e a atividade externa (trabalha mais a visão à distância), podem ajudar a reduzir o risco de miopia.

Fonte:

Cumberland, P., et al.  Temporal trends in frequency, type and severity of myopia and associations with key environmental risk factors in the UK: Findings from the UK Biobank Study

Isomaltulose na inibição da rigidez arterial

É sabido que a glicemia pós-prandial e a rigidez arterial tendem a aumentar com o avanço da idade, mostrando uma relação significativa entre esses aumentos. Vários estudos já mostraram que a rigidez arterial aumenta durante a hiperglicemia. Ademais, um rápido aumento nos níveis glicêmicos após uma refeição é um fator de risco independente para doenças cardiovasculares e um fator de risco maior do que a glicemia de jejum.

Um pequeno estudo publicado em Nutrients hipotetizou que a ingestão de sacarose aumentaria a rigidez arterial com o aumento dos níveis da glicemia, e quis investigar se a ingestão de isomaltulose influenciaria ou não a rigidez arterial. Para testar a hipótese, os investigadores examinaram os efeitos agudos da ingestão de isomaltulose e sacarose especificamente na rigidez arterial, em dez adultos saudáveis (média, 62,8 anos).

A isomaltulose, também conhecida como Palatinose™, tem quantidades semelhantes de doçura e energia à sacarose; no entanto, a taxa de decomposição no intestino delgado é mais lenta do que a da sacarose, o que modera o aumento dos níveis da glicemia após a sua ingestão.

Um importante achado desse estudo foi que, confirmando achados anteriores, a velocidade da onda de pulso do tornozelo braquial (baPWV) aumentou 30, 60 e 90 minutos após a ingestão de sacarose, em comparação com antes de sua ingestão. A baPWV é uma medida não invasiva relativamente nova da rigidez arterial obtida por meio de um sistema automatizado.

No teste com a isomaltulose, nenhum aumento foi observado, mostrando um efeito neutro também para a pressão arterial sistólica.

Os pesquisadores concluíram que com a curva AUC da baPWV menor com o uso da isomaltulose, pode-se esperar que a isomaltulose iniba o aumento da rigidez arterial em comparação com o consumo de outros carboidratos, como sacarose e glicose, favorecendo alimentos doces saborosos e saudáveis.

Fonte:

Kobayashi R., et al.   Effects of Different Types of Carbohydrates on Arterial Stiffness: A Comparison of Isomaltulose and Sucrose.

 

Peptídeos de colágeno na prevenção e no tratamento da osteopenia

Entre os vários tipos de colágenos presentes no organismo, o tipo I compreende aproximadamente 95% de todo o conteúdo de colágeno dos ossos e o seu envolvimento nas propriedades mecânicas ósseas já foi bem documentado. Quando na forma de peptídeos, a suplementação mostrou poder afetar a remodelação e mineralização da matriz óssea,  promovendo a proliferação e diferenciação dos pré-osteoblastos e reduzindo a maturação dos osteoclastos.

Nesse sentido, um estudo prospectivo randomizado examinou e comparou a eficácia – representada pelas alterações nos biomarcadores ósseos, propeptídeo amino-terminal do procolágeno tipo 1 (P1NP) e telopeptídeo C-terminal do colágeno I (CTX) –, e a tolerabilidade da suplementação padrão, ou seja, cálcio e vitamina D3, com e sem a adição de peptídeos de colágeno no tratamento da osteopenia. Publicado no Journal of Musculoskeletal Neuronal Interactions, as suplementações foram testadas durante 3 meses.

Cinquenta e uma mulheres na pós-menopausa (média, 62 anos) foram alocadas em dois grupos: diariamente, o grupo A recebeu 5g de peptídeos de colágeno + 3,6g de lactato de cálcio (equivalente a 500mg de cálcio elementar) + 400 UI de vitamina D3; e o grupo B recebeu a suplementação de cálcio e vitamina D sem o colágeno.

No grupo A, os níveis de P1NP diminuíram 13,1% (p < 0,001) e os níveis de CTX diminuíram 11,4% (p = 0,058) em 3 meses de suplementação.

O grupo B, que não recebeu o colágeno, tanto o P1NP quanto o CTX não se alteraram de maneira significativa, possivelmente requerendo mais tempo de suplementação e/ou diferentes dosagens, como experimentado em estudos anteriores.

Fonte:

Argyrou C., et al.  Effect of calcium and vitamin D supplementation with and without collagen peptides on bone turnover in postmenopausal women with osteopenia.

Magnésio para um melhor metabolismo da glicose


Há um grande e crescente corpo de literatura focando o uso da suplementação oral de magnésio (Mg) para melhorar o metabolismo da glicose em pessoas com ou em risco de diabetes. Um passo adiante, a resistência à insulina, caracterizada por alterações na secreção de insulina pelo pâncreas e na ação da insulina nos tecidos-alvo, também tem sido associada ao status inadequado de Mg – um importante eletrólito para inúmeros caminhos para a homeostase corporal.

A desregulação do mecanismo da glicose leva a mudanças na composição corporal, à hiperglicemia e à resistência à insulina. Assim, o metabolismo da glicose está no foco de várias pesquisas desde que ele está vinculado a possíveis outras desregulações das vias fisiológicas. E essas levam a situações de saúde predominantemente observadas em processos de envelhecimento acelerado, como o sobrepeso/obesidade, o diabetes mellitus e o risco de DCV.

Com base no conjunto da pesquisa, parece evidente a necessidade de uma intervenção mais cedo na trajetória da glicose, especialmente no período pós-prandial, para manter a homeostase da glicose o mais próximo do normal possível e antes que as pessoas recebam um diagnóstico bioquímico de pré-diabetes ou diabetes. É provável que, por exemplo, as alterações no epitélio vascular que não conseguem ser revertidas simplesmente pela redução da glicose sanguínea já tenham ocorrido no momento do diagnóstico de diabetes mellitus.

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos

Como os ensaios clínicos randomizados conseguem incluir apenas um pequeno número de participantes, Veronese et al. realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, para investigar o efeito do Mg sobre os parâmetros da glicose e da sensibilidade à insulina. Todos os participantes dos 25 ensaios incluídos na revisão apresentavam ou diabetes ou condições que os colocavam em um alto risco de desenvolver diabetes, incluindo obesidade/sobrepeso, síndrome metabólica, insuficiência renal, histórico familiar de diabetes e pré-diabetes.

A conclusão é otimista: o resultado da investigação revelou que a suplementação oral de Mg não apenas diminuiu significativamente a glicose plasmática após 2h com 75g de glicose no teste oral de tolerância à glicose, mas também a glicose plasmática de jejum e HOMA-IR. E, muito importante, a presente revisão, recém-publicada em Nutrients, também encontrou que a suplementação de Mg se mostrou bem tolerada e sem efeitos adversos significativos.

Ingestão e status de magnésio

Entre as várias peças do complexo mecanismo de saúde, está a nutrição, e aqui, mais especificamente, a ingestão de magnésio. Pesquisas dietéticas de pessoas em várias partes do mundo mostram consistentemente que muitas pessoas consomem menos do que as quantidades recomendadas de Mg. Uma análise dos dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) de 2013-2016 descobriu que 48% dos americanos de todas as idades ingerem menos Mg do que suas respectivas necessidades médias estimadas (enquanto saudáveis).

Resultados de ingestão deficitária de Mg no Brasil já foram apontados em estudos. Dentre eles, em 2013, Fisberg et al. publicaram na Revista Saúde Pública uma análise de dados do Inquérito Nacional de Alimentação como parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (2008-2009). Em adultos com idades a partir de 60 anos foram observadas elevadas prevalências de inadequação (> 50%) de magnésio (e das vitaminas E, D, A, cálcio, e piridoxina). O magnésio teve prevalência de ingestão inadequada (> 80%) em todas as regiões brasileiras.

Mais recentemente, Coelho et al. (2020) publicaram uma pesquisa realizada com dados das Unidades Básicas de Saúde de Caxias, no Maranhão, onde encontraram um baixo consumo de Mg nos pacientes hipertensos. Anteriormente, estudos mostraram que a suplementação de magnésio pode ajudar a reduzir a pressão arterial pelo aumento da produção de óxido nítrico.

Como lembrete, além do aporte nutricional deficitário nas dietas regulares, perdas excessivas de magnésio podem ocorrer sob dietas restritivas e, estando associado ou não com o metabolismo da glicose, em muitas outras situações:

■ estados hipercatabólicos, como traumatismos, queimaduras, pós-operatórios ou infecções graves;
■ casos de alcoolismo, hidratação intravenosa sem magnésio e nutrição parenteral prolongada;
■ má absorção devido a bypass, fístulas ou doença intestinal inflamatória;
■ aumento da excreção devido a vômitos frequentes, diarreia, síndrome do intestino curto, doença de Chron, retocolite ulcerativa, poliúria, pancreatite aguda, fístulas digestivas de alto débito e aspiração gástrica prolongada;
■ disfunção tubular de causa metabólica, por acidose metabólica, resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipopotassemia ou hipofosfatemia;
■ disfunção tubular induzida por medicamentos diuréticos, anfotericina B ou aminoglicosídeos;
■ desordens endócrinas, tais como doença de Addison, hiperaldosteronismo, hiperparatireoidismo, hipo ou hipertireoidismo; maior excreção renal e menor absorção intestinal relacionadas devido ao envelhecimento; interação medicamentosa.

Fontes:

Veronese N, et al. Oral Magnesium Supplementation for Treating Glucose Metabolism Parameters in People with or at Risk of Diabetes: A Systematic Review and Meta-Analysis of Double-Blind Randomized Controlled Trials.

National Institutes of Health. Magnesium – Fact Sheet for Health Professionals.

Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research. Avaliação do consumo de magnésio em pacientes hipertensos.

Fisberg R, et al. Ingestão inadequada de nutrientes na população de idosos do Brasil: Inquérito Nacional de Alimentação 2008-2009.

Monteiro, Thaís e Vannucchi, Helio. Funções Plenamente Reconhecidas de Nutrientes: Magnésio.

Demanda e ingestão de creatina por gestantes

A creatina é considerada um nutriente condicionalmente essencial, principalmente devido ao seu papel em processos que demandam energia, incluindo reprodução e gravidez. Dados preliminares mostram um aumento da demanda por creatina materna devido ao rápido crescimento e aumento das necessidades metabólicas do feto, estando a sua baixa disponibilidade associada a complicações clínicas na gestação, como parto prematuro e asfixia perinatal.

Avanços recentes na nutrição e fisiologia da creatina sugerem que a síntese interna de creatina é aumentada durante a gestação; no entanto, também é visto que a quantidade de creatina que o corpo sintetiza naturalmente não é suficiente para atender às necessidades humanas.

Pela via exógena, aproximadamente 50% das necessidades diárias de creatina parecem ser atendidas por meio de uma dieta onívora, servindo como um importante alerta às gestantes com dietas que excluem produtos animais, mesmo que parcialmente.

Portanto, um tema pertinentemente crescente é se essas mulheres conseguem alcançar níveis ótimos de creatina frente à sua pontual necessidade.

Ingestão

Através de quatro bancos de dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES, 2011-2018), pesquisadores chegaram a algumas conclusões frente às respostas de 173 mulheres entrevistadas (20-40 anos), que forneceram informações sobre ingestão alimentar e estado de gravidez, entre elas:

– Não foram encontradas diferenças para a ingestão diária de creatina entre mulheres grávidas e não grávidas (p = 0,82);

– 57,2% das mulheres grávidas consumiam creatina abaixo de 0,75 g por dia (dose estimada para o metabolismo energético de mulheres não grávidas), com 17,3% consumindo zero creatina.

Esse recém-publicado relatório chama a atenção para a necessidade de estudos clínicos e considerações práticas sobre o potencial profilático da suplementação de creatina em mulheres com baixo consumo dietético, que buscam engravidar e/ou durante a gestação.

Se aproximadamente 6 em cada 10 mulheres grávidas (57,2%) consomem creatina abaixo das quantidades recomendadas para uma mulher adulta, isso sugere um risco de desnutrição desse importante derivado de aminoácidos nessa população.

Fontes:

Ostojic S., et al.  Do Pregnant Women Consume Enough  Creatine? Evidence from NHANES 2011–2018.

Ostojic S., et al.  Perspective: Creatine, a Conditionally Essential Nutrient: Building the Case.

 

Magnésio para melhorar o metabolismo da glicose

Há um grande e crescente corpo de literatura focando o uso da suplementação oral de magnésio (Mg) para melhorar o metabolismo da glicose em pessoas com ou em risco de diabetes.

Como os ensaios clínicos randomizados conseguem incluir apenas um pequeno número de participantes, Veronese et al. realizaram uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, para investigar o efeito do Mg sobre os parâmetros da glicose e da sensibilidade à insulina. Todos os participantes dos 25 ensaios incluídos na revisão apresentavam ou diabetes ou condições que os colocavam em um alto risco de desenvolver diabetes, incluindo obesidade/sobrepeso, síndrome metabólica, insuficiência renal, histórico familiar de diabetes e pré-diabetes.

A conclusão é otimista: a suplementação oral de Mg não apenas diminuiu significativamente a glicose plasmática após 2h com 75g de glicose no teste oral de tolerância à glicose, mas também a glicose plasmática de jejum e HOMA-IR. E, muito importante, a presente revisão, recém-publicada em Nutrients, também encontrou que a suplementação de Mg se mostrou bem tolerada e sem efeitos adversos significativos.

Fonte:

Veronese N., et al. Oral Magnesium Supplementation for Treating Glucose Metabolism Parameters in People with or at Risk of Diabetes: A Systematic Review and Meta-Analysis of Double-Blind Randomized Controlled Trials.

Taurina e exercícios para tratar diabetes em mulheres

Além de intervenção com exercícios, estratégias nutricionais, como a suplementação de aminoácidos, têm sido recomendadas para tratar o diabetes mellitus tipo 2. Entre elas está a suplementação de taurina, ácido aminossulfônico condicionalmente semi-essencial, cujos níveis aparecem diminuídos tanto nas plaquetas quanto no plasma em pacientes com diabetes insulino-dependentes. 

Recém-publicado um Nutrients, um estudo investigou os efeitos de uma intervenção de exercícios via sistema TRX (treino com fita de suspensão, 1 hora, 3 x na semana) de 8 semanas combinada com suplementação de taurina (500mg, 2 x ao dia) sobre a composição corporal, glicemia e marcadores lipídicos em mulheres com diabetes mellitus tipo 2.

Quarenta mulheres (idade: 53 ± 5 anos, massa corporal = 84,3 ± 5,1 kg) foram divididas aleatoriamente a quatro grupos: TRX + placebo; TRX + taurina; taurina; ou controle. Todas as participantes faziam uso dos medicamentos metformina e glibenclamida

Todas as três intervenções diminuíram significativamente o IMC e a porcentagem de gordura corporal, no entanto, a alteração desta última no grupo TRX + taurina foi significativamente maior do que em todos os outros grupos.

Entre outros achados, é relevante observar que o treinamento de TRX + taurina também superou de maneira significativa todos os outros grupos quanto às reduções nos níveis de HbA1c, triglicerídeos e colesterol total, além de aumento do HDL.

Fonte:

Masouleh S., et al. The Effects of TRX Suspension Training Combined with Taurine Supplementation on Body Composition, Glycemic and Lipid Markers in Women with Type 2 Diabetes.

 

Estudo avalia MK-7 para neuropatia periférica

Publicado em EC Neurology, um estudo piloto avaliou a eficácia e segurança da vitamina MK-7 (menaquinona-7) em pacientes com neuropatia periférica devido ao diabetes mellitus tipo 2 ou à deficiência de vitamina B12 – duas condições clínicas distintas ligadas por sintomatologia e possivelmente patologia subjacente.

No estudo, duplo-cego randomizado, uma cápsula de 100 μg de MK-7 ou de placebo foi administrada duas vezes ao dia por 8 semanas a 20 pacientes de ambos os sexos. Após o esse período, os pacientes foram acompanhados por mais 4 semanas e a intensidade dos sintomas foi autoavaliada por meio da Escala Visual Analógica (EVA) de dor. Os níveis séricos da MK-7 foram determinados no início do estudo e nas semanas 4 e 8. 

Houve uma diminuição estatisticamente significativa no escore EVA de dor nos pacientes que receberam a suplementação de MK-7 (P < 0,05), em comparação ao placebo. O escore EVA foi inversamente relacionado aos níveis séricos de MK-7 e aos sintomas de neuropatia periférica. A vitamina MK-7 foi bem tolerada sem efeitos adversos subjetivos e objetivos relatados durante as 12 semanas de estudo.

Com base no estudo atual, a suplementação de vitamina MK-7 pode ajudar pacientes com diabetes mellitus tipo 2 ou deficiência de B12 a aumentar e/ou manter a vitamina B12 circulante, aumentando seu papel biológico na prevenção de neuropatia periférica.

Taurina e exercícios para tratar diabetes em mulheres

Além de intervenção com exercícios, estratégias nutricionais, como a suplementação de aminoácidos, têm sido recomendadas para tratar o diabetes mellitus tipo 2. Entre elas está a suplementação de taurina, ácido aminossulfônico condicionalmente semi-essencial, cujos níveis aparecem diminuídos tanto nas plaquetas quanto no plasma em pacientes com diabetes insulino-dependentes. 

Recém-publicado um Nutrients, um estudo investigou os efeitos de uma intervenção de exercícios via sistema TRX (treino com fita de suspensão, 1 hora, 3 x na semana) de 8 semanas combinada com suplementação de taurina (500mg, 2 x ao dia) sobre a composição corporal, glicemia e marcadores lipídicos em mulheres com diabetes mellitus tipo 2.

Quarenta mulheres (idade: 53 ± 5 anos, massa corporal = 84,3 ± 5,1 kg) foram divididas aleatoriamente a quatro grupos: TRX + placebo; TRX + taurina; taurina; ou controle. Todas as participantes faziam uso dos medicamentos metformina e glibenclamida

Todas as três intervenções diminuíram significativamente o IMC e a porcentagem de gordura corporal, no entanto, a alteração desta última no grupo TRX + taurina foi significativamente maior do que em todos os outros grupos.

Entre outros achados, é relevante observar que o treinamento de TRX + taurina também superou de maneira significativa todos os outros grupos quanto às reduções nos níveis de HbA1c, triglicerídeos e colesterol total, além de aumento do HDL.

Fonte:

Masouleh S., et al. The Effects of TRX Suspension Training Combined with Taurine Supplementation on Body Composition, Glycemic and Lipid Markers in Women with Type 2 Diabetes.

 

Estudo avalia MK-7 para neuropatia periférica

Publicado em EC Neurology, um estudo piloto avaliou a eficácia e segurança da vitamina MK-7 (menaquinona-7) em pacientes com neuropatia periférica devido ao diabetes mellitus tipo 2 ou à deficiência de vitamina B12 – duas condições clínicas distintas ligadas por sintomatologia e possivelmente patologia subjacente.

No estudo, duplo-cego randomizado, uma cápsula de 100 μg de MK-7 ou de placebo foi administrada duas vezes ao dia por 8 semanas a 20 pacientes de ambos os sexos. Após o esse período, os pacientes foram acompanhados por mais 4 semanas e a intensidade dos sintomas foi autoavaliada por meio da Escala Visual Analógica (EVA) de dor. Os níveis séricos da MK-7 foram determinados no início do estudo e nas semanas 4 e 8. 

Houve uma diminuição estatisticamente significativa no escore EVA de dor nos pacientes que receberam a suplementação de MK-7 (P < 0,05), em comparação ao placebo. O escore EVA foi inversamente relacionado aos níveis séricos de MK-7 e aos sintomas de neuropatia periférica. A vitamina MK-7 foi bem tolerada sem efeitos adversos subjetivos e objetivos relatados durante as 12 semanas de estudo.

Com base no estudo atual, a suplementação de vitamina MK-7 pode ajudar pacientes com diabetes mellitus tipo 2 ou deficiência de B12 a aumentar e/ou manter a vitamina B12 circulante, aumentando seu papel biológico na prevenção de neuropatia periférica.

Taurina e exercícios para tratar diabetes em mulheres

Além de intervenção com exercícios, estratégias nutricionais, como a suplementação de aminoácidos, têm sido recomendadas para tratar o diabetes mellitus tipo 2. Entre elas está a suplementação de taurina, ácido aminossulfônico condicionalmente semi-essencial, cujos níveis aparecem diminuídos tanto nas plaquetas quanto no plasma em pacientes com diabetes insulino-dependentes. 

Recém-publicado um Nutrients, um estudo investigou os efeitos de uma intervenção de exercícios via sistema TRX (treino com fita de suspensão, 1 hora, 3 x na semana) de 8 semanas combinada com suplementação de taurina (500mg, 2 x ao dia) sobre a composição corporal, glicemia e marcadores lipídicos em mulheres com diabetes mellitus tipo 2.

Quarenta mulheres (idade: 53 ± 5 anos, massa corporal = 84,3 ± 5,1 kg) foram divididas aleatoriamente a quatro grupos: TRX + placebo; TRX + taurina; taurina; ou controle. Todas as participantes faziam uso dos medicamentos metformina e glibenclamida

Todas as três intervenções diminuíram significativamente o IMC e a porcentagem de gordura corporal, no entanto, a alteração desta última no grupo TRX + taurina foi significativamente maior do que em todos os outros grupos.

Entre outros achados, é relevante observar que o treinamento de TRX + taurina também superou de maneira significativa todos os outros grupos quanto às reduções nos níveis de HbA1c, triglicerídeos e colesterol total, além de aumento do HDL.

Fonte:

Masouleh S., et al. The Effects of TRX Suspension Training Combined with Taurine Supplementation on Body Composition, Glycemic and Lipid Markers in Women with Type 2 Diabetes.

 

Estudo avalia MK-7 para neuropatia periférica

Publicado em EC Neurology, um estudo piloto avaliou a eficácia e segurança da vitamina MK-7 (menaquinona-7) em pacientes com neuropatia periférica devido ao diabetes mellitus tipo 2 ou à deficiência de vitamina B12 – duas condições clínicas distintas ligadas por sintomatologia e possivelmente patologia subjacente.

No estudo, duplo-cego randomizado, uma cápsula de 100 μg de MK-7 ou de placebo foi administrada duas vezes ao dia por 8 semanas a 20 pacientes de ambos os sexos. Após o esse período, os pacientes foram acompanhados por mais 4 semanas e a intensidade dos sintomas foi autoavaliada por meio da Escala Visual Analógica (EVA) de dor. Os níveis séricos da MK-7 foram determinados no início do estudo e nas semanas 4 e 8. 

Houve uma diminuição estatisticamente significativa no escore EVA de dor nos pacientes que receberam a suplementação de MK-7 (P < 0,05), em comparação ao placebo. O escore EVA foi inversamente relacionado aos níveis séricos de MK-7 e aos sintomas de neuropatia periférica. A vitamina MK-7 foi bem tolerada sem efeitos adversos subjetivos e objetivos relatados durante as 12 semanas de estudo.

Com base no estudo atual, a suplementação de vitamina MK-7 pode ajudar pacientes com diabetes mellitus tipo 2 ou deficiência de B12 a aumentar e/ou manter a vitamina B12 circulante, aumentando seu papel biológico na prevenção de neuropatia periférica.

O potencial dos probióticos na expossômica da pele: Streptococcus thermophilus

A pesquisa atual do expossoma visa compreender os efeitos, em órgãos específicos, de todos os fatores internos, como espécies reativas de oxigênio, e externos, como irradiação UV, tabagismo, dieta, sono e poluição. O expossoma do envelhecimento da pele vem recebendo grande atenção hoje, e os probióticos aparecem cada vez mais como uma potencial via terapêutica sem apresentar toxidade.

Certos microrganismos (bactérias ou leveduras) podem interferir no envelhecimento da pele, bem como no desenvolvimento de certas condições, como a dermatite atópica alérgica, rinite e cicatrização de feridas em roedores e humanos. Embora os detalhes do mecanismo pelo qual esses microrganismos fazem isso não sejam claros, algumas hipóteses envolvem a restauração do valor do pH da pele à sua faixa normal e a inibição da atividade da protease na pele envelhecida, possivelmente pela inibição das atividades inflamatórias.

Citando algumas evidências, Lactobacillus plantarum reduziu as rugas da pele e a expressão de MMPs-2, MMPs-9 e MMPs-13 em camundongos afetados por UVB, e seus benefícios clínicos de redução do enrugamento e aumento do brilho e hidratação da pele humana foram verificados. L. johnsonii  e L. johnsonii NCC533  mostraram recuperar a atividade das células de Langerhans em voluntários saudáveis ​​cuja pele foi irradiada com uma dose moderada de irradiação UV. Visivelmente, L. casei subsp. casei 327 melhorou significativamente as condições clínicas da pele ao manter a integridade da epiderme.

Agora, recém-publicado no Journal of Cosmetic Dermatology, pesquisadores de Taiwan trazem um detalhado estudo no qual executaram a análise de mais uma cepa para atuar como uma contrapartida sobre o expossoma do envelhecimento da pele: Streptococcus thermophilus (TCI633) –  um probiótico tradicionalmente usado em laticínios, como iogurte e queijo.

Anteriormente, estudos mostraram que S. thermophilus produziu vários tipos de polissacarídeos extracelulares com diferentes composições de monômeros e foi capaz de induzir um nível crescente de ceramida no estrato córneo de indivíduos saudáveis ​​e pacientes com dermatite atópica. Esse microrganismo mostrou poder aliviar a inflamação do tecido sinovial, representando assim um potencial para mitigar a progressão da osteoartrite.

Muito importante, ao colonizar o trato gastrointestinal de roedores e humanos, sua presença atua na produção de ácido hialurônico (AH), uma molécula-chave no envelhecimento da pele.

No estudo atual, os pesquisadores analisaram a proteção do DNA, a hialuronidase, a viabilidade celular e a síntese de colágeno em conjunto com marcadores visuais como textura, rugas e elasticidade da pele através de suplementação oral em 30 voluntários saudáveis (35-55 anos) divididos em 2 grupos, que receberam ou 5 × 109  de S. thermophiles (vivos) por dia, ou placebo, durante 8 semanas. 

Cada participante foi submetido à inspeção da condição da pele nas semanas 0, 4 e 8 e testes de hematologia para monitorar AH, SOD, níveis de catalase e funções renal e hepática nas semanas 0 e 8.

