Ácido α-lipoico injetável

Relevante potencial antioxidante, terapêutico e quelante no uso injetável

O que é o ácido α-lipoico?

Com propriedades antioxidantes conhecidas desde 1959, o ácido α-lipoico (ALA) apresenta resultados terapêuticos no alívio de sintomas relacionados a certas condições, como diabetes, Alzheimer, imperfeições cardiovasculares e neuromusculares — relacionados à idade —, ganho de peso devido ao consumo de medicamentos antipsicóticos e obesidade metabólica.

Normalmente encontrado nas mitocôndrias, o ácido α-lipoico participa de diversas funções enzimáticas, entre elas a quelação de metais. Enquanto em sua forma reduzida, o DHLA, é capaz de regenerar a vitamina E e a vitamina C ao serem oxidadas no organismo.

Apesar de ser encontrado no fígado e nos músculos esqueléticos de animais e humanos, e em alguns vegetais, como batata e brócolis, as quantidades produzidas naturalmente não são suficientes para suprir a energia necessária pela célula, necessitando a suplementação exógena. Otimizada através da administração por injetáveis, apresenta baixa biodisponibilidade por via oral.

Os suplementos nutricionais contendo ALA são tipicamente compostos pelo isômero óptico R-α-lipoico isolado ou por uma mistura racêmica de ácido R-α-lipoico e ácido S-α-lipoico, conforme demonstrado nas figuras estruturais químicas abaixo.

Figura 1: estruturas químicas das moléculas de ácido α-lipoico.

Potencial antioxidante

Em seu papel oxidativo, o ALA exerce uma ação direta doando elétrons para um pró-oxidante ou uma molécula oxidada, o que previne o estresse oxidativo. Espécies reativas de oxigênio (ROS) são moléculas reativas derivadas do subproduto natural do metabolismo do oxigênio e apresentam papéis significativos na homeostase e na sinalização celular. Elas são equilibradas por meio da presença de grupos antioxidantes, que podem ser enzimáticos (endógenos) ou não enzimáticos (exógenos). Quebrar esse equilíbrio com a superprodução de ROS, ou pela redução de antioxidantes, pode ser danoso e conduz ao estresse oxidativo.

Quando o estresse oxidativo ocorre, as células são sinalizadas e agem neutralizando os efeitos oxidantes, a fim de restaurar o equilíbrio redox, redefinindo parâmetros homeostáticos críticos. Essa atividade celular induz à ativação ao silenciamento de genes que codificam enzimas defensivas, fatores de transcrição e proteínas. De acordo com a teoria dos radicais livres, as ROS geradas por fatores endógenos, bem como fontes exógenas, geram danos ao DNA e acumulação de proteínas e lipídios, quando os mecanismos de defesa tornam-se fracos. Essas ROS também modulam a transdução de sinal e esses distúrbios causam danos nas organelas, mudanças na expressão gênica e alteração das respostas celulares, o que resulta no envelhecimento celular desordenado, conforme demonstrado na figura 2.

Figura 2: esquema didático representando o envelhecimento celular desordenado desencadeado pela ROS.

Apresentações disponíveis

Ácido α-lipoico 10mg/2mL – uso EV / IM / SC / ID

Ácido α-lipoico 100mg/5mL – uso EV / IM / SC / ID

Ácido α-lipoico 300mg/10mL – uso EV (exclusivo)

Ácido α-lipoico 600mg/Frasco 24mL – uso EV (exclusivo)

Indicações terapêuticas

     Ação antioxidante

      Potencial terapêutico

      Aumento dos níveis de glutationa dentro das células

      Capacidade quelante de metais tóxicos

Ação do ácido α-lipoico em diferentes condições:

Diabetes

A diabetes mellitus (DM) é definida por distúrbios no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. Reconhecida como um fator de risco para o desenvolvimento de diversas condições humanas, como:

• Aterosclerose
• Hipertensão
• Insuficiência cardíaca
• Infarto do miocárdio
• Dor neuropática
• Acidente vascular cerebral

Testes clínicos com infusão aguda de ácido α-lipoico comprovaram que a suplementação pode:

• Melhorar os sintomas neuropáticos positivos
• Contribuir na vasodilatação
• Aumentar a microcirculação em pacientes com polineuropatia diabética
• Ajudar na captação da glicose periférica
Eliminar radicais livres
• Promover a regeneração da fibra muscular

Câncer

Nesse viés, o ácido α-lipoico foi administrado como um agente anticancerígeno, principalmente em estudos experimentais de diferentes tipos de células cancerígenas, e apresentou bons resultados. Uma das propostas de atuação do ALA é na ativação da via mitocondrial, responsável pela apoptose celular, por meio da capacidade de gerar espécies reativas de oxigênio, observada em células cancerígenas de cólon, mama e pulmão.

A suplementação contribui para:

Bloqueio da via glicolítica, fazendo com que menos moléculas de lactato sejam geradas e melhorando o prognóstico do câncer
Supressão da proliferação e do crescimento de células cancerígenas de tireoide por meio da ativação de AMPK
Inibição da proliferação celular em células de câncer de pulmão, através da regulação negativa do EGFR

Alzheimer

Como uma condição neurodegenerativa crônica definida por alterações cognitivas, funcionais e comportamentais, o Alzheimer apresenta mecanismos como:

Privação de dano sináptico no córtex cerebral e em áreas subcorticais
Atrofia e degeneração celular das regiões afetadas
• Sintomas de inflamação ao redor das placas senis.
• Níveis aumentados de glutamato extracelular

Devido às suas propriedades antioxidantes e à sua capacidade de modular várias cascatas de sinalização, o ácido α-lipoico é utilizado como terapia alternativa para a DA. Resultados promissores provam que:

• Reprime o final da glicação avançada
• Protege e preserva neurônios hipocampais primários
• Aumenta a sobrevivência das células neuronais
• Ativa vias fosfoinositol-3 quinase (PI3K), PKC e ERK1/2

Efeitos adversos

Podem incluir náuseas, vômitos e vertigem em pacientes com neuropatia periférica. Infusões muito rápidas com diluições inadequadas podem causar embolia gordurosa e coagulopatia.

Contraindicações

Não é recomendada a administração de nenhum outro medicamento 30 minutos antes ou após a administração parenteral do ácido α-lipoico. Se necessário o uso de outro ativo, realizar a lavagem da via com 100mL de SF 0,9% antes da nova administração.

Vias de administração

Oral: a dose máxima tolerada em pacientes é de 1200 a 1800mg/dia, por mês.

Endovenosa: é recomendada a dose de 600mg (contudo, para a primeira administração, não recomenda-se exceder 250mg), utilizando bolsa de soro fisiológica de 250 ou 500ml. Para uma administração segura, sugere-se que a infusão seja de forma lenta, gotejando 5ml com 10mg por minuto.

Importante que os sinais vitais do paciente sejam acompanhados e documentados durante 30 minutos após a primeira infusão ou qualquer tratamento subsequente em que tenha ocorrido o aumento da dose. Para infusões de rotina, pode-se monitorar o paciente por no mínimo 15 minutos após a infusão.

IMPORTANTE

Este material é de apoio técnico para prescritores e é proibida a sua divulgação para consumidores, nos termos do item 5.14 da RDC 67/2007.

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