Oito semanas de intervenção no grupo suplementado resultou em aumento significativo nos níveis médios de umidade, brilho e elasticidade da pele em 12,8%, 3,4% e 11,4%, respectivamente, em relação aos níveis basais. Os níveis médios de profundidade dos pés de galinha nesses indivíduos nas semanas 4 e 8 foram 25,5% e 32,8% mais baixos, respectivamente, do que o nível basal.

Adicionalmente, os níveis médios de textura da pele, rugas, poros e manchas no final do estudo foram 14,2%, 21,6%, 12% e 4,6% mais baixos, respectivamente, do que os valores basais.

Quanto à produção de colágeno, no grupo suplementado foram observados aumentos nas semanas 4 e 8 de 12,8% e 20,7%, respectivamente, do que os valores basais. No grupo placebo, os níveis médios de colágeno nas semanas 4 e 8 foram 4,5% e 7,7% maiores, respectivamente, do que os valores basais.

Em resumo, esse estudo clínico preliminar descobriu que a atividade de S. thermophilus (TCI633) promoveu a proliferação de células da pele, a estimulação da síntese de colágeno, a proteção do DNA contra danos e a inibição das atividades da hialuronidase. Ocorreu um aumento na capacidade antioxidante, conforme indicado pela elevação da atividade sanguínea da SOD e da catalase dos indivíduos, favorecendo a modulação do estresse oxidativo interno. 

Muito positivamente, a dose utilizada, que se assemelha aos critérios utilizados na produção de alimentos probióticos, demonstrou não apresentar toxidade para as células. O probiótico Streptococcus thermophilus já é utilizado, por exemplo, para a saúde da flora intestinal e minimização da incidência de alergias, e os achados do estudo atual trazem uma possibilidade terapêutica do seu uso como parte estratégica no antienvelhecimento da pele sem enfrentar as comuns limitações de formulações tópicas como a baixa estabilidade, dificuldades de penetração na pele ou de eficácia.

Fonte:

Liu C, et al. The potential of Streptococcus thermophiles (TCI633) in the anti-aging.

Whey protein para a saúde cardiometabólica

Pesquisadores ingleses e australianos acabam de publicar no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle que 16 semanas de suplementação de whey protein enriquecido com leucina por si só, como também combinada com exercícios baseados em resistência, reduziram o colesterol LDL e a insulina sérica e melhoraram a resistência à insulina em adultos mais velhos (idade média de 68,73 anos). Além disso, a suplementação por si só (sem o exercício) conferiu reduções positivas de resistina.

A dose da suplementação (1,50 g/kg/dia) foi dividida em três vezes ao dia, ou seja, 0,50 g/kg por refeição.

O aumento da ingestão de proteínas além da RDA tem sido sugerido como uma estratégia para melhorar a saúde cardiometabólica. De acordo com estudos experimentais e meta-análises de adultos mais velhos sem insuficiência renal, esse aumento por 16 semanas não exerce efeitos prejudiciais na função renal (eTFG).

Recentemente, resultados de meta-análises demonstraram efeitos benéficos, corroborando com o achado do estudo clínico agora publicado. Em uma delas, publicada em Lipids in Health and Disease (2020), os pesquisadores observaram que estudos de longa duração eram mais propensos a mostrar efeitos benéficos do whey sobre a insulina de jejum.

Já uma revisão sistemática e meta-análise de estudos de intervenção humana publicada no British Journal of Nutrition, agora em setembro, encontrou resultados que sustentam um efeito protetor do whey protein na função endotelial medida por dilatação fluxo-mediada.

Fontes:

Kirk B., et al. Leucine-enriched whey protein supplementation, resistance-based exercise, and cardiometabolic health in older adults: a randomized controlled trial.
Amirani E., et al. Effects of whey protein on glycemic control and serum lipoproteins in patients with metabolic syndrome and related conditions: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled clinical trials.

Hajizadeh-Sharafabad  F., et al. Role of whey protein in vascular function: a systematic review and meta-analysis of human intervention studies.

 

Ginseng para o metabolismo ósseo de mulheres acima de 40 anos

Os ginsenosídeos encontrados no extrato de ginseng (Panax ginseng) oferecem vários efeitos no organismo, inclusive efeitos antitumorais. Nos últimos anos, estudos descobriram que os ginsenosídeos promovem a proliferação e a osteogênese de células relacionadas aos osteoblastos, bem como inibem a atividade dos osteoclastos.

Para confirmar os resultados anteriores, um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo foi conduzido, pela primeira vez, em mulheres na pós-menopausa com sintomas osteopáticos e de artrite. 

As 85 mulheres que completaram o estudo (> 40 anos) foram designadas aleatoriamente para receber 1g de extrato de ginseng (EG); 3g de EG; ou placebo por 12 semanas. A dose foi dividida em duas tomadas: antes do café da manhã e antes do jantar.

Coletivamente, houve diferenças significativas entre os três grupos (p < 0,05). O grupo de mulheres que consumiu 3g de EG apresentou um aumento significativo em alguns índices de formação óssea, como a osteocalcina e o cálcio séricos em comparação com o grupo placebo.

Da mesma forma, a razão entre a osteocalcina e o telopeptídeo C-terminal do colágeno tipo 1 (OC / CTX-1) séricos aumentou notavelmente no grupo EG 3g, em comparação com os outros grupos.

Entre os três grupos, o grupo EG 3g demonstrou uma diminuição significativa no valor da rigidez das articulações, e a dor melhorou em comparação com o grupo placebo. Nenhum evento adverso clinicamente significativo foi observado.

Nutracêuticos, como o ginseng, vêm mostrando que podem ajudar a saúde musculoesquelética em geral. Por exemplo, recentemente, um outro estudo clínico randomizado e controlado por placebo em mulheres na pós-menopausa com osteopenia também mostrou que a suplementação de extrato da casca do pinheiro marítimo francês (150 mg/dia), durante 12 semanas, melhorou o metabolismo ósseo à medida que a razão sérica de OC e OC / CTX-1 aumentou. Portanto, resultados semelhantes aos do atual estudo sobre o ginseng, que acaba de ser publicado em Nutrients.

CoQ10 e Ômega-3 no combate à artrite reumatoide

Pesquisadores investigaram os efeitos in vivo da CoQ10 e do ômega-3, de cada um e dois dois juntos, durante 28 dias, na bioenergética mitocondrial do músculo esquelético e no estado antioxidante na artrite induzida em ratos. O estudo foi publicado no Physiological Research.

Eles tiveram como ponto de partida a constatação que alterações mitocondriais fazem parte das doenças inflamatórias como a artrite reumatoide, onde os mediadores pró-inflamatórios podem alterar a sua função, prejudicando o metabolismo energético celular.

As cobaias foram randomizadas em cinco grupos: um grupo controle; um grupo com artrite; um grupo com artrite que recebeu 100 mg/kg/dia de CoQ10 (líquido lipossomal); um grupo com artrite, que recebeu 400 mg/kg/dia de ômega-3; e um grupo com artrite, que recebeu CoQ10 e ômega-3 nas mesmas doses. Cada grupo continha oito animais.

Em separado, os ativos agiram positivamente, mas não alcançaram significância estatística. Já o tratamento combinado de CoQ10 e ômega-3 aumentou a capacidade antioxidante próximo aos controles saudáveis, até o limite da significância estatística (p = 0,121), apresentando pequena diminuição nos marcadores inflamatórios.

Outra constatação importante foi que a combinação de CoQ10 e ômega-3 estimulou a função das mitocôndrias do músculo esquelético nos animais com a doença inflamatória de forma bem significativa (p <0,001). Segundo os pesquisadores, esses resultados mostram que, no longo prazo, essa suplementação pode ser benéfica para influenciar contra a progressão da doença.

Fonte:

Kucharská J., et al. Treatment with coenzyme Q10, omega-3-polyunsaturated fatty acids and their combination improved bioenergetics and levels of coenzyme Q9 and Q10 in skeletal muscle mitochondria in experimental model of arthritis.

 

Estudo evidencia efeito imunomodulador da ashwagandha

Acaba de ser publicado no Journal of Clinical Medicine estudo realizado em indivíduos saudáveis usando o extrato de ashwagandha (Withania somnifera) para a imunidade. Ao considerarmos a pequena dose utilizada em relação ao curto período de teste, os resultados mostram relevância significativa perante à recente prevalência de infecções virais e microbianas em todo o mundo.

Duplo-cego e controlado por placebo, o estudo piloto ganhou mais força pelo seu design crossover. Vinte e quatro homens e mulheres (45-72 anos) receberam 60mg de extrato de ashwagandha (contendo 21mg ou cerca de 35% de glicosídeos de witanolida) ou placebo (pó de arroz torrado) durante 30 dias.

O grupo suplementado relatou aumento significativo (p < 0,05) em Igs (IgA, IgM, IgG, IgG2, IgG3 e IgG4), citocinas (IFN-γ, IL4), TBNK (células NK, CD45+, CD3+, CD4+, CD8+, CD19+) enquanto que no grupo placebo as células TBNK mostraram diminuição significativa (p < 0,05) e Ig’s e citocinas não apresentaram alteração (p > 0,05).

Após essa primeira etapa, o grupo antes denominado placebo começou a receber o extrato também por 30 dias, enquanto que o grupo que já havia iniciado a suplementação teste continuou recebendo a mesma, agora não mais às cegas.

No período de extensão, no dia 60 do estudo, os indivíduos que passaram para o grupo de teste também mostraram aumento significativo (p < 0,05) em Igs, citocinas e células TBNK. Já os indivíduos que continuaram a receber o extrato de ashwagandha mostraram uma melhora significativa adicional (p < 0,05) em Ig’s, citocinas e células TBNK.

Não houve eventos adversos relatados no estudo. O extrato contendo boa concentração de glicosídeo de witanolida melhorou significativamente o perfil imune dos indivíduos saudáveis, modulando tanto o sistema imune inato quanto o adaptativo.

Respiração para equilibrar a carga de estresse sobre o corpo-mente

Uma constante preocupação da sociedade atual é em relação ao estresse. Pouco considerado até algumas décadas atrás, o estresse é definido como uma tensão das funções físicas e mentais causada por condições adversas e exigentes dentro e fora do corpo. O estresse evoca respostas biológicas adaptativas para lidar com ele para o bem-estar e a sobrevivência. Quando excessivo ou constante, pode causar disfunções cognitivas, depressão, ansiedade elevada, aumentando o risco de vários desequilíbrios biológicos, se não a maioria.

Outra preocupação muito comum atualmente é quanto à imunidade, que entrou em maior foco devido ao receio do coronavírus.

O estresse crônico pode, de formas diferentes, levar a uma condição conhecida como atrofia tímica ou aceleração da involução do timo, que afeta diretamente a saúde do sistema imune. Isto é, não somente as células T, como também as células que apoiam o seu desenvolvimento, incluindo as células epiteliais do timo, outras células imunes (B, dendríticas e macrófagos), células estromais mesenquimais e endoteliais.

Muitos estudos vêm sendo publicados sobre esse complexo contexto, que está direta e indiretamente relacionado à longevidade.

Embora existam vários tratamentos farmacológicos para apaziguar o estresse ou a ansiedade, ocorre que, às vezes, eles são ineficazes e associados a efeitos iatrogênicos prejudiciais. Portanto, o seu uso crônico pode não ser uma boa alternativa. Por outro lado, e de forma geralmente segura, certos nutrientes têm o poder de ajudar no gerenciamento do estresse.

Um exemplo foi demonstrado em estudo randomizado e controlado, recém publicado em Brain and Behavior, onde a suplementação de ômega-3 + vitamina D melhorou a depressão, ansiedade e qualidade do sono em mulheres (15-50 anos) com pré-diabetes e hipovitaminose D.

Respiração e sistema parassimpático

Em outra linha, as intervenções psicoterapêuticas têm ganhado popularidade no combate ao estresse crônico. Esse é o caso, especialmente, da respiração abdominal. Trata-se de uma técnica simples, eficiente e de baixo custo para reduzir a ansiedade gerada pelo estresse. Uma ferramenta “de dentro para fora”, que uma vez aprendida, o paciente leva para a sua vida, “ligando” e “desligando” conforme sua necessidade.

A respiração pode, de fato, afetar diretamente a atividade do sistema nervoso autônomo, incluindo a frequência cardíaca. Um exercício respiratório – mesmo tão curto quanto 5 minutos – com uma relação igual entre a inalação (inibição do fluxo vagal e com a predominância simpática ocorre a aceleração da frequência cardíaca) e a exalação (restauração do fluxo vagal, resultando em uma desaceleração da frequência cardíaca) promove um equilíbrio entre as atividades simpática e parassimpática, aumenta a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e promove a coerência psicofisiológica.

Com o título “Benefits from one session of deep and slow breathing on vagal tone and anxiety in young and older adults” (em português, Benefícios de uma sessão de respiração profunda e lenta no tônus vagal e ansiedade em adultos jovens e idosos), um estudo recém-publicado em Scientific Reports explorou a hipótese de uma sessão de respiração mais concentrada no sistema parassimpático, ou seja, a exalação mais longa do que a inalação.

A princípio, a duração da inspiração e da expiração – lentas e profundas – foram iguais (4 segundos) e depois, a expiração foi ficando mais longa que a inspiração, 6 e 4 segundos, respectivamente. A sessão durou somente 5 minutos.

Como esperado, a ansiedade subjetiva diminuiu significativamente entre adultos jovens e mais velhos (n= 47) após apenas 5 minutos da respiração lenta e profunda. Além disso, o estresse fisiológico também diminuiu, conforme indicado por um aumento significativo na potência HF (frequência alta, a qual reflete a atividade parassimpática e corresponde à VFC relacionada ao ciclo respiratório).

Esses resultados são consistentes com outros estudos passados, que investigaram a eficácia da respiração lenta e profunda na atividade vagal e no nível de ansiedade percebido.

Por outro lado, um resultado não esperado veio através do aumento da potência HF, que foi significativamente maior nos adultos mais velhos do que nos mais jovens, mesmo que ambos os grupos apresentassem um nível equivalente de potência HF no início do estudo. 

Em outras palavras, a respiração lenta e profunda parece beneficiar mais o fluxo vagal em participantes mais velhos. Esse achado é congruente com estudos que investigam a estimulação do nervo vago transcutânea, que sugeriram que a estimulação vagal pode ser particularmente eficaz em adultos mais velhos saudáveis, em comparação com adultos mais jovens.

Da mesma forma, estudos sugerem que a VFC é um marcador de envelhecimento saudável associado ao gerenciamento do estresse entre indivíduos mais velhos e que o declínio relacionado à idade na VFC não é inevitável.

Como tal, ao promover a atividade do nervo vagal, uma intervenção simples, por meio de uma relação inspiração/expiração baixa, pode ser uma catalisadora para o gerenciamento da ansiedade e da regulação emocional. Se esse for realmente o caso, uma indução mais longa pode não apenas aumentar muito o tônus vagal, mas também diminuir muito mais o estado de ansiedade em adultos mais velhos.

Com esses achados em mente, é inevitável a lembrança da origem da palavra “doutor”, derivada do latim docere: “ensinar”. Não seria surpresa, mas profunda admiração, médicos, durante cinco minutos do tempo da consulta, considerando o ensino de exercícios de respiração como medicamento para pacientes cujo estresse pode estar afetando a saúde, seja a mental, a imune, a vascular, a estética ou até mesmo a saúde dos relacionamentos, desde que um sistema está conectado ao outro, como o fluxo da respiração.


Fontes:

Rajabi-Naeeni M, et al. Effect of omega-3 and vitamin D co-supplementation on psychological distress in reproductive-aged women with pre-diabetes and hypovitaminosis D: A randomized controlled trial.
Magnon V, et al. Benefits from one session of deep and slow breathing on vagal tone and anxiety in young and older adults | Scientific Reports.
Ishikawa Y, Furuyashiki T. The impact of stress on immune systems and its relevance to mental illness.

Xilitol e eritritol no controle neuroendócrino da saciedade

Um estudo cruzado, publicado em Nutritional Neuroscience, comparou os efeitos dos adoçantes de baixa caloria e baixo índice glicêmico, xilitol e eritritol, com o adoçante calórico glicose e água. O objetivo era testar seus efeitos sobre as regiões envolvidas na regulação do apetite e se esses efeitos estariam relacionados à liberação de hormônios intestinais, como CCK e PYY.

Esses hormônios sinalizam áreas do sistema nervoso central envolvidas na regulação do apetite. Nem todas as substâncias adoçantes induzem igualmente essa importante secreção: adoçantes artificiais, como a sucralose ou o aspartame, por exemplo, não estimulam a liberação de hormônios intestinais. Já o adoçante calórico frutose evoca apenas uma fraca liberação.

Vinte homens e mulheres normoglicêmicos saudáveis, com idade média de 27,7 anos e IMC médio de 28,3 kg/m2, receberam via intragástrica doses agudas dos adoçantes diluidos (75 mg de glicose, 50 mg de xilitol e 75 mg de eritritol) ou apenas água. Essa via de administração dos adoçantes ajuda a reduzir pistas oro-sensoriais ou confusões das fases cefálica e oral da ingestão, como respostas hedônicas e cognições.

Alguns interessantes achados: 

– o xilitol aumentou o fluxo sanguíneo cerebral e, portanto, a atividade no hipotálamo, enquanto a glicose teve o efeito oposto;
– a análise gráfica da conectividade funcional em repouso revelou um padrão complexo de semelhanças e diferenças no impacto nas propriedades da rede global e nodal entre xilitol, eritritol e glicose;
– o eritritol e o xilitol induziram aumento nos níveis de CCK e PYY;
– o eritritol não teve efeito e o xilitol apenas efeitos mínimos sobre a glicose e a insulina.

Em resumo: a combinação de propriedades (baixa caloria, baixo índice glicêmico e estimulação da liberação de hormônios intestinais anorexígenos) torna esses adoçantes atraentes como uma substituição do açúcar para muitos indivíduos e, em especial, na prevenção ou presença de pré-diabetes, diabetes tipo 2 e obesidade.

Fonte:

Meyer-Gerspach A., et al. Erythritol and xylitol differentially impact brain networks involved in appetite regulation in healthy volunteers.

 

Extrato de açafrão para o sono

Na edição passada, trouxemos um estudo mostrando que o extrato de açafrão (Crocus sativus ) exerce tendência redutora da pressão arterial no médio prazo. Nesta, trazemos um ensaio clínico randomizado controlado com 3 braços, grupo paralelo, duplo-cego, que investigou o seu efeito sobre o sono de adultos, quando ingerido uma hora antes de dormir. 

Cento e vinte adultos com sono insatisfatório receberam placebo, 14mg ou 28mg de um extrato de açafrão padronizado (affron®) durante 28 dias.

Houve uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos na mudança nas classificações de qualidade do sono de PSD entre o grupo açafrão (combinado) e o grupo placebo (p = 0,023), mas nenhuma diferença significativa entre as duas doses de açafrão (p = 0,949). Uma análise ITT também observou diferença estatística entre o grupo açafrão (combinado) e o placebo (p = 0.045).

Em comparação com o placebo, a suplementação de açafrão foi associada a aumentos nas concentrações noturnas de melatonina, o que pode sugerir que um mecanismo associado aos seus efeitos soníferos pode ser por meio de sua influência na melatonina. Isso se soma aos seus efeitos bem conhecidos no equilíbrio dos neurotransmissores e às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Já o cortisol noturno não foi afetado. A suplementação de açafrão foi bem tolerada, sem efeitos adversos significativos relatados.

Colágeno para a saúde muscular

Não é novidade afirmar que uma função motora plena na vida adulta se correlaciona com o aumento da longevidade. O sedentarismo cobra um preço alto sob vários aspectos. Este fato sugere que as estratégias para reduzir o declínio acelerado devem começar cedo e que a detecção precoce de alterações na estrutura ou função motora pode oferecer oportunidades de prevenção e intervenções direcionadas.

A novidade, no entanto, é o conjunto de estudos mostrando que, além de atividades físicas frequentes e uma boa ingestão proteica, entre outros, a suplementação de colágeno pode ajudar na estratégia para a preservação da estrutura motora. Ou seja, o colágeno, além de beneficiar a saúde da pele, a síntese de cartilagem, ligamentos e tendões, vem mostrando poder beneficiar a saúde muscular.

Recém-publicado no International Journal of Environment Research of Public Health, um estudo randomizado e controlado focou esta possibilidade de suplementação aliada ao treino de resistência na composição corporal e força muscular em homens de meia-idade não treinados (com sobrepeso). Para melhor explorar os resultados, o grupo suplementado com colágeno foi depois comparado com um outro grupo de homens que recebeu whey protein aliado ao mesmo treino de resistência (TR).

Durante 12 semanas de duração, noventa e sete homens ingeriram 15g de peptídeos de colágeno (n = 30), ou placebo (n = 31), ou whey protein (n = 36), diariamente. Todos participaram de um TR de 1 hora, 3 x por semana.

A análise principal revelou um aumento estatisticamente significativo na massa livre de gordura (p = 0,010) e diminuição na massa gorda (p = 0,023) no grupo colágeno em comparação com o placebo – um efeito próximo ao conquistado pelo grupo whey protein. A força muscular aumentou significativamente em todos os grupos como resultado do TR.

Fonte:
Zdzieblik D., et al. The Influence of Specific Bioactive Collagen Peptides on Body Composition and Muscle Strength in Middle-Aged, Untrained Men: A Randomized Controlled Trial.

 

Açafrão, um influenciador favorável na pressão arterial

Nas últimas três décadas, grandes melhorias nas taxas de tratamento e controle da hipertensão foram observadas em países de renda média, como Costa Rica, Cazaquistão, África do Sul, Brasil, Turquia e Irã, reforçando a importância da atenção primária sobre essa questão.

No entanto, conforme estudo recém-publicado no The Lancet, apesar de ser simples de diagnosticar e relativamente fácil de tratar, quase metade das pessoas (41% das mulheres e 51% dos homens) com hipertensão em todo o mundo em 2019 desconheciam sua condição.

Uma estratégia básica de tratamento anti-hipertensivo é através da nutrição. Como evidência de um nutracêutico influenciador, uma revisão sistemática e meta-análise de oito estudos randomizados controlados, recém-publicada em Nutrients, descobriu que o açafrão (Crocus sativus) apresenta um pequeno efeito, mas, ao longo do tempo, possivelmente importante na melhora da pressão arterial em adultos.

As influências favoráveis da suplementação de açafrão (abundante em crocina, picrocrocina, safranal e crocetina) nas doenças metabólicas já foram mostradas anteriormente. Na atual revisão, os autores encontraram agora que a suplementação de açafrão resultou em uma diminuição significativa na pressão arterial sistólica (diferença média ponderada (WMD): −0,65 mmHg; IC de 95%: −1,12 a −0,18, p = 0,006) e pressão arterial diastólica (WMD: −1,23 mmHg ; IC 95%: -1,64 a -0,81, p < 0,001).

A suplementação reduziu a pressão diastólica de uma forma não linear, com base na duração do tratamento. Os estudos incluídos na revisão tiveram duração máxima de 3 meses.

Fontes:

Worldwide trends in hypertension prevalence and progress in treatment and control from 1990 to 2019: a pooled analysis of 1201 population-representative studies with 104 million participants. The Lancet, 24/08/2121.
Setayesh L., et al. The Effect of Saffron Supplementation on Blood Pressure in Adults: A Systematic Review and Dose-Response Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials.

Whey protein para a resposta glicêmica e biomarcadores hepáticos

A ingestão de proteína via soro do leite aumenta a ingestão de aminoácidos essenciais e pode estimular a saciedade e reduzir a inflamação, além de mostrar exercer um efeito insulinogênico pós-prandial. Assim, a suplementação de whey protein foi estabelecida como um meio apropriado para promover o controle metabólico em pessoas com sobrepeso, obesidade ou metabolismo comprometido. Poucos estudos, até agora, examinaram o efeito do whey protein em parâmetros semelhantes em mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP).  

Devido à natureza do SOP e o risco aumentado para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e outras anomalias metabólicas, como a esteatose hepática não-alcoólica (NAFLD), o objetivo de um estudo exploratório recém-publicado em Nutrients foi comparar a resposta hormonal e das enzimas hepáticas durante 7 dias de suplementação de whey protein isolado (WPI), usando o teste de tolerância glicêmica oral (OGTT) em mulheres com SOP e controles saudáveis.

As participantes (14 no grupo SOP, idades = 22,9 ± 5,8 anos; IMC = 33,7 ± 9,5 kg/m2; 15 controles, idades = 21,1 ± 3,2 anos; IMC = 24,4 ± 4,0 kg / m2) consumiram 35g de WPI com sabor chocolate ou baunilha, 30 minutos antes do almoço, diariamente.

Embora tenha sido um estudo com curta duração e poucas participantes, sendo, assim, difícil de detectar poder estatístico, a maioria dos efeitos positivos foram observados em ambos os grupos. O whey protein teve um efeito de interação sobre a glicose (p = 0,02) e insulina (p = 0,03), com a glicose permanecendo estável e a insulina aumentando com a suplementação.

A melhora da sensibilidade à insulina (p < 0,01) veio associada ao aumento da secreção de glucagon (p < 0,01). Entre outros, no grupo SOP ocorreu uma redução do acúmulo de lipídios nas células HepG2 (uma linha de células de câncer de fígado).

Os autores projetam repetir o estudo por um período mais longo de suplementação (40 dd), para observar se os parâmetros associados com NAFLD, como a alanina aminotransferase (ALT) e o aspartato aminotransferase (AST), se elevam, como mostraram tendência no curto espaço de tempo do estudo atual.

Fonte:

Zumbro E., et al. Whey Protein Supplementation Improves the Glycemic Response and May Reduce Non-Alcoholic Fatty Liver Disease Related Biomarkers in Women with Polycystic Ovary Syndrome (PCOS).

Colágeno hidrolisado tipo II no alívio do desconforto articular

Acaba de ser publicado um estudo que investigou os efeitos do suplemento concentrado de colágeno hidrolisado de frango tipo II (≥ 70% HCII) para o alívio do desconforto articular em uma população que não tomava analgésicos. O estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo também avaliou a eficácia do HCII no desconforto no punho além do desconforto no joelho e quadril.

Todos os 90 participantes (homens e mulheres, idades 40-65 anos) foram aleatoriamente designados para receber 2,5 g de HCII diariamente, ou uma quantidade igual de placebo, e acompanhados nas semanas 4 e 8 após a avaliação inicial.

Em relação às condições de saúde e fatores de risco no início do estudo, a maioria das características não foi estatisticamente diferente entre os dois grupos, exceto a duração da dor relatada no início do estudo. Em média, o grupo HCII relatou uma duração significativamente maior de dor relacionada às articulações do que o grupo placebo (p = 0,023).

Diversas descobertas positivas foram encontradas através das pesquisas WOMAC, para avaliação geral do desconforto articular, e VAS, para avaliação da dor. Entre elas, a análise sensitiva detectou uma redução significativa e maior na pontuação geral da WOMAC no grupo suplementado versus placebo na semana 4 (P = 0.045), e mais diferenças observadas na semana 8 em favor do grupo HCII.

O índice WOMAC no domínio da rigidez foi o mais substancial estatisticamente, favorecendo o grupo HCII tanto na semana 4 (P = 0,018) quanto na semana 8 (P = 0,048).

Fonte:

Mohammed A., He S. A Double-Blind, Randomized, Placebo-Controlled Trial to Evaluate the Efficacy of a Hydrolyzed Chicken Collagen Type II Supplement in Alleviating Joint Discomfort.

Efeitos da vitamina C no tratamento

de infecções respiratórias

Do resfriado comum a doenças infecciosas graves, o potencial de ajuda de boas doses de vitamina C parece ser evidente. No entanto, muitos de nós ainda pensamos que obtemos, diariamente, o necessário através de certos alimentos crus, enquanto outros simplesmente esquecem, de maneira crônica, da importância de sua otimização sérica preventiva.

Dentre tantos estudos, trazemos um recém-publicado em BMC Infectious Diseases, um jornal de acesso aberto, que adiciona mais evidência sobre a vitamina C para a imunidade, com foco no tratamento da infecção respiratória.

Oitenta pacientes gravemente enfermos com pneumonia foram incluídos nesse ensaio clínico duplo-cego randomizado. Internados na unidade de terapia intensiva, os investigadores testaram a vitamina C intravenosa que, dentre suas características, ajuda muito em situações urgentes e para pacientes com dificuldade de engolir.

Os pacientes foram aleatoriamente designados para grupos de intervenção ou placebo recebendo tratamento padrão mais 60 mg/kg/dia de vitamina C como uma infusão contínua ou solução salina por 96h.

Nesse curto espaço de tempo, em comparação com o grupo que não recebeu a vitamina C, a adição do nutriente ao tratamento no grupo de intervenção resultou numa diminuição da inflamação, duração da ventilação mecânica e o uso de vasopressores.

Mahmoodpoor A., et al. Effect of Vitamin C on mortality of critically ill patients with severe pneumonia in intensive care unit: a preliminary study.

Dados alertam para a saúde ocular de pessoas com menos de 40 anos

Sem dados brasileiros específicos, pessoas nos Estados Unidos temem perder a visão mais do que a memória, a audição ou a fala, e consideram a perda da acuidade visual uma das 4 piores coisas que podem acontecer com elas. Se essas pessoas estão cientes ou não que a performance da visão está relacionada à saúde mental, o receio é compreensível. E, como qualquer outro sistema do corpo, o sistema visual requer cuidados.

Funcionando como um alerta preventivo já para populações mais jovens, pela primeira vez, um estudo incluiu participantes < 40 anos para estimar números mais precisos sobre como anda a acuidade visual (incluindo a cegueira) nos Estados Unidos.

A perda da acuidade visual ou prevalência de cegueira podem variar substancialmente entre estados ou regiões devido aos fatores de risco para deficiência visual (como diabetes, fumo, exposição ao sol, nutrição, toxinas ou lesões), acesso a cuidados de saúde e consciência sobre medidas de prevenção, determinantes sociais da saúde (como pobreza, educação, riscos ocupacionais) e políticas.

Portanto, devido aos muitos possíveis vieses, os autores do novo estudo, publicado em JAMA Ophthalmology, utilizaram o modelo de meta-regressão para estimar informações mais detalhadas sobre como a perda da visão e a cegueira foram distribuídas pelos estados americanos e entre as crianças e os mais velhos no ano de 2017.

Os investigadores descobriram que, entre as pessoas que vivem com perda da visão e cegueira nos Estados Unidos, quase 1 em cada 4 tem menos de 40 anos. Com números estimados de casos de perda da acuidade visual ou cegueira 68% maior do que a estimativa anterior (2012), acredita-se que além da inclusão das populações mais jovens, esse aumento se deve também ao crescimento da população mais idosa.

Fonte:

Flaxman A., et al. Prevalence of Visual Acuity Loss or Blindness in the US.

Meta-análise indica relação entre vitamina D e resistência à insulina

Existe correlação de níveis inferiores de vitamina D com a resistência à insulina? A partir de uma meta-análise de 40 estudos, publicada em Nutrients, pesquisadores concluíram que sim – mas não somente em pacientes com diabetes tipo 2. Com um grau menor, a correlação também foi observada na população não diabética com sobrepeso ou obesidade, independentemente de idade ou sexo.

De acordo com estudos anteriores, existe uma sinergia (ação simultânea) entre a hipovitaminose D e a obesidade no desenvolvimento da hiperglicemia e resistência à insulina. A expressão dos receptores de vitamina D é mais pronunciada em obesos em comparação com indivíduos magros, e a sua deficiência tem uma relação inversa independente do IMC.

O mecanismo “anti” resistência à insulina da vitamina D pode atuar por meio do seu mecanismo anti-inflamatório em indivíduos com sobrepeso. Uma diminuição nas citocinas inflamatórias após o tratamento com vitamina D foi observada em muitos estudos anteriores e pode ter um papel na promoção da sensibilidade à insulina.

O ciclo funciona por meio da síntese de gordura estimulada pela insulina e do tecido adiposo, iniciando a síntese de marcadores inflamatórios, que levam ao aumento da resistência à insulina. A vitamina D interrompe este ciclo no nível da adipogênese, impedindo-o, e no nível da produção de marcadores inflamatórios, diminuindo sua síntese.

Rafiq S., Jeppesen B. Insulin Resistance Is Inversely Associated with the Status of Vitamin D in Both Diabetic and Non-Diabetic Populations.

Compostos fluorados “escondidos” em cosméticos

De acordo com um estudo recém-publicado em Environmental Science & Technology Letters, muitos cosméticos vendidos nos Estados Unidos e Canadá contêm altos níveis de substâncias perfluoroalquil e polifluoroalquil (PFAS), uma ampla classe de produtos químicos sintéticos potencialmente tóxicos e persistentes.

Quando os PFAS entram na corrente sanguínea, permanecem lá e se acumulam. Há também o risco de contaminação ambiental associada à fabricação e descarte desses produtos.

Os PFAS são usados em cosméticos devido às suas propriedades, como hidrofobia e capacidade de formação de filme, que aumentam a durabilidade e a capacidade de espalhamento do produto. Adicionalmente, melhoram a aparência da pele, bem como aumentam a absorção do produto pela pele.

Um total de 231 cosméticos foram comprados em lojas bem conhecidas das populações e analisados usando a metodologia de emissão de raios gama induzida por partículas (PIGE).

As categorias de cosméticos que apresentaram o maior percentual de produtos com alto teor de flúor (diferente do flúor adicionado às águas potáveis) foram as bases (63%), produtos para os olhos (58%), para os lábios (55%) e máscaras (47%), em especial os comumente anunciados como “resistentes” à água, ou “duradouros”.

Mundialmente, devido à falta de requisitos de rotulagem rígidos, regulações atualizadas e de fiscalização, é importante observar que a extensão total do uso de produtos químicos fluorados em cosméticos é difícil de estimar. Além disso, os PFAS são usados em muitos outros produtos: desde panelas antiaderentes, carpetes, roupas e móveis a embalagens de alimentos.

Alimentos que contêm muita gordura – como hambúrgueres, batatas fritas e biscoitos – são os principais candidatos para embalagens feitas com PFAS. Em 2018, foi listada a existência de 4.700 tipos de PFAS, um número que aumenta à medida que a indústria inventa novas formas.

Fontes:

Whitehead H., et al. Fluorinated Compounds in North American Cosmetics.
Birnbaum L..Hearing on “The Federal Role in the Toxic PFAS Chemical Crisis”

Ômega-3: um nutriente essencial

Desde 1978, quando Jørn Dyerberg et al. perguntavam com tom de surpresa no título de seu estudo, “Eicosapentaenoico para a prevenção de trombose e aterosclerosis?”, o interesse nos efeitos sobre a saúde dos ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa ômega-3 (em especial, DHA e EPA) tem sido central nas ciências da nutrição, estando, atualmente, no páreo das moléculas mais pesquisadas com a penicilina, vitamina D, aspirina, prednisona, ácido fólico e vitamina E.

O significativo número de publicações semanais de diferentes projetos de estudos mostra um contínuo interesse da pesquisa farmacológica sobre os metabólitos de organismos aquáticos para as atividades anti-inflamatórias. As biomoléculas são classificadas em diferentes classes químicas, abrangendo proteínas, sesquiterpenoides, diterpenos, esteroides, polissacarídeos, alcaloides, ácidos graxos, etc.

Em relação aos ácidos graxos, no meio de tantos achados é muito comum esquecermos que os constituintes do ácido graxo ômega-3 (⍵-3) são nutrientes lipídicos de extrema importância. Diferente do uso pontual de um medicamento específico para o tratamento de uma condição, um nutriente, sob adequada dose e biodisponibilidade, além de poder otimizar um tratamento farmacológico de saúde, e mesmo poder melhorar certos desequilíbrios por si só, ele faz parte da nutrição e regeneração dos sistemas orgânicos, constantemente.

Essas gorduras de animais e óleos de plantas fornecem energia, mediação de nutrientes, transdução de sinal, prevenção de doenças, isolamento térmico, estrutura da membrana celular e proteção de órgãos através de diferentes ações de equilíbrios inflamatórios e anti-inflamatórios e de processos imunes.

Os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa ômega-6 (⍵-6) também são essenciais e fazem parte dessas ações. Mas dele não se observa deficiência nas dietas e, portanto, nas populações, como no caso do ⍵-3.

Proporção entre ômega-3 e ômega-6

Os alimentos na era moderna são compostos de níveis mais elevados de ⍵-6 em comparação com os alimentos consumidos por humanos (e por animais) de outrora. Consequentemente, a razão ⍵-6 : ⍵-3 (determinante do perfil de eicosanoides) se alterou nos organismos, desequilibrando os sistemas pró e anti-inflamatórios, tão importantes para a manutenção da saúde sistêmica.

Ou seja, de uma proporção ⍵-6 / ⍵-3 aproximada de 1 : 1, durante a evolução recente passou para aproximadamente 20 : 1. Um exemplo do malefício desse desequilíbrio é sentido através da prevalência atual de sobrepeso e obesidade.

Estudos recentes em humanos mostram que, além das quantidades absolutas de ingestão desses ácidos graxos, a proporção ⍵-6 : ⍵-3 desempenha um papel importante no aumento do desenvolvimento da obesidade por meio de metabólitos eicosanoides AA (ácido araquidônico, muito encontrado nos fosfolipídios de animais alimentados com grãos, laticínios e ovos) e hiperatividade do sistema canabinoide, que pode ser revertido com o aumento da ingestão de ácido eicosapentaenoico e ácido docosahexaenoico (respectivamente, EPA e DHA, encontrados especialmente nos óleos de peixe e em peixes gordurosos).

Existe uma considerável dinâmica metabólica no equilíbrio das proporções de ácidos graxos dos tecidos. É sabido que o ácido linoleico (LA; ⍵-6) e o ácido linolênico (ALA; ⍵-3) competem pelas mesmas enzimas elongase e dessaturase na síntese de ácidos graxos poli-insaturados mais longos, como o AA, o EPA e o DHA.

Alguns alimentos de base terrestre também possuem ⍵-3, no entanto, ou em menor escala, como nas carnes, ou sob a forma de ALA que exige do organismo a (lenta) conversão, como nos óleos encontrados nas plantas. Dependendo do metabolismo individual, essa conversão pode representar um desafio para os que aderem a dietas à base de plantas, sem suplementação. Além deles, o cuidado se faz necessário em pacientes sob certas condições, como visto em um estudo recém-publicado que observou um déficit de ⍵-3 em pacientes com obesidade antes da gastroplastia em Y de Roux. Após a cirurgia (mais realizada no mundo), o déficit aumentou mais ainda.

Níveis de ingestão de ômega-3 no mundo

Os sistemas de produção animal terrestre sofreram mudanças nos últimos 100 anos. Nos sistemas de produção de ruminantes, por exemplo, percebe-se que a aplicação de dietas volumosas de baixa qualidade nutritiva, além de pastagens não mistas reduziu a ingestão animal de ⍵-3 e, como consequência, o nível do nutriente na carne. Mesmo na produção de animais aquáticos já se observou certa redução dos níveis de ⍵-3, talvez consequente da mudança climática. A suplementação ou “fortificação” começa a se tornar necessária na dieta animal geral para seu melhor desenvolvimento sob diversos ângulos, desde a lactação.

Com ainda poucos dados brasileiros, aproximadamente 80% dos australianos não estão atingindo a ingestão recomendada de ⍵-3 para uma saúde ideal. Menos de 3% dos canadenses parecem apresentar níveis de índice ômega-3 (IO-3) > 8%, na faixa de baixo risco de doença coronariana. Nos Estados Unidos, mais de 95% das crianças e 68% dos adultos que participaram de um grande estudo apresentaram concentrações do nutriente abaixo das recomendadas pelas suas diretrizes dietéticas (DGA), e cerca de 89% dos adultos tinham IO-3 na categoria de alto risco cardiovascular.

Uma revisão global publicada em Progress of Lipid Research, ao analisar o nível de ⍵-3 sanguíneo das populações, observou que as regiões com altos níveis de EPA + DHA (> 8%) incluíram o Japão, Escandinávia e áreas com populações não totalmente adaptadas aos hábitos alimentares ocidentalizados. Entre os países com níveis muito baixos (≤ 4%), o Brasil está incluso.

A recomendação padrão

O conselho geral dos profissionais de saúde é consumir 2 refeições de peixe (com certa gordura e não frito) por semana para elevar o ⍵-3 no corpo. Uma grande análise conjunta de quatro grandes estudos de coorte internacionais recém-publicada no JAMA apoia esse conselho ao descobrir sua associação a um menor risco de DCV e mortalidade em indivíduos de alto risco.

No entanto, sem entrar na complexa questão da presença de mercúrio atualmente existente em certos peixes, uma pergunta é fundamental: quantos indivíduos ou pacientes, de fato, conseguem aderir a tal recomendação?

Com o entendimento de que a manutenção de níveis ótimos de ⍵-3 se mostra imprescindível, e considerando-se a individualidade metabólica individual, além das diferentes biodisponibilidades de diferentes alimentos e formulações/doses de suplementos – o que pode gerar um confundidor nos achados científicos –, estudos modernos passaram a se concentrar no nível de ⍵-3 encontrado nas membranas dos eritrócitos.

Nutriente essencial

Outro avanço desse entendimento vem através de uma atual discussão sobre incluir EPA e DHA na diretriz de ingestão dietética de referência (DRI) em relação ao risco de DCV e para o desenvolvimento infantil, o que pode ajudar que todos percebam o ⍵-3 como um nutriente que precisa ser ingerido como, digamos, a vitamina C ou o complexo B.

Ademais, as DRIs foram originalmente estabelecidas sem pensar nos pacientes com presença de inflamações crônicas, numa época em que, p.ex., o sobrepeso não se mostrava predominante nas populações.

Finalizando, um panorama da essencialidade do nutriente ⍵-3 pode ser observado na longevidade, como reportado em (mais) uma meta-análise recém-publicada na Nature Communications. Nela, pessoas com níveis sanguíneos de ⍵-3 EPA e DHA mais elevados viveram mais do que aquelas com níveis mais baixos. Em outras palavras, aquelas pessoas que morreram com níveis relativamente baixos de ⍵-3, morreram prematuramente.

A análise prospectiva de dados agrupados de 17 coortes diferentes de todo o mundo incluiu 42.466 pessoas acompanhadas por 16 anos em média. As pessoas que tinham os níveis mais altos dos nutrientes EPA + DHA na membrana dos eritrócitos (percentil 90º vs 10º, que variou entre 3,5% a 7,6%) apresentaram:

• 15% redução de DCV

•11% redução de câncer

•13% redução de todas as outras causas combinadas


Fontes:

Dyerberga J, et al. Eicosapentaenoic acid and prevention of thrombosis and atherosclerosis?

Hajri T, et al. Depletion of Omega-3 Fatty Acids in RBCs and Changes of Inflammation Markers in Patients With Morbid Obesity Undergoing Gastric Bypas.

Závorka L, et al. Climate change induced deprivation of dietary essential fatty acids can reduce growth and mitochondrial efficiency of wild juvenile salmon.

Kibria S, et al.  Effect of omega-3 fatty acid supplementation in salmon oil on the production performance of lactating sows and their offspring.

Langlois K; Ratnayake WMN. Omega-3 Index of Canadian adults.

Meyer BJ. Australians are not Meeting the Recommended Intakes for Omega-3 Long Chain Polyunsaturated Fatty Acids: Results of an Analysis from the 2011–2012 National Nutrition and Physical Activity Survey.

Stefanello FPS, et al. Analysis of consumption of omega 3 source foods by participants of social groups.

Murphy RA, et al. Long-chain omega-3 fatty acid serum concentrations across life stages in the USA: an analysis of NHANES 2011–2012.

Stark KD, et al. Global survey of the omega-3 fatty acids, docosahexaenoic acid and eicosapentaenoic acid in the blood stream of healthy adults.

Ponnampalam EN, et al. The Sources, Synthesis and Biological Actions of Omega-3 and Omega-6 Fatty Acids in Red Meat: An Overview.

Virtanen JK, et al. Serum long-chain n-3 polyunsaturated fatty acids, mercury, and risk of sudden cardiac death in men: a prospective population-based study.

Mohan D, et al. Associations of Fish Consumption With Risk of Cardiovascular Disease and Mortality Among Individuals With or Without Vascular Disease From 58 Countries.

Yetley EA, et al. Options for basing Dietary Reference Intakes (DRIs) on chronic disease endpoints: report from a joint US-/Canadian-sponsored working group.

Racey M, et al. Dietary Reference Intakes based on chronic disease endpoints: outcomes from a case study workshop for omega 3’s EPA and DHA.

Harris WS, et al. Blood n-3 fatty acid levels and total and cause-specific mortality from 17 prospective studies.

Extrato de alho e melhoria nos perfis cardiovascular e renal

Os potenciais achados em estudos randomizados que testaram o extrato de alho sobre a saúde humana são muitos, devido à sua composição extremamente rica. Ele contém aproximadamente 33 compostos de enxofre, 17 aminoácidos, enzimas, sais minerais (germânio, selênio, fosfatos, cálcio e sais de ferro, entre outros), vitaminas (ácido ascórbico, riboflavina, niacina, tiamina, ácido fólico, entre outras) e óleos essenciais valiosos.

Estima-se que o alho contenha + de 200 substâncias químicas com potencial para proteger o organismo contra várias doenças, incluindo infecções bacterianas, e para inibir o crescimento de uma gama de bactérias, incluindo cepas multirresistentes.

Investigando os seus efeitos anti-inflamatórios e sobre o perfil lipídico, um estudo cruzado, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo dividiu 70 pacientes em hemodiálise para receber ou 300 mg de alho em pó (1,3 mg de extrato de alho), ou placebo. Após 8 semanas de intervenção, e 6 semanas de washout, nas seguintes 8 semanas do estudo, os agentes foram  alternados entre os grupos para que o primeiro grupo recebesse  placebo, e o segundo grupo o alho.

Todos os pacientes continuaram a tomar seu medicamento prescrito. Testes de função renal, sódio, potássio e perfil lipídico foram feitos antes e depois de cada 8 semanas do estudo.

Foram encontradas reduções significativas na lipoproteína de baixa densidade oxidada (muito presente na aterosclerose) e homocisteína plasmática (ambas, < 0.001), como também na creatinina, taxa de sedimentação de eritrócitos, proteína C-reativa e triglicerídeos.

Ao lembrar que está-se testando o poder de um nutriente, não uma droga farmacêutica, esses resultados são muito animadores: uma ajuda fitoterápica para reduzir o risco de eventos cardiovasculares em pacientes sob hemodiálise ou com doença renal crônica.

Fonte:

 

Influência do contexto alimentar na dinâmica da microbiota para uma longevidade saudável

Vários gêneros microbianos intestinais foram associados a populações de idosos saudáveis – conhecidos como centenários ou supercentenários – e são apontados como influentes da longevidade saudável. No entanto, esses gêneros se apresentam altamente variáveis entre as populações.

Em artigo publicado em Frontiers in Microbiology, pesquisadores propõem que as diferenças regionais na dieta significam que é improvável que haja um microbioma intestinal ideal para promover a longevidade.

Por exemplo, em uma coorte italiana, constatou-se que o microbioma dos centenários era dominado pelas mesmas duas famílias microbianas que nas outras faixas etárias (< 75 anos) da população, a saber Veillonellaceae e Ruminococcaceae (filo Firmicutes), mas especificamente enriquecido nos gêneros AkkermansiaBifidobacterium e Christensenella.

Em contraste, a coorte de centenários chineses (Hainan) apresentou domínio de Bacteroides (filo Bacteroidetes) e Escherichia (filo Proteobacteria). Em uma coorte irlandesa também foi observado domínio de Bacteroidetes, mas com uma variação interindividual extraordinária com 3-92% de Bacteroidetes e 7-94% de Firmicutes, sugerindo um efeito de longo prazo de seus hábitos alimentares.

Entre outros, na revisão dos pesquisadores, mesmo com grande variabilidade, observa-se alguns gêneros microbianos associados à longevidade saudável entre as populações estudadas: RoseburiaEscherichiaAkkermansiaChristensenellaBifidobacterium e Clostridium.

Com base nessas observações transversais, parece improvável que exista um microbioma intestinal ideal universal, uma vez que esse depende grandemente do contexto alimentar cultural. Uma provável atitude universalmente benéfica seria beneficiar o sistema imune para uma melhor remoção do excesso de micróbios problemáticos.

Fonte:

Low D., et al. Regional Diets Targeting Gut Microbial Dynamics to Support Prolonged Healthspan

Bebidas açucaradas e risco de câncer colorretal precoce entre mulheres

Um estudo realizado na Escola de Medicina da Universidade de Washington analisou de maneira prospectiva e repetida a ingestão de bebidas adoçadas com açúcar de 95.464 jovens enfermeiras – Nurses’ Health Study II (1991–2015) –, acompanhando dados através de questionário detalhado e diagnósticos médicos por até 24 anos.

A captura da ingestão de longo prazo descobriu que o consumo diário de duas ou mais dessas bebidas estava associado ao dobro (2.2 vezes) do risco de desenvolver câncer colorretal de início precoce (antes dos 50 anos), em comparação com o consumo inferior a uma vez por semana.

 

No longo prazo, os pesquisadores observaram que as mulheres com maior ingestão de bebidas adoçadas com açúcar na idade adulta tendiam a ser menos ativas fisicamente e mais propensas a ter um histórico de colonoscopia, usar AINEs, consumir carne vermelha e/ou processada, assim como menos propensas a tomar multivitaminas, fibra, folato e cálcio, além de praticar dieta de baixa qualidade e apresentar sobrepeso. Aquelas com maior consumo de suco de frutas sem adição de açúcar eram menos propensas a estar acima do peso.

Da mesma forma, entre um subconjunto de participantes, as mulheres com maior consumo de bebidas adoçadas com açúcar na idade de 13-18 anos também apresentaram maior risco de câncer colorretal de início precoce, e eram mais propensas a adotar dieta e estilo de vida não saudáveis na adolescência.
 

Fonte:

Hur J., et al.   Sugar-sweetened beverage intake in adulthood and adolescence and risk of early-onset colorectal cancer among women .

 

Vitamina C no apoio a pacientes com diabetes tipo 2 não controlado

Um novo estudo, publicado no Chinese Journal of Physiology, sugere que 6 semanas de suplementação de 1g de vitamina C reduz a pressão arterial (PA) pré e pós-exercício, possivelmente devido à melhora do estresse oxidativo e da liberação de óxido nítrico. Os participantes do estudo cruzado prospectivo, duplo-cego e controlado por placebo eram pacientes com diabetes tipo 2 não controlado.

Após seis semanas de suplementação diária (vit C ou placebo), os 24 participantes (com idade média de 53 anos) passaram por um período de eliminação de seis semanas. Para inclusão no estudo, eles apresentavam pressão arterial ≤ 140/90 mmHg, mantida, se necessário, com tratamento anti-hipertensivo.

Antes e depois da suplementação, todos os pacientes realizaram exercício de ciclismo a 33% do consumo máximo de oxigênio por 20 minutos. A PA foi medida antes, imediatamente e 60 minutos após o exercício. Os dados mostraram PA significativamente mais baixa no grupo vitamina C quando comparado com o placebo (PA sistólica, P < 0,001 em cada ponto de tempo; PA diastólica, P < 0,001, mas não tanto imediatamente após o exercício: P < 0,05).

A ingestão de vitamina C aumentou os níveis plasmáticos e os níveis de óxido nítrico, e reduziu os marcadores de peroxidação lipídica, em comparação com o grupo placebo que não experimentou alterações significativas.

Nesse estudo, o exercício por si só não apresentou efeito sobre quaisquer medidas de resultado. Isso ilustra que a hipotensão pós-exercício em pacientes com diabetes não controlado pode se apresentar diminuída devido à disfunção endotelial, o que a suplementação de vitamina C parece poder ajudar através de melhorias do estresse oxidativo e da liberação de óxido nítrico.


Fonte:

Boonthongkaew C., et al. Vitamin C supplementation improves blood pressure and oxidative stress after acute exercise in patients with poorly controlled type 2 diabetes mellitus: A randomized, placebo-controlled, cross-over study .

Ômega-3 e saúde muscular

Declínios na massa e função muscular associados à idade são os principais fatores de risco para quedas, mortalidade em idosos, redução da capacidade de realizar atividades diárias e tempo de recuperação prolongado após hospitalizações. Quanto mais estratégias seguras e capazes de ajudar na manutenção da saúde muscular, melhor a qualidade de vida.

Durante a meia-idade, a massa muscular começa a diminuir a uma taxa de ~0,5–1,0% ao ano pelo aumento da infiltração com tecido adiposo e conjuntivo, que afeta negativamente a força e potência musculares, totalizando uma perda anual de ~ 2–3,0% da função muscular.

Muito recomendado e prescrito para a saúde cardiovascular e neurológica, os efeitos do ômega-3 são estudados para muitas áreas por suas ações em diferentes marcadores. Nos últimos anos, vimos um aumento contínuo de estudos apontando que a sua ingestão diária ajuda a preservar e promover a musculatura. O ômega-3 parece complementar ou dar apoio a alguns dos efeitos do exercício físico em várias populações.

Recém-publicado em Sports, um pequeno estudo randomizado concluiu que níveis mais elevados de ácidos graxos ômega-3 plasmáticos estão positivamente relacionados com a função muscular e articular após exercício de contração excêntrica em jovens do sexo masculino. O estudo também encontrou que níveis mais elevados de EPA e DHA são importantes para reduzir o dano muscular.

Nesse contexto, as conclusões desse estudo ajudam a solidificar os achados anteriores, ampliando a população beneficiada. Além de em adultos mais velhos, o efeito também pode ser visto em populações jovens, não atletas. No estudo atual, os trinta e dois participantes não faziam treinamento físico contínuo há um ano.

Atenuante do desuso muscular

Em 2019, um pequeno estudo já havia chamado a atenção por seu design meticuloso, com várias medidas repetidas, de base, durante e após intervenção, inclusive repetidas biópsias musculares, totalizando 12 visitas laboratoriais em um período de 10 semanas. As vinte participantes eram mulheres jovens (IMC = 23,0 ∓ 2,3 kg / m2; idade = 22 ∓ 3 anos) que se exercitavam até 2 vezes por semana.

Muito importantes para a prática clínica, McGlory et al. tiveram como ponto central testar o ômega-3 (n-3) sobre a síntese de proteína muscular miofibrilar (MyoPS), massa muscular, tamanho e força em resposta a um período de desuso muscular.

Os pesquisadores usaram uma dose de n-3 já anteriormente observada através do volume muscular medido por ressonância magnética para conferir influência anabólica no esqueleto: 5 g (2.97 g EPA + 2.03 g DHA). Durante o estudo, a dieta foi controlada, e as participantes tiveram um membro inferior (unilateral) imobilizado por 2 semanas.

Em comparação com os valores pré-intervenção, a redução do volume do quadríceps no grupo controle foi significativamente maior em comparação com o grupo n-3 (P < 0,01; 14% vs. 8%). Da mesma forma, em resposta à imobilização, houve uma redução significativa da área de secção transversa do quadríceps em ambos os grupos (P < 0,01) com o declínio absoluto sendo significativamente maior no grupo controle em comparação com n-3 (P < 0,01; 14% vs. 8%). Na recuperação, apenas o grupo n-3 teve seu quadríceps reabilitado como antes da intervenção.

A massa magra no grupo controle sofreu drástica redução (~6%), no entanto, nenhuma mudança significativa foi encontrada no grupo n-3. As taxas integradas de MyoPS foram significativamente maiores no grupo n-3 versus controle em todos os momentos (P < 0,01). Entre outros achados, em resposta à imobilização, houve aumento da expressão dos genes ATF4 e p53 em ambos os grupos; no entanto, a expressão do gene ATF4 foi significativamente maior no grupo n-3 em comparação com o grupo de controle.

Potencializador na terapêutica antissarcopenia

Um nutriente que pode ajudar na performance física parece possuir naturalmente um papel redutor da perda muscular devido ao desuso. Assim, paralelamente à conhecida abordagem para a manutenção ou ganho de massa magra, como o duo proteína + exercício físico, evidências crescentes apontam para o potencial terapêutico do n-3 sobre a inflamação crônica de baixo grau associada ao envelhecimento, observada na população com sarcopenia.

Além do efeito anti-inflamatório, estudos sugerem que o n-3 também pode ajudar através da ativação da via mTOR (p21 é um alvo a jusante de ATF4) e redução da resistência à insulina.

O conjunto de estudos observacionais e clínicos até o momento geraram resultados mistos, mas positivos. A inclusão de n-3 na combinação exercício + proteína precisa de mais pesquisas, mas pode ser um potencializador promissor. Muito importante, nesses mesmos indivíduos, esses ácidos graxos já podem conferir benefícios neuroprotetores e cardiovasculares.

Eventuais mecanismos envolvidos

Muitos dos efeitos dos ácidos graxos n-3 são semelhantes aos efeitos do exercício. Por exemplo, ambos aumentam a taxa metabólica basal, sensibilidade à insulina, produção de óxido nítrico, deformabilidade eritrocitária, variabilidade da frequência cardíaca e densidade óssea e diminuem o risco de síndrome metabólica, fraturas ósseas, agregação plaquetária e depressão.

Uma vez nas membranas celulares, o ômega-3 ajuda no desempenho físico através do fluxo sanguíneo por meio da sua ação na vasculatura. Estudos em humanos indicam que o n-3 pode ajudar a reduzir a pressão arterial, particularmente em indivíduos hipertensos, e há dados suficientes para sugerir que ele faz isso, em parte, por ter um efeito benéfico sobre a disfunção endotelial e nas respostas dependentes de NO – beneficios igualmente observados através da prática da atividade física.

Muito desse importante efeito melhorador do fluxo sanguíneo se dá por meio das suas propriedades anti-inflamatórias. Tanto o ômega-3 quanto o ômega-6 produzem os hormônios eicosanoides, que podem ter propriedades inflamatórias e anti-inflamatórias. A atividade inflamatória é aumentada ao passo que os níveis de ômega-6 ficam muito acima do ômega-3, como é comum na dieta da maioria das pessoas. Isso ocorre porque ambos competem pelo uso da mesma enzima delta-6 dessaturase.

Resumidamente, os hormônios produzidos pelo excesso de ômega-6, tromboxano e prostaglandina, podem levar à vasoconstrição das artérias. Quando em níveis ótimos, o n-3 consegue melhor interagir com a enzima ciclo-oxigenase, que produz tromboxano e prostaglandina a partir do excesso de ômega-6, para reduzir os níveis desses hormônios. Isso, por sua vez, reduz a agregação plaquetária (viscosidade do sangue), modula a vasodilatação, melhorando a circulação.

As percepções mecanicistas de estudos em humanos e animais indicam que, apesar do papel do endotélio e do NO na vasodilatação mediada pelo n-3, há claramente outros mecanismos envolvidos, como a sua interação com os canais iônicos das células do músculo liso. Um aumento em n-3 nas membranas fosfolipídicas reduz as emissões de ROS, altera a ordem da membrana, afeta a expressão gene/proteína e aumenta a produção relativa de citocinas anti-inflamatórias, todos conhecidos para influenciar o fenótipo.

Está claro que o desempenho físico, a capacidade de resistência e a resistência à fadiga em humanos dependem de muitos fatores diferentes. A capacidade de transporte de oxigênio no sangue parece ser de particular importância e, conforme estudos, este fator também pode ser apoiado pelo n-3, visto que ele melhora a deformabilidade eritrocitária.

Durante a influência do exercício físico, o sistema eritrocitário sofre um enrijecimento, atribuído à consequente produção extra de radicais livres, que danifica as membranas das hemácias. Assim, a redução da oxidação lipídica e o aumento do fornecimento de oxigênio e nutrientes para os músculos a partir da melhora da deformabilidade eritrocitária pelo n-3 podem ajudar no desempenho muscular.

Ômega-3 para desempenho esportivo

Paralelo à evolução da pesquisa sobre as evidências que ligam EPA/DHA com a saúde muscular para populações não atléticas, a sua suplementação tem recebido cada vez mais atenção na nutrição esportiva de competição.

Estudos indicam o n-3 para o desempenho de atletas pela melhora da capacidade de resistência e início tardio da dor muscular, bem como nos marcadores relacionados à recuperação aprimorada e modulação imunológica. O estado de treinamento (metabólico) parece influenciar a resposta à suplementação, mas em termos gerais, resultados favoráveis aparecem de forma mais consistente após aproximadamente 6–8 semanas.

Se considerarmos somente o objetivo básico da nutrição para atletas de compensar o aumento de energia e nutrientes necessários, um estudo publicado no Journal of Athletic Training levanta uma bandeira de alerta sobre os níveis de ácidos graxos n-3.

O estudo descritivo transversal teve como objetivo medir o total de DHA e EPA nas membranas eritrocitárias, através do Omega-3 Index, em atletas de futebol americano da National Collegiate Athletic Association Division I (temporada 2017-2018). Ao fazê-lo, verificaram as zonas de risco estabelecidas para doenças cardiovasculares: alto risco, < 4%; risco intermediário, 4% a 8%; e baixo risco, > 8%.

O índice médio entre todos os atletas foi 4,4% ± 0,8%.

Em outras palavras, EPA + DHA foram responsáveis por menos de 5% de todos os ácidos graxos presentes. De um total de 404 jogadores, 34% (n = 138) obtiveram o índice de < 4%, ou alto risco, enquanto 66% (n = 266) foram estratificados na categoria de risco intermediário. Nenhum participante atingiu a porcentagem de baixo risco.


Fontes:

Ochi, E et al. Plasma Eicosapentaenoic Acid Is Associated with Muscle Strength and Muscle Damage after Strenuous Exercise.

Smith, G et al. Fish oil–derived n–3 PUFA therapy increases muscle mass and function in healthy older adults.

Bercea, C et al. Omega‐3 polyunsaturated fatty acids and hypertension: a review of vasodilatory mechanisms of docosahexaenoic acid and eicosapentaenoic acid.

Robinson, J; Stone, N. Antiatherosclerotic and antithrombotic effects of omega-3 fatty acids.

Szygula, Z. Erythrocytic system under the influence of physical exercise and training.

Lewis, E et al. 21 days of mammalian omega-3 fatty acid supplementation improves aspects of neuromuscular function and performance in male athletes compared to olive oil placebo.

Anzalone, A et al. The Omega-3 Index in National Collegiate Athletic Association Division I Collegiate Football Athletes.

Dupont, J et al. The role of omega-3 in the prevention and treatment of sarcopenia.

McGlory, C et al. Omega-3 fatty acid supplementation attenuates skeletal muscle disuse atrophy during two weeks of unilateral leg immobilization in healthy young women.

Precursores de glutationa melhoram os declínios físico e cognitivo em adultos mais velhos

A função mitocondrial diminui com a idade, e essa diminuição influi negativamente na produção de energia ATP, resultando numa contribuição importante para o envelhecimento degenerativo. Entre as causas desse contexto disfuncional, está a redução dos níveis do antioxidante glutationa que ocorre com o avanço da idade.

Os antioxidantes são importantes para a função mitocondrial e a saúde celular por absorver o excesso de moléculas oxidantes resultantes durante a produção de ATP. Embora alguma oxidação seja necessária como mecanismo de sinalização, o seu excesso prejudica as células.

Após achados significativamente positivos de estudo animal, um estudo clínico piloto (Biomedicines em 2020) de suplementação de glicina + N-acetilcisteína (GliNAC) em pacientes adultos com HIV (46-65 anos) mostrou que a intervenção não apenas melhorou a função mitocondrial, mas também os marcadores de inflamação crônica relacionada à idade.

Agora, os mesmos pesquisadores publicaram em Clinical and Translational Medicine os resultados de outro estudo piloto exploratório com a suplementação dos mesmos aminoácidos – desta vez executado em adultos mais velhos saudáveis (70-80 anos).

Os efeitos de GliNAC foram investigados por um período de 24 semanas e, após a sua retirada, por 12 semanas. Os pesquisadores compararam os marcadores dos participantes com o de adultos bem mais jovens (21-30 anos) e observaram melhorias em muitos defeitos característicos do envelhecimento. Os benefícios diminuíram após a interrupção da suplementação por 12 semanas.

Os resultados do estudo sugerem que a suplementação de glicina + N-acetilcisteína em adultos é bem tolerada e pode desempenhar um novo papel na melhoria do envelhecimento saudável, corrigindo a deficiência de glutationa, o estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial, inflamação, resistência à insulina, disfunção endotelial, gordura corporal, força muscular, velocidade de marcha e função cognitiva.

Fontes:

Kumar P., et al.Glycine and N‐acetylcysteine (GlyNAC) supplementation in older adults improves glutathione deficiency, oxidative stress, mitochondrial dysfunction, inflammation, insulin resistance, endothelial dysfunction, genotoxicity, muscle strength, and cognition: Results of a pilot clinical trial.

Kumar P., et al. Supplementing Glycine and N-acetylcysteine (GlyNAC) in Aging HIV Patients Improves Oxidative Stress, Mitochondrial Dysfunction, Inflammation, Endothelial Dysfunction, Insulin Resistance, Genotoxicity, Strength, and Cognition: Results of an Open-Label Clinical Trial

 

Zinco em crianças com doenças crônicas: um estudo transversal

Como um constituinte de várias proteínas e ácidos nucleicos, avaliar o nível de zinco com eficácia usando testes de laboratório não é tarefa fácil devido à sua distribuição por todo o corpo. Atualmente, indicadores indiretos, como a prevalência de nanismo ou anemia e deficiência de ferro, bem como indicadores mais diretos, como a concentração plasmática, estão sendo usados para essa estimativa. No caso de crianças, alguns estudos já observaram que a presença de doença crônica pode estar relacionada ao déficit do mineral.

Com o objetivo principal de avaliar o estado nutricional do zinco e sua relação com indicadores nutricionais em uma série de crianças (n = 78) com doenças crônicas, um estudo publicado em Nutrients com desenho comparativo e transversal foi realizado na Unidade de Nutrição do Serviço de Pediatria do Hospital das Clínicas Universitárias de Valladolid, Espanha.

O estudo encontrou que embora 69% das crianças apresentassem deficiência de zinco na dieta, o nível médio de zinco sérico mostrava-se normal e apenas alguns casos mostraram hipozincemia com baixa ingestão de zinco simultaneamente.

Além disso, os achados mostram um alto risco de deficiência de zinco não apenas no grupo de pacientes com obesidade (58%) e desnutrição (73%), mas também no grupo com boa nutrição (70%).

“Esses resultados nos fazem refletir sobre a ideia de que um estado de deficiência de zinco pode ocorrer mesmo em crianças com estado nutricional adequado e não apenas em pacientes com desnutrição, tanto obesos quanto desnutridos. Nesse tipo de paciente, uma estratégia de intervenção deve ser realizada, como uma avaliação da qualidade/quantidade do zinco ingerido e sua biodisponibilidade em relação a outros nutrientes”, observam os pesquisadores.

Fonte:
Escobedo-Monge C., et al.

Zinc Nutritional Status in a Series of Children with Chronic Diseases: A Cross-Sectional Study .

Antibióticos e seus efeitos no microbioma intestinal e no crescimento infantil

Em uma grande coorte de nascimentos não selecionada do sudoeste da Finlândia (n = 12.422 crianças nascidas a termo durante os anos de 2008-2010), observou-se uma redução significativa no peso, altura e escores-Z de IMC ao longo dos primeiros seis anos de vida em meninos, mas não em meninas, tratados com antibióticos durante os primeiros dias de vida.

Essa observação foi replicada em uma coorte independente, na qual a exposição neonatal a antibióticos foi associada a escores-Z de peso e altura reduzidos nos primeiros cinco anos de vida em meninos, mas não em meninas.

É importante notar que as análises de ambas as coortes foram ajustadas para potenciais fatores de confusão, incluindo idade gestacional, IMC pré-gestacional materno, tipo de parto, uso de antibióticos durante o parto e escores-Z de peso ao nascer. Além disso, o desenho do estudo da coorte SFBC permitiu diferenciar entre as contribuições da exposição neonatal a antibióticos e infecção concomitante, que é um fator de confusão considerável em estudos epidemiológicos que tentam elucidar os efeitos de longo prazo da exposição a antibióticos.

Ainda, o crescimento significativamente reduzido foi evidente em meninos que receberam antibióticos empíricos por suspeita de infecção, mas nos quais a infecção foi descartada. O comprometimento do crescimento pareceu ser um pouco mais pronunciado em neonatos que receberam um curso completo de antibióticos em comparação com aqueles que receberam um tratamento mais curto.

A ligação causal potencial que encontraram pode ser mediada por perturbações induzidas por antibióticos no desenvolvimento do microbioma intestinal. Entre outros, micróbios intestinais supostamente desempenham papéis essenciais na digestão de compostos dietéticos e modulam a energia intestinal, bem como o metabolismo energético e a saciedade do hospedeiro.

Os resultados do estudo são consistentes com relatórios anteriores, que indicaram uma abundância reduzida de Bifidobactérias até a idade de 90 dias em bebês expostos a antibióticos neonatais. Ao efetuarem acompanhamento de amostra fecal até os 24 meses de idade, ainda foi observada uma redução significativa das Bifidobactérias. Finalmente, os pesquisadores demonstraram que o transplante de microbiota fecal de crianças expostas a antibióticos para camundongos machos livres de germes resultou em prejuízo significativo do crescimento.

Ao considerar os dados de outros estudos publicados anteriormente, que sugerem que o microbioma intestinal individual específico e os perfis metabolômicos correspondentes se consolidam durante os primeiros dois anos de vida, os achados apontam para uma relevância clínica: a exposição neonatal a antibióticos tem um impacto mais profundo e duradouro na colonização intestinal do que se pensava anteriormente.

Como reflexão, lembramos aqui que houve um tempo em que a oxigenoterapia precoce e prolongada era administrada a quase todos os bebês prematuros, independentemente da avaliação de risco individual para morbidade respiratória, até que os dados revelaram uma relação causal entre a superexposição e danos graves. Visto que esse conhecimento foi adquirido, a prática foi alterada para limitar o tratamento apenas aos bebês que realmente precisassem dele.

Fonte:
Uzan-Yulzari, et al. Neonatal antibiotic exposure impairs child growth during the first six years of life by perturbing intestinal microbial colonization. Nature Communications.

Estudo em células: colina para prevenção de Alzheimer em pessoas com o gene APOE4

O estudo publicado em Science Translational Medicine mostra que a glia humana cultivada com um genótipo APOE4 acumulou triglicerídeos insaturados levando a um desequilíbrio lipídico. Isso sugere que a modulação do metabolismo glial pode ajudar a reduzir o risco de doenças associadas à APOE4, incluindo doenças cardiovasculares.

Sequencialmente, ao identificar os moduladores genéticos e químicos dessa desregulação lipídica, descobriram que a suplementação do meio de cultura com colina restaurou o estado normal dos lipídios nas células que expressam APOE4. 

A colina é encontrada em alimentos como ovos, carne, peixe e alguns feijões e nozes. A ingestão mínima recomendada de colina é de 550 mg/dia para homens e 425 mg/dia para mulheres. Porém, a maioria das pessoas não atinge ótimos níveis. 

Na edição 9 desta Atual, trouxemos um estudo de campo publicado em Frontiers of Nutrition que mostrou que a suplementação de krill foi capaz de aumentar os níveis de colina sérica em triatletas. Estudos anteriores também obtiveram achados positivos em outras populações. O óleo de krill contém ácidos graxos que estão presentes na forma de fosfatidilcolina (precursora da colina).

Esse achado preliminar pode ser considerado muito importante para pessoas que carregam o gene APOE4 – até 14% da população geral. Os pesquisadores esperam que suas descobertas levem a estudos clínicos de colina nesta população, que já demonstrou ser suscetível à deficiência desse nutriente essencial.

Fontes:

Sienski G., et al. APOE4 disrupts intracellular lipid homeostasis in human iPSC-derived glia

Storsve Andreas B., et al. Effects of Krill Oil and Race Distance on Serum Choline and Choline Metabolites in Triathletes: A Field Study

 

Saúde articular e muscular: colágeno tipo 2 em combinação com exercício em animais

O colágeno não desnaturado tipo II (UCII) é um peptídeo componente da cartilagem articular. Estudos mostram que sua ingestão oral pode reduzir a autoimunidade do próprio UCII do corpo, resultando em menos inflamação em casos de osteoartrite e reumatismo, além de benefícios para a saúde geral das articulações.

Como a saúde articular está intimamente relacionada à atividade e massa muscular, a integridade dos músculos e a saúde das articulações podem afetar uma à outra e fornecer melhor capacidade de resistência no exercício ou movimentos.

Recém-publicado, um estudo explorou o impacto do UCII na capacidade de resistência, estresse oxidativo, inflamação e marcadores de defesa antioxidante em ratos exercitados.

A suplementação de UCII diminuiu o lactato sérico, malondialdeído, os níveis de marcadores inflamatórios (TNF-α) e melhorou o status antioxidante, o metabolismo lipídico e muscular dos animais que se exercitavam.

Esses resultados contribuem para expandir o conhecimento da comunidade acadêmica sobre o possível aumento de benefícios do colágeno tipo II quando combinado com exercício físico.

Fonte:
Orhan C., et al. Effects of Exercise Combined with Undenatured Type II Collagen on Endurance Capacity, Antioxidant Status, Muscle Lipogenic Genes and E3 Ubiquitin Ligases in Rats. Animals (Basel).

Fibras dietéticas para a redução da relação entre IG e DCV

Qual é a associação entre o índice glicêmico (IG) e a carga glicêmica (CG) da dieta e a doença cardiovascular (DCV) e a mortalidade? Para responder a essa pergunta, pesquisadores executaram um estudo de grande porte, envolvendo participantes de vários países e situações econômicas. O estudo recém-publicado em The New England Journal of Medicine investigou uma ampla gama de ingestão de carboidratos e diversos padrões alimentares. Os dados do estudo PURE foram usados para avaliar o IG alimentar de 137.851 pessoas (35-70 anos) ao longo de uma média de 9,5 anos. Aqueles no grupo de alimentação com IG mais alto (e presença de DCV) tiveram uma razão de maior risco de 1,51 para eventos cardiovasculares e morte. Entre os participantes do mesmo grupo, mas sem DCV no começo do estudo, o aumento do risco foi de 1,21. No geral, o risco foi maior naqueles com alto índice de massa corporal.Os resultados em relação à CG foram semelhantes aos achados em relação ao IG entre os participantes com DCV, mas a associação não foi significativa entre aqueles sem DCV. Muito importante, a conclusão de que uma dieta com alto IG foi associada a um risco aumentado de DCV e morte confirma relatórios anteriores, como o de uma revisão sistemática e meta-análise de 28 estudos (n = 1.394) publicada em Diabetes Care (2019). Nela, os pesquisadores encontraram uma redução absoluta de 0,58% na HbA1c, 0,82 mmol/L na glicemia em jejum e 1,89 na HOMA-IR após uma dose média de fibras prebióticas de 13,1 g/dia durante uma média de 8 semanas.

Fontes:
Jenkins, D., et al. Glycemic Index, Glycemic Load, and Cardiovascular Disease and Mortality. Javanovski, E., et al. Should Viscous Fiber Supplements Be Considered in Diabetes Control? Results From a Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials.

 

Potencial da creatina para a saúde vascular

A manutenção de uma vasculatura saudável é fundamental para a longevidade. As células endoteliais (CEs) são delicadas e podem ser facilmente danificadas por fatores como excesso de radicais livres ou espécies reativas de oxigênio (EROs) e inflamação crônica, comumente aumentados na presença de dislipidemia, hiperglicemia, tabagismo, etilismo, obesidade e/ou envelhecimento. A creatina é comumente conhecida como um suplemento ergogênico eficaz, muitas vezes tomado para ajudar a aumentar os estoques de energia e a capacidade de proteção do músculo esquelético durante exercícios de alta intensidade. Mas o corpo da literatura sobre a creatina é vasto e dentre os seus benefícios pouco conhecidos estão a redução de radicais livres e EROs (incluindo os mitocondriais), inflamação e, possivelmente, níveis circulantes de homocisteína – todos intimamente associados à incidência de DCV. Já naturalmente encontrada no endotélio vascular, alguns estudos anteriores apontaram o potencial da creatina para a saúde vascular. Agora, pesquisadores fizeram uma revisão, publicada em Nutrients, que fornece uma nova perspectiva sobre a creatina monohidratada ao destacar algumas das suas propriedades promissoras que podem contribuir para tal: Aumenta os estoques naturais de CEs de metabólitos de alta energia; Serve como um antioxidante direto e indireto, eliminando os radicais livres, podendo assim melhorar a eficiência da eNOS, a síntese e a biodisponibilidade de NO; Melhora a integridade e eficiência das mitocôndrias, resultando na redução da produção de mtROS; Aumenta a densidade microvascular, o recrutamento e a função vasomotora; Melhora a estabilidade da membrana das CEs e diminui o vazamento ou permeabilidade; Auxilia na função das CEs e de bombas de íons dependentes de CEs e de células de músculo liso vascular, beneficiando assim a propagação de fator hiperpolarizante derivado do endotélio (EDHF); Reduz as quantidades circulantes de lipídios, como LDL-C e colesterol total; Protege o DNA e o RNA de estímulos citotóxicos, como estresse oxidativo.

Fonte:
Clarke, H., et al. The Potential Role of Creatine in Vascular Health.

IDR em discussão: atualização pode incluir prevenção a doenças crônicas

Recentemente, o comitê que regulamenta a Ingestão Diária Recomendada (DRI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos e Canadá reconheceu que a recomendação atual não incorpora adequadamente o conceito de redução do risco de doenças crônicas.

Como consequência, o comitê da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA (NASEM, na sigla em inglês) discute a expansão para incluir uma nova categoria DRI de redução do risco de doença crônica, a Ingestão para a Redução de Risco de Doenças Crônicas (CDRR, na sigla em inglês).

Paralelamente, o Comitê Diretor Federal de DRI identificou os ácidos graxos de cadeia longa (ômega-3) como uma das quatro prioridades nutricionais para constar na revisão da DRI atual, especialmente para a prevenção de doenças cardiovasculares.

Nas últimas décadas, um progresso considerável foi feito para compreender melhor os efeitos biológicos dos ômegas-3. Mais especificamente, dois deles – ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA) – foram associados a benefícios relacionados ao metabolismo, processos imunológicos, doenças cardiovasculares e desenvolvimento neurológico durante a gestação, entre outros.

A DRI
Saber como as necessidades por nutrientes variam em diferentes grupos de pessoas, sob diferentes condições de saúde, e se pode haver riscos de consumir muito ou pouco, é uma informação crítica para programas de saúde e iniciativas regulatórias de nutrição. As estimativas de DRI definidas para os Estados Unidos e o Canadá servem como referência considerada ou seguida por estudos clínicos e por países como o Brasil.

Fonte:
Racey, M., et al. Dietary Reference Intakes Based on Chronic Disease Endpoints: Outcomes from a case study workshop for omega 3’s EPA and DHA.

Estudo aponta disruptores endócrinos no “cheiro de carro novo”

A vida moderna traz benefícios sob vários ângulos, mas, por outro lado, ela exige medidas preventivas da exposição crônica a seus subprodutos, como produtos químicos, metais pesados e radiações. Um novo estudo publicado em Environmental International trata deste assunto relevante através de um inusitado ângulo: o “cheirinho de carro novo” pode ser mais uma das fragrâncias ambientais que denotam disruptores endócrinos.

Muitas fragrâncias contêm produtos químicos conhecidos por seu potencial de causar câncer, irritações, defeitos de nascença ou outros danos reprodutivos, além de irritações. Esses produtos são frequentemente detectados na poeira e no ar do interior de veículos. Os pesquisadores examinaram os níveis de benzeno, formaldeído, di (2-etilhexil) ftalato (DEHP), dibutil ftalato (DBP) e tris (1,3-dicloro-2-propil) fosfato (TDCIPP). Os níveis de benzeno e de formaldeído se mostraram preocupantes, especialmente quando inalados por mais de 20 minutos.

O benzeno, que consegue entrar no organismo pela via dérmica, é encontrado em um grande número de materiais plásticos; o formaldeído é utilizado na produção de adesivos para painéis, isolantes de espuma e tratamentos de acabamento têxtil.

“No geral, nosso estudo levanta preocupações sobre o risco potencial associado à inalação de benzeno e formaldeído para pessoas que passam uma quantidade significativa de tempo em seus veículos, um problema que é especialmente pertinente para áreas congestionadas”, escreveram os pesquisadores. A solução, a princípio, seria manter as janelas abertas.

Fonte:

Reddam, A., Volz, D.. Inhalation of two Prop 65-listed chemicals within vehicles may be associated with increased cancer risk

Estratégias senolíticas para a regeneração da saúde

A senescência celular é caracterizada principalmente como uma interrupção da proliferação celular estável e a indução de SASP (fenótipo secretor associado à senescência). Além disso, células senescentes também apresentam resistência à apoptose/depuração imune, acompanhada de remodelação morfológica característica e alternâncias metabólicas.

Dependendo do contexto biológico, a senescência celular pode ser prejudicial ou benéfica. Mas o seu excesso, juntamente com os efeitos nocivos dos produtos químicos que elas liberam, podem se espalhar rapidamente, influenciando a saúde geral.

Diversas substânciaspara reduzir especificamente células senescentes a fim de extinguir sua força destrutiva vêm sendo recentemente reveladas e testadas em animais e humanos. O termo coletivo para essas moléculas é “senolítico”.

Já em fase de ensaios clínicos, o duo dasatinibe + quercetina vem mostrando poder baixar a carga celular senescente. Dasatinibe tem como alvo as tirosinas quinases, enquanto o flavonoide quercetina tem como alvo os membros da família BCL-2, bem como HIF-1α e nódulos específicos nas vias da PI3-quinase.

Como diferentes tipos de células senescentes utilizam diferentes vias antiapoptóticas de células senescentes (SCAPs) para se defenderem contra seu próprio microambiente pró-apoptótico, prevê-se que múltiplos compostos que visam múltiplos SCAPs serão mais eficazes na remoção de células senescentes do que drogas que têm um único alvo molecular.

Além da quercetina e dasatinibe, outras moléculas, como os flavonoides apigenina e kaempferol e a metformina, mostraram efeitos senolíticos em animais.

Além de substânciascom potencial senolítico, já em 2016, o exercício mostrou potencial para evitar o acúmulo de células senescentes causado por uma dieta rica em gordura em camundongos. Agora, recém-publicada em Aging Cell, uma revisão sistemática e meta-análise encontrou evidências de que oexercício tem propriedades senolíticas em indivíduos saudáveis.

Um maior nível de atividade física habitual – mas sem exageros – reduziu o nível de p16INK4a em vários tecidos/células, especialmente os linfócitos senescentes. Os autores também observaram redução dos marcadores de células senescentes em animais obesos, mas não saudáveis. A discrepância entre os estudos em humanos e animais pode ser devido à fase investigacional inicial e às variações nos marcadores de células senescentes, tipos de células/tecidos e condições de saúde, o que pode sugerir também que o exercício tenha propriedades senolíticas sob certas condições.

Considerando-se que as secreções das células ou seus debris indutores de SASPs podem tornar as células próximas senescentes, o envelhecimento biológico se mostra contagioso dentro do organismo. Estratégias seguras, que reduzam o excesso desses fatores inflamatórios ou senescentes, possuem o potencial de melhorar a saúde geral, incluindo o comprometimento cognitivo associado à idade.

Fontes:

Hickson, L et al. Senolytics decrease senescent cells in humans: Preliminary report from a clinical trial of Dasatinib plus Quercetin in individuals with diabetic kidney disease .

Zhu, Y et al.The Achilles’ heel of senescent cells: from transcriptome to senolytic drugs.

Lim, H et al.Effects of flavonoids on senescence-associated secretory phenotype formation from bleomycin-induced senescence in BJ fibroblasts.

Schafer, M et al.Exercise Prevents Diet-Induced Cellular Senescence in Adipose Tissue.

Chen, X et al.Is exercise a senolytic medicine? A systematic review.

Efeitos do ômega-3 sobre o perfil lipídico de bebês e crianças

Os ácidos graxos essenciais poli-insaturados de cadeia longa (ômegas-3) têm recebido atenção nas últimas décadas devido à sua influência na saúde de maneira geral. Durante a gestação e a lactação, os ômegas alfalinolênico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA) foram associados à melhor duração da gestação e peso ao nascer, prevenção de nascimento prematuro e depressão pós-parto.

Durante a primeira infância, eles foram associados ao crescimento pós-natal, desenvolvimento cognitivo e visual e menos alergias. Esses ômegas podem ser encontrados principalmente em certos peixes, crustáceos e algas. Para o feto, a fonte é o leite materno, que tem concentração de ômega-3 determinada principalmente pela ingestão regular de ômega-3 através da dieta e/ou suplementação materna durante a gestação e a lactação.

Um estudo recém-publicado em Nutrients, executado para avaliar o efeito de uma fórmula infantil fortificada com ômega-3 sobre os níveis de lipídios em bebês/crianças de 12 a 30 meses de idade, evidencia o benefício desta fortificação alimentar.

Dois grupos foram avaliados: (a) fórmula infantil à base de leite com micronutrientes e ômega-3; (b) fórmula infantil à base de leite com os mesmos micronutrientes (ferro, zinco, cianocobalamina e folatos estáveis, vitaminas D e A), mas sem adição de ômega-3.

Após quatro meses recebendo as fórmulas preparadas (240 mL, 2 x dia), os autores do estudo duplo-cego constataram, entre outros, uma melhora significativa no perfil lipídico sérico nos níveis de DHA (0,22 vs. − 0,07, p < 0,05) e ALA (0,08 vs. 0,02, p < 0,05) dos bebês que receberam ômega-3 e salientaram a importância crítica da suplementação de ômega-3 durante a infância.

Fonte:
Rivera-Pasquel, M., et al. Effect of Milk-Based Infant Formula Fortified with PUFAs on Lipid Profile, Growth and Micronutrient Status of Young Children: A Randomized Double-Blind Clinical Trial.

 

Dieta mediterrânea com baixo IG no tratamento de esteatose não alcoólica

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado na ausência de consumo excessivo de álcool ou qualquer outra causa específica de esteatose hepática, é um grande desafio para a saúde pública, pois está associada ao aumento da prevalência de obesidade e diabetes tipo 2 em todo o mundo, além de ser um fator de risco para doenças cardiovasculares.

A dieta mediterrânea (DM) tem sido associada a resultados de saúde favoráveis, e uma DM com baixo índice glicêmico (DMBIG) associada à atividade física (AF) tem sido relatada para reduzir a gravidade da DHGNA.

Um ensaio clínico controlado randomizado de grupo paralelo recém-publicado em Nutrients utilizou a DMBIG e/ou programas de AF no escore de DHGNA medido em escala contínua pelo FibroScan®, conforme avaliado pelo parâmetro de atenuação controlada (CAP). A dieta-controle seguiu o guia dietético italiano, sem foco no índice glicêmico. Os 144 participantes apresentavam IMC ≥25, idade> 30 anos e <60 anos, DHGNA moderada ou grave.

A randomização se deu em seis grupos da seguinte forma: (1) Dieta-controle; (2) DMBIG; (3) Atividade física aeróbica (AF1); (4) Atividade física combinada (aeróbica e resistência) (AF2); (5) DMBIG + AF1; (6) DMBIG + AF2.

No geral, em comparação com a dieta-controle, houve melhorias em todos os marcadores, especialmente aos 45 dias. Essas melhorias foram particularmente evidentes para os braços de intervenção DMBIG + AF1 e DMBIG + AF2. A combinação de atividade física mais dieta mediterrânea com baixo índice glicêmico foi associada à redução do CAP, acompanhada por uma melhora geral em todos os parâmetros antropométricos, de composição corporal e bioquímicos.


Fonte:
Franco, I., et al. Physical Activity and Low Glycemic Index Mediterranean Diet: Main and Modification Effects on NAFLD Score. Results from a Randomized Clinical Trial

O papel da microbiota intestinal na longevidade saudável

No contexto da longevidade, a maioria das pesquisas atuais sobre a vida microbiana no corpo humano está concentrada no microbioma intestinal. Em todos os casos são observadas mudanças com o avanço da idade que permitem que espécies de micróbios com características patogênicas/oportunistas prosperem perante a fragilidade do sistema imune do hospedeiro, contribuindo para a inflamação crônica.

Nos intestinos, o transplante de microbiota fecal de indivíduos jovens para idosos mostrou poder de reverter mudanças prejudiciais à saúde e, em animais, melhorar a expectativa de vida. Isso ainda precisa ser melhor consolidado, mas a investigação neste sentido vem, de maneira crescente, testando hipóteses, unindo os achados em isolado e fornecendo novos insights sobre a importância da microbiota intestinal para a longevidade saudável.

Em intestinos saudáveis, as comunidades microbianas conseguem manter um metabolismo homeostático ao interagir diretamente com antígenos estranhos, residindo no hospedeiro em um estado de tolerância imunológica.

De acordo com Jones et al., até por volta de 1900 as doenças infecciosas pneumonia/influenza, tuberculose, infecções gastrointestinais e difteria eram as principais causas de todas as mortes. Como resultado, a expectativa de vida era muito curta.

Ao longo de grande parte do século XX, o foco em infraestrutura para a distribuição de água, coleta de esgoto, segurança alimentar, práticas higiênicas e a introdução de antibióticos e vacinas permitiram uma redução dramática de infecções e mortes relacionadas. A expectativa de vida teve o maior aumento na história da humanidade.

No entanto, ao estudar a longevidade atual dos centenários, a causa mais comum de mortes nesta população volta a estar intimamente relacionada com o sistema imune e desequilíbrios microbiais, como visto na pneumonia. Estudos evidenciaram o impacto da composição da microbiota na imunossenescência e fragilidade em populações idosas (103 anos). Ademais, mudanças nas comunidades intestinais têm sido implicadas direta e indiretamente no envelhecimento precoce e patogênese de doenças crônicas relacionadas à idade, incluindo obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, cânceres e doenças neurodegenerativas.

O avanço para a expansão da longevidade parece voltar a exigir uma melhor consideração a respeito dos trilhões de bactérias, arqueias, vírus, protozoários e fungos.

Como o envelhecimento per se afeta a microbiota intestinal, os efeitos das mudanças relacionadas à idade no estado de saúde do hospedeiro e as possíveis abordagens terapêuticas para prevenir ou neutralizar os aspectos negativos da disbiose receberam nos últimos anos um importante interesse de pesquisa para responder a muitas questões. Por exemplo:

• Existem assinaturas de espécies específicas para a longevidade?
• Os efeitos de curto prazo, como a exposição a antibióticos, são tão importantes quanto os de médio e longo prazos, como preferências alimentares?
• Como melhor atuar em relação à microbiota intestinal quando o uso de antibióticos ou internação são necessários?

Já como resultados práticos da pesquisa, a literatura relevante indica que a dieta é o fator-chave para a modulação da composição geral da microbiota intestinal.

Muitos estudos observaram que dietas ricas em alimentos não refinados/ultra- industrializados e ótima proporção dos ácidos graxos poli-insaturados ômegas 6 e 3 (3:1) ajudam a manutenção de uma diversidade positiva bacterial como uma maior abundância de Prevotella e redução de Bacteroides, o que aumenta degradadores de fibras e produtores de ácidos graxos de cadeia curta. Lembrando que dietas altamente refinadas geralmente geram proporções de n-6 e n-3 a partir da ordem de 10:1, associadas à inflamação crônica.

Talvez grande parte da explicação da individualidade dietética esteja na composição intestinal como mostram vários estudos. Um recém-executado em camundongos vinculou o metabolismo dos constituintes do café aos biomarcadores da saúde através da grande contribuição que a microbiota do cólon conduz para a variação intra e interindividuais no metabolismo de pequenas moléculas bioativas.

Também são fatores relevantes: genética, ambiente geográfico, exercícios, doença/medicação concomitante.

Outra lição que vimos aprendendo com as microbiotas é que o estudo da odontologia precisa conversar com a medicina – a união das partes. Uma saúde bucal deficiente, por exemplo, pode influenciar negativamente o estado nutricional por vários ângulos, além de associada às áreas cardiovascular e oncológica. Dentes perdidos/incômodos podem levar a deficiências de mastigação e deglutição. A prevalência de transição bacteriana oral para outras áreas pode ser maior em pessoas mais velhas do que em adultos mais jovens. Nas mais velhas, foi visto que esta transição para o intestino foi influenciada pela exposição de longo prazo aos inibidores da bomba de prótons.

O envelhecimento também é muitas vezes associado à constipação crônica, possivelmente devido a ingestões subótimas de fibras alimentares e água, e exposição prolongada a medicamento. A própria fragilidade, muito presente no envelhecimento, é relacionada à composição da microbiota e seus metabolitos como visto nas doenças cardiovasculares e crônica renal.

De maneira resumida, isso explica porque intervenções que consideram a microbiota estão no foco para a conquista de uma longevidade saudável. Enquanto aguarda-se o progresso científico neste sentido, torna-se evidente que qualquer exposição a medicamentos, e especialmente tratamentos com antibióticos, exige um raciocínio de protocolo paralelo ou seguido por uma terapia restaurativa, para prevenir a ocorrência de infecções perigosas como C. difficile e a proliferação de outras cepas oportunistas.

Fontes:

Jones, D., et al. The Burden of Disease and the Changing Task of Medicine.

Coman, V., Vodnar, D.C.. Gut microbiota and old age: Modulating factors and interventions for healthy longevity.

Zhang, L., et al. Characterization of the gut microbiota in frail elderly patients.

Margiotta, E., et al. Gut microbiota composition and frailty in elderly patients with Chronic Kidney Disease.

He, W., et al. Trimethylamine N-Oxide, a Gut Microbiota-Dependent Metabolite, is Associated with Frailty in Older Adults with Cardiovascular Disease.

Kerimi, A., et al. The gut microbiome drives inter- and intra-individual differences in metabolism of bioactive small molecules.

Importância dos oligoelementos no primeiro trimestre da gravidez

Atualmente, as complicações da gravidez, incluindo partos prematuros, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e restrição do crescimento fetal ocorrem no total em até 25% das primeiras gestações. Elas estão associadas ao aumento da morbidade materna e fetal e/ou mortalidade, como também podem levar a doenças de longo prazo tanto para a mãe quanto para criança, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e até mesmo alguns cânceres, bem como distúrbios neurológicos.

Neste cenário, um estudo publicado na revista Nutrients examinou as relações entre os níveis de microelementos no primeiro trimestre, bem como as características maternas e os resultados da gravidez. Participaram da pesquisa mulheres de uma única gravidez, sem indícios de doenças crônicas. Como conclusão, o diagnóstico precoce dos níveis de oligoelementos de mulheres em risco pode ser de grande importância para melhorar os desfechos da gravidez com a necessidade de maior atenção aos microelementos envolvidos no equilíbrio oxidativo, como selênio (Se), ferro (Fe), cobre (Cu) e zinco (Zn).

As selenoproteínas antioxidativas e/ou anti-inflamatórias, como glutationa peroxidase, reductases de tiaxixina e selenoproteínas, bem como o antioxidativo Zn-SOD (superóxido dismutase), estão ativas no útero, e a deficiência desses microelementos associa-se à baixa atividade do sistema antioxidativo, que podem ser a causa dos danos oxidativos aos tecidos placentários e fetais.

Níveis inadequados dos microelementos podem afetar a saúde materna e desenvolvimento do feto. No entanto, o papel específico dos microelementos na gravidez (especialmente no início da gravidez), bem como seus determinantes em gestantes, são, ainda, pouco estudados.

Fonte:
Lewandowska, M., et al. First Trimester Microelements and Their Relationships with Pregnancy Outcomes and Complications.

 

Própolis orgânica brasileira no tratamento de Cândida

Em estudo publicado no Journal of Agricultural Food Chemistry, o consumo da própolis orgânica brasileira (BOP) foi relacionado a ótimos efeitos anti-inflamatórios e excelente ação antifúngica nas culturas planctônicas e biofilmes de Candida albicans, Candida glabrata, Candida tropicalis, Candida krusei e Candida parapsilosis.

A comparação, realizada para o tratamento de candida spp. e biofilmes maduros com BOP, demonstrou eficácia semelhante ou até melhor do que a molécula antifúngica isolada AmB. Sobretudo, o grau de toxicidade para BOP apresentou-se significantemente baixo.

Além disso, os autores identificaram que o uso da BOP atua na redução da ativação de NF-кB e na liberação de TNF-α, podendo diminuir a migração de neutrófilos para o foco inflamatório. Assim, se mostra uma potencial alternativa no tratamento de doenças inflamatórias crônicas, autoimunes e infecções fúngicas oportunistas.

A análise química realizada revelou a presença de ácido cafeotartárico, ácido 3,4-diqueffeilquínico, quercetina, giberelina A7, A9 e A20, componentes que possivelmente atuam sinergicamente na produção dos efeitos biológicos observados.

Desta forma, os pesquisadores concluem que a própolis BOP é um alimento funcional, fonte de moléculas bioativas, anti-inflamatórias e antifúngicas. Uma alternativa proveniente da natureza, eficaz e segura para o tratamento de doenças.

 

Fonte:
Anti-inflammatory and anti-Candida effects of Brazilian organic propolis, a promising source of bioactive molecules and functional food.

Endotoxemia pode explicar severidade da COVID-19 na obesidade

A endotoxemia vem sendo relacionada a várias condições de saúde, como o diabetes tipo 2, obesidade, doença hepática, cardiovascular, etc. Essa hipótese postula que a translocação de bactérias gram-negativas e seus remanescentes da parede celular intestinal seria a causa da resposta inflamatória de baixo grau subjacente a esses distúrbios metabólicos.

Estudo publicado em Obesity Medicine foca nesta hipótese ao considerar as associações já conhecidas, mas trazendo uma possível explicação da severidade aumentada da nova patologia COVID-19 em pacientes com obesidade:

• A composição geral de lipopolissacarídeos intestinais (LPS, conhecidos como endotoxinas) em indivíduos com obesidade pode ser deslocada dos subtipos LPS de Bacteroidetes imunoinibitórias, em favor de subtipos de LPS pró-inflamatórios devido à disbiose do microbioma intestinal.

• Dieta rica em gordura trans e saturada, assim como a obesidade em si, aumentam a permeabilidade intestinal por meio de vários mecanismos.

• Possível aumento da absorção paracelular e transporte transcelular (via quilomicrons) de endotoxinas no sistema circulatório (endotoxemia).

• Sabe-se que o lipídeo A (componente de uma endotoxina de bactéria gram-negativa) inicia uma cascata de sinalização resultando na ativação de várias vias pró-inflamatórias, e aumenta o estresse oxidativo após a ligação ao receptor do tipo Toll 4 (TLR4).

De acordo com o estudo, a dedução é que a redução da ingestão calórica (especialmente o consumo de gordura trans e saturada) e a modulação da microbiota intestinal (com prebióticos/probióticos/simbióticos, padrão alimentar anti-inflamatório) podem reduzir a endotoxemia e, consequentemente, o risco associado para formas mais graves de infecção por COVID-19 na obesidade.

Fonte:
Belančić, Andrej. Gut microbiome dysbiosis and endotoxemia – Additional pathophysiological explanation for increased COVID-19 severity in obesity.

 

Controle da sarcopenia: exercício de resistência ou mix de exercícios?

Com o avanço da idade, o controle da sarcopenia é uma importante ação a favor da manutenção da independência. Um duo estratégico muito conhecido se faz através de uma dieta saudável e rica em proteínas/aminoácidos e o exercício físico. O exercício de resistência é o método geralmente considerado como o mais eficaz para a prevenção e tratamento da sarcopenia.

No entanto, estudo publicado em Scientific Reports mostra que este método pode ser melhor otimizado com a adição de exercícios de equilíbrio. Na população estudada, isto é, pacientes em cuidados pós-agudos, 87,3 ± 5,4 anos (variação, 80–99 anos, sendo 24 deles (40%) nonagenários), isso pode se refletir em melhor recuperação e menos quedas, o que é crucial para uma longevidade independente.

O grupo de intervenção recebeu um programa de exercícios mistos, incluindo exercícios de equilíbrio e resistência. Em cada sessão, os participantes receberam 20 minutos de treinamento de equilíbrio direcionado. Em seguida, eles tiveram um descanso de cinco minutos antes de outros 20 minutos de treinamento de resistência. O grupo de controle participou de um programa de exercícios de resistência igual ao do grupo de intervenção, 5 minutos de descanso, seguido por outros 20 minutos de treinamento de resistência.

Comparado com exercícios de resistência, o programa de exercícios mistos (equilíbrio + resistência) parece ter melhorado as atividades da vida diária, força e desempenho físico entre os pacientes com sarcopenia sob cuidados pós-agudos. Isso pode abranger a recuperação de doença aguda, gestão de condições crônicas ou incapacidades funcionais.

Fonte:
Liang, Yuxiang, et al. A randomized controlled trial of resistance and balance exercise for sarcopenic patients aged 80-99 years.

Saúde do sistema muscular como indicador de longevidade

Foi-se o tempo em que a ciência médica considerava a força e massa musculares como características atléticas. Atualmente, compreende-se mais profundamente que o sistema muscular atua como alicerce para uma vida longeva saudável por múltiplas vias e, portanto, meios preventivos e negativamente associados à sarcopenia são um dos focos-chave da medicina regenerativa.

Recém-publicada em Ageing Research Reviews, uma importante meta-análise chegou a resultados que indicam que níveis mais elevados de marcadores inflamatórios sistêmicos estão associados a uma menor força e massa musculares ao longo do tempo.

“No geral, 168 artigos; 149 artigos transversais (n = 76.899 participantes; 47% homens) e 19 artigos longitudinais (n = 12.295 participantes; 31,9% homens) preencheram os critérios de inclusão. Independentemente do estado de doença, níveis mais elevados de proteína C reativa (PCR), interleucina (IL)-6 e fator de necrose tumoral (TNF) α foram associados a menor força de preensão manual e extensão de joelho (PCR; r = −0,10, p < 0,001, IL-6; r = −0,13, p < 0,001, TNFα; r = −0,08, p < 0,001 e PCR; r = −0,18, p < 0,001, IL-6; r = −0,11, p < 0,001, TNFα; r = −0,13, p < 0,001, respectivamente) e massa muscular (PCR; r = −0,12, p < 0,001, IL-6; r = −0,09, p < 0,001, TNFα; r = −0,15, p < 0,001).”

Como reflexão, a inflamação crônica se mostra como uma sinalizadora de um sistema imunológico inadequadamente hiperativo que compromete a manutenção dos tecidos – incluindo musculares e neuromusculares –, produzindo alterações sinalizadoras negativas que mudam o comportamento de outras células, como as células-tronco.

Sem entrar no mérito da causa-raiz dessa inflamação silenciosa, o comprometimento dos tecidos musculares já significa uma redução de moléculas anti-inflamatórias, como as miocinas, e de proteínas (50% das proteínas totais do corpo e o maior reservatório de aminoácidos estão localizados nos músculos).

Apesar das tentativas dos indivíduos de evitar o impacto do avançar da idade, todos os estudos de base populacional mostram uma perda implacável de massa muscular e força com o envelhecimento.

As abordagens da biologia de sistemas continuam a revelar conexões interessantes e clinicamente impactantes que aumentam nossa compreensão da progressão de doenças. Além do envelhecimento aparente, aumento de quedas e perda da locomoção, a sarcopenia está também associada a várias doenças cuja característica comum subjacente é a inflamação crônica de baixo grau, como demência, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardiovasculares e metabólicas.

Num estado de obesidade, por exemplo, a desproporção negativa da massa magra em relação à massa gorda (inflamatória) afeta vias metabólicas fundamentais (como a sinalização da insulina, a homeostase da glicose, ATP mitocondrial e o metabolismo lipídico), lembrando que o sistema muscular, além de um “órgão” metabólico, pode ser visto como um órgão endócrino.

O estudo em resumo aqui está longe de ser o único a mostrar uma ligação entre inflamação crônica e sarcopenia, mas ajuda na conscientização da prática clínica para a consideração da inter-relação de fatores antes inconsiderados. De maneira indireta, ele nos remete à reflexão sobre a possível íntima conexão entre manutenção da saúde muscular e longevidade.

A medição da musculatura esquelética parece, portanto, representar uma estratégia eficiente na predição da longevidade saudável em adultos mais velhos. Ademais, tomando como exemplo outros marcadores hoje já conhecidos de pacientes adultos, como os colesteróis e a vitamina D, ao fazer a medição e acompanhamento em sua prática clínica, o profissional transmite ao paciente a mensagem sobre a importância de seu maior órgão, os músculos, de maneira subliminarmente ativa.

Fonte:

Tuttle C, et al. Markers of inflammation and their association with muscle strength and mass: A systematic review and meta-analysis

Flavanóis e combate à hipertensão arterial

Os flavanóis (flavan-3-ol), um dos grupos mais numerosos de constituintes naturais, são importantes não apenas porque contribuem para a cor, filtro ou proteção das plantas vasculares, mas também porque muitos deles (como as catequinas encontradas nos chás, frutas e cacau) são fisiologicamente ativos para a saúde humana. São dezenas de estudos observacionais e de intervenção mostrando seus potenciais benefícios para o sistema vascular humano.

Um grande estudo observacional recém-publicado em Scientifc Reports confirma a importância desses compostos para o sistema vascular, mais precisamente para a pressão arterial. Segundo a pesquisa, o consumo de flavanóis pode exercer efeito comparável à adesão à Dieta Mediterrânea ou à redução moderada de sal.

O que diferencia esta pesquisa das anteriores foi o design escolhido. Ao invés de se basear em relatórios escritos ou orais dos participantes, o time internacional de pesquisadores mediu os biomarcadores sanguíneos de mais de 25.000 participantes (55% mulheres, residentes no Reino Unido).

Em contraste com a ingestão dietética autorrelatada, este método de medição contorna a problemática da grande variabilidade nutricional dos alimentos devido às diferentes técnicas de cultivo, processamento, armazenamento e biodisponibilidade. Numa ilustração, 100g de chá podem conter de 10 a 330mg de flavanóis. A diferença encontrada na pressão sistólica entre aqueles com menor ingestão de flavanol e aqueles com maior ingestão foi de aproximadamente 2mmHg.

Os pesquisadores concluíram que, no contexto do envelhecimento da população e do aumento da prevalência de doenças crônicas, “essas descobertas são promissoras para a prevenção de doenças cardiovasculares por meio de abordagens dietéticas”.

Fonte:

Ottaviani, Javier et al. Biomarker-estimated flavan-3-ol intake is associated with lower blood pressure in cross-sectional analysis in EPIC Norfolk.

 

FDA alerta sobre restaurações dentárias com amálgama

A agência americana de alimentos e remédios, FDA, emitiu recomendações atualizadas sobre a amálgama dentária e riscos potenciais associados a essas obturações contendo mercúrio. Evidenciado por estudos há duas décadas, a agência agora recomenda que grupos de alto risco evitem a amálgama dentária sempre que possível.

De acordo com a declaração, esses grupos de alto risco incluem:

Gestantes e seus fetos em desenvolvimento;
Mulheres que planejam engravidar;
Mulheres que amamentam e seus recém-nascidos e bebês;
Crianças, especialmente as menores de seis anos;
Pessoas com doenças neurológicas preexistentes, como esclerose múltipla, Alzheimer ou Parkinson;
Pessoas com função renal prejudicada;
Pessoas com conhecida sensibilidade aumentada (alergia) ao mercúrio ou outros componentes da amálgama.

A amálgama é normalmente utilizada para restaurar a estrutura e superfícies perdidas de um dente cariado. Sua composição é uma mistura de mercúrio e uma liga em pó feita de prata, estanho e cobre. Esta liga libera pequenas quantidades de vapor de mercúrio ao longo do tempo. Embora baixos níveis deste vapor inalado possam não ser prejudiciais para muitas pessoas, resultados adversos podem ocorrer. A quantidade de vapor liberada também pode depender da idade da obturação, bem como o hábito de ranger os dentes.

Para que a FDA reconhecesse que não há prova de segurança para as populações mais suscetíveis a essa toxina, foi preciso o engajamento comunitário com a firme participação de organizações sem fins lucrativos e profissionais da área da saúde.

No Brasil, o uso da amálgama dentária está proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o ano passado. No entanto, muitos adultos possuem restaurações antigas contendo este metal pesado. Para a sua remoção, precauções específicas de segurança são necessárias.

Fonte:
FDA Issues Recommendations for Certain High-Risk Groups Regarding Mercury-Containing Dental Amalgam.

Estudo aponta papel da Boswellia no tratamento da osteoartrite

Nos últimos 4.000 anos, a Boswellia serrata , fonte de olíbano (frankincense), é considerada uma fonte para a cura de muitas doenças. Atualmente, pesquisas sobre a planta e seus extratos têm confirmado atividade significativa no combate a doenças inflamatórias e artríticas. Estudos demonstraram que o seu composto inibe a ação inflamatória causada pela enzima araquidonato 5-lipoxigenase.

Uma meta-análise e revisão de sete estudos (n = 545, 40-80 anos) publicada em BMC Complementary Medicine and Therapiesinvestigou achados sobre o alívio e melhora da dor, rigidez e função articular usando Boswellia como um possível tratamento para osteoartrite.

Todos os participantes com osteoartrite receberam 100-250 mg de Boswellia ou seu extrato, contra placebo ou certos medicamentos (ibuprofeno ou glucosamina), por um período de 4 ou 12 semanas.

Devido a não padronização dos estudos, os pesquisadores pedem cautela na análise, mas a revisão encontrou que a Boswellia e seus extratos nas doses pesquisadas podem melhorar a dor, rigidez e função articular com boa segurança de uso, em comparação com placebo ou medicamentos usuais.

Este foi o primeiro estudo a fornecer uma dosagem e duração recomendadas de Boswellia ou seu extrato, com 100 a 250 mg por dia durante quatro semanas para o tratamento da forma mais comum de doença inflamatória nas articulações.

Fonte:

Yu, Ganpeng et al. Effectiveness of Boswellia and Boswellia extract for osteoarthritis patients: a systematic review and meta-analysis.

 

A efetividade do mel para o alívio de infecções do trato respiratório

O mel in natura ou não pasteurizado – fonte de aminoácidos, proteínas, enzimas, minerais, vitaminas e compostos bioativos fenólicos – parece ser o único produto alimentar que sem qualquer processamento tecnológico, nem adição de conservantes, pode ser armazenado por até vários anos sem quaisquer variações negativas. Na medicina, sua importância foi documentada nas mais antigas literaturas médicas do mundo e reconhecido, dentre outros, por possuir propriedades antimicrobianas, ou seja, um “antibiótico da natureza”.

Atualmente, estudos vêm validando o conhecimento passado e recomendando o mel como uma alternativa aos antibióticos usuais e seus efeitos adversos em certos casos de infecções do trato respiratório superior (ITRS).

Consequentemente, esta também é a recomendação de uma revisão sistemática e meta-análise recém-publicada em BMJ Evidence Based Medicine, mas com uma diferença: os pesquisadores do Reino Unido encontraram que o mel é mais eficaz do que as alternativas de tratamento usuais para melhorar os sintomas de ITRS, principalmente a frequência e a gravidade da tosse.

A revisão incluiu no total 14 estudos randomizados e controlados para comparações combinadas. Por exemplo, quando comparado com os cuidados habituais – definidos no estudo como “quaisquer tratamentos comumente usados” contra ITRS – o mel melhorou a pontuação dos sintomas em três estudos, a frequência da tosse em oito estudos e a gravidade da tosse em cinco estudos. Entre estudos que testaram mel versus o anti-histamínico difenidramina, o mel se mostrou superior quanto a sintomas combinados, severidade e frequência de tosse. Entre todas as comparações o mel apresentou segurança de uso.

“O mel é mais eficaz e menos prejudicial do que os cuidados usuais e evita causar danos por meio da resistência antimicrobiana”, concluíram os pesquisadores.

Fonte:
Hibatullah et al. Effectiveness of honey for symptomatic relief in upper respiratory tract infections: a systematic review and meta-analysis

Estudo liga privação de sono a estresse oxidativono intestino

Há algum tempo temos o entendimento de que o sono é essencial para a qualidade de vida e que a perda severa do sono pode ser letal – talvez mais do que a inanição. No entanto, a causa dessa associação é ainda desconhecida. Recém-publicado em Cell, um estudo executado em animais traz uma surpreendente descoberta enquanto amplia esta área da pesquisa para além do campo neurológico e traz um potencial aprendizado sobre uma nova função do sono e dos antioxidantes.

Usando moscas e camundongos, os pesquisadores descobriram que a privação do sono leva ao acúmulo de espécies reativas de oxigênio (EROs) e ao consequente aumento do estresse oxidativo, não no cérebro, mas, especificamente, no intestino. O excesso de EROs no local não só se correlacionou com a privação do sono, mas também mostrou atuar como o causador da letalidade nos animais.

Ao neutralizar os EROs, os pesquisadores observaram uma normalização do estresse oxidativo, o que permitiu que as moscas voltassem a ter uma vida útil normal. A reversão total da situação foi possível através da suplementação oral de compostos antioxidantes ou da elevação de enzimas antioxidantes no intestino.

Algumas questões consequentes precisarão ser investigadas. Entre elas, como a privação do sono leva ao acúmulo de EROs e por que isso ocorre no intestino. Pode ser que a depuração de EROs seja uma função diária do sono, mas também é possível que a privação de sono gere condições adversas únicas que levem à acumulação dessas espécies. Os níveis de EROs podem resultar do aumento da sua produção, diminuição da sua eliminação ou ambos. A vigília prolongada pode afetar diretamente o intestino, mas o acúmulo de EROs também pode ser uma consequência da sinalização do sistema nervoso ou de outros tecidos.

Por agora, os pesquisadores sugerem que a morte por restrição severa do sono pode ser causada pelo excesso de estresse oxidativo e que o intestino é central nesse processo. Outro importante achado é que a sobrevivência sem sono ou com menos horas de sono – digamos, períodos na vida em que não se obtém a quantidade de horas de sono desejada – pode ser possível (não tão danosa) quando a acumulação de EROs é impedida, no caso aqui, demonstrado através do uso de antioxidantes.

Fonte:
Vaccaro A, et al. Sleep Loss Can Cause Death through Accumulation of Reactive Oxygen Species in the Gut

 

Estudo in vitro: vitamina C na redução de EROs

Ao longo dos anos, várias análises publicadas vêm explicando (em separado) a geração e a química do ácido sulfênico, bem como seus papéis biológicos. A formação do ácido sulfênico de proteína há muito tempo é considerada um dano indesejado causado por espécies reativas de oxigênio (EROs). Dentre outros, essas espécies são formadas quando a redução de oxigênio é incompleta e/ou a partir de estresse ambiental, como toxinas, metais pesados, radiações ionizantes e UV, choque térmico, infecção e inflamação.

Quando em equilíbrio, as EROs agem como mensageiras em várias vias de sinalização intracelular. Por outro lado, quando formadas em excesso, elas podem se ligar a moléculas vitais e perturbar seu funcionamento. Para isso, a célula desenvolveu vários mecanismos de defesa e homeostase redox para controlar rigidamente o nível de oxidação de tióis (estruturas existentes nas proteínas) e sobreviver em um mundo oxidante – mas talvez não suficiente para uma longeva qualidade de vida.

Curiosamente, um estudo brasileiro recém-publicado em Free Radical Biology and Medicine mostra de forma quantitativa uma valorosa contribuição da vitamina C para reverter a oxidação de grupos tiol da proteína cisteína (Cys), sujeita à oxidação pelas EROs em ácido sulfênico. No estudo in vitro, realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a redução deste ácido foi observada em células situadas em compartimentos com altos níveis de ascorbato, assim podendo regenerar os tióis.

Com este resultado, investiga-se o uso de vitamina C para a redução de fungos (mofo) e doenças bacterianas em plantas, em que a concentração da vitamina é alta e importante para o desenvolvimento e processo de germinação das sementes. Com paralelo raciocínio, conforme resultados de pesquisas anteriores in vitro e in vivo, o resultado também coopera com a hipótese de que a homeostase redox intracelular não seja somente governada pela razão glutationa reduzida/glutationa oxidada (GSH/GSSG), mas também pelos níveis de ascorbato.

Fontes:
Anschal V, at all.Reduction of sulfenic acids by ascorbate in proteins, connecting thiol-dependent to alternative redox pathways.

Monteiro G, at all.Reduction of 1-Cys peroxiredoxins by ascorbate changes the thiol-specific antioxidant paradigm, revealing another function of vitamin C.

BCAAs como suporte nutricional no tratamento da doença hepática

Os efeitos mais conhecidos da suplementação de BCAAs na doença hepática incluem melhorias na composição corporal e equilíbrio de nitrogênio, regeneração das células hepáticas, síntese de proteína e albumina, encefalopatia hepática e função imunológica. No entanto, para a abrangência desses benefícios e consequente melhora da qualidade de vida, a suplementação de longo prazo parece ser necessária, conforme estudo recém-publicado em Nutrients.

Paralelamente aos seus protocolos de tratamento, 124 pacientes diagnosticados como tendo cirrose hepática avançada, divididos em dois grupos, receberam: ou 6 meses de suplementação de 12,45g de BCAA (952 mg de L-isoleucina, 1904 mg de L-leucina, 1144 mg de L-valina); ou sem suplementação / no máximo 1 mês de suplementação (grupo controle). Os pacientes foram acompanhados durante 18 meses após a intervenção para a análise.

Este estudo demonstrou que no longo prazo a suplementação de BCAA melhorou os parâmetros do reservatório hepático, incluindo os escores MELD e CP em pacientes com doença hepática avançada. Os pacientes suplementados exibiram menos complicações relacionadas à cirrose, especialmente o desenvolvimento ou agravamento de ascite e encefalopatia hepática. A sobrevida livre de eventos cumulativa foi significativamente melhorada no grupo BCAA em comparação com o grupo controle (HR = 0,389, IC 95% = 0,221-0,684, p <0,001).

Uma limitação do estudo é que os pesquisadores não avaliaram o estado nutricional (incluindo sarcopenia) com base em parâmetros antropométricos, como a circunferência do músculo do braço, ou desempenho funcional, como velocidade de marcha ou força de preensão manual. No entanto, na análise de subgrupo, o nível de albumina sérica – indicando o estado nutricional e funcional hepático – aumentou em pacientes com baixo nível de albumina durante a suplementação de BCAA.

Esses resultados mostram que mesmo que o tratamento da doença hepática subjacente possa ser a intervenção principal, o suporte nutricional também é um fator independente para melhorar os resultados nesses pacientes.

Fonte:

Park, Jung Gil et al. Effects of Branched-Chain Amino Acid (BCAA) Supplementation on the Progression of Advanced Liver Disease: A Korean Nationwide, Multicenter, Prospective, Observational, Cohort Study.

 

Creatina para atletas com dietas à base de plantas

Existe um consenso de que as concentrações de creatina e fosfocreatina são possivelmente menores nos músculos de atletas que optam por dietas com reduzidas (ou inexistentes) fontes animais. Com isso, há um bom potencial de que a suplementação de creatina mono-hidratada nessa população possa aumentar as suas concentrações no sangue e nos músculos – talvez até em maior extensão do que em pessoas com dietas onívoras.

Para testar esta hipótese, pesquisadores canadenses publicaram em International Journal of Environmental Research and Public Health uma revisão sistemática de estudos de grupos paralelos sobre o efeito da suplementação de creatina em pessoas sob vários tipos de dietas à base de plantas (dietas vegana e vegetarianas com suas variações) para resultados que incluem estoques de creatina corporal e desempenho de exercícios. Além de grupo placebo, a comparação foi realizada com grupo onívoro.

Os resultados mostraram que a suplementação de creatina em atletas com dietas à base de plantas é eficaz para aumentar os níveis de creatina e fosfocreatina a um ponto até mais elevado do que o ocorrido em atletas sob dietas onívoras. Ou seja, parece que os níveis basais mais baixos podem permitir uma “supercompensação” dos níveis de creatina ou fosfocreatina com a suplementação, podendo beneficiar esses atletas em seu desempenho físico e cognitivo. A suplementação aumentou a massa de tecido magro, área de fibra tipo II (contração rápida), IGF-1, força e resistência musculares, potência média de Wingate e função cerebral.

Nota-se que a creatina presente na maioria dos suplementos é sintetizada a partir da sarcosina e da cianamida, não contém nenhum subproduto animal e, portanto, é favorável a pessoas com dieta estritamente vegana. A única precaução é que, se em forma de cápsulas, deve-se observar se estas contêm subprodutos animais.

Fonte:
Kaviani, Mojtaba, et al.Benefits of Creatine Supplementation for Vegetarians Compared to Omnivorous Athletes: A Systematic Review.

Revisão sobre colágeno para a saúde da pele

Uma revisão recém-publicada em Experimental and Therapeutic Medicine descreve resultados do conjunto da pesquisa realizada até o momento sobre a suplementação de colágeno hidrolisado e a saúde da pele. Numerosos estudos têm demonstrado que peptídeos resultantes da ingestão de colágeno hidrolisado e detectados na corrente sanguínea possuem propriedades quimiotáticas para os fibroblastos cutâneos, auxiliando no processo de estabilidade e regeneração da pele em mulheres e homens.

A revisão incluiu seis ensaios clínicos randomizados que investigaram os efeitos de várias marcas de suplementos de colágeno hidrolisado (tipos I e/ou II) na saúde da pele e os resultados parecem concordar sobre as melhoras da elasticidade, hidratação e redução de enrugamento.

É importante destacar que o processo de perda da elasticidade da pele e de formação de rugas não ocorre em isolado. Ele está associado também com a saúde dos tendões, ligamentos, dentes, densidade óssea, artérias (hipertensão), saúde cardiovascular e até mesmo com a função do sistema pulmonar.

Para uma ótima atuação, é favorável que a formulação de um colágeno contenha nutrientes que cooperem com muitos dos fatores envolvidos. Entre outros, o ácido hialurônico participa da hidratação e estrutura da pele. As vitaminas A, C, E, o mineral zinco e a coenzima Q10 acentuam a proteção antioxidante contra o possível excesso de espécies reativas de oxigênio. O estresse oxidativo causado por essas espécies está intimamente relacionado ao processo inflamatório e à síntese de colágeno cujo cofator essencial é a vitamina C.

Fonte:

Lupu, Mihaela-Adi et al.Beneficial effects of hydrolyzed collagen-based food supplements for skin care (review).

 

Multivitamínico reduz duração e gravidade de doenças

Estudo publicado em Nutrients concluiu que a suplementação de vitaminas e minerais em adultos durante 12 semanas levou a uma redução significativamente estatística da duração e severidade de doenças. Os participantes tinham de 55 a 75 anos, uma faixa etária em que geralmente se observa um maior risco de deficiências de vitaminas e minerais. Esta deficiência relacionada à idade contribui para o declínio do sistema imune.

Em estudos anteriores com pacientes que sofriam de resfriado comum, foram observadas melhorias com tratamento de curto prazo combinando zinco com altas doses de vitamina C. Outros realizados com um único nutriente ou com suplementos multivitamínicos/minerais indicaram eficácia no tratamento e redução do risco de infecções.

Neste estudo atual, os pesquisadores utilizaram um suplemento contendo vitaminas A, C, D, E, B6, folato, B12, e minerais ferro, cobre, zinco e selênio – nutrientes que de maneira direta ou indireta estão envolvidos no fortalecimento do sistema imune. Ao final, observaram que a mesma porcentagem de participantes nos grupos suplemento e placebo relatou sintomas. O importante detalhe foi que o total de dias de doença no grupo suplementado foi, em média, menos de três dias, em comparação com mais de seis dias no grupo não suplementado.

Fonte:

Fantacone, ML, et al. effect of a multivitamin and mineral supplement on immune function in healthy elderly: a double-blind, randomized and controlled trial.

Benefícios do xilitol além da saúde oral

Uma minirrevisão da literatura, publicada emApplied Microbiology and Biotechnology, concluiu que os benefícios do xilitol para a saúde não se limitam à higiene oral. Reconhecido como um adoçante seguro e de baixa caloria, o xilitol é famoso internacionalmente pelos seus efeitos antiplaca, antigengivite, anticárie e remineralizador do esmalte dos dentes. O novo estudo mostra que outros potenciais efeitos do xilitol ocorrem sobre sistemas do organismo que estimulam direta e indiretamente o sistema imune:

• Auxiliando no controle glicêmico e do peso;
• Reduzindo infecções de ouvido e respiratórias;
• Estimulando a digestão, os lipídios e o metabolismo ósseo.

Esses resultados levaram os pesquisadores a afirmar que o xilitol pode tratar doenças cujos antibióticos e cirurgias não conseguem êxito.

No quesito segurança, como um poliol bem tolerado, suas doses seguras mais altas variam normalmente de 20g a 70g por dia, o que apresenta boa margem de uso. Por exemplo, a quantidade recomendada para inibição da cárie é de cerca de 10 g/dia para adultos (as crianças devem ingerir quantidades menores). Em 1985, o Comitê Científico de Alimentos da União Europeia publicou um relatório no qual afirmava que consumir 50g de solução de xilitol pode causar diarreia. Como ilustração de quantidade, os sachês individuais de xilitol encontrados no mercado geralmente contêm 5g.

Fonte:
Benahmed A, at all.Health benefits of xylitol.

 

O efeito do excesso de peso no funcionamento cerebral

Conforme o peso de uma pessoa aumenta, todas as regiões do cérebro diminuem em atividade e fluxo sanguíneo. A conclusão é de um novo estudo de imagem cerebral publicado noJournal of Alzheimer’s Disease. No trabalho que liga o excesso de peso à disfunção cerebral, os cientistas analisaram mais de 35.000 exames de neuroimagem funcional usando tomografia computadorizada de emissão de fóton único (SPECT cerebral) em mais de 17.000 indivíduos (18-94 anos) para medir o fluxo sanguíneo e a atividade cerebral.

O baixo fluxo sanguíneo cerebral é o principal indicador de imagem cerebral de que uma pessoa desenvolverá a doença de Alzheimer. A redução também está associada à depressão, TDAH, transtorno bipolar, esquizofrenia, lesão cerebral traumática, vício, suicídio e outras condições.

A relação da obesidade com a fisiologia cerebral pode ocorrer por vários mecanismos. Um é através da neuroinflamação e sua influência na perfusão. A neuroinflamação está relacionada à hipoperfusão cerebral por meio de vias que incluem TREM-2, um biomarcador de neuroinflamação também observado na doença de Alzheimer. Assim, a obesidade crônica com sua inflamação sistêmica associada pode desencadear uma neuroinflamação e, consequentemente, hipoperfusão. Mudanças nos níveis de hormônios sexuais causadas pela obesidade também podem resultar em mudanças na perfusão cerebral.

Embora os resultados deste estudo sejam profundamente preocupantes, devido ao grande aumento de sobrepeso populacional observado nas últimas décadas, há esperança no trabalho de conscientização alimentar ou estilo de vida exercido por profissionais de saúde, em particular, nutricionistas. Uma das lições mais importantes dos estudos de imagens cerebrais passados é que uma dieta inteligente aliada a exercícios regulares pode melhorar o fluxo sanguíneo cerebral e seu funcionamento.

Fonte:
Amen D, et al.Patterns of Regional Cerebral Blood Flow as a Function of Obesity in Adults.

Benefícios do xilitol além da saúde oral

Uma minirevisão da literatura, publicada em Applied Microbiology and Biotechnology, concluiu que os benefícios do xilitol para a saúde não se limitam à higiene oral. Reconhecido como um adoçante seguro e de baixa caloria, o xilitol é famoso internacionalmente pelos seus efeitos antiplaca, antigengivite, anticárie e remineralizador do esmalte dos dentes. O novo estudo mostra que outros potenciais efeitos do xilitol ocorrem sobre sistemas do organismo que estimulam direta e indiretamente o sistema imune:

• Auxiliando no controle glicêmico e do peso;
• Reduzindo infecções de ouvido e respiratórias;
• Estimulando a digestão, os lipídios e o metabolismo ósseo.

Esses resultados levaram os pesquisadores a afirmar que o xilitol pode tratar doenças cujos antibióticos e cirurgias não conseguem êxito.

No quesito segurança, como um poliol bem tolerado, suas doses seguras mais altas variam normalmente de 20g a 70g por dia, o que apresenta boa margem de uso. Por exemplo, a quantidade recomendada para inibição da cárie é de cerca de 10 g/dia para adultos (as crianças devem ingerir quantidades menores). Em 1985, o Comitê Científico de Alimentos da União Europeia publicou um relatório no qual afirmava que consumir 50g de solução de xilitol pode causar diarreia. Como ilustração de quantidade, os sachês individuais de xilitol encontrados no mercado geralmente contêm 5g.

Fonte:

Benahmed A, at all. Health benefits of xylitol.

 

O efeito do excesso de peso no funcionamento cerebral

Conforme o peso de uma pessoa aumenta, todas as regiões do cérebro diminuem em atividade e fluxo sanguíneo. A conclusão é de um novo estudo de imagem cerebral publicado no Journal of Alzheimer’s Disease. No trabalho que liga o excesso de peso à disfunção cerebral, os cientistas analisaram mais de 35.000 exames de neuroimagem funcional usando tomografia computadorizada de emissão de fóton único (SPECT cerebral) em mais de 17.000 indivíduos (18-94 anos) para medir o fluxo sanguíneo e a atividade cerebral.

O baixo fluxo sanguíneo cerebral é o principal indicador de imagem cerebral de que uma pessoa desenvolverá a doença de Alzheimer. A redução também está associada à depressão, TDAH, transtorno bipolar, esquizofrenia, lesão cerebral traumática, vício, suicídio e outras condições.

A relação da obesidade com a fisiologia cerebral pode ocorrer por vários mecanismos. Um é através da neuroinflamação e sua influência na perfusão. A neuroinflamação está relacionada à hipoperfusão cerebral por meio de vias que incluem TREM-2, um biomarcador de neuroinflamação também observado na doença de Alzheimer. Assim, a obesidade crônica com sua inflamação sistêmica associada pode desencadear uma neuroinflamação e, consequentemente, hipoperfusão. Mudanças nos níveis de hormônios sexuais causadas pela obesidade também podem resultar em mudanças na perfusão cerebral.

Embora os resultados deste estudo sejam profundamente preocupantes, devido ao grande aumento de sobrepeso populacional observado nas últimas décadas, há esperança no trabalho de conscientização alimentar ou estilo de vida exercido por profissionais de saúde, em particular, nutricionistas. Uma das lições mais importantes dos estudos de imagens cerebrais passados é que uma dieta inteligente aliada a exercícios regulares pode melhorar o fluxo sanguíneo cerebral e seu funcionamento.

Fonte:

Amen D, et al. Patterns of Regional Cerebral Blood Flow as a Function of Obesity in Adults

Níveis de ferro no sangue podem indicar longevidade

Estudo internacional publicado em Nature Communications parece encaixar mais uma peça para a compreensão do complexo quebra-cabeça para o aumento da longevidade. Os pesquisadores, ao usar dados de correlações genéticas de características de envelhecimento de aproximadamente 1,75 milhão de pessoas, criaram uma análise sem precedentes, destacando dez regiões do genoma intrinsicamente associadas à idade biológica, anos de vida livres de doenças e vida extremamente longeva.

Entre os achados que sedimentam vias para futuras pesquisas, descobriram que conjuntos de genes ligados ao ferro estavam super-representados em suas análises das três medidas de envelhecimento. O ferro sanguíneo é afetado pela dieta e níveis anormalmente altos ou baixos estão relacionados a condições relacionadas à idade, como doença de Parkinson, doença hepática e um declínio na capacidade do organismo de combater infecções.

“Estamos muito empolgados com essas descobertas, pois sugerem fortemente que altos níveis de ferro no sangue reduzem nossos anos de vida saudáveis.Ou seja, manter esses níveis sob controle pode impedir danos relacionados à idade. Especulamos que nossas descobertas sobre o metabolismo do ferro também possam começar a explicar por que níveis muito altos de carne vermelha rica em ferro na dieta foram associados a condições relacionadas à idade, como as doenças cardíacas”, afirmou um dos autores do estudo, Dr. Paul Timmers, pesquisador da Universidade de Edimburgo.

Fonte:

Timmers P, at all. Multivariate genomic scan implicates novel loci and haem metabolism in human ageing.

 

Quase 10 mil alterações moleculares realçam a importância do exercício

O título do estudo publicado em CellMolecular Choreography of Acute Exercise (Coreografia Molecular de Exercícios Agudos, em tradução livre), chama a atenção. Mas apenas ao se debruçar nele é que se compreende a sua real significância da atividade física para 9.815 alterações moleculares nas vias metabólicas, imune e cardiovascular. Usando dados multiômicos de 36 participantes – selecionados para abranger uma ampla gama de resistência à insulina –, os autores puderam investigar detalhadamente a resposta diferencial ao exercício, obtendo sólidos insights sobre a fisiopatologia das condições metabólicas.

O campo de estudo ômico visa a caracterização e quantificação coletiva de conjuntos de moléculas biológicas. Em comparação com os estudos anteriores, este nos fornece um grande salto informacional ao agregar dados do perfil das células mononucleares do plasma e do sangue periférico, incluindo o metaboloma, o lipidoma, o imunoma, o proteoma e o transcriptoma.

No total, 17.662 moléculas foram analisadas, sendo que mais da metade (9.815) sofreu alterações após sessões vigorosas de aproximadamente 9-10 minutos de exercício. Amostras de sangue de participantes com resistência insulínica, por exemplo, mostraram aumentos menores em algumas das moléculas relacionadas ao controle da glicemia e aumentos maiores nas moléculas envolvidas na inflamação, sugerindo resistência a certos efeitos benéficos do exercício.

Diferenças significativas foram observadas em vários processos biológicos impactados pelo exercício, incluindo vias inflamatórias, estresse oxidativo, vascular, hipertrófico e de crescimento celular. Além de uma resposta inflamatória reduzida em participantes resistentes à insulina, foi observada uma melhor eficiência antioxidante sobre os ácidos graxos livres, produção de energia e restauração da homeostase energética.

Os pesquisadores também detectaram resposta diferencial no metabolismo do glutamato que está implicada na doença cardíaca coronariana. Além disso, a sinalização cardiovascular mostrou diferenças marcantes (geralmente na direção oposta) e incluiu endotelina-1 (vasoconstritor e alvo terapêutico na biologia vascular), trombina (uma enzima crítica na via de coagulação), e sinalização beta-adrenérgica cardíaca (reduzida na síndrome da insuficiência cardíaca ou nos distúrbios autonômicos).

Fonte:

Contrepois K, et al. Molecular Choreograp.

Níveis de ferro no sangue podem indicar longevidade

Estudo internacional publicado em Nature Communications parece encaixar mais uma peça para a compreensão do complexo quebra-cabeça para o aumento da longevidade. Os pesquisadores, ao usar dados de correlações genéticas de características de envelhecimento de aproximadamente 1,75 milhão de pessoas, criaram uma análise sem precedentes, destacando dez regiões do genoma intrinsicamente associadas à idade biológica, anos de vida livres de doenças e vida extremamente longeva.

Entre os achados que sedimentam vias para futuras pesquisas, descobriram que conjuntos de genes ligados ao ferro estavam super-representados em suas análises das três medidas de envelhecimento. O ferro sanguíneo é afetado pela dieta e níveis anormalmente altos ou baixos estão relacionados a condições relacionadas à idade, como doença de Parkinson, doença hepática e um declínio na capacidade do organismo de combater infecções.

“Estamos muito empolgados com essas descobertas, pois sugerem fortemente que altos níveis de ferro no sangue reduzem nossos anos de vida saudáveis.Ou seja, manter esses níveis sob controle pode impedir danos relacionados à idade. Especulamos que nossas descobertas sobre o metabolismo do ferro também possam começar a explicar por que níveis muito altos de carne vermelha rica em ferro na dieta foram associados a condições relacionadas à idade, como as doenças cardíacas”, afirmou um dos autores do estudo, Dr. Paul Timmers, pesquisador da Universidade de Edimburgo.

Fonte:

Role of antioxidants and a nutrient rich diet in Alzheimer’s disease.

Phys.org:

Blood iron levels could be key to slowing ageing, gene study shows.

 

Quase 10 mil alterações moleculares realçam a importância do exercício

O título do estudo publicado em Cell, Molecular Choreography of Acute Exercise (Coreografia Molecular de Exercícios Agudos, em tradução livre), chama a atenção. Mas apenas ao se debruçar nele é que se compreende a sua real significância da atividade física para 9.815 alterações moleculares nas vias metabólicas, incluindo função imune e cardiovascular. Usando dados multiômicos de 36 participantes – selecionados para abranger uma ampla gama de resistência à insulina –, os autores puderam investigar detalhadamente a resposta diferencial ao exercício, obtendo sólidos insights sobre a fisiopatologia das condições metabólicas.

O campo de estudo “ômico” visa a caracterização e quantificação coletiva de conjuntos de moléculas biológicas. Em comparação com os estudos anteriores, este nos fornece um grande salto informacional ao agregar dados do perfil das células mononucleares do plasma e do sangue periférico, incluindo o metaboloma, o lipidoma, o imunoma, o proteoma e o transcriptoma.

No total, 17.662 moléculas foram analisadas, sendo que mais da metade (9.815) sofreu alterações após sessões vigorosas de aproximadamente 9-10 minutos de exercício.

Diferenças significativas foram observadas em vários processos biológicos impactados pelo exercício, incluindo vias inflamatórias, estresse oxidativo, vascular, hipertrófico e de crescimento celular. Além de uma resposta inflamatória reduzida em participantes resistentes à insulina, foi observada uma melhor eficiência antioxidante sobre os ácidos graxos livres, produção de energia e restauração da homeostase energética.

Os pesquisadores também detectaram resposta diferencial no metabolismo do glutamato que está implicada na doença cardíaca coronariana. Além disso, a sinalização cardiovascular mostrou diferenças marcantes (geralmente na direção oposta) e incluiu endotelina-1 (vasoconstritor e alvo terapêutico na biologia vascular), trombina (uma enzima crítica na via de coagulação), e sinalização beta-adrenérgica cardíaca (reduzida na síndrome da insuficiência cardíaca ou nos distúrbios autonômicos).

Fonte:

Contrepois K, et al. Molecular Choreography of Acute Exercise.

Antioxidantes no tratamento da doença de Alzheimer

Uma dieta rica em nutrientes com a integração de antioxidantes pode prevenir ou até reverter os efeitos da doença de Alzheimer (DA). A pesquisa publicada em Open Biology concluiu que tomar uma combinação de antioxidantes em doses crescentes pode ser mais benéfico na prevenção da doença debilitante do que qualquer outro tratamento atualmente disponível.

Segundo as evidências e hipóteses apresentadas na pesquisa, a busca do equilíbrio do pH intra e extracelular é de fundamental importância. Dentre os fatores que contribuem para a acidose metabólica de baixo grau é uma dieta rica em alimentos refinados (carboidratos hiperindustrializados) e carente de alimentos crus (frutas e vegetais). A acidose metabólica pode levar a um aumento do estresse oxidativo e quebra/agregação proteica que, na presença da resistência insulínica, influi no desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão – todos fatores associados à DA.

O Dr. Gerald Veurink e colegas examinaram uma variedade de antioxidantes possivelmente mais eficazes na proteção de neurônios, chamando a atenção para a glutationa, carotenoides complexos como a astaxantina, bem como as vitaminas C e E em altas concentrações.

Conforme a pesquisa, a integração de um mix antioxidante personalizado e em alta dose à dieta cria sinergismos funcionais, tornando mais eficaz a prevenção e gerenciamento de doenças crônicas.

 

Fonte:

Veurink G, et all. Role of antioxidants and a nutrient rich diet in Alzheimer’s disease

 

Relação entre níveis de vitamina C e pressão arterial

O entendimento da resposta metabólica de cada organismo à diferentes dietas pode nos ajudar a compreender os elementos que tornam uma dieta benéfica para algumas pessoas, mas não para todas. Um estudo recém-publicado em Nature Food demonstra que existem diferenças interindividuais em resposta à mesma dieta, mesmo quando o ambiente é controlado. Os pesquisadores abordaram a fenotipagem metabólica (metabotipagem) de amostras de urina resultantes de indivíduos sob quatro dietas padronizadas específicas.

Conforme dados coletados, todos temos um metabotipo dietético exclusivo, que se relaciona com a homeostase fisiológica individual. Os autores encontraram na urina dos participantes (saudáveis) do estudo, além de ureia, partículas calóricas como metabolitos de bactérias intestinais.

Em seguida, o grupo recebeu quatro dietas diferentes, variando de uma dieta saudável, contendo muitas frutas, vegetais e fibras, até o equivalente a uma dieta tipo fast food. O metabolismo foi medido através da tecnologia de perfil molecular.

As vias metabólicas ativadas após cada dieta resultaram diferentes entre os participantes, e foram relacionadas aos níveis de glicose no sangue. Vários dos produtos químicos que mudaram na urina foram gerados pelas bactérias intestinais, o que é consistente com o fato de que as pessoas possuem microbiotas diferentes e que o uso do alimento como combustível pode ser diferente entre as espécies de bactérias.

Fonte:

Garcia-Perez I, et al. Dietary metabotype modelling predicts individual responses to dietary interventions.

Efeito da distribuição da ingestão diária de proteína na sarcopenia

Os mecanismos do corpo para a produção de músculos requerem estímulos regulares para funcionar com eficiência. Um estímulo essencial vem através do consumo diário de proteínas. É muito observado que, em adultos mais velhos e idosos, os mecanismos se tornam menos eficientes e, portanto, é necessário um maior empenho na melhora da ingestão proteica para obter a mesma resposta que outrora.

Geralmente se observa o consumo quantitativo (1,0-1,5 g/kg/dia) e qualitativo (perfil de aminoácidos, relação aminoácidos essenciais e não essenciais). Porém, um estudo transversal, publicado em Frontiers in Nutrition, chama a atenção para um terceiro componente dietético para a otimização da síntese muscular. A distribuição da ingestão proteica diária pode ser um detalhe funcional importante.

Os 120 participantes do estudo foram divididos em três faixas etárias: 40 jovens (23,8 ± 4,3 anos), 40 de meia idade (51,6 ± 4,1 anos) e 40 idosos (77,4 ± 7,4 anos). Encontraram 18 padrões de comportamento alimentar diferentes de ingestão proteica ao longo do dia, mostrando uma grande variedade de hábitos alimentares.

A RDA para proteína (0,8g/kg/dia) foi atendida pela maioria dos participantes, no entanto, grande parte dos participantes mais velhos (35%) não atendeu à alternativa quantitativa otimizante de 1,0-1,5 g/kg/dia, em comparação com os indivíduos jovens (60%). Nesta mesma faixa etária de participantes mais velhos, a qualidade proteica também deixou a desejar. Ademais, o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a desigual distribuição de proteínas ao longo do dia.

“O aumento da ingestão de proteínas, especialmente no café da manhã e no almoço, pode atenuar a perda muscular relacionada à idade”, concluíram eles.

Fonte:

Smeuninx B, et al. Source and Pattern of Dietary Protein Intake Across the Adult Lifespan: A Cross-Sectional Study.

 

Relação entre níveis de vitamina C e pressão arterial

Como a doença crônica não infecciosa mais comum, a hipertensão está intimamente relacionada a vários fatores de risco, incluindo genética, histórico familiar, sobrepeso e obesidade, tabagismo, inatividade física e dieta não saudável. A ingestão de nutrientes e o nível de eletrólitos são complexos e variados, mas as evidências populacionais demonstram que o consumo de magnésio, sódio, potássio e cálcio está inversamente associado à pressão arterial (PA). Menos conhecida é a associação entre os níveis de vitamina C e a PA.

Recentemente, pesquisadores chineses e japoneses analisaram um total de 18 estudos (n = 22.200 participantes) para verificar os níveis séricos de vitamina C entre indivíduos com hipertensão e sem hipertensão. A revisão e meta-análise foi recém-publicada em Cardiovascular Therapeutics.

Na avaliação, descobriram que pacientes com hipertensão apresentam níveis relativamente baixos de vitamina C, ou seja, 15,13 µmol/L menos que os indivíduos com PA normal [diferença média = -15,13, IC 95% (-24,19, -6,06) e P = 0,001]. A vitamina C sérica apresentou uma relação inversa significativa com a pressão arterial sistólica (P < 0,00001) e pressão arterial diastólica (P < 0,00001).

Considerando-se a estimativa mundial de mais de um bilhão de pessoas com pressão alta, e que pacientes com esta condição apresentam maior risco de complicações no caso de contraírem o coronavírus, a revisão funciona como um lembrete oportuno da importância de garantir níveis adequados deste micronutriente crucial.

Fonte:

Ran L, et al. Association between Serum Vitamin C and the Blood Pressure: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies.

Efeito da quercetina no controle da pressão arterial

Diversas evidências mostram que a ingestão de quercetina, ou alimentos ricos deste flavonoide, confere uma gama ampla de efeitos promotores de saúde, como atividades anticoagulatórias, anti-inflamatórias, anti-hipertensivas e anti-hiperglicêmicas. Com esse acúmulo de achados, uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados, recém-publicada em Nutrition Reviews, se concentrou em revisar a literatura quanto aos seus efeitos na pressão arterial (PA), perfil lipídico e níveis de glicose.

Dezessete ensaios, com um total de 896 participantes, foram incluídos na análise geral. Os protocolos de duração desses ensaios não ultrapassaram 3 meses, tendo alguns duração de apenas 2 semanas. Resultados combinados mostraram que a quercetina reduziu significativamente a PA sistólica (ADM, -3,09 mmHg; IC 95%, -4,59 a -1,59; P = 0,0001) e a PA diastólica (ADM, –2,86 mmHg; IC 95%, -5,09 a -0,63; P = 0,01). Não foram observadas mudanças significativas no perfil lipídico nem nas concentrações de glicose. No entanto, nas análises de subgrupos, alterações significativas no colesterol e triglicerídeos de lipoproteína de alta densidade foram observadas em ensaios com um desenho paralelo, e nos quais os participantes consumiram quercetina por 8 semanas ou mais.

A quercetina é um componente importante em várias fontes alimentares, como frutas, legumes, nozes, chá-preto e cascas de cebola. Em caso de necessidade de suplementação, a quercetina manipulada pode também ser prescrita por nutricionistas.

Fonte:

Huang H, et al.

Effect of Quercetin Supplementation on Plasma Lipid Profiles, Blood Pressure, and Glucose Levels: A Systematic Review and Meta-Analysis.

 

Vitamina C para a redução do risco de resfriados

Em 1961, o cientista Ritzel relatou em estudo controlado que crianças de uma escola de esqui na Suíça suplementadas com 1000mg de vitamina C (ácido ascórbico) apresentaram incidência e duração reduzidas de resfriados. Em 1970, Linus Pauling publicou o livro Vitamina C e o Resfriado Comum, onde relatou que a vitamina C pode reduzir a gravidade e a duração de um resfriado. Desde então, muitos foram os estudos sobre infecções respiratórias, incluindo resfriados, e a vitamina C. No entanto, alguns apontam que a falta de um ótimo protocolo padrão (p.ex., controle, número de participantes e doses ótimas da vitamina) gerou resultados não consistentes.

Com o objetivo de investigar se a ingestão de vitamina C poderia prevenir o resfriado comum seguindo um protocolo controlado (atividades, hora do sono e dieta), um estudo randomizado, publicado em 5 de março último no BMJ Military Health, utilizou doses bem mais altas do que as oficialmente recomendadas (100mg/dia) em soldados do exército da República da Coreia.

A pesquisa envolveu 1.444 participantes, que foram divididos em dois grupos: 695 participantes ingeriram 2 cápsulas de vitamina C (2000mg) após as refeições, 3 vezes ao dia, enquanto os demais 749 participantes receberam placebo. No total, 62% dos soldados participantes do estudo eram fumantes. A suplementação foi ministrada durante 30 dias, e os resultados foram:

• Os efeitos da ingestão da vitamina C dependeram do tabagismo e do estado de saúde de cada indivíduo.

• O grupo suplementado com vitamina C teve um risco 20% menor de contrair um resfriado comum do que o grupo placebo.

Fonte:

Kim TK, et al. Vitamin C supplementation reduces the odds of developing a common cold in Republic of Korea Army recruits: randomised controlled trial.

Vitamina D para a redução do risco de infecção respiratória

Conscientes de que nenhum suplemento ou alimento consiga por si só tratar as epidemiologias de influenza e de infecções causadas pelo coronavírus, incluindo a COVID-19, muitos cientistas vêm explorando o papel que a suplementação de vitamina D (25(OH)D) pode desempenhar na redução do risco de infecção do trato respiratório. De acordo com o Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças, durante o período de 2010–2019, só nos Estados Unidos, a influenza afetou entre 9 e 45 milhões de pessoas. Com esses e muitos outros dados em mente, pesquisadores agora vêm aumentando a recomendação da suplementação em grupos vulneráveis, e com urgência.

Entre os estudos de revisões da literatura científica recém-publicados, uma revisão (Nutrients, 03/2020) observa que o surto de COVID-19 teve início no inverno do Hemisfério Norte, um momento em que as concentrações de 25(OH)D se tornam naturalmente mais baixas. Também, as taxas de letalidade aumentam entre adultos mais velhos com comorbidade (de doenças crônicas) – ambos fatores já evidenciados com uma menor concentração de 25(OH)D.

Na discussão do estudo, a ação proposta pelos pesquisadores é: “Para reduzir o risco de infecção, recomenda-se que as pessoas em risco de influenza e/ou COVID-19 considerem tomar 10.000 UI/dia de vitamina D3 por algumas semanas para aumentar rapidamente as concentrações de 25(OH)D, seguido por doses de 5000 UI/dia. O objetivo deve ser aumentar as concentrações da vitamina acima de 40–60 ng/mL (100–150 nmol/L). Para o tratamento de pessoas infectadas com COVID-19, doses mais altas de vitamina D3 podem ser úteis”. Conjuntamente, eles afirmam que a suplementação de magnésio ajuda a ativar a vitamina D, que, por sua vez, ajuda a regular a homeostase do cálcio e do fosfato (crescimento e manutenção da saúde óssea).

Fonte:

Grant WB, et al.

 Evidence that Vitamin D Supplementation Could Reduce Risk of Influenza and COVID-19 Infections and Deaths.

 

A variabilidade da glicose sanguínea e o sistema imune

Qual seria um fator em comum entre obesidade, hipertensão, doenças vasculares, incluindo aterosclerose, o sistema imune, condições metabólicas, como o diabetes, e a gripe (influenza A)? De acordo com novos estudos: a alta variação do metabolismo da glicose.

Estudos pré-clínicos mostram que o aumento do metabolismo da glicose serve de força energética para a resposta imune desregulada – chamada de “tempestade de citocinas” –, que afeta o sistema imune de muitos pacientes com doenças infecciosas, seja a gripe sazonal, o Ebola, a infecção do trato urinário ou o COVID-19.

Pouco se sabe sobre o conjunto de fatores que instiga o aumento descontrolado da secreção de citocinas pró-inflamatórias, mas algumas peças deste quebra-cabeça começam a se encaixar. Sabe-se que o fator de transcrição de regulação do interferon 5 (IRF5) é crítico para a produção dessas citocinas e, quando geneticamente excluído em camundongos, os animais se tornam protegidos durante a influenza.

Sabe-se também que a resposta inflamatória às infecções por influenza aumenta o metabolismo da glicose, em parte para que as células imunológicas tenham a energia necessária para gerar uma resposta forte, mas também porque o vírus demanda açúcar para se replicar.

Wang et al. adicionam a este conhecimento achados de mecanismos moleculares recém-publicados em Science Advances, onde identificaram uma via específica do metabolismo da glicose necessária para ativar a produção de citocinas induzidas pelo IRF5 em células e camundongos. Eles mostram que essa chamada via de biossíntese da hexosamina é necessária para a replicação viral. Nela, o açúcar nucleotídeo chamado de difosfato de uridina N-acetilglucosamina é adicionado à proteína (O-GlcNacilação) do IRF5 para a atividade produtora de citocinas. A equipe também observa que os pacientes infectados com influenza têm níveis mais altos de glicose no sangue e mais O-GlcNacilação do IRF5 do que os controles saudáveis.

De acordo com outro estudo recém-publicado em mBio, mais do que a hiperglicemia per se, a variabilidade glicêmica gera uma superprodução de espécies reativas de oxigênio, que, por sua vez, impulsionam o aumento da produção endotelial de mediadores inflamatórios. Na discussão, Marshall et al. fazem a hipótese de que, caso esses dados sejam extrapolados para a população humana, a administração em longo prazo de antioxidantes (isto é, antes da infecção pelo vírus influenza) possa ser uma abordagem terapêutica viável para reduzir a carga de influenza em pessoas com diabetes ou variabilidade glicêmica.

No entanto, se o “efeito de legado” ou memória metabólica for evidenciada in vivo, chama-se a atenção para a importância do controle glicêmico precoce e sustentado para mitigarconsequências duradouras para a suscetibilidade de um indivíduo a condições infecciosas.

Fontes:

Wang et al. O-GlcNAc transferase promotes influenza A virus–induced cytokine storm by targeting interferon regulatory factor–5.

Marshall et al. Glycemic Variability in Diabetes Increases the Severity of Influenza.

Richardson et al. Presenting Characteristics, Comorbidities, and Outcomes Among 5700 Patients Hospitalized With COVID-19 in the New York City Area.

Estudo mostra níveis significantes de colina no óleo de krill

Além de fonte de ômegas (EPA e DHA) sob a forma de fosfolipídios, um pequeno ensaio clínico cruzado, randomizado e controlado por placebo adicionou mais um benefício ao óleo de krill. O estudo publicado em Nutrients analisou os níveis de colina nos participantes, como também um metabólito da própria colina, o TMAO (N-óxido de trimetilamina).

Reconhecida como um nutriente essencial, a colina pode ser formada por síntese de novo, mas precisa ser obtida adicionalmente através da dieta e/ou suplementação para atender aos requisitos do organismo. Entre outros, a colina é um componente das lipoproteínas estruturais e lipídios das membranas, e serve como precursora do neurotransmissor acetilcolina, que é crucial para a função cerebral.

Doze indivíduos receberam 620g de colina sob a forma de bitartarato ou 8g de óleo de krill (marca Superba Boost, que fornece 572mg de colina sob a forma de fosfotidilcolina), e 6 indivíduos receberam o produto-controle (óleo de peixe).

Embora a quantidade de colina encontrada no plasma sanguíneo por 24 horas não tenha sido estatisticamente diferente entre aqueles que tomaram o óleo de krill e aqueles que tomaram o bitartarato de colina, no grupo bitartarato foi encontrado um aumento de treze vezes na concentração plasmática de TMAO (níveis excessivos de TMAO podem atuar contra a saúde). O óleo de krill, portanto, mostrou-se uma forma segura e eficaz de aumentar os níveis de colina.

Fonte:

Mödinger Y, et al.

Plasma Kinetics of Choline and Choline Metabolites After A Single Dose of SuperbaBoostTM Krill Oil or Choline Bitartrate in Healthy Volunteers.

 

Fator de longevidade: quantidade de passos vs intensidade da caminhada

Um novo estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) investigou a associação entre o número diário de passos e a intensidade de passos (passos por minuto) com a mortalidade entre adultos nos EUA. Sem haver um número “mágico” de passos, para surpresa dos investigadores, o estudo encontrou que o que foi associado à maior longevidade foi um maior número de passos dados diariamente, e não a intensidade dos passos.

No estudo, 4.840 pessoas com idade média de 57 anos (54% mulheres; 36% indivíduos com obesidade) usaram um acelerômetro durante cerca de 5 a 6 dias, por uma média de 14,4 horas por dia. O número médio de passos por dia foi de 9.124.

Durante o acompanhamento de 10 anos ocorreram 1.165 mortes, incluindo 406 mortes por doenças cardiovasculares e 283 por câncer. A incidência não ajustada para mortalidade por todas as causas foi de 76,7 por 1.000 pessoas-ano para os 655 indivíduos que deram menos de 4.000 passos por dia; 21,4 por 1.000 pessoas-ano para os 1.727 indivíduos que realizaram de 4.000 a 7.999 passos por dia; 6,9 por 1.000 pessoas-ano para os 1.539 indivíduos que deram de 8.000 a 11.999 passos por dia; e 4,8 por 1.000 pessoas-ano para os 919 indivíduos que deram pelo menos 12.000 passos por dia.

Independentemente se um indivíduo se sente mais confortável de caminhar mais rápido ou mais devagar, o importante é o fato de caminhar mais.

Fonte:

Saint-Maurice PF, et al. Association of Daily Step Count and Step Intensity with Mortality Among US Adults.

Integrando nutracêuticos para o alívio de infecções por vírus RNA

Em artigo recém-publicado em Progress in Cardiovascular Diseases (Elsevier), pesquisadores propõem que certos nutracêuticos podem ajudar a aliviar sintomas de infecções causadas por vírus RNA, como influenza e coronavírus.

Tanto o vírus da gripe quanto o coronavírus causam inflamação nos pulmões, levando ao estresse respiratório agudo e possíveis sérias complicações. Certos nutracêuticos podem ajudar a reduzir a inflamação nos pulmões dos vírus RNA. Outros podem ajudar a aumentar a resposta do interferon tipo 1 a esses vírus, que é a principal maneira de o organismo criar anticorpos antivirais para combater infecções virais.

Os autores chamam a atenção para vários estudos clínicos randomizados em humanos que descobriram que suplementos, como a N-acetilcisteína (NAC) e o extrato de sabugueiro, já apresentaram evidências para encurtar a duração da gripe em cerca de dois a quatro dias e reduzir a gravidade da infecção.

Também foi observado que vários nutracêuticos, como espirulina, betaglucana, glucosamina e NAC, foram encontrados para reduzir a gravidade da infecção ou reduzir a taxa de mortalidade pela metade em animais infectados com influenza. Além disso, um estudo clínico em humanos que testou a espirulina, ou algas verde-azuladas, rica em cromóforo da ficocianobilina (PCB), observou reduções significativas na carga viral naqueles infectados pelo HIV.

Fonte:

Mc Carty MF; DiNicolantonio JJ. Nutraceuticals have potential for boosting the type 1 interferon response to RNA viruses including influenza and coronavirus.

 

Melhores dietas de 2020 nos EUA

Acaba de ser publicado o ranking anual de melhores dietas do US News & World Report. Agora em seu décimo ano, a “Best Diets” classifica 35 dietas em vários níveis, desde a saúde do coração até a probabilidade de ajudar no emagrecimento. Neste ano, a Dieta Mediterrânea ganhou pela terceira vez consecutiva como a melhor dieta geral. Em segundo, um empate entre as dietas DASH e a flexitariana.

Entre as categorias estão as melhores dietas para perda de peso, melhores dietas comerciais, melhores dietas para perda rápida de peso, melhores dietas para uma alimentação saudável, dietas mais fáceis de seguir, melhores dietas se você tem diabetes, melhores dietas se você tem doença cardíaca e melhores dietas à base de plantas. Na listagem, cada perfil dietético é classificado, explicando como a dieta funciona, se suas alegações vêm aumentando ou não, possíveis riscos à saúde, e é descrito sobre sua parte prática no dia a dia. Ao final, são resumidos os lados positivos e negativos de cada dieta para uma melhor consideração conforme a necessidade e estilo de vida do indivíduo.

O painel votante é constituído por 25 especialistas da área da saúde, incluindo nutricionistas e especialistas em diabetes, saúde do coração, comportamento humano e perda de peso, que avaliam em especial resultados de estudos e componentes da dieta.

Fonte:

Best Diets 2020.

Estudos associam dietas a alterações na fertilidade masculina

A contagem e a qualidade médias de espermatozoides vêm diminuindo gradualmente há anos, em homens do mundo todo. Os cientistas teorizaram várias causas potenciais, e uma delas pode estar ligada à dieta.

Estudo recém-publicado em JAMA Network Open, realizado com 2.935 jovens dinamarqueses, mostrou que a adesão a padrões de dieta caracterizados por uma maior ingestão de pizza, batata frita, carnes processadas e vermelhas, beliscos, grãos refinados, bebidas açucaradas e doces resultou em graus de atividade hipotalâmica reduzida e a uma redução na espermatogênese.

Este é mais um dentre vários estudos que concluíram que a saúde masculina, aqui especificamente representada pela função testicular, está intimamente conectada com a dieta e, portanto, nutrientes assimilados. De fato, uma grande revisão sistemática publicada no ano passado em Andrology examinou 16 estudos sobre o ômega-3 (mais de 1.000 indivíduos com possíveis problemas de fertilidade) e associou a sua ingestão com uma melhor qualidade do sêmen. Em janeiro último, um outro estudo transversal (1.679 dinamarqueses) obteve um resultado positivo similar.

Fontes:

Nassan FL, et al. Association of Dietary Patterns with Testicular Function in Young Danish Men.

Falsig A-ML, et al. The influence of omega-3 fatty acids on semen quality markers: a systematic PRISMA review.

Jensen TK, et al. Associations of Fish Oil Supplement Use With Testicular Function in Young Men.

 

O papel dos fungos intestinais em protocolos de nutrição

Os fungos intestinais respondem rapidamente às mudanças na dieta e no estilo de vida. Dentro de 24 horas, pode-se transformar o micobioma (parte do microbioma intestinal formada por fungos), apoiando o caminho para a perda de peso, melhor digestão e mais energia.

Estas afirmações estão no livro Total Gut Balance (Equilíbrio Total do Intestino, em tradução livre), do Dr. Mahmoud Ghannoum, lançado no fim de 2019. Na publicação, Ghannoum apresenta essa importante comunidade, explica como a dieta afeta essa população e como seu equilíbrio ou desequilíbrio pode afetar diversos processos no organismo.

Nomeada de “Dieta do Micobioma”, sua proposta foca, entre outros temas, nos biofilmes danosos e nos alimentos específicos para quebrá-los, como, por exemplo, probióticos, fibras resistentes, D-manose, e alimentos ricos em proantocianidinas tipo A, como o cranberry americano.

O livro contém planos de dieta de 7 e 20 dias, com mais de 50 receitas testadas por nutricionistas, para cultivar um micobioma (além do microbioma) e métodos para ajustar o estilo de vida em longo prazo.

Fonte:

Total Gut Balance – Fix Your Mycobiome Fast for Complete Digestive Wellness, de Mahmoud Ghannoum.

Palatinose impulsiona dietas de emagrecimento

Um estudo científico publicado recentemente mostrou que a Palatinose apoia a perda de peso corporal e de massa gorda em adultos com sobrepeso ou obesidade em uma dieta com esta finalidade. A Palatinose (isomaltulose) é um carboidrato de liberação lenta e de baixo índice glicêmico. Esses achados indicam que, além do total calórico, a escolha do carboidrato para adoçar os alimentos (ou como fonte de energia) afeta o metabolismo na queima de gordura.

Durante um período de 12 semanas, 50 adultos com sobrepeso ou obesidade consumiram 40g de Palatinose ou sacarose durante quatro refeições por dia, como parte de sua dieta de emagrecimento (aproximadamente 1700 kcal/dia).

Os grupos Palatinose e sacarose reduziram o peso durante o período de estudo. No entanto, apenas os participantes que consumiram Palatinose emagreceram um quilo extra. Além disso, o grupo Palatinose também experimentou uma redução no percentual de massa gorda (aproximadamente 2%) e um aumento no percentual de massa magra.

Quanto ao metabolismo na queima de gordura, o café da manhã contendo Palatinose, por exemplo, levou a um quociente respiratório significativamente menor do que o café da manhã idêntico contendo sacarose, demonstrando uma taxa de queima de gordura mais alta, de até 15%.

Fonte:

Changes in weight and substrate oxidation in overweight adults following isomaltulose intake during a 12-Week weight loss intervention: A randomized, double-blind, controlled trial.

 

Meta-análise: dieta mediterrânea protege a função endotelial

A dieta mediterrânea está mais uma vez fazendo notícia dentro do meio científico. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada agora em fevereiro no The Journal of Nutrition confirma sua influência para melhorar marcadores da função endotelial.

Os pesquisadores do Reino Unido analisaram 14 estudos, totalizando 1920 indivíduos adultos. A dieta rica em azeite de oliva, oleaginosas, vegetais e frutas, leguminosas, grãos integrais, temperos, peixes e crustáceos exerceu um efeito benéfico na função endotelial [diferença média padronizada (SMD): 0,35; IC 95%: 0,17, 0,53; P <0,001; I2 = 73,68%].

Houve melhora na dilatação mediada por fluxo (FMD) – o método de referência para mensuração clínica não invasiva da função endotelial – em 1,66% (alteração absoluta; IC95%: 1,15, 2,17; P <0,001; I2 = 0%). E os efeitos positivos provocados não foram modificados pelo estado de saúde, tipo de intervenção, duração do estudo, desenho do estudo, IMC ou idade dos participantes (P> 0,05).

Como conclusão, os efeitos protetores deste estilo mediterrâneo de alimentação parecem evidentes nos estágios iniciais do processo aterosclerótico, com implicações importantes para a prevenção precoce das doenças cardiovasculares.

Fonte:

Mediterranean Diet Increases Endothelial Function in Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials.

Meta-análise indica quercetina para controle de pressão alta

Uma revisão sistemática e meta-análise recém-publicada em Nutrition Reviews confirmou efeitos favoráveis da quercetina na pressão arterial. O flavonoide, encontrado em muitas frutas, legumes, folhas e grãos, em especial na cebola roxa, brócolis, maçã e framboesa, teve uso indicado como terapia adjuvante em pacientes com hipertensão.

Suas propriedades anti-hipertensivas foram encontradas em pacientes que receberam o suplemento em menos de 8 semanas, em doses maiores que 100 g/d. Resultados combinados mostraram que a quercetina reduziu significativamente a pressão arterial (PA) sistólica (ADM, -3,09 mmHg; IC 95%, -4,59 a -1,59; P = 0,0001) e a PA diastólica (ADM, -2,86 mmHg; IC 95%, -5,09 a -0,63; P = 0,01).

Além disso, quando suplementados por 8 semanas ou mais, os participantes apresentaram redução nos níveis de triglicerídeos e aumento dos níveis do colesterol HDL.

A hipertensão é um fator de risco bem conhecido para várias doenças cardiovasculares (DCV), demência, para a saúde dos rins e dos olhos. Quanto à saúde do coração, por exemplo, uma redução na pressão arterial de mais de 10 mmHg reduz o risco cardiovascular em 50% para insuficiência cardíaca, em 35% a 40% para AVC e em aproximadamente 20% a 25% para infarto do miocárdio.

Fonte:

Effect of quercetin supplementation on plasma lipid profiles, blood pressure, and glucose levels: a systematic review and meta-analysis.

 

Gordura abdominal é fator isolado para recorrência de infarto

O excesso de gordura na circunferência da cintura é, mais uma vez, apontado como fator de risco para a saúde. De acordo com uma grande pesquisa publicada no European Journal of Preventive Cardiology, indivíduos que já tiveram infarto do miocárdio e que possuem excesso de gordura abdominal correm maior risco de ter outro infarto.

Estudos anteriores mostraram que o excesso de gordura abdominal (medida pela circunferência da cintura) é um importante fator de risco para um primeiro infarto. Agora, o novo estudo afirma que este mesmo fator aumenta o risco para a repetição de infarto do miocárdio (ataque cardíaco) ou acidente vascular cerebral (AVC).

Os pesquisadores acompanharam mais de 22.000 pacientes após o primeiro infarto do miocárdio e analisaram especificamente novos eventos causados por artérias entupidas, como infarto e AVC fatal e não fatal. Os pacientes foram seguidos por uma média de 3,8 anos e, em sua maioria – 78% dos homens e 90% das mulheres –, apresentavam obesidade abdominal (circunferência da cintura igual ou maior que 94 cm para homens e 80 cm para mulheres).

Os resultados se mostram independentes de outros fatores de risco, como tabagismo, diabetes, hipertensão, pressão arterial, lipídios no sangue, índice de massa corporal (IMC), e até mesmo de tratamentos de prevenção secundária. A circunferência da cintura se mostrou como o marcador mais importante de eventos recorrentes do que a obesidade corporal geral.

Na prática clínica, os autores recomendam o uso da circunferência da cintura para identificar um maior risco de eventos recorrentes em pacientes que tiveram infarto do miocárdio.

Fonte:

Belly fat linked with repeat heart attacks.

15/01/2020 | Edição 04

 

Sociedade Brasileira de Cardiologia inclui espiritualidade em diretriz

A nova diretriz de prevenção elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia integra a espiritualidade como parte do protocolo da arte da medicina. A orientação é consequência de diversos estudos que evidenciam que meios capazes de aliviar o estresse e/ou integrar o meio ambiente interno de um indivíduo à prática clínica resultam em melhor saúde.

Ao trazer para dentro do consultório a busca das pessoas por conexão ou propósito em suas vidas, a Sociedade Brasileira de Cardiologia se mostra em alinhamento com a profunda transformação que a ciência médica mundial vem passando. O reconhecimento da espiritualidade pode ser visto como parte essencial do medicamento “centrado no paciente”, cada vez mais visto como crucial para o atendimento de alta qualidade.

Ao ouvir a palavra “espiritualidade”, muitos a associam à religião ou à religiosidade. No entanto, atualmente, os termos religião e espiritualidade vêm sendo vistos de forma independente. As pessoas podem ter sua espiritualidade sem “se encaixar” em nenhuma religião. Em outros casos, religião e espiritualidade se encontram sobrepostos. Já a religiosidade é o quanto um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião.

A inédita diretriz se mostra como uma contribuição para todos os profissionais da área de saúde. Em um contexto amplo, a melhor compreensão dos valores internos dos pacientes e da comunidade pode ajudar a aumentar o impacto de iniciativas de saúde e melhorar o contexto político-administrativo de saúde. No nível individual, o reconhecimento do papel da espiritualidade para a saúde pode ajudar os profissionais e clínicos a abordar seus pacientes com mais empatia, o que gera mais confiança e fortalece as colaborações entre os envolvidos.

Fontes:

Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Steinhauser KE, et al. State of the Science of Spirituality and Palliative Care Research Part I: Definitions, Measurement, and Outcomes. Journal of Pain and Symptom Management, 2017.

 

Como o óleo de peixe pode atuar no combate à inflamação

Há algum tempo que evidências mostram a característica anti-inflamatória do óleo de peixe. Isso o fez muito útil para cuidados de saúde preventivos e para condições crônicas, como doenças cardiovasculares, doença inflamatória intestinal, condições neurodegenerativas e câncer.

Agora, estudos vêm desvendando o mecanismo sob o qual o óleo de peixe – constituído de ácidos graxos ômega-3 (EPA, DHA e DPA) – pode estar exercendo esta função.

Tomados em conjunto, os achados levam às chamadas SPMs (specialized pro-resolving mediators, ou, em tradução livre, “mediadoras especializadas em resolução”). Elas fazem parte de uma longa lista de outros agentes fisiológicos, como glicocorticoides, a IL 10, e a anexina A1, que tendem a limitar a inflamação.

Já era sabido que o corpo produz SPMs através da quebra de ácidos graxos essenciais, incluindo alguns ácidos graxos ômega-3. Agora se descobriu que os constituintes do óleo de peixe atuam também como precursores da biossíntese destas moléculas.

A conclusão vem de estudo publicado na revista Circulation Research. A pesquisa mostrou um aumento nos níveis SPMs no sangue nas 24 horas seguintes à ingestão de ômega-3. Os testes também revelaram que a suplementação levou a um aumento nos ataques contra bactérias que poderiam causar uma resposta inflamatória do organismo.

Além disso, foi observado um enriquecimento significativo dos genes envolvidos na regulação imune e nas respostas dessas células após a suplementação com óleo de peixe. Juntos, esses achados indicam que as alterações nas concentrações de SPMs estão ligadas à reprogramação das respostas das células sanguíneas periféricas em direção a um fenótipo protetor.

Fonte: Souza PR, et al. Enriched Marine Oil Supplements Increase Peripheral Blood Specialized Pro-Resolving Mediators Concentrations and Reprogram Host Immune Responses: A Randomized Double-Blind Placebo-Controlled Study. Circulation Research; 2019.

Exposição ao sol e o controle de doenças autoimunes

Estudo clínico recém-publicado na Frontiers in Microbiology atualiza o entendimento da relação entre a exposição ao sol – especificamente à luz Ultravioleta de Banda Estreita (UVB) – e a prevenção de doenças. Segundo a pesquisa, a exposição aumenta os níveis de vitamina D, o que influencia positivamente as comunidades do microbioma intestinal. Como consequência, há um melhor controle da inflamação crônica – presente em tantas condições associadas ao estilo de vida moderno.

Por outro lado, o déficit da vitamina D causa uma superabundância de bactérias nocivas, causando uma inflamação que aumenta o risco de doenças autoimunes, como doença inflamatória intestinal, esclerose múltipla, diabetes, lúpus e alguns tipos de artrite.

Com base nos achados de que a luz UVB pode modular rapidamente o microbioma intestinal (sem alterações na dieta das participantes do estudo), não se pode excluir que a exposição ao sol contribua para a variação sazonal na composição do microbioma. Várias doenças inflamatórias crônicas exibem padrões sazonais. Especificamente, a natureza recorrente e remitente de doenças inflamatórias intestinais e esclerose múltipla estão fortemente associadas aos níveis de vitamina D.

Os pesquisadores apontam que, embora essa variação possa não ter efeitos evidentes em indivíduos saudáveis, ela pode ser de maior importância para pessoas com disfunção imunológica.

Fonte::

 BOSMAN, E.S. et al. Skin Exposure to Narrow Band Ultraviolet (UVB) Light Modulates the Human Intestinal Microbiome. Front. Microbiol; 2019. Doi:10.3389/fmicb.2019.02410.

 

A parte dos pacientes no controle do uso de antibióticos

Um em cada três americanos com idade entre 50 e 80 anos acredita que tomar antibiótico ajuda a acelerar a superação de um resfriado ou gripe. Um em cada cinco efetivamente toma esses remédios sem consultar um médico. Essas são algumas das conclusões de um estudo feito pelo Institute for Healthcare Policy & Innovation, da Universidade de Michigan, com a participação de 2.256 pessoas.

Esses resultados são bastante preocupantes no cenário atual, quando a eficiência dos antibióticos desafia a sua própria utilidade em longo prazo. A mutabilidade natural dos micróbios possibilita que patógenos desenvolvam uma crescente autoproteção, tornando o tratamento com antibióticos não tão efetivo.

Confira outras conclusões da pesquisa junto aos pacientes:

  • Quase metade dos participantes da pesquisa (48%) relatou ter recebido pelo menos uma prescrição de antibióticos nos últimos dois anos.
  • Entre os participantes que tiveram sobras de antibióticos, 65% relataram tê-los guardado.
  • Esses antibióticos restantes são usados com mais frequência do que os profissionais de saúde imaginam, especialmente por pessoas na faixa dos 50 e início dos 60 anos, em comparação com aqueles com mais de 65 anos.

Fonte:

Institute For Healthcare Policy & Inovation. University Of Michigan.

Nobel de Medicina premia pesquisa sobre efeitos do oxigênio nas células

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2019 foi para um trio de cientistas (dois americanos e um britânico), por seu trabalho em mostrar como as células sentem, adaptam e respondem a mudanças nos níveis de oxigênio. Segundo o comitê do prêmio, William Kaelin Jr., da Escola de Medicina de Harvard, Peter Ratcliffe, da Universidade de Oxford, e Gregg Semenza, da Universidade Johns Hopkins, identificaram um dos processos adaptativos mais essenciais da vida. As descobertas abriram o caminho para entender como os níveis de oxigênio afetam a função celular, tanto na saúde quanto em doenças.

Cientistas sabiam desde a década de 1970 que, quando os níveis de oxigênio são baixos, o rim secreta uma proteína chamada EPO (eritropoietina), que viaja para a medula óssea e aumenta a produção de glóbulos vermelhos. A resposta à hipóxia também influencia o principal interruptor do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF).

Consequentemente, a regulação da hipóxia na expressão gênica governa todos os tipos de processos e doenças biológicos, desde a retinopatia da prematuridade em recém-nascidos e o crescimento de vasos sanguíneos nos tumores até o treinamento de atletas em alta altitude. “Suas descobertas também abriram o caminho para novas estratégias promissoras para combater a anemia, o câncer e muitas outras doenças”, concluiu o comitê do Nobel em seu comunicado.

Acesse o comunicado no site do prêmio Nobel.

 

Kaatsu: a técnica que promete efeitos de treino longo em 30 minutos

Uma nova técnica começa a chamar a atenção de muitos profissionais e leigos: um treino de corpo inteiro – do tipo que geralmente leva horas para exercitar o máximo de músculos – que dura aproximadamente 30 minutos. O Kaatsu é um treinamento inventado pelo cientista do esporte, Dr. Yoshiaki Sato, em 1966. De baixo impacto, produz um estresse reduzido nas articulações e é limitado a aproximadamente 15 minutos na parte superior do corpo e a 20 minutos no core e parte inferior. Pode ser executado atrelado a curtas corridas, na musculação, natação e exercícios diversos. Portanto é um treino que pode abranger desde adolescentes até idosos – atletas ou não.

Para praticar, é necessário o uso de bolsas pneumáticas (ou bandas elásticas), que exercem pressão adicional no local exercitado através da modificação da circulação sanguínea. Com isso, vários capilares (que geralmente não são mobilizados) se alongam e se expandem para ajudar a melhorar a circulação e a vascularidade. Ao mesmo tempo, as concentrações de fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), óxido nítrico (NO) e ácido lático também aumentam, em processo semelhante ao que acontece durante exercícios prolongados.

Estudos científicos vêm apresentando bons resultados desta técnica de exercícios de carga baixa para o aumento de força e hipertrofia muscular, inclusive para pacientes com hipertensão. Isto porque, ao liberar mais NO, que permite melhor constrição e relaxamento dos vasos (elasticidade), ocorre uma melhor modulação da inflamação celular nas paredes dos vasos sanguíneos. Já o acúmulo de ácido lático nos músculos faz com que a hipófise secrete hormônio do crescimento em maiores quantidades, ativando o metabolismo do corpo.

Aplicação prática

A técnica vascular pode ser aplicada com um aparelho e bandas especiais KAATSU que permitem que a pressão só seja alta o suficiente para bloquear o retorno venoso para o torso (~ 50-100 mm Hg). A largura e flexibilidade das bandas não obstruem o fluxo arterial para os membros.

Quando a pressão é aplicada através de bandas elásticas comuns, estas exercem uma oclusão vascular, fazendo uma pressão mais forte enquanto restringem um pouco mais o fluxo sanguíneo (BFR, blood flow restriction) – o que difere ligeiramente da técnica Kaatsu original, mas que também vem obtendo bons resultados.

O treinamento Kaatsu pode ser aplicado em atletas; pacientes em reabilitação pós-operatória, com lesões do ligamento cruzado anterior ou em reabilitação cardíaca; em idosos, para combater a atrofia e a hipertensão; e em indivíduos saudáveis para a indução de hipertrofia muscular.

Estudos sobre o Kaatsu:

Cezar MA, et al. Effects of exercise training with blood flow restriction on blood pressure in medicated hypertensive patients. Rev educ fis; 2016. Doi:10.1590/S1980-6574201600020002.

Manimmanakorn A, et al. Effects of resistance training combined with vascular occlusion or hypoxia on neuromuscular function in athletes. Eur J Appl Physiol; 2013. Doi:10.1007/s00421-013-2605-z

Ooshima A; et al. Combination of KAATSU training® and BCAA intake for a patient after aortic valve replacement surgery: A case study. Int. J. KAATSU Training Res. 2018.

Patterson S, et al. Blood Flow Restriction Exercise Position Stand: Considerations of Methodology, Application, and Safety. Front Physiol. 2019; Doi:10.3389/fphys.2019.00533

Paz CLSL; et al. Efeito do kaatsu training na força e hipertrofia muscular de idosos: revisão sistemática. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício; 2018.

Science Behind KAATSU.”

Ação do ômega-3 na redução de triglicerídeos e prevenção cardiovascular

Associação Americana do Coração (AHA) reforçou em agosto a indicação dos ácidos graxos ômega-3 (EPA + DHA) como uma maneira “eficaz e segura” de reduzir os níveis elevados de triglicerídeos.

A efetividade na redução de triglicerídeos e o excelente grau de segurança e tolerabilidade dos ácidos graxos ômega-3 os tornam “ferramentas valiosas para os profissionais de saúde”, escreveram os cientistas do painel consultivo.

A declaração científica da AHA de 2002 sobre peixes e ácidos graxos ômega-3 já recomendava a prescrição de ômega-3 (EPA e DHA), regulamentados pela agência americana FDA, a um nível de 2 a 4g/dia para redução de triglicerídeos sob a supervisão de um médico.

No atual comunicado, lê-se:

“Concluímos que a prescrição de ácidos graxos ômega-3 (EPA + DHA ou apenas EPA) na dose de 4 g/d (> 3 g/d total de EPA + DHA) é uma opção eficaz e segura para reduzir triglicerídeos como monoterapia ou como um adjunto a outros agentes hipolipemiantes”..

Acesse o comunicado no site da AHA.

MCT para força e função muscular em idosos

A suplementação combinada de triglicerídeos de cadeia média (MCTs), aminoácidos ricos em l-leucina e colecalciferol já tem efeitos reconhecidos no aumento de força e função muscular em idosos frágeis.

No entanto, pesquisa publicada neste ano no American Journal of Clinical Nutrition indicou que o tratamento apenas com MCTs já pode ser suficiente para aumentar a força muscular, a função e as atividades da vida diária nesses indivíduos.

O estudo de intervenção randomizado, controlado e cego, de 3 meses, envolveu 48 participantes (85,5 ± 6,8 anos), com 100% de adesão ao tratamento.

Entre outros achados positivos, em três meses, os participantes do grupo MCT tiveram um aumento de 48,1% no desempenho de teste de abertura e fechamento de perna. Os pesquisadores concluíram que uma suplementação diária de 6g de MCT pode “aumentar a força e a função muscular de idosos frágeis e também melhorar suas atividades diárias”.

Confira o estudo na íntegra.

Ação do citrato de sódio no desempenho atlético

Estudo publicado recentemente no Journal of the International Society of Sports Nutrition investigou os possíveis efeitos da suplementação com citrato de sódio no desempenho de tenistas. A pesquisa registrou melhora em parâmetros metabólicos, incluindo o pH, e no desempenho de atletas suplementados com 500 mg de citrato de sódio (CS) por kg de massa corporal.

Os tenistas receberam aleatoriamente placebo ou citrato de sódio (CS) duas horas antes dos testes de desempenho de habilidade e testes repetidos de sprint. Esses testes foram seguidos por uma partida simulada de uma hora.

“É importante ressaltar que nenhum jogador relatou qualquer desconforto gastrointestinal significativo após a suplementação com CS. Na prática, parece que a suplementação de CS pode ser utilizada com segurança e eficácia em tenistas para melhorar o desempenho qualificado”, afirmam os pesquisadores na conclusão do estudo.

Estudos anteriores mostram que tenistas profissionais perdem, em média 2,5 l de suor por hora de jogo em circunstâncias quentes. Como um litro de suor contém cerca de 920 mg de sódio (Périard JD, et al.), estima-se que os atletas percam cerca de 2,3 gramas (1 colher de chá) de sódio por hora de jogo.

Confira o estudo na íntegra